Pigmum

arte e outros riscos

Filtering by Category: entrevistas

Entrevista | A curadora Tereza de Arruda comenta a exposição 'Contraponto', em cartaz em Brasília

  A curadora da exposição  'Contraponto' , Tereza de Arruda

A curadora da exposição 'Contraponto', Tereza de Arruda

Desde novembro do ano passado, o Museu Nacional da República, em Brasília, recebe uma grande exposição com nomes de destaque na arte contemporânea brasileira. A mostra 'Contraponto' reúne obras que pertencem ao acervo particular do colecionador Sérgio Carvalho e traz mais de 30 artistas, de três gerações diferentes, entre eles nomes como Antônio Obá, Berna Reale, Delson Uchôa, Elder Rocha, Fábio Magalhães, Flávio Cerqueira, Gil Vicente, Grupo EmpreZa, Hildebrando de Castro, Nelson Leirner e Renato Valle.

O sucesso de público foi tão grande que a mostra foi prorrogada até o próximo dia 25 de março, completando aí um período de visitação de pouco mais de 4 meses! Mas não era pra menos, né? Até pela sua dimensão, a mostra conseguiu apresentar ao público um recorte importante da atual produção artística brasileira.

E para entender melhor as escolhas curatoriais que nortearam a montagem da 'Contraponto', o Pigmum conversou com a curadora da exposição, a historiadora de arte Tereza de Arruda, que vive e trabalha entre São Paulo e Berlim desde 1989 e também já realizou curadorias em outros países, como Cuba e China. Na entrevista, Tereza comenta o desafio de adequar o projeto expográfico à monumentalidade do prédio do Museu Nacional, assinado por Oscar Niemeyer;  destaca ainda a relevância do Prêmio PIPA e de outros prêmios de divulgação e fomento aos novos artistas brasileiros; e fala um pouco sobre sua experiência profissional no campo da curadoria!

Entrevista imperdível, assim como a exposição! Mas corra! A 'Contraponto' já está nos últimos dias! Se você estiver em Brasília essa semana, não deixe de visitar o Museu Nacional da República!


Pigmum: O acervo da coleção Sérgio Carvalho conta com mais de 1.900 obras, mas apenas um recorte está em exposição na mostra 'Contraponto'. Como se deu a seleção desses trabalhos? Quais foram os critérios estabelecidos para compor a mostra?

Tereza: A mostra prioriza a diversidade e introspectividade da Coleção Sérgio Carvalho. Os artistas cujas obras estão presentes nesta exposição pertencem a três gerações distintas e são provenientes de várias cidades brasileiras. Desta forma, temos um panorama da atual produção contemporânea brasileira, rica e diversificada. Desde o início da coleção, houve a preocupação na aquisição de um conjunto significativo de obras de um mesmo artista, a conduzir o espectador à transformação na produção de cada artífice. Isto é uma prova do diálogo, cumplicidade e relacionamento progressivo e consequente com os criadores em seu percurso. Em face dessa particularidade e à vista da conhecida dificuldade das instituições nacionais em atender à demanda da produção das artes plásticas - certo que raramente um artista, de carreira consolidada ou em consolidação, tem a oportunidade de apresentar uma mostra individual em um museu (muitas vezes, a tão sonhada individual acontece antes em instituições internacionais, o que acaba por abrir portas no Brasil) -, a curadoria optou por trazer ao público uma coletiva de individuais (se não propriamente uma individual, um expressivo número de obras, evidenciando a preocupação com a formação de um acervo expressivo de cada artista). Assim, a mostra é composta de diversos núcleos individuais, proporcionando uma visão mais ampla da produção artística de cada um dos participantes. Em face dessa deliberada opção, o diálogo entre os artistas é secundário.

  Exposição  'Contraponto'  no Museu Nacional da República, em Brasília

Exposição 'Contraponto' no Museu Nacional da República, em Brasília

Pigmum: A mostra reúne mais de 30 artistas brasileiros e realça a diversidade formal, poética e temática do acervo de Sérgio Carvalho. Você acredita que a diversidade desse acervo representa, de certa forma, a diversidade e os contrastes ou contrapontos que podemos observar na arte contemporânea brasileira? Por quê?

Tereza: O resultado de minha pesquisa no contexto do acervo de Sérgio Carvalho apresentado nesta mostra evidencia diversos contrapontos que se complementam, enfatizando a pluralidade de técnicas e de linguagens, além da democracia estética na arte contemporânea brasileira: na história da arte contemporânea, nunca houve barreiras tão flexíveis, como na atualidade, propiciando atuações interdisciplinares, compondo-se, a mostra, de pinturas, fotografias, esculturas, vídeos, instalações, desenhos e performances. Podemos ainda adicionar uma conotação à mostra, acentuando, além da democracia estética, a democracia de expressão, essencial nas sociedades evoluídas, independente de ideologias, credo e partidos políticos. Mundialmente, se presencia um processo de retrocesso em vários seguimentos, e aqui o relevante é o cultural, imposto por sistemas de extrema direita. Justamente aí a arte é contraponto da repressão. Infelizmente, arte e sociedade têm hoje uma relação ambígua ao invés de efetiva, processo este que esperamos ainda reverter através de exposições como a 'Contraponto'.

  Pintura sobre tela de James Kudo, um dos artistas que integram a exposição

Pintura sobre tela de James Kudo, um dos artistas que integram a exposição

Pigmum: A partir da sua experiência como curadora, se você tivesse que traçar um perfil da arte contemporânea brasileira, que pontos ou contrapontos você destacaria como latentes na atual produção artística nacional?

Tereza: A atual produção da arte nacional não é um fenômeno isolado porém o resultado de um processo e atuação de artistas de diversas gerações. Justamente por isto expomos nesta mostra obras de artistas de três gerações para que fique visível esta interlocução entre as gerações distintas. A arte contemporânea brasileira atual possui um vasto legado de expressão.  Os artistas relatam em suas obras ora questões pessoais de seu microcosmo, temáticas que os norteiam em seu cotidiano, ora questões globais. O censo crítico e irônico se faz presente com muita sutileza a se destacar como uma das vertentes da produção atual.

 'Eu vi o mundo e ele começa dentro de mim'  (2015), escultura de Flávio Cerqueira. Fotografia: Paula Patrini

'Eu vi o mundo e ele começa dentro de mim' (2015), escultura de Flávio Cerqueira. Fotografia: Paula Patrini

  Outra escultura em bronze de Flávio Cerqueira

Outra escultura em bronze de Flávio Cerqueira

Pigmum: Entendendo a história da arte como uma narrativa que se consolida principalmente a partir da articulação de diversos fatores e agentes, como sucesso comercial, reconhecimento acadêmico, premiações, popularidade, inovação do ponto de vista técnico ou poético... Qual é a importância de acervos como o de Sérgio Carvalho nesse processo?

Tereza: O interesse de Sérgio Carvalho não é a obra de arte necessariamente como produto final. Não é seu valor de mercado que o atrai. Não é o rótulo que a obra e o artista adquiriram da crítica especializada, tampouco seu ranking na apreciação por curadores de destaque que induzem sua apreciação. O acervo é configurado a partir de um processo introspectivo desenvolvido com cada um dos artistas - na realidade, com sua quase totalidade. As visitas aos ateliers e exposições, reforçadas por conversas intensas e informais, desencadeiam uma relação única, formada por respeito, compreensão, engajamento e cumplicidade. Eis um exemplo autêntico de mecenato, o qual caiu em desuso a partir da introdução do capitalismo, desfazendo uma rede efetiva de inserção da produção artística no sistema social então vigente. A aquisição da obra de arte não significa o final de um processo. Este é o mero início de um intenso diálogo, em ordem progressiva, de Sérgio com os artistas, suas obras entre si e, por fim, dos artistas entre si. Aliás, o seu aprofundamento no universo artístico ocorre por conexões desencadeadas pelos próprios artistas. Não há uma hierarquia desnecessária neste processo que impeça o acesso ao conteúdo - este é entregue, compartilhado e guiado pelos participantes deste processo, artistas e colecionador, que muitas vezes desempenha o papel de mecenas, ao estimular, incentivar e patrocinar a produção artística e sua visibilidade.

  A monumentalidade do Museu Nacional da República, com projeto assinado por Oscar Niemeyer

A monumentalidade do Museu Nacional da República, com projeto assinado por Oscar Niemeyer

Pigmum: Me fale um pouco sobre a concepção expográfica da exposição. Como fazer com que obras tão diversas dialoguem entre si e dialoguem também com o espaço monumental do Museu Nacional da República?

Tereza: O projeto expográfico foi um grande desafio, uma vez que lidamos com uma obra arquitetônica museológica típica de Oscar Niemeyer – o museu não possui paredes planas e também não possui cantos. Pensamos em criar nichos dentro desta monumentalidade arquitetônica que fossem ao mesmo tempo efetivos tanto para a apresentação individual dos artistas quanto para o diálogo entre o conjunto. Não há distribuição das obras necessariamente por um agrupamento temático ou estético. Elaboramos a distribuição espacial para dar o máximo de vazão e visibilidade possível para o conteúdo exposto.

Pigmum: Entre os artistas da exposição, dezessete deles já foram indicados ao Prêmio PIPA, que ao longo desta década vem se destacando como um dos principais espaços para a apresentação de novos artistas no Brasil. Na sua opinião, o Prêmio PIPA pode ser considerado um termômetro da produção artística contemporânea? Que outros prêmios, museus, galerias ou veículos de comunicação você considera que também cumprem essa função de apresentar a nova cara da arte brasileira?

Tereza: O Prêmio PIPA é sem dúvidas um dos grandes meios de divulgação e formento da produção atual brasileira. Outros prêmios relevantes são o Marcantonio Vilaça, assim como premiações que acontecem no contexto das feiras de arte nacional. A mostra Panorama da Arte Brasileira organizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo também tem em seu estatuto esta prioridade. Estes prêmios e mostras aqui citados deveriam ser exemplares para a criação de mais plataformas por todo o Brasil para o incentivo e difusão da obra de jovens artistas, uma vez que esta produção é vasta de conteúdo e também descentralizada geograficamente. A oferta atual de subsídios e premiações é sem dúvidas muito escassa comparada com a demanda existente.

  Obras de Berna Reale, vencedora do Prêmio PIPA online 2012

Obras de Berna Reale, vencedora do Prêmio PIPA online 2012

Berna Reale Contraponto

Pigmum: Ao longo de sua trajetória como curadora de arte você já realizou trabalhos em parceria com instituições e museus nacionais e internacionais, inclusive você vive e trabalha entre São Paulo e Berlim desde 1989. Você percebe alguma diferença no trabalho de curadoria de arte no Brasil e na Alemanha? Quais são os principais desafios que você já enfrentou durante a sua carreira?

Tereza: Iniciei a curadoria internacional em um período em que esta atuação ainda era pioneira. Me formei inicialmente no Brasil em Administração de Empresas especializada em comércio exterior e na sequência fui para Berlim estudar História da Arte. Nesta época não existia esta formação no Brasil como um curso universitário autônomo. Meu interesse era realmente ter um entendimento maior da arte, sua relevância e potencial de difusão como um elo intercultural sem nunca pensar nos desafios que viriam. O percurso é longo, porém muito frutífero. Por coincidência eu já morava em Berlim no período da queda do muro e desmanche da cortina de ferro que supostamente dividia o mundo entre capitalista e comunista. Houve um grande efeito dominó com a queda de ditaduras do leste europeu, o que sem dúvidas desencadeou uma grande abertura sócio-política-econômica abrangente, inclusive como um dos primórdios para a abertura da China que a levou ao status de potência global. Toda esta evolução foi propícia para eu expandir meu território de atuação. Possuo três nacionalidade – brasileira, alemã e italiana – como toda boa espiã! Permaneço atenta a diversos contextos sem nunca ter deixado de manter uma relação estável profissional com o Brasil, onde realizo em média três projetos em instituições e museus por ano.

  Parede com obras de Flávia Junqueira, na exposição  'Contraponto' . Fotografia: Paula Patrini

Parede com obras de Flávia Junqueira, na exposição 'Contraponto'. Fotografia: Paula Patrini

Com grande satisfação aceitei o convite para a curadoria da mostra 'Contraponto'. O convite feito para uma inserção neste contexto é irrecusável, além de ser um grande desafio. Um filtro sobre o filtro original, que gera este acervo, deve ser feito com muita cautela, pois há de se explorar e ampliar toda a potencialidade do conteúdo armazenado. No trabalho de pesquisa desta coleção, me deparei com artistas e obras com os quais já me familiarizava. Nos mais de vinte anos atuando como historiadora de arte e curadora independente entre o Brasil e a Alemanha, tive a oportunidade de trabalhar com inúmeros artistas representados neste acervo, sendo que algumas das obras que expus em mostras anteriores fazem hoje parte deste legado. Almejei trabalhar com muitos artistas e a primeira oportunidade se concretiza na curadoria dessa mostra. Também me deparei com artistas e obras que, até então, desconhecia. Tudo é parte de um longo processo. Não há uma atuação de curadoria distinta entre Brasil e Alemanha. O profissionalismo há de ser primordial e vigente igualmente independente do local de atuação.

Pigmum: Tereza, muito obrigado pela entrevista e parabéns pela exposição! Foi muito prazeroso passar uma tarde quase inteira apreciando tantos trabalhos incríveis!

Tereza: Eu que agradeço pelo convite.


Exposição: Contraponto - Coleção Sério Carvalho
Artista: Coletiva
Até 25 de março, de terça-feira a domingo, das 9h às 18h
Local: Museu Nacional da República
Endereço: Setor Cultural Sul Lote 02, Esplanada dos Ministérios. Brasília - Distrito Federal. Telefone: (61) 3325-5220
E-mail: museunacional@gmail.com
Entrada gratuita.

SERVIÇO: 

ENTREVISTA | Ser artista na Paraíba: Guto Holanda e Américo Filho falam sobre suas exposições na Galeria Archidy Picado

Guto Holanda e Américo Filho são dois caras bastante criativos que trabalham com pintura, mas cada um seguindo seu próprio traço. Só que há exatamente 1 mês, os caminhos desses dois artistas se encontraram na Galeria Archidy Picado, em João Pessoa-PB, que recebe simultaneamente até o próximo dia 9 de maio as exposições ‘Cor de Dentro’ (Guto Holanda) e ‘Espera’ (Américo Filho, que também assina como Meiacor).

  Os artistas Guto Holanda e Américo Filho (Meiacor)

Os artistas Guto Holanda e Américo Filho (Meiacor)

Mas esse encontro inusitado só foi possível porque as duas exposições foram selecionadas no edital de ocupação da galeria para 2017, publicado no final do ano passado.

E já que estamos na reta final do período de visitação dessas exposições, o Pigmum conversou com os dois artistas pra deixar aqui vários motivos que farão você visitar a galeria o quanto antes! Porque tá valendo muito a pena ir, viu?

  As exposições de Guto Holanda e Meiacor ficam em cartaz até 9 de maio na Galeria Archidy Picado. Fotografias: Therles Silva

As exposições de Guto Holanda e Meiacor ficam em cartaz até 9 de maio na Galeria Archidy Picado. Fotografias: Therles Silva

espera archidy picado

Na entrevista, a gente falou sobre os processos criativos dos dois trabalhos, sobre a própria Galeria Archidy Picado, além das alegrias e desafios de ser artista na Paraíba. Mas chega de lero, lero e vamos ao que interessa:


  Obra de Guto Holanda que integra a exposição  'Cor de Dentro'

Obra de Guto Holanda que integra a exposição 'Cor de Dentro'

Pigmum: Pra começar, vamos falar das exposições. Em ‘Cor de Dentro’, a ideia era despir as pessoas de suas próprias peles e enxergar as cores delas por dentro. Guto, você chegou a ‘se pintar’ também? Com quais cores Guto Holanda seria representado então?

Guto: A ideia central da exposição está voltada para a questão daquilo que não vemos, no caso, as cores, os tons... Na minha concepção, como artista e ser humano, há cores nas sensações, nos momentos, e como somos bombardeados de sensações, de sentimentos, as cores permeiam na atmosfera. Não vemos, mas sentimos. Em relação à qual cor me representaria vindo de dentro... acredito que tal cor estaria relacionada a algum momento, mas quase sempre tons mais leves, pastéis e rosados.

Pigmum: E você, Américo, por que intitular a exposição de ‘Espera’? À espera de que, afinal?

Américo: A série ‘Espera’ aborda a temática do tempo pelo viés psicológico. É essa dimensão temporal que nos envolve e que passa mais rápido ou mais devagar dependendo do nosso ânimo.

Pigmum: Seu trabalho costuma seguir vertentes mais lúdicas, né? Dá pra perceber pelos traços e pelas cores, que se aproximam muito dos quadrinhos e do cartoon. E você também sempre utiliza suportes variados, como ilustrações em livros, objetos de decoração e grandes murais. Mas nessa exposição você trouxe algo minimalista, com imagens mais sérias e em pequenas dimensões. O que houve?

Américo: Eu costumo trabalhar em várias vertentes. Faço parte de alguns coletivos também, como o Humor Aquoso, que é uma página de humor na internet. Tem o DIA, que já caminha pro lado da ilustração e do design. E tem também o Acervo 03, de graffiti. Então essa é umas das características do meu trabalho e de como encaro as artes. Nesse sentido, minha produção é bem diversa. Pra mim, ideia e forma têm que dialogar. Então a ideia da série ‘Espera’, que eu venho alimentando já há algum tempo, caminhou para esta forma visual, o que nem sempre é uma escolha racionalizada.

  Para essa exposição, Américo usou madeira como suporte e pintou em pequenas dimensões, embora seja conhecido também por pintar grandes murais com  graffiti . Fotografia: Therles Silva

Para essa exposição, Américo usou madeira como suporte e pintou em pequenas dimensões, embora seja conhecido também por pintar grandes murais com graffiti. Fotografia: Therles Silva

Pigmum: Na exposição, as pinturas foram feitas sobre madeira. Foi a primeira vez que você usou esse suporte? O que muda do papel para a madeira, inclusive quanto às questões simbólicas envolvidas?

Américo: Eu já havia usado madeira como suporte, mas foi a primeira vez que usei madeira dessa forma, sem pintá-la completamente, deixando sua aparência natural. Quando iniciei a construção da ideia desta série não havia ainda pensado neste suporte. Comecei como sempre fazendo no papel, mas com um tempo achei que aquelas figuras envolvidas de vegetação precisavam de um suporte diferente do que eu costumo usar. Certo dia encontrei uns pedaços de madeira numa construção perto de casa, então peguei, guardei em casa, depois de algum tempo fiz um teste e gostei do resultado. As pinturas ganharam o corpo que mereciam.

  Obras de Meiacor. Fotografia: Therles Silva

Obras de Meiacor. Fotografia: Therles Silva

meiacor

Pigmum: Que bacana. Realmente o resultado ficou bem interessante. Intrigante, até. Já em ‘Cor de Dentro’, a técnica utilizada foi a pintura sobre Eucatex. Guto, que outros materiais e suportes você costuma usar no seu trabalho e quais são os temas que te motivam?

Guto Holanda: Eu tenho utilizado o Eucatex na maioria dos meus trabalhos, mas utilizo outros suportes também, como papel, tela, madeira... Basicamente tenho trabalhado com pintura, mas aos poucos tenho sentido a necessidade de criar em outros seguimentos, talvez escultura ou instalações... Os temas que costumo pintar estão ligados aos relacionamentos humanos, com o meio onde sobrevive ou vive, com objetos, com as sensações, trazendo uma estética bastante ligada ao meio urbano, à desconstrução de formas e trazendo cores diversas, quase que intuitivamente.

  Algumas obras da exposição  'Cor de Dentro' , de Guto Holanda. Fotografia:  Sandra Alves

Algumas obras da exposição 'Cor de Dentro', de Guto Holanda. Fotografia:  Sandra Alves

Pigmum: E vocês dois já se conheciam? Como está sendo a experiência de expor simultaneamente na galeria Archidy Picado?

Américo: A gente já se conhecia, sim, de outras exposições, inclusive. O Guto é um ‘caba bom’ e excelente pintor. Eu já tinha exposto na Archidy, mas como integrante do grupo DIA, não individualmente. E achei muito legal a ideia de exposições individuais simultâneas.

Guto: Pois é, apesar de serem duas exposições individuais, há um diálogo entre elas. É como sair de um filme e assistir outro, logo em seguida, falando de coisas diferentes, mas que se encontram. Essa foi minha primeira exposição na galeria e achei incrível expor ao lado de Meiacor. A gente se encontra em exposições, mas também em outros ambientes. Até na rua, na verdade, porque moramos bem próximos um do outro, no mesmo bairro.

Pigmum: E sobre a Galeria Archidy Picado, o que vocês mais gostam e o que precisa ser melhorado?

Américo: O espaço da galeria ficou muito bom depois da reforma. O que poderia mudar é o horário de funcionamento, que deveria funcionar também à noite.

Guto: Lá no Espaço Cultural José Lins do Rego acontecem muitos eventos no final da tarde e início da noite e justamente nesse horário a galeria está fechada [a galeria abre às 9h e fecha às 16h30]. Ao meu ver, seria um público interessante. No próprio prédio também não há sinalizações indicando onde fica a galeria. Acredito que tudo isso precisa ser melhorado, mas o espaço da galeria é muito interessante, sem falar na importância, em relação à credibilidade, que é expor numa das principais galerias da Paraíba, senão do Nordeste.

  Guto Holanda diante de suas obras. Fotografia: Sandra Alves

Guto Holanda diante de suas obras. Fotografia: Sandra Alves

Pigmum: Guto, pra você, como é ser artista na Paraíba? Você é de São Paulo, mas já mora aqui no Nordeste há alguns anos. Quais são as principais diferenças que você sente?

Guto: Eu moro na Paraíba há seis anos. Na verdade, ser artista aqui é resistir a um cenário sem tanta visibilidade, em relação a outros estados, como São Paulo ou Rio de Janeiro. Lá o movimento artístico tem mais incentivos e visibilidade. Porém, essa resistência acaba tornando o fazer artístico cada vez mais enraizado, mais verdadeiro em relação ao que se acredita no trabalho. Como se a voz fosse aumentando a cada exposição, a cada composição. Ao mesmo tempo que algumas questões são mais complicadas, como mercado, por exemplo, aqui na Paraíba encontrei um cenário mais aberto à experimentação, ao novo, no sentido de criação.

Pigmum: E você, Américo, como se deu o interesse pela arte e como é o dia a dia de um artista na Paraíba? Você inclusive é formado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), né?

Américo: Pelo que me lembro, eu sempre desenhei. Quando criança, era viciado em desenhos animados e costumava brincar de desenhar com meu irmão Gustavo. Resolvi fazer Artes porque era o curso que mais se aproximava do que eu gosto de fazer. Vivo uma vida normal. Tenho mulher e filho e um emprego fora das artes. Trabalho como ilustrador freelancer, também com graffiti, e no restante do tempo produzo meus trabalhos autorais, que são os que me dão mais satisfação.

  Obra de Américo Filho para a série  'Espera' . Fotografia: Therles Silva

Obra de Américo Filho para a série 'Espera'. Fotografia: Therles Silva

Pigmum: E quando foi então que Américo Filho se tornou o artista Meiacor? Por que esse nome?

Américo: O nome Meiacor, que é anagrama de Américo, é minha tag de graffiti. Comecei a grafitar há aproximadamente 6 anos depois de muitos convites de Cybele Dantas (Cyber), que é artista visual e grafiteira.

Pigmum: Beleza, gente! Muito obrigado por esse bate-papo.

Guto: A gente que agradece o contato. Em breve, terei outras exposições. Esse ano ainda aqui em João Pessoa. Espero que você possa ir!

Américo: Até a próxima, cara!


Exposições: Cor de Dentro e Espera
Artistas: Guto Holanda e Américo Filho (Meiacor)
Até 9 de maio, de segunda-feira à domingo, das 8h às 16h30
Local: Galeria Archidy Picado (Espaço Cultural José Lins do Rêgo)
Endereço: Rua Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho. João Pessoa - Paraíba. Telefone: (83) 3211-6296
Entrada Gratuita

SERVIÇO:

ENTREVISTA | Um papo com a artista mineira Eugênia França, que chega hoje (4) em Maceió-AL para abrir a nova exposição da Pinacoteca da Ufal

Explorar e ressignificar objetos descartados, utilizando principalmente a pintura como linguagem. É isso que move a artista visual Eugênia França em sua investigação constante acerca das relações humanas na sociedade de consumo.

Natural de Patos de Minas-MG, a artista vem à Maceió-AL pela primeira vez para inaugurar sua primeira exposição individual: ‘Do Lado de Cá, Do Lado de Lá’, com trabalhos que procuram captar, por exemplo, a relação simbólica estabelecida entre meninas da periferia e suas bonecas.

  A artista visual Eugênia França vem à Maceió pela primeira vez

A artista visual Eugênia França vem à Maceió pela primeira vez

A abertura da exposição será nesta terça-feira (4), logo mais às 20h, na Pinacoteca Universitária da Ufal e o Pigmum bateu um papo com a artista para saber mais sobre seu processo criativo e sua crítica ao descontrole consumista, que consome não apenas objetos, mas também os sujeitos.

Pigmum: Comente um pouco sobre o formato dessa exposição. Quais foram as suas motivações?

  Acrílica sobre tela (2014), da série  '1, 2, 3 Salve Eu!'

Acrílica sobre tela (2014), da série '1, 2, 3 Salve Eu!'

Eugênia: O que busco levantar nesta exposição é a forma como estabelecemos nossas relações na sociedade capitalista, em que parece haver uma inversão dos papéis e do lugar ocupado pelos seres humanos e pelos objetos, onde tudo parece ser uma coisa só: objeto-gente, gente-objeto. São 27 pinturas que eu dividi em três séries: a primeira se chama ‘1, 2, 3 Salve Eu!’  e nela eu uso como referência bonecas de plástico que foram descartadas. A segunda série se chama ‘Ausência Incrustada’ e minhas referências são manequins de fibra de vidro descartados por uma loja de restauro. E tem também ‘Do lado de cá, do lado de lá’, que dá nome à exposição e tem como referência crianças, geralmente de periferia, com suas bonecas velhas.

Pigmum: Essa é sua primeira exposição individual, mas há quanto tempo você trabalha com artes visuais e o que te impulsionou a expor agora?

Eugênia: Meus primeiros trabalhos foram feitos em 2010 e desde então eu comecei a participar de várias exposições coletivas em Belo Horizonte. Em 2015 e 2016, eu fiquei muito envolvida com a produção de um trabalho de cerâmica e a publicação de um livro sobre minha produção plástica no campo da cerâmica e também sobre minhas reflexões acerca das relações na sociedade contemporânea. O título do livro é ‘Nós Outros e Eu Mesma: transformar o barro em cerâmica expressiva para refletir sobre as relações humanas na sociedade contemporânea’, publicado no ano passado. Só agora eu tive tempo de organizar a minha produção e selecionar os trabalhos para uma exposição individual.

Pigmum: Nessa exposição você escolheu lonas de caminhão como suporte. Como se deu essa escolha? Simbolicamente, o que essas lonas representam no seu trabalho?

Eugênia: Eu tenho preferência por materiais que foram descartados, pois eu faço uma tentativa de ressignificá-los. As lonas foram encontradas em um bota-fora por um amigo, que sabe do meu interesse por reutilização de materiais. Imediatamente eu experimentei, pois eu gosto dessa liberdade que o material alternativo me dá. O resultado estético foi ótimo e eu passei a utilizar a lona. E o que mais me interessa é que ela já sofreu intervenções de outras pessoas e essas intervenções estão registradas nela. Rasgos, remendos, marcas, sujeira... As lonas são impregnadas de histórias. Histórias inimagináveis, mas que passam a compor o trabalho. Da mesma forma que são inimagináveis as histórias que vivenciam essas crianças que eu retrato.

  Meninas e suas bonecas. Na exposição, o campo de interesse de Eugênia investiga como se dá essa relação simbólica

Meninas e suas bonecas. Na exposição, o campo de interesse de Eugênia investiga como se dá essa relação simbólica

  Acrílica sobre lona de caminhão. Obras sem título, de 2016

Acrílica sobre lona de caminhão. Obras sem título, de 2016

Pigmum: Quem são essas crianças retratadas e como você chegou até elas?

Eugênia: São em sua maioria crianças que vejo no meu dia a dia enquanto transito pela cidade. Eu me aproximo do responsável, falo do meu trabalho, tento estabelecer um diálogo que me permita compreender como a relação entre a criança e a boneca é estabelecida e qual a compreensão que o responsável tem da relação e do papel da boneca no universo feminino, sobretudo o infantil, que está em um momento de formação de sua identidade. Então peço permissão para fazer a foto. São também filhas de conhecidos, de colegas ou amigos.

Pigmum: No texto informativo da exposição, enviado à imprensa, você fala que ‘somos repetidores de um sistema’ e que ‘geralmente não questionamos, o que acaba refletindo nas escolhas, nos papéis desempenhados e no lugar que ocupamos no mundo’. Em sua perspectiva, como não ser repetidores de um sistema?

Eugênia: Penso que quando questionamos mais, quando buscamos compreender um pouco mais o mundo em que vivemos e nos entregamos mais ao processo do que ao resultado daquilo que fazemos, outros caminhos poderão ser construídos. Perdemos a compreensão dos vários processos de construção das coisas e escolhemos o caminho mais curto: tudo é produzido industrialmente e adquirimos produtos iguais feitos para pessoas iguais. Acho que precisamos nos permitir passar pelo processo das coisas para compreender melhor o mundo em que vivemos.

  Corpos descartáveis. Manequins de fibra de vidro também são reutilizados e ressignificados pela artista

Corpos descartáveis. Manequins de fibra de vidro também são reutilizados e ressignificados pela artista

Pigmum: Você é uma artista de Minas Gerais, vai expor agora pela primeira vez em Alagoas e depois a mostra segue para outros estados. Comente um pouco sobre a qualidade itinerante dessa mostra.

Eugênia: Eu mandei meu projeto de exposição para vários locais, através de editais, e tive a felicidade dele ser aprovado em seis editais. Dois no Nordeste e quatro no Sul. Essa é a primeira vez que venho a Maceió.

Pigmum: Então com certeza podemos contar com sua presença no lançamento?

Eugênia: Sim, estarei presente na abertura e também no dia seguinte [5], para uma conversa de artista com o público, também na Pinacoteca, às 17h.

Pigmum: Obrigado, Eugênia e espero que sua passagem aqui pelo Nordeste seja gratificante. Nos vemos logo mais então!

Eugênia: Eu que agradeço, um abraço!


SERVIÇO:

Abertura da exposição ‘Do Lado de Cá, Do Lado de Lá’
4 de abril (terça-feira), às 20h.
Local: Pinacoteca Universitária da Ufal
Endereço: Praça Visconde de Sinimbu, 206, 1º piso - Centro. Maceió - Alagoas (Espaço Cultural Salomão de Barros Lima). Telefone: (82) 3214-1545 | 3214-1428
E-mail: pinaufal@gmail.com
 

Visitação: de 5 de abril até 19 de maio, de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 18h
Entrada franca.

Acesse o site da artista Eugênia França
 

ENTREVISTA | Com peças que mesclam ilustração e origami, o artista potiguar André Souza comenta sua primeira exposição individual

Em sua primeira exposição individual – sem título definido, André Souza não apenas desenhou sobre papel. Ele transformou o próprio papel em formas artísticas, criando origamis - a técnica oriental de dobradura de papéis. E é a sutileza desse material que dá a tônica suave da mostra.

  O artista visual André Souza conversou um pouco com o  Pigmum  sobre sua primeira exposição

O artista visual André Souza conversou um pouco com o Pigmum sobre sua primeira exposição

Por muitos anos, André Souza expôs seu trabalho com arte digital apenas nas redes sociais, mas agora – aos 30 anos – sua arte finalmente saiu das telas eletrônicas e ganhou o espaço físico do Mahalila Café & Livros – em Natal-RN, evidenciando também o seu amadurecimento técnico e estético. O visitante tem até o dia 4 de abril para conferir a exposição, das 16h às 00h.

O Pigmum conversou um pouquinho com ele pra saber como é expor pela primeira vez. Confira:


Pigmum: Você já desenha há um bom tempo e inclusive sempre postou seus trabalhos nas redes sociais, mas só agora abriu sua primeira exposição individual. O que mudou e possibilitou você a começar a expor?

André: Sempre tive vontade de montar uma exposição, mas nunca tinha conseguido escolher uma técnica pra isso. Só depois de alguns trabalhos com origami foi que me veio a ideia de misturar técnicas de desenho com origami, algo que nunca vi ninguém fazer. Foi isso que me motivou a expor. Também o fato de ter mais tempo livre na minha rotina fez com que eu pudesse me dedicar mais a esse trabalho artístico, experimentando a melhor forma de unir o desenho ao origami.

  Nesta exposição, o origami se integra à ilustração e o resultado é tão delicado quanto o próprio papel dobrado

Nesta exposição, o origami se integra à ilustração e o resultado é tão delicado quanto o próprio papel dobrado

origami 2

Pigmum: O que o visitante encontrará na exposição? Fale um pouco sobre o eixo temático da mostra.

André: O público encontrará sentimentos, desejos, conselhos... São 8 obras de técnica mista e os desenhos são em preto e branco. Decidi fazer assim para destacar as cores do papel de origami. Já tinha experimentado aquarela com origami antes, mas no final ficava parecendo uma coisa só. Bom, espero que o visitante se identifique com minhas obras que ilustram desilusões amorosas, vontade de mudar, de seguir um sonho, de encontrar coragem, que muitas vezes foram reprimidas pela sociedade. Enfim, o visitante também poderá tirar suas próprias interpretações, pois também há muito mistério nas obras.

  A mostra fica em cartaz até 4 de abril no Mahalila Café & Livros, em Natal-RN

A mostra fica em cartaz até 4 de abril no Mahalila Café & Livros, em Natal-RN

  Detalhe da exposição, que não tem título definido

Detalhe da exposição, que não tem título definido

Pigmum: Humm... Mistério? Já gostei! E o que mais te motiva na arte e quais são as outras técnicas que te interessam?

André: Amo desenhar figuras humanas e seres mitológicos como sereias e faunos. Atualmente estou interessado em botânica. Sobre as técnicas... Ah, eu gosto de todas! Hehehe... Só não experimentei ainda pinturas à óleo e nem pastel seco, mas quero experimentar em breve. Estou bastante interessado em técnicas à mão livre de modo geral, mas durante muitos anos e ainda hoje eu também trabalho com arte digital. E acaba sendo mais fácil, por possuir cores, efeitos, texturas e possibilidades infinitas apenas com poucos cliques em programas gráficos. Depende muito do trabalho e da proposta.

Pigmum: Quem são suas referências artísticas e o que te inspira?

André: Sou absolutamente inspirado pela cultura japonesa e sua tradição oriental. Amo trabalhar com formas geométricas e o Japão me levou ao origami e suas infinitas formas. Para mim, transformar um pedaço de papel em algo é um desafio e fico pensando como alguém pode descobrir um passo-a-passo para tal. Acho isso fantástico. Minha maior referência no origami é a matemática e mestra em origami Tomoko Fuse, que possui as formas mais incríveis e perfeitas que já vi. A simetria dos trabalhos dela é perfeita. Já na pintura, eu sou inspirado pelos grandes mestres, como o pintor Renascentista Michelangelo, pelo seu trabalho com a anatomia humana e como multiartista, já que ele era escultor, poeta, arquiteto... Tem também o impressionista Van Gogh, pelas cores, pelo movimento e pelo sentimento em suas obras. Um fato curioso é que Van Gogh também era muito interessado pela cultura japonesa e isso me fez admirá-lo ainda mais ♥. Além disso, sou muito inspirado pela música de modo geral. Sou capaz de colocar uma música no repeat infinito e fico escutando até terminar o desenho. Hehehe.

 'A Criação de Adão'  (1511), parte do afresco pintado por Michelangelo na Capela Sistina, Vaticano. As obras de Michelangelo são inspiradoras para André

'A Criação de Adão' (1511), parte do afresco pintado por Michelangelo na Capela Sistina, Vaticano. As obras de Michelangelo são inspiradoras para André

Pigmum: Uau! Então daqui a pouco está na hora de planejar uma visitinha ao Japão, né? Quais são seus planos para o futuro? O que você espera daqui pra frente?

André: Ainda é muito difícil viver só de arte, mas é possível. Acho que só depende de nós mesmos. Por isso desejo conciliar meu trabalho de artista com outro de design gráfico. Pretendo também continuar produzindo exposições em várias galerias de arte aqui na cidade e quem sabe em outras... Já recebi convites para expor em alguns lugares e, mesmo estando satisfeito com isso, não quero ser um artista de uma técnica única, então possivelmente minha próxima exposição será totalmente ou parcialmente diferente desta primeira. Quero cursar Artes Visuais em breve para ter mais contato com profissionais que vivem de arte no meio acadêmico, adquirindo mais conhecimento e novas experiências, abrir um pouco a cabeça para novas ideias e quem sabe me tornar um professor de artes ou algo do tipo. Cresci ouvindo as pessoas falarem que eu era um artista, acho que agora estou começando a acreditar nelas.

  André utilizou nanquim preto nas ilustrações dessa mostra para evidenciar as dobraduras e as cores dos papéis utilizados

André utilizou nanquim preto nas ilustrações dessa mostra para evidenciar as dobraduras e as cores dos papéis utilizados

Pigmum: Muito obrigado pela conversa, André. Não tenha dúvidas de que você sempre foi um artista. Parabéns pela exposição e sucesso!

André: Muito obrigado a você pela oportunidade em divulgar o meu trabalho. Beijão.


SERVIÇO:

Exposição sem título do artista visual André Souza
Visitação: até 4 de abril, de terça-feira à sábado, das 16h às 00h.
Local: Mahalila Café & Livros
Endereço: Rua Doutora Nívea Madruga, Lagoa Nova. Natal – Rio Grande do Norte. Telefone: (84) 2030-5702
Entrada franca
 

ENTREVISTA | Rafael Almeida fala sobre a nova exposição da Pinacoteca da Ufal, que será inaugurada hoje (24) sob sua curadoria

Se depender da Pinacoteca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o mês da mulher vai se estender até maio. Isso porque nesta sexta-feira (24), às 19h, a Pinacoteca inaugurará a pauta de exposições de 2017 com a mostra ‘Acervo Pina: Artistas Alagoanas – Ontem e Hoje’, em homenagem às artistas alagoanas que fazem parte do acervo da instituição.

  A mostra inaugurada hoje (24) em homenagem às artistas alagoanas inicia a pauta de exposições de 2017 da Pinacoteca Universitária

A mostra inaugurada hoje (24) em homenagem às artistas alagoanas inicia a pauta de exposições de 2017 da Pinacoteca Universitária

São mais de 35 anos de uma história construída principalmente por mulheres, já que a maior parte das obras que compõem a coleção da Pinacoteca é da autoria de artistas alagoanas.

Para entender melhor o que vem por aí, o Pigmum conversou com Rafael Almeida, que assina a curadoria da mostra e foi o responsável pela escolha das 16 artistas selecionadas. Rafael é alagoano, estudante de Design da Ufal e tem apenas 24 anos, mas uma promissora bagagem profissional. Já desenvolveu projetos gráficos e de interiores para artistas como Celso Brandão, Cecília Walton e Karla Melanias. Foi bolsista da Pinacoteca Universitária da Ufal durante três anos, onde foi curador e produtor da exposição ‘Moira’, da artista Eva Le Campion. Atualmente faz parte da direção de arte da Galeria Gamma, em Maceió.

  O jovem estudante de Design, Rafael Almeida, assina a curadoria da mostra. Seu segundo trabalho curatorial na Pinacoteca

O jovem estudante de Design, Rafael Almeida, assina a curadoria da mostra. Seu segundo trabalho curatorial na Pinacoteca

Pigmum: Como surgiu a ideia do tema para essa exposição e quais foram os critérios para a escolha das artistas que participam da mostra?

Rafael: A proposta da exposição é prestigiar as artistas alagoanas que contribuíram, cada uma de seu modo, para a constante evolução da arte contemporânea em Alagoas. O objetivo da mostra é apresentar trabalhos de 16 mulheres que já expuseram na Pinacoteca, cujas obras estavam fora do alcance do público, guardadas em nossa reserva técnica. A poética dessas obras afirma como o poder feminino revolucionou os conceitos artísticos de seu tempo, ultrapassando preconceitos, a desigualdade de gênero e a ausência de oportunidades.

  Escultura de Bárbara Lessa

Escultura de Bárbara Lessa

  Trabalho em escanografia de Karla Melanias, de 2015

Trabalho em escanografia de Karla Melanias, de 2015

Pigmum: Por que iniciar a pauta de exposições de 2017 com uma mostra retrospectiva?

Rafael: A ideia surgiu como parte das comemorações do mês da mulher, numa iniciativa da Coordenadoria de Assuntos Culturais [CAC] da Ufal e da Pinacoteca Universitária. A coleção Pina é composta em sua maioria por obras de artistas alagoanas. Achamos que seria legal iniciar a pauta da instituição com uma homenagem a elas, por seus trabalhos determinantes no cenário artístico local e nacional. A novidade deste ano é que no primeiro semestre os salões vão abrigar duas exposições simultâneas. A primeira será inaugurada no dia 24 de março e a outra no dia 4 de abril, com a artista Eugênia França. As duas exposições serão encerradas em 19 de maio.

  A pintura de 1982 de Maria Teresa Vieira, é uma das peças mais antigas do acervo da Pinacoteca

A pintura de 1982 de Maria Teresa Vieira, é uma das peças mais antigas do acervo da Pinacoteca

  Peça da série ' Entrópicos'  (2001), de Marta Araújo

Peça da série 'Entrópicos' (2001), de Marta Araújo

Pigmum: O que o visitante pode esperar da exposição e quais linguagens artísticas estarão representadas?

Rafael: O visitante vai encontrar obras de três gerações, um diálogo de poéticas. As obras expostas se entrelaçam. Há diversidade de linguagens, técnicas e suportes. Fotografia, escanografia, pintura, escultura são algumas delas.

Pigmum: Como você iniciou suas atividades em curadoria artística e qual é a importância dessa atividade?

Rafael: Essa é a segunda mostra que eu assino a curadoria. A primeira foi em 2015 com a exposição ‘Moira’, da artista alagoana Eva Le Campion. Inclusive cheguei a ganhar o prêmio Camões 2015 com o resultado desse trabalho.

Estou na Pinacoteca Universitária há 3 anos e por conhecer bem o acervo, recebi o convite da coordenadora da instituição, Christina Cavalcanti, e do diretor do Espaço Cultural, professor Ivanildo Picolli, para fazer a curadoria dessa exposição que estreia hoje [‘Acervo Pina: Artistas Alagoanas - Ontem e hoje’]. Para mim é uma honra poder participar desse projeto.

  Um croqui de vestido junino assinado pela estilista Vera Arruda

Um croqui de vestido junino assinado pela estilista Vera Arruda

  Aqui, Vera Gamma e um trabalho de 2002, da série  Mola

Aqui, Vera Gamma e um trabalho de 2002, da série Mola

O papel de um curador é muito importante para a exposição. Assim como o artista, o curador também precisa adentrar o mundo sensível para tentar passar aos contempladores um pouco do que as obras querem dizer. Ele faz a seleção dos conjuntos, além de pegar todo seu estudo e bagagem estética para poder ser eficaz na escolha. A responsabilidade é grande, espero que todos gostem.


SERVIÇO:

Abertura da exposição Acervo Pina: Artistas Alagoanas – Ontem e Hoje
24 de março (sexta-feira), às 19h.
Local: Pinacoteca Universitária da Ufal
Endereço: Praça Visconde de Sinimbu, 206, 1º piso - Centro. Maceió - Alagoas (Espaço Cultural Salomão de Barros Lima). Telefone: (82) 3214-1545 | 3214-1428
E-mail: pinaufal@gmail.com
 

Visitação: de 27 de março até 19 de maio, de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 18h
Entrada franca.

Acesse a página da Pinacoteca Universitária da Ufal no Facebook