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arte e outros riscos

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Sim, é possível ter uma experiência tátil com os olhos

Como vocês sabem, eu sou professor de Publicidade & Propaganda. Ou ainda não tinha contado? O_O

Pois bem, na semana passada, durante a aula de Computação Gráfica & Editoração Eletrônica, falei aos meus alunos sobre os elementos básicos da comunicação visual que a pesquisadora Donis A. Dondis aponta em seu livro Sintaxe da Linguagem Visual. E um desses elementos é a textura, que a autora considera ser ‘o elemento visual que com frequência serve de substituto para as qualidades de outro sentido, o tato’ (p. 70)¹.

texturamadeira
texturapapel
Você consegue identificar o que essas 4 texturas representam?

Você consegue identificar o que essas 4 texturas representam?

texturacouro

Se tocarmos em uma imagem bidimensional, ou seja, aquela que está impressa em uma fotografia, ou presa à tela do computador, a única coisa que sentiremos são os materiais de que são feitos o papel, a tela ou até mesmo a tinta de uma pintura. Porém, se utilizarmos as texturas como recurso visual, podemos dar às imagens uma sensação de experiência tátil.

Quando temos uma textura que representa madeira, por exemplo, garantimos ao observador essa experiência tátil, pois é provável que ele já tenha tocado uma superfície de madeira e conheça a sensação. O uso de texturas é comum no meu trabalho com computação gráfica, mas aí eu resolvi exercitar isso à mão livre na aula de desenho. O resultado foi esse:

Utilizando as cores em diferentes tonalidades, foi possível reproduzir na imagem a textura da casca da maçã

Utilizando as cores em diferentes tonalidades, foi possível reproduzir na imagem a textura da casca da maçã

Ah, vá. Admita que ficou bom. Até me surpreendi com o resultado final, porque durante o processo eu juraaava que ia colocar tudo a perder. Tentei reproduzir no desenho a textura da casca da maçã, com todos aqueles detalhes que só a biologia é capaz de explicar (é sério, não sei o nome daqueles pontinhos e tracinhos da maçã). Certeza que você deve estar lembrando agora de como é tocar a casca de uma maçã e sentir a forma e o peso da fruta (embora a minha maçã não seja lá muito redonda haha).

Para chegar a esse resultado de textura, utilizei as cores em tonalidades diferentes para garantir o efeito de luz e sombra e também para dar volume à forma da maçã.

grafitemaca

Durante o processo, fiz também uma versão em grafite, justamente para exercitar as gradações de tonalidade e dar a impressão de volume.

¹DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes. 199. 236 p.

Quando a gente tenta dar forma ao amor de mãe ♥

Amor de mãe tem forma? Não sei, ainda não fui mãe. Mas nesse exercício da aula de desenho tentei encontrar forma, volume e a lógica de luz e sombra nas cores desse amor.

motherandson

Foi a primeira vez que trabalhei com lápis de cor, depois de passar um longo tempo em exercícios com lápis grafite. Até me surpreendi com o resultado. Mas não foi fácil e nem rápido, tá? Deu um trabalhinho. Vê só o processo:

motherandson1
motherandson2
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Como já falei pra vocês, meus exercícios na aula costumam ser de observação e mimeses. Eu observo uma imagem e tento reproduzi-la no papel. Dessa vez, reproduzi o trabalho impresso numa revista que ensina a pintar. O autor assina como Valdonês.

Eis a imagem original que usei como modelo para meu exercício, assinada por Valdonês.

Eis a imagem original que usei como modelo para meu exercício, assinada por Valdonês.

Como vocês podem ver, as sombras da imagem original são formas tão sólidas quanto o restante da pintura. No meu exercício, eu tentei dar um toque pessoal e fiz sombras mais suaves, que se dissipam gradualmente.

E aí, o que acharam?

Eu simplesmente não consigo parar de ver ‘Go’, clipe do The Chemical Brothers

Sério, não consigo. É hipnotizante. São 7 mulheres vestidas e maquiadas uniformemente, organizadas em fileira, dançando em sincronia num espaço urbano cheio de ângulos retos. Tem como não amar essa atmosfera industrial? Elas são como operárias da simetria. E para amantes de composições visuais simétricas (como eu), o clipe é só amor! 

Inclusive os movimentos geométricos das bailarinas me remetem imediatamente ao Ballet Triádico da Bauhaus, que eu já mostrei aqui no blog.

‘Go’ é o primeiro clipe extraído de ‘Born In The Echoes’, do The Chemical Brothers, e foi lançado em maio de 2015. Para dirigir o vídeo, a dupla britânica de música eletrônica chamou Michel Gondry, que vive trabalhando com Björk e já dirigiu clipes para o Daft Punk, Radiohead, Kylie Minogue e The White Stripes, entre outros. O cara também dirigiu o filme 'Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança' (2004).

Em novembro, o The Chemical Brothers se apresentará no Brasil. No dia 28, a dupla será uma das atrações do Festival Sónar 2015, em São Paulo. Já no dia 29, tem show no Rio de Janeiro. Bora?

Geometria coreografada: vocês pre-ci-sam conhecer o Ballet Triádico da Bauhaus

O Ballet Triádico da Bauhaus é uma ode aos princípios fundamentais da visualidade: a forma, a cor e o espaço. Um afago aos olhos!

Desenvolvido por Oskar Schlemmer e com música de Paul Hindemith, é considerado o primeiro balé abstrato da história da dança. Estreou em 1922, em Stuttgart (Alemanha) e merece a nossa atenção por ser um exemplo elevadíssimo do espírito vanguardista que tomou conta das artes no início do século XX, capaz de nos surpreender e emocionar até hoje.

Alguns figurinos do Ballet Triádico

Alguns figurinos do Ballet Triádico

No balé de Schlemmer, o número 3 é a base de tudo. São três bailarinos, em três atos, cada ato com sua respectiva cor e duração total de 30 minutos. 10 minutos para cada ato. E essa precisão matemática também se revela nos movimentos geométricos e nos figurinos simétricos dos bailarinos. Geometria coreografada.

Vagando pela internet, encontrei uma citação que seria do próprio Schlemmer, explicando em seu diário, do dia 5 de julho de 1926, o conceito de seu Ballet Triádico. Segue:

Por que o Ballet Triádico? Porque o três é um número eminentemente dominante, no qual o eu unitário e o seu oposto dualista são superados, começando então o coletivo. Depois dele vem o cinco, depois o sete, e assim por diante. O ballet deve ser entendido como uma dança da tríade, a troca do um, com o dois, com o três. Uma bailarina e dois bailarinos: doze danças e dezoito trajes. Mais além, a tríade é: forma, cor, espaço; as três dimensões do espaço: altura, profundidade e largura. As formas fundamentais: esfera, cubo e pirâmide; as cores fundamentais: vermelho, azul e amarelo. A tríade de dança, traje e música.

E como a internet é maravilhosa, é claro que tem um vídeo com o Ballet Triádico inteirinho  - e colorido. Sério, gente, dá logo esse play. Vocês não vão se arrepender:

Oskar Schlemmer e a Bauhaus:

Nascido em 1888, em Stuttgart (Alemanha), Oskar Schlemmer foi um dos primeiros professores da Bauhaus, a primeira escola de design do mundo. Entre 1921 e 1929, Schlemmer foi Mestre da Forma na Oficina de Teatro da Bauhaus, depois de ter trabalhado também na Oficina de Escultura. Foi pintor, escultor, designer e coreógrafo. O Ballet Triádico é um de seus principais trabalhos, assim como a tela ‘Bauhaustreppe’, de 1932.

O balé de Schlemmer ajudou a espalhar as ideias da Bauhaus, que tinha como principal campo de estudos a arquitetura, influenciando principalmente o design e a arquitetura modernista da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. Foi fundada por Walter Gropius em 1919 e fechada em 1933 pelo governo nazista. Entretanto, sua filosofia migrou para outros países e posteriormente voltou a funcionar na Alemanha. Atualmente, continua sendo uma das principais universidades daquele país.

Retrato de Oskar Schlemmer

Retrato de Oskar Schlemmer

A tela ‘Bauhaustreppe’ (1932), de Oskar Schlemmer

A tela ‘Bauhaustreppe’ (1932), de Oskar Schlemmer

Fachada do prédio original da Bauhaus

Fachada do prédio original da Bauhaus