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arte e outros riscos

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Há exatamente 100 anos, morria o artista Egon Schiele, vítima da pandemia de gripe espanhola

Foi no dia 31 de outubro de 1918 que o mundo da arte perdia precocemente um dos principais nomes do movimento expressionista, o austríaco Egon Schile. Com apenas 28 anos, o artista foi mais uma vítima da gripe espanhola, pandemia que matou milhões de pessoas no mundo todo naquele ano. Três dias antes, Schiele havia perdido sua esposa, Edith Harms, grávida de seis meses, também vítima da mesma doença.

Para marcar a data, o Pigmum selecionou 25 obras do artista, que deixam claro que sua expressividade poética continua viva mesmo 100 anos depois. Confira:

Mulher sentada com joelho dobrado Egon Schiele
Nude Self-Portrait, Grimacing Egon Schiele

Os efeitos das mazelas do corpo e da alma parecem ser elementos de composição constantes em grande parte das principais obras do artista, que também perdera o pai para outra doença, a sífilis, quando tinha apenas 15 anos. Pode-se dizer que o tema da dor se manifesta principalmente na expressividade dos traços que perturbam e distorcem os contornos dos corpos representados, mas também aparece nas cores pálidas e na apatia das feições dos rostos.  

Egon Schiele O Abraço
Death and the Maiden 1915 Egon Schiele
The Family Egon Schiele

A negação ao pudico e o entendimento do sujo, do errante e do moralmente repulsivo como fatos ordinários da vida cotidiana também são outros temas que atravessam a obra de Egon Schiele, que teve uma vida bastante controversa, apesar de breve. Chegou inclusive a ser preso por 24 dias, acusado de seduzir uma jovem menor de idade e de propagar material considerado pornográfico. Sem dúvida, a sexualidade também era uma questão que interessava ao artista, assim como a androgenia.

Egon Schiele Reclining Woman 1917
Egon Schiele Female Lovers, 1915
Egon Schiele - Kneeling Girl, Resting on Both Elbows 1917
Egon Schiele reclining woman

Egon Schiele é filho de uma família humilde e iniciou sua carreira após a morte do pai, ainda na adolescência. Estudou desenho e pintura na Escola de Belas Artes de Viena, mas a insatisfação com o conservadorismo da instituição só crescia, o que fez o jovem artista abandonar os estudos e desenvolver seu próprio caminho estético, tendo como influência também outro grande artista austríaco: Gustav Klimt.

Egon Schiele - Mother and Child 1914.jpg
Egon Schiele - Standing Male Nude with a Red Loincloth 1914.jpg

Quando Schiele rompe com o conservadorismo de sua escola, ele rompe na verdade com uma tradição formal e temática que historicamente tende a buscar a exaltação de virtudes e a esconder incômodos indesejáveis, principalmente de ordem social. Schiele é justamente aquele artista que vai escandalizar a sociedade de seu tempo expondo em um espaço privilegiado - o circuito expositivo da arte - uma nudez que vai além da nudez do corpo e que revela aquilo que se apresenta diante dos sujeitos de sua sociedade todos os dias, mas que esses mesmos sujeitos se negam a enxergar.

Egon Schiele - Self-Portrait with Physalis 1912
14 - Self-Portrait with Striped Shirt 1910.jpg
Egon Schiele - self-portrait-with-hands-on-chest-1910.

Corpos dissonantes, esguios, pálidos, potencialmente enfermos, devastados por impactos de toda ordem e tão distantes do ideal de beleza consolidado na tradição artística. Como reagir diante da imagem de corpos que se aproximam tanto dos corpos de quem vê e que, por isso mesmo, se fazem mais nus e mais incômodos do que o normal?

13 - Seated Male Nude (Self-Portrait).jpg
Egon Schiele - Nude with Blue Stockings, Bending Forward 1912
Egon Schiele - Standing Nude with Orange Drapery

São esses corpos constantemente apagados, negados ou indesejados que Schiele escancara à sociedade, que 100 anos depois ainda parece não saber lidar muito bem com seus próprios corpos nus – do jeitinho que eles são: cheios de pelos, odores, inconstâncias e assimetrias. As imagens 'distorcidas' de Schiele foram um incômodo à sociedade de seu tempo e ainda podem incomodar porque são como um espelho, ou melhor, talvez sejam como uma foto sem filtro no Instagram, fazendo questão de ressaltar marcas inegáveis.

Egon Schiele - House with a Bay Window in the Garden 1907 - Impressionismo
Egon Schiele - Trees Mirrored in a Pond 1907 impressionismo
Egon Schiele - portrait-of-the-painter-anton-peschka-1909 art neuveau
Egon Schiele - Setting Sun 1913
Egon Schiele - house-with-drying-laundry-1917
21 - Levitation (The Blind II) 1915.jpg
Egon Schiele - Standing Girl 1908-1909
Egon Schiele - Self-Portrait with Raised Bare Shoulder 1912

Conheça 10 trabalhos de artistas que seguem o Pigmum, selecionados por Vivi Villanova, do canal Vivieuvi

O Pigmum tá sempre recebendo muitas mensagens com produções artísticas de pessoas que acompanham o blog. Mas afinal, quem são esses artistas? Há pouco mais de 1 mês, convidamos nossos seguidores a enviarem imagens de suas obras e o resultado foi surpreendente! Recebemos mais de 200 trabalhos, entre pinturas, desenhos, colagens, fotografias, registros de performances, esculturas e outras técnicas do campo da visualidade.

Tem obras tão interessantes, que não tinha como não mostrar aqui, né? Por isso, pra gente conhecer aos poucos a arte de tanta gente talentosa, o Pigmum vai postar periodicamente sempre 10 trabalhos, selecionados por convidados que atuam profissionalmente na área das artes visuais.

  Arte no YouTube: Vivian Villanova, criadora do canal Vivieuvi, é a nossa primeira convidada!

Arte no YouTube: Vivian Villanova, criadora do canal Vivieuvi, é a nossa primeira convidada!

E a convidada de outubro é a Vivi Villanova, criadora do canal Vivieuvi no YouTube, um dos canais sobre arte mais seguidos do país. Já falamos sobre ela por aqui, lembra? A Vivi é uma fofa e inclusive pediu pra avisar que adorou o trabalho de vocês, viu?

Muito obrigado pela disponibilidade, Vivi! E se você que está lendo é artista ou produz alguma coisa no campo da visualidade, mande sua arte também! Deixe seu link ou imagens do seu trabalho e vamos trocar uma ideia. Pode enviar por e-mail: pigmumblog@gmail.com, prometo ler todos! Mandem mesmo! Ah, e quem já mandou ainda poderá aparecer por aqui nas próximas postagens, fiquem de olho! =)

Agora chega de papo e vamos à seleção da Vivi!

*As imagens estão postadas de acordo com a ordem alfabética das assinaturas dos artistas

**Os textos foram enviados pelos próprios artistas, com edição de Renato Medeiros


1 – ‘Tomba lata’, de Artestenciva

artestenciva

Título: ‘Tomba lata’

Ano: 2018

Técnica: Stencil de 10 camadas sobre parede

Sobre o artista:

Artestenciva, como é conhecido Eduardo Melo, é daqueles artistas de personalidade discreta, porém de presença constante na rua. É lá que foi sua escola e nunca deixará de ser sua galeria de coração, já que foi nos muros que ele conquistou reconhecimento. Seus stencils são composições cheias de camadas e seus personagens são tão vivos quanto a própria vida urbana. Mas o trabalho do artista também passa por outros suportes, como placas de metal, painéis de madeira, stickers e exposições em países como Austrália, França, Alemanha e Itália.


2 – ‘Des-encontro’, de Alzira Fragoso

alzira fragoso

Título: Des-encontro’

Técnica: Lona com colagem de seda e tinta acrílica

Dimensões: 1,20 x 1,04 m

Sobre a artista:

A poética de Alzira Fragoso é tecida pelo tempo, mesclando passado e presente numa narrativa visual que evoca memórias antigas, sonhos, fantasias e vivências atuais. Em seus trabalhos, a artista dá ênfase a repetição de ações, com variações de motivos que garantem ritmo às obras, ressaltando movimento com efeito quase literário. Efeito que é reforçado pelo uso da lona de algodão como suporte. Quando trabalhado com colagens de organza de seda e rendas, esse material simples e antigo cria superposições que dão relevo às obras. O trabalho de Alzira é delicado e extremamente potente.


3 - ‘Nenhuma a menos’, de Andréa Acker

andrea acker
andrea acker

Título: ‘Nenhuma a menos’

Ano: 2018

Técnica: Gesso, arame, tinta acrílica e cabeças de bonecas da minha irmã

Dimensões: 35 x 15 x 10 cm

Sobre a artista:

Andréa Acker se entende como uma artivista visual do Rio de Janeiro. Por meio de sua prática artística, ela diz honrar as sociedades adoradoras das deusas do período Neolítico, reavivando os ideais das antigas Sociedades Matriarcais e rejeitando o sistema capitalista patriarcal vigente. As obras de Andréa agem como comentários políticos, históricos, socioeconômicos e ecológicos e ela já participou de exposições nos Estados Unidos, Europa e Brasil, além de ter suas obras divulgadas em diversas publicações internacionais; sempre com o objetivo de voltar a atenção do público para questões ignoradas pelo status quo. Visitar as redes sociais e o site da artista é um mergulho em tudo isso. Uma experiência e tanto!


4 – ‘Caixa d'água com escada’, de Andrea Lourenço

andrea lourenço

Título: ‘Caixa d’água com escada’

Ano: 2018

Técnica: Bordado manual

Sobre a artista:

O trabalho artístico de Andrea Lourenço está ligado principalmente às suas memórias de infância, como é o caso desta obra da série ‘Objetos’, que buscou registrar lembranças do cenário onde a artista cresceu. Para ela, no seu entendimento de menina havia algo de fantástico nas caixas d’água e nas torres de energia que ela via nas estradas, durante as viagens em família. Já são quase 20 anos de carreira, sempre trazendo temas ligados à sexualidade, ao feminismo e à opressão de gênero. Há cerca de 4 anos, o bordado se tornou protagonista em seu trabalho. Para Andrea, bordar é uma técnica lenta, que oferece uma outra relação com o que se produz e que estabelece um diálogo com o passado.


5 – ‘O gosto’, de Bella Moura

bella moura

Título: ‘O gosto’

Ano: 2018

Técnica: Óleo sobre painel de madeira

Dimensões: 20 x 24 cm

Sobre a artista:

Bella Moura está em contato com a arte desde muito cedo, graças aos desenhos de sua irmã, às fotografias de sua mãe e às esculturas de seu pai. Mas para desenvolver suas habilidades artísticas, ela foi a única da família que seguiu uma formação acadêmica, realizada na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais. Hoje, morando em São Paulo, a artista se dedica principalmente à pintura a óleo, ao desenho e ainda encontra tempo para ensinar maquiagem artística em seu canal no YouTube.


6 – ‘Eclipse Lunar’, de Flaviots

flaviots

 Título: ‘Eclipse lunar’

Ano: 2018

Técnica: Guache branco sobre papel preto

Sobre o artista:

São 32 anos de idade e mais de 15 deles dedicados à ilustração. Flaviots, como assina o designer Flavio Torres, começou desenhando quadrinhos e criando ilustrações para projetos do mercado de propaganda e design, mas em 2016 começou a se dedicar ainda mais como artista, desenvolvendo um estilo irreverente de traços coloridos sobrepostos. Hoje, ele diz que esse é seu principal estilo, que surgiu quando o artista começou a rabiscar as pessoas que via na rua, quando estava – literalmente – parado no trânsito. Em seus trabalhos, é possível encontrar técnicas variadas, como guache, caneta nanquim, marcadores e lápis de cor, mas ele tá sempre aberto a experimentar outras técnicas. Alguém tem alguma sugestão a dar pra ele? Segue lá no Instagram:


7 – Da série ‘Peludos’, de Marco Paulo Rolla

marco paulo rolla

Título: Da série ‘Peludos’

Ano: 1997

Técnica: Xícara de louça, pintura, acrílica e pelúcia sobre veludo

Sobre o artista:

O artista mineiro Marco Paulo Rolla tem uma longa trajetória na arte e atua como pintor, desenhista, escultor, performer e professor, atualmente como docente da Escola Guignard (UEMG), tradicional escola de artes de Belo Horizonte. Já realizou exposições individuais no Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda, país onde também fez uma residência artística, entre 1998 e 1999. Seus trabalhos encontram-se em coleções como a do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), Instituto Itaú Cultural (SP), Museu de Arte da Pampulha (MAP-MG), Centro Cultural Inhotim, Brumadinho (MG) e Funarte do Rio de Janeiro. Inclusive essa obra atualmente está em exposição na mostra ‘Ópera’, individual do artista que fica em cartaz até 21 de outubro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG). Vale a pena conferir, viu?!


8 – ‘Cromossomos Como Somos #39’, de Ricardo Franzin

ricardo franzin

Título: ‘Cromossomos Como Somos #39’

Ano: 2017

Técnica: Aquarela, grafite e acrílica sobre papel 300 g/m³

Dimensões: 65,4 x 90 cm

Sobre o artista:

Ricardo Franzin é paulista e começou seus estudos em arte aos 12 anos. Em seu trabalho, o artista procura nos materiais mais básicos, como papel, madeira e tela, o suporte perfeito para questionar, criticar e trazer à luz as ações do ser humano e como elas refletem na sociedade. Para ele, o quadrado representa a busca humana pela razão, por isso é um elemento que se repete com frequência em suas obras, como é o caso desta aqui, que procura na abstração geométrica e na aquarela monocromática representar a origem da vida. Na obra, elementos da criação do ser humano, como o pó da terra e o sopro divino, deixam de ser etéreos para serem cromossomos, DNA e genes.


 9 – ‘Sem título’, de Sérgio Duarte

sérgio duarte

Título: ‘Sem título’

Ano: 2014

Técnica: Fotografia

Sobre o artista:

O fotógrafo Sérgio Duarte trabalha principalmente com fotografia de arquitetura e fotografia urbana, mas transita também pela fotomontagem. Neste trabalho, o artista captou o reflexo de uma fonte d´água no retrovisor de uma scooter, durante uma passagem por Lisboa, em Portugal. Linda foto, né? Em seu site e no Instagram, dá pra ver ainda registros de cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Berlim, Cidade do Panamá e Veneza, onde atualmente ele está expondo na Bienal de Arquitetura de Veneza.


 10 – ‘Série Oxum’, de Talita Rocha

madame nagô

Título: ‘Série Oxum’

Ano: 2017

Técnica: Nanquim sobre papel Canson

Dimensões: 42 x 59 cm

Sobre a artista:

Educadora, ilustradora e grafiteira, Talita Rocha começou a produzir sua própria arte quando entrou em contato com a cena do Graffiti na cidade paulista de Mauá. Depois, no Vale do Jequitinhonha (MG), foi a vez de se dedicar à cerâmica. Agora, aos 29 anos, a artista desenvolve um projeto intitulado ‘Madame Nagô’, no qual apresenta criações vinculadas à temática afro-brasileira, como é o caso da ‘Série Oxum’, que ao todo tem 16 trabalhos. Além do graffiti e da cerâmica, Talita também explora as técnicas do desenho, da pintura e da instalação. Impressionante esse trabalho da Madame Nagô, né?

Por que o clipe de Beyoncé e Jay-Z no Louvre é tão representativo do ponto de vista da arte

Vocês têm noção do poder desta imagem e de como ela questiona e até se impõe diante do sistema da arte e de sua história tradicionalmente eurocêntrica e elitista?

  O casal mais poderoso do showbiz e o retrato da Mona Lisa, um dos quadros mais reproduzidos do mundo da arte

O casal mais poderoso do showbiz e o retrato da Mona Lisa, um dos quadros mais reproduzidos do mundo da arte

Beyoncé e Jay-Z, o casal mais influente da indústria musical, se colocam à frente daquela que talvez seja a imagem mais icônica do mundo da arte – a Mona Lisa (1503-1506), de Leonardo da Vinci –, posicionando seus corpos negros em um espaço marcado pela branquitude e com raízes fincadas no colonialismo: o museu.

E não é qualquer museu! Para gravar seu novo clipe, ‘Apeshit’, o casal Carter simplesmente fechou o Louvre, o museu mais visitado do mundo! Beyoncé novamente pegou todo mundo de surpresa e lançou, durante um show na noite de sábado (16), não apenas um novo vídeo, mas um disco inteirinho! ‘Everything Is Love’ tem 9 faixas inéditas e é uma parceria com seu marido, o rapper Jay-Z. O álbum foi disponibilizado primeiro no Tidal, a plataforma de streaming comandada pelo rapper, mas agora já pode ser encontrado também no Spotify, Apple Music e ITunes. Já o clipe de ‘Apeshit’ todo mundo pode conferir no YouTube. Veja:

Com mais de 15 mil visitas por dia, o Louvre talvez seja o principal símbolo da cultura e da memória ocidental, com um acervo formado por mais de 35 mil peças, muitas delas oriundas de saques realizados contra nações africanas e asiáticas.

Inaugurado em 1793 no contexto da Revolução Francesa, o Museu do Louvre nasce sob o regime de Napoleão Bonaparte para exibir os tesouros confiscados dos povos conquistados. Nas entrelinhas do glamour e da imponência, o Louvre também narra, portanto, uma história de opressão que ecoa até hoje.

  Beyoncé e suas bailarinas dançam em frente ao quadro   'A Coroação de Napoleão'  (1807), de Jacques-Louis David. É interessante perceber como os movimentos desses corpos negros se colocam como referência à cultura negra, diante de uma pintura encomendada pelo próprio Napoleão

Beyoncé e suas bailarinas dançam em frente ao quadro 'A Coroação de Napoleão' (1807), de Jacques-Louis David. É interessante perceber como os movimentos desses corpos negros se colocam como referência à cultura negra, diante de uma pintura encomendada pelo próprio Napoleão

Não é por menos que, logo no início da música, a frase ‘I can't believe we made it’ (algo como, ‘eu não acredito que nós conseguimos’) ganha um sentido tão representativo. Afinal, a postura do casal frente a obras de arte como a Mona Lisa ou a Vênus de Milo acaba se transformando também em um ato político com um potencial midiático que poucos artistas inseridos no sistema da arte contemporânea teriam a oportunidade de alcançar. Eles entram no museu pela porta da frente e sabem o quanto isso é valioso e talvez sem precedentes.

  O casal Carter e a Vênus de Milo, a deusa do amor e da beleza. O traje de Beyoncé  revela as curvas de seu corpo e a aproxima da nudez da estátua grega, num diálogo (ou enfrentamento) direto com o padrão estético clássico de beleza

O casal Carter e a Vênus de Milo, a deusa do amor e da beleza. O traje de Beyoncé  revela as curvas de seu corpo e a aproxima da nudez da estátua grega, num diálogo (ou enfrentamento) direto com o padrão estético clássico de beleza

Quantas pessoas levaram o hip-hop aos salões solenes do Louvre? Quantas pessoas conseguem ficar a sós com a Mona Lisa? E com tamanha proximidade! Lado a lado com a pintura mais reverenciada de Leonardo da Vinci. Aliás, lado a lado, não! O casal dá as costas à Mona Lisa na maior parte do tempo. Pouca gente se atreveria e pouca gente teria a oportunidade de fazer isso. Eles fizeram. Fecharam o museu, firmaram um discurso de negritude (quase todo o elenco é negro) em um espaço historicamente e predominantemente branco e relegaram à Mona Lisa – aqui representando a narrativa linear que ainda prevalece na história da arte – um papel coadjuvante. Ela praticamente faz um feat. com a dupla nesse clipe!

  Quase todo o elenco do clipe é formado por pessoas com vários tons de pele negra

Quase todo o elenco do clipe é formado por pessoas com vários tons de pele negra

Beyoncé Louvre Jay-Z Apeshit

O ato de dar as costas à Mona Lisa se repete ainda em outra cena, em que um casal de bailarinos negros figura frente à pintura, que permanece ao fundo, desfocada, reduzida quase à um mero ornamento, enquanto a moça penteia o cabelo crespo do rapaz. E essa ação se torna protagonista na imagem, revelando a dimensão política que está impregnada no cabelo crespo e deixando para trás uma tradição inteira, que já não parece suficiente para contar a(s) história(s) do século XXI. A imagem é tão forte que inclusive originou a capa do disco:

  A capa do disco  'Everything Is Love'.  A Mona Lisa, desfocada ao fundo, atua como coadjuvante de um ato, ao mesmo tempo, sensível e extremamente político

A capa do disco 'Everything Is Love'. A Mona Lisa, desfocada ao fundo, atua como coadjuvante de um ato, ao mesmo tempo, sensível e extremamente político

Beyoncé e Jay-Z ainda parecem tensionar, de certa forma, sua própria condição como artistas nesse sistema da arte, tão cheio de contradições, tão difícil de definir e que aparentemente ainda prefere se manter distante de manifestações artísticas que nascem de fenômenos midiáticos de massa – por mais que Andy Warhol tenha colocado esse tema em debate na década de 1960. Com esse clipe, o casal Carter parece questionar também o que, de fato, significa ser artista na contemporaneidade. Qual é o espaço de artistas da indústria cultural na(s) história(s) que a historiografia da arte contará de agora em diante? Ainda faz sentido considerá-los como produtos descartáveis e de entretenimento, diante da inegável influência deles em nossa cultura?

  Os Carters posicionados no Louvre, entre os grandes nomes da história da arte. Há espaço para artistas como eles no museu?

Os Carters posicionados no Louvre, entre os grandes nomes da história da arte. Há espaço para artistas como eles no museu?

Parece um equívoco negligenciar a potencialidade da crítica feita pelos Carters e as centenas de milhões de visualizações que esse clipe pode atingir em poucos meses. Poucas obras de arte contemporânea - mesmo as mais questionadoras - têm a chance de obter tamanha visibilidade e impacto cultural.

No clipe, ambos sabem se impor e se fazer caber no Louvre, entre os grandes nomes da história da arte. Até arrisco dizer que pretendem se colocar em pé de igualdade com Leonardo da Vinci, no sentido de que também são capazes de formatar um discurso poético capaz de reverberar globalmente, semelhante à notoriedade que Da Vinci ou Michelangelo obtiveram ainda em vida na Europa do século XVI (claro, sem ignorar as devidas proporções e as diferentes competências).

  Em diversos momentos do clipe, Beyoncé faz referência à cultura negra, enchendo o Louvre de negritude. No vídeo, é possível ver também as raríssimas vezes em que personagens negros figuram nos quadros, geralmente em papeis de sujeição

Em diversos momentos do clipe, Beyoncé faz referência à cultura negra, enchendo o Louvre de negritude. No vídeo, é possível ver também as raríssimas vezes em que personagens negros figuram nos quadros, geralmente em papeis de sujeição

É poder demais que emana dessas imagens!!! E por mais que o casal pareça até um pouco prepotente no vídeo, precisamos admitir que eles têm condições suficientes de propor essa discussão no cerne da arte. Por isso, talvez ‘Apeshit’ seja um manifesto com a cara (e os meios) do século XXI.

Sabia que a primeira cartunista mulher do mundo é brasileira? Conheça Nair de Teffé!

  A jovem Nair de Teffé, considerada a primeira cartunista mulher do mundo

A jovem Nair de Teffé, considerada a primeira cartunista mulher do mundo

Provavelmente a sua timeline está cheia de figuras femininas notáveis neste Dia Internacional da Mulher, o que é louvável e necessário! No campo da arte, eu poderia acrescentar mais alguns nomes conhecidos a esse panteão, como Frida Kahlo, Louise Bourgeois, Marina Abramović, Yoko Ono ou as brasileiras Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Lygia Clark, mas resolvi abrir espaço para homenagear especialmente outra brasileira, Nair de Teffé, considerada a primeira cartunista mulher do mundo!

Já faz algum tempo que eu quero falar sobre essa pioneira que, muito antes do movimento modernista chegar por aqui, já desafiava as rígidas instituições vigentes no país e colecionava desafetos entre os mais conservadores, principalmente porque ela não era qualquer moça da cidade.

Filha do Barão de Teffé, Nair nasceu em 1886, na cidade de Petrópolis-RJ, mas cresceu e estudou na Europa, retornando ao Brasil já perto de seus 20 anos de idade e sempre circulando nas mais altas rodas sociais. 

Aqui, na década de 1900, ela deu início à sua carreira como cartunista fazendo caricaturas para revistas importantes como Fon-Fon e O Malho, assinando sob o pseudônimo de Rian - ou como se escreve Nair de trás para frente. É claro que a prática de ironizar a sociedade e suas figuras ilustres não era o que a elite carioca esperava de uma boa moça, né verdade?

  Uma das primeiras caricaturas de Nair de Teffé

Uma das primeiras caricaturas de Nair de Teffé

  Caricatura da atriz francesa Gabrielle Réjane, publicada por Nair de Teffé em 1909 na revista Fon-Fon

Caricatura da atriz francesa Gabrielle Réjane, publicada por Nair de Teffé em 1909 na revista Fon-Fon

Abaixo: caricaturas assinadas por Rian, pseudônimo de Nair de Teffé.

  Rui Barbosa, jurista e diplomata brasileiro

Rui Barbosa, jurista e diplomata brasileiro

  Marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil

Marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil

  Washington Luís, ex-presidente do Brasil

Washington Luís, ex-presidente do Brasil

  Café Filho, ex-presidente do Brasil

Café Filho, ex-presidente do Brasil

Infelizmente, a caricaturista interrompeu suas atividades quando se casou com o então presidente do país, Marechal Hermes da Fonseca. Mas foi durante esse período como primeira dama, entre 1013 e 1014, que Nair escandalizou a sociedade promovendo saraus e levando a música popular ao Palácio do Catete. E não era pra menos, né? Onde já se viu oferecer recepção presidencial a instrumentos, ritmos e danças vulgares como violão, samba e maxixe? Uma imoralidade!

  O casamento de Nair de Teffé com o presidente Hermes da Fonseca foi capa de diversas revistas na época

O casamento de Nair de Teffé com o presidente Hermes da Fonseca foi capa de diversas revistas na época

  A jovem Nair de Teffé

A jovem Nair de Teffé

Sem dúvidas, Nair de Teffé trouxe o espírito da belle époque para o país! E trouxe ainda o hábito de usar calças compridas e de montar a cavalo como um homem (antes as mulheres sentavam de ladinho nas selas, sem abrir as pernas). Ela é afrontosa ela!

Abaixo: caricaturas assinadas por Nair de Teffé na década de 1960, quando ela voltou a produzir.

  Fidel Castro, ainda jovem

Fidel Castro, ainda jovem

  Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil

Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil

  O casamento da princesa Margareth, da Inglaterra

O casamento da princesa Margareth, da Inglaterra

  Jânio Quadros, ex-presidente do Brasil

Jânio Quadros, ex-presidente do Brasil

Também se destacou como pintora, cantora, atriz e pianista. Participou da Semana de Arte Moderna de 1922; fundou e presidiu a Academia Petropolitana de Letras, em sua cidade natal; fundou um cinema de frente ao mar de Copacabana, no Rio de Janeiro; retornou às caricaturas na década de 1960; e já no final dos anos 1970, participou das comemorações pelo Dia Internacional da Mulher. Ufa! Haja fôlego! A mulher era um fenômeno!

  Nair de Teffé, já idosa

Nair de Teffé, já idosa

Por tudo isso, Nair de Teffé merece hoje todo o nosso reconhecimento e homenagem. Sua longa vida - 95 anos! - e sua ousadia merecem ser lembradas entre os grandes nomes da cultura do país!

Artista do Mês: os olhos enigmáticos de Kéfren Pok e a arte que observa a cidade

Fevereiro chegou ao fim, mas não antes de conhecer mais do trabalho de Kéfren Pok, que ao longo do mês foi destaque no Facebook e no Instagram do Pigmum!

  Kéfren Pok é o grafiteiro por trás dos olhos que tomaram conta das ruas de Natal

Kéfren Pok é o grafiteiro por trás dos olhos que tomaram conta das ruas de Natal

Se você é de Natal-RN provavelmente já se deparou com esses olhos enigmáticos espalhados em muros, postes, caixas de telefone e de energia instaladas pelas ruas... Por toda a cidade, os olhos de Pok estão bem atentos a tudo o que acontece e provavelmente estão atentos a você também!

kefren pok
kefren pok

Natural de Macaíba, região metropolitana de Natal, Kéfren de Lima Silva – ou simplesmente Pok, como ele assina seus trabalhos – tem 28 anos e é formado em Design Gráfico. O graffiti surgiu na vida do artista em 2010, como instrumento para superar a depressão. Ele começou a grafitar pelas ruas da capital potiguar e desde então já deixou sua marca em cidades como Recife, João Pessoa, Curitiba, Rio de Janeiro e até Paris, onde realizou exposições individuais em 2016, com apoio de um financiamento coletivo pelo Catarse.

kefren pok
kefren pok
kefren pok
kefren pok

Nos últimos anos, além das ruas, os olhos e as tramas cilíndricas coloridas de Pok também têm ocupado espaços expositivos do circuito artístico contemporâneo, principalmente as obras realizadas sobre madeira. Nesses trabalhos, Pok mistura graffiti e pintura, se afasta das tradicionais telas retangulares e se aventura por formatos sinuosos que são recortados respeitando os contornos dinâmicos do artista. A ideia é dar às telas a mesma sensação de movimento que as obras nos muros adquirem quando entram em contato com o cotidiano urbano.

  Nos últimos anos, a arte de Pok passou a ocupar também espaços tradicionais da cena artística, como galerias de arte

Nos últimos anos, a arte de Pok passou a ocupar também espaços tradicionais da cena artística, como galerias de arte

  O artista começou a experimentar novas técnicas e a grafitar em diferentes suportes, como telas de madeira

O artista começou a experimentar novas técnicas e a grafitar em diferentes suportes, como telas de madeira

  Para Kéfren Pok, o recorte sinuoso na madeira dá uma sensação de movimento às obras

Para Kéfren Pok, o recorte sinuoso na madeira dá uma sensação de movimento às obras

kefren pok
kefren pok

Mas não é só isso! A arte de Pok também já estampou camisas, chaveiros, cadernos, bottons e capa de disco! É onipresença que chama? Tô começando a achar que esses olhos fazem parte de algum plano illuminati!

 Os olhos de Kéfren Pok também já viraram chaveiros...

Os olhos de Kéfren Pok também já viraram chaveiros...

  Estamparam camisas...

Estamparam camisas...

  Bottons...

Bottons...

  E capas de caderno!

E capas de caderno!

Agora me diz, é você que tá olhando para eles ou eles que estão vigiando você? Pense direitinho.😉

Artista do mês : Alexandre Filho e seu lirismo visual pela cultura nordestina

Alexandre Filho é um verdadeiro patrimônio vivo da arte popular brasileira, reconhecido internacionalmente como um dos principais artistas naïfs do país e é com ele que o Pigmum inaugura a seção Artista do Mês, que vai trazer mensalmente conteúdos especiais sobre a obra de artistas do Brasil!

  As telas de Alexandre Filho são marcadas pela abundância de cores luminosas e pela referência à cultura nordestina, sempre representada de forma poética

As telas de Alexandre Filho são marcadas pela abundância de cores luminosas e pela referência à cultura nordestina, sempre representada de forma poética

Com 50 anos de carreira, esse paraibano de 85 anos já realizou exposições em países como França, Portugal, Espanha, México, Uruguai, Estados Unidos, Bélgica e Nigéria. Agora seu nome acaba de batizar a nova galeria de arte da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa e para inaugurar esse novo espaço expositivo, nada melhor do que uma mostra do próprio homenageado. A exposição ‘Alexandre Filho - Pinturas e Gravura’, que fica em cartaz até 30 de setembro, é inclusive um dos destaques do nosso giro cultural de setembro pelas exposições em cartaz no Nordeste. Clique e confira!

  A Galeria de Arte Alexandre Filho foi inaugurada no prédio da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa-PB, com uma exposição dedicada ao próprio artista homenageado

A Galeria de Arte Alexandre Filho foi inaugurada no prédio da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa-PB, com uma exposição dedicada ao próprio artista homenageado

  Várias telas da exposição são inéditas e fazem parte de coleções particulares

Várias telas da exposição são inéditas e fazem parte de coleções particulares

Nascido em 1932, no município paraibano de Bananeiras, Alexandre Filho teve uma juventude difícil. Trabalhou na lavoura até os 17 anos e também foi servente, caixeiro e operário. Não chegou a concluir o curso primário, mas a paixão pelo desenho – que ele nutria desde criança – transformou Alexandre em um artista autodidata e foi assim que ele encontrou o seu próprio traço.

  Os ícones da devoção cristã do são temas recorrentes na obra de Alexandre Filho

Os ícones da devoção cristã do são temas recorrentes na obra de Alexandre Filho

  A vida simples do interior do Nordeste também é retratada com lirismo  naïf 

A vida simples do interior do Nordeste também é retratada com lirismo naïf 

  Outra característica da obra de Alexandre Filho é a ausência de perspectiva e de sombra

Outra característica da obra de Alexandre Filho é a ausência de perspectiva e de sombra

A mudança para o Rio de Janeiro em 1964 também foi fundamental. Foi lá que o desenhista amador começou a pintar, incentivado pelo amigo e também artista Luiz Canabrava.

  A obra de Alexandre Filho ganhou reconhecimento internacional ainda entre os anos 1960 e 1970

A obra de Alexandre Filho ganhou reconhecimento internacional ainda entre os anos 1960 e 1970

Alexandre Filho

O reconhecimento não demorou muito. Logo, a arte de Alexandre Filho começou a chamar a atenção pela leveza do traçado arredondado, pelas cores cheias de luz, pelo lirismo da relação entre a figura humana e a natureza e pela memória coletiva do povo nordestino, tão presente em suas telas. E não foi à toa que em 1975 o artista retornou à Paraíba, onde vive até hoje, ainda em atividade.

  A memória coletiva da cultura nordestina é uma constante nas pinturas do artista, assim como a flora da região

A memória coletiva da cultura nordestina é uma constante nas pinturas do artista, assim como a flora da região

Alexandre Filho
  A mostra 'Alexandre Filho - Pinturas e Gravura' apresenta 17 obras no total

A mostra 'Alexandre Filho - Pinturas e Gravura' apresenta 17 obras no total

Além de ser uma justa homenagem a esse artista, a exposição em cartaz na Usina Cultural Energisa conta com obras inéditas, que pertencem a acervos particulares e que, por isso, nunca foram exibidas antes. Nem preciso dizer que a visita é imperdível, né?


SERVIÇO:

Exposição: Alexandre Filho - Pinturas e Gravura
Artista: Alexandre Filho
Até 30 de setembro, de terça-feira a domingo, das 14h às 20h
Local: Usina Cultural Energisa
Endereço: Rua João Bernardo de Albuquerque, 243, Tambiá. João Pessoa – Paraíba. Telefone: (83) 3221-6343
Entrada gratuita.

30 obras para celebrar os 110 anos de Frida Kahlo

Se alguma vez na vida você já se deparou com a imagem de uma mulher usando longas saias, xales, arranjos florais na cabeça e ostentando uma monocelha, não tenha dúvidas, você esteve diante de uma imagem de Frida Kahlo ou diante de uma representação simbólica dessa grande artista mexicana, que estaria completando 110 anos hoje. Para comemorar, o Pigmum selecionou 30 de suas pinturas, porque é sempre bom divulgar e enaltecer uma alma artística irrequieta como a dela. Confira:

  1 - 'As Duas Fridas' (1939)

1 - 'As Duas Fridas' (1939)

  2 - 'Autorretrato com Colar de Espinhos e Beija-flor' (1944)

2 - 'Autorretrato com Colar de Espinhos e Beija-flor' (1944)

  3 - 'Autorretrato com Bonito' (1941)

3 - 'Autorretrato com Bonito' (1941)

É preciso ser muito outsider para não saber quem é Frida Kahlo nos dias de hoje, já que nas últimas décadas sua popularidade cresceu vertiginosamente, consolidando seu status de ícone. Sua imagem é tão frequente em nosso cotidiano quanto as de Che Guevara, Marilyn Monroe ou Bob Marley.

Sua autenticidade e personalidade forte têm sido fonte de inspiração para mulheres do mundo todo. Hoje, Frida Kahlo é um símbolo de empoderamento feminino, de mulher latina, de luta e de resistência, inclusive artística. Ela é uma das poucas pintoras com tamanho reconhecimento mundial.

  4 - 'Hospital Henry Ford' (1932)

4 - 'Hospital Henry Ford' (1932)

  5 - Autorretrato na fronteira entre o México e os Estados Unidos' (1932)

5 - Autorretrato na fronteira entre o México e os Estados Unidos' (1932)

  6 - 'A Coluna Partida' (1944)

6 - 'A Coluna Partida' (1944)

  7 - 'Diego e Eu' (1949)

7 - 'Diego e Eu' (1949)

  8 - 'Autorretrato com cabelo cortado' (1940)

8 - 'Autorretrato com cabelo cortado' (1940)

  9 - 'Retrato de Luther Burbank' (1931)

9 - 'Retrato de Luther Burbank' (1931)

  10 - 'Umas Facadinhas de Nada' (1935)

10 - 'Umas Facadinhas de Nada' (1935)

Sua trágica história de vida se confunde com sua produção artística, marcada pela representação pictórica de cenas autobiográficas, incluindo seu casamento conturbado com o também renomado pintor mexicano Diego Rivera.

É comum a romantização da relação tempestuosa dos dois, mas também cresce o entendimento de que Frida, na verdade, foi mais uma vítima do machismo que rege relacionamentos abusivos. E é por isso também que a empatia por essa mulher só cresce a cada dia. Para além da arte, Frida Kahlo se tornou também uma inspiração política.

  11 - 'Veado Ferido' (1946)

11 - 'Veado Ferido' (1946)

  12 - 'Autorretrato com cabelo solto' (1947)

12 - 'Autorretrato com cabelo solto' (1947)

  13 - 'Autorretrato com Tehuana' (1943)

13 - 'Autorretrato com Tehuana' (1943)

  14 - 'Mosè o Nucleo solare' (1945)

14 - 'Mosè o Nucleo solare' (1945)

  15 - 'Mi Nana y Yo' (1937)

15 - 'Mi Nana y Yo' (1937)

  16 - 'Autorretrato com Pequeno Macaco' (1945)

16 - 'Autorretrato com Pequeno Macaco' (1945)

  17 - 'Fulang-Chang e eu' (1937)

17 - 'Fulang-Chang e eu' (1937)

Porém, embora a própria artista tenha dito que seu marido foi o grande acidente de sua vida, ele não foi o único! Quando criança, Frida contraiu poliomielite - a famosa paralisia infantil -, fato que reverberou por toda a sua vida, uma vez que ela teve que conviver com uma lesão no pé direito. Vem daí a razão pelo uso de longas saías e calças.

  18 - 'Nascimento' (1932)

18 - 'Nascimento' (1932)

  19 - 'O Sonho (A Cama)' (1940)

19 - 'O Sonho (A Cama)' (1940)

Já aos 18 anos, a jovem foi vítima de um acidente de trânsito envolvendo a colisão entre um bonde e um trem. O acidente obrigou Frida a se submeter a cirurgias, longos períodos acamada e ao uso contínuo de coletes ortopédicos. Ela nunca mais foi a mesma e começou a pintar justamente enquanto se recuperava.

  20 - 'O Marxismo dará saúde aos doentes' (1954)

20 - 'O Marxismo dará saúde aos doentes' (1954)

  21 - 'Árvore da Esperança' (1946)

21 - 'Árvore da Esperança' (1946)

  22 - 'Frieda e Diego Rivera' (1933)

22 - 'Frieda e Diego Rivera' (1933)

  23 - 'Garota com a Máscara da Morte (Ela brinca sozinha)' 1938

23 - 'Garota com a Máscara da Morte (Ela brinca sozinha)' 1938

  24 - Abraço do amor do universo' (1949)

24 - Abraço do amor do universo' (1949)

Em suas obras, se destacam o autorretrato, a presença de elementos da cultura mexicana, o traço que remete à pintura naïf e a melancolia. Para Frida Kahlo, conviver com a dor física e emocional era uma constante e isso transparecia em sua arte. Sua produção chegou a ser classificada como surrealista, título que nunca foi aceito pela artista. Nas palavras dela:

Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade.
— Frida Kahlo
  25 - 'Retrato de minha irmã Cristina' (1928)

25 - 'Retrato de minha irmã Cristina' (1928)

  26 - 'Retrato de Dona Rosita Morillo' (1944)

26 - 'Retrato de Dona Rosita Morillo' (1944)

  27 - 'O Sol e a Vida' (1947)

27 - 'O Sol e a Vida' (1947)

  28 - 'O que a água me deu' (1938)

28 - 'O que a água me deu' (1938)

  29 - 'The Deceased Dimas' (1937)

29 - 'The Deceased Dimas' (1937)

  30 - 'Sem Esperança' (1945)

30 - 'Sem Esperança' (1945)

Que as cores de Frida Kahlo estejam sempre presentes!

10 curiosidades sobre Salvador Dalí que você provavelmente não sabia

Você certamente conhece Salvador Dalí e sabe que ele é o maior ícone do movimento surrealista, né? O que você possivelmente não sabe é que o artista, além do grande pintor de sonhos que foi, também era conhecido por sua extravagância e excentricidade. Sem falar nas inúmeras colaborações que ele também manteve fora da pintura, trabalhando em parceria com cineastas, estilistas e até estrelando comerciais de TV.

Se vivo fosse, Dalí estaria completando 113 anos neste 11 de maio. Para celebrar a data, o Pigmum selecionou 10 curiosidades que mostram que o artista foi ainda mais surreal do que parece! Confira:

1 – Foi expulso do movimento surrealista

  O grupo surrealista, com Salvador Dalí no centro, na linha de frente

O grupo surrealista, com Salvador Dalí no centro, na linha de frente

Vamos começar com polêmica? Bora! Apesar de ser o nome mais conhecido do Surrealismo, Salvador Dalí foi expulso do movimento em 1934, após manifestar apoio ao ditador Francisco Franco, durante os conflitos na Guerra Civil Espanhola. O Surrealismo, que não era somente um movimento artístico, estava politicamente alinhado ao método materialista histórico. Dalí assumira uma postura cada vez mais reacionária e que ia de encontro aos ideais do grupo. Por isso, durante uma reunião no dia 5 de fevereiro, Salvador Dalí foi convidado a deixar o Surrealismo pelo líder do movimento, André Breton.

2 – Teve um caso amoroso com o poeta espanhol Federico García Lorca

  Os  ~amigos~  Salvador Dalí e Federico García Lorca

Os ~amigos~ Salvador Dalí e Federico García Lorca

Você quer mais polêmica? Então tome! Pra começo de conversa, Dalí foi casado com Gala Éluard durante 48 anos, até ficar viúvo em 1982. Pra todo mundo, Gala era sua musa! E de fato, a morte de sua esposa levou Dalí a cair em depressão nos últimos anos de sua vida. Porém, antes de tudo isso, o jovem Dalí teve uma ~amizade especial~ com o poeta espanhol Federico García Lorca.

  Dalí e sua esposa, Gala Éluard

Dalí e sua esposa, Gala Éluard

Os dois se conheceram em 1922, na Residência da Estudantes, em Madri. Ao que parece, Lorca morria de amores por Dalí, mas este sempre se mostrou meio reticente na relação, evitando inclusive um contato físico ainda mais íntimo, se é que você me entende... Dalí não se considerava homossexual, mas bem que curtia na ~brodagem~.

3 – Fez trabalhos no cinema

  Cena clássica do filme  'Um Cão Andaluz'  (1929), dirigido por Luís Buñuel e Dalí

Cena clássica do filme 'Um Cão Andaluz' (1929), dirigido por Luís Buñuel e Dalí

Deixando o ti-ti-ti de lado, é hora de falar dos principais filmes que Dalí ajudou a produzir. O mais conhecido deles, o surrealista ‘Um Cão Andaluz’ (1929), foi dirigido por ele e pelo então amigo Luís Buñuel. Mais teve também uma colaboração com o mestre Hitchcock, em ‘Quando fala o coração’ (1945) e um projeto de animação com Walt Disney, ‘Destino’, que só foi finalizado postumamente em 2003. E como o Pigmum gosta de facilitar a sua vida, tá aí os 3 filmes na íntegra e legendados! Segue:

4 – Um escultor surrealista!

  O  'Telefone Lagosta'.  Escultura surrealista, com uma lagosta feita de gesso sobre um telefone comum

O 'Telefone Lagosta'. Escultura surrealista, com uma lagosta feita de gesso sobre um telefone comum

Engana-se quem pensa que Salvador Dalí só era bom na pintura. O artista também era escultor e dentre suas criações mais célebres estão o ‘Telefone Lagosta’ (1936) e o ‘Sofá-lábios de Mae West’ (1937). Pop-Art antes mesmo de Andy Warhol. É ou não é?

  O icônico  'Sofá-lábios de Mae West'

O icônico 'Sofá-lábios de Mae West'

  Outra escultura de Dalí, que faz parte do acervo do Museu Botero, em Bogotá, na Colômbia

Outra escultura de Dalí, que faz parte do acervo do Museu Botero, em Bogotá, na Colômbia

5 – Criou peças de alta-costura

  O chapéu em formato de sapato. V0cê usaria?

O chapéu em formato de sapato. V0cê usaria?

Na década de 1930, Dalí colaborou com a estilista italiana Elsa Schiaparelli, criando peças que se tornaram icônicas, como o chapéu em formato de sapato e o vestido branco com estampa de lagosta.

6 – Foi capa de revista

  Salvador Dalí na capa da edição de dezembro de 1936 da revista americana  Time

Salvador Dalí na capa da edição de dezembro de 1936 da revista americana Time

Em 1936, Dalí foi o primeiro espanhol a estampar a capa da revista americana Time, o que garantiu ao artista ainda mais visibilidade midiática. Dalí gostava dos holofotes e era uma figura tão intrigante quanto sua própria arte. Essa postura rendeu-lhe popularidade e dinheiro, outra coisa que o artista também gostava muito. Agora imagine quantas portas e janelas uma capa na Time daquela época poderia abrir?!

7 – Estrelou comerciais de TV

Já na maturidade, em 1968, Dalí apareceu em cores nas telinhas de milhares de expectadores vendendo os famosos chocolates Lanvin! Também estrelou campanhas publicitárias para as pastilhas Alka-Seltzer e para o Hotel Saint Régis. Pense no estrago que Dalí faria se ainda continuasse atuante agora na era das redes sociais!

8 – Projetou o logo da marca de doces Chupa Chups

  Foi Dalí que projetou a identidade visual da empresa espanhola Chupa Chups

Foi Dalí que projetou a identidade visual da empresa espanhola Chupa Chups

Exatamente.  Sabe aquele pirulito docinho, quem tem uma florzinha na embalagem (e que nos anos 1990 vinha com figurinhas das Spice Girls)? Pois foi o artista que projetou a florzinha que de 1969 até hoje faz parte da identidade visual da empresa espanhola.

9 – Foi ilustrador de livros

  Gravuras de Dalí para uma edição comemorativa do clássico literário  'A Divina Comédia'

Gravuras de Dalí para uma edição comemorativa do clássico literário 'A Divina Comédia'

Já está mais do que evidente que Dalí experimentou de tudo um pouco na arte e na mídia. E como tantos outros artistas, Dalí também produziu gravuras para ilustrar livros, entre eles uma edição especial comemorativa de ‘A Divina Comédia’, para celebrar os 700 anos de nascimento do italiano Dante Alighieri (1265-1321). Inclusive essas gravuras estão atualmente em exposição aqui no Brasil, na Caixa Cultural Fortaleza-CE. Confira a notinha que o Pigmum fez sobre essa mostra!

10 – Cultivou um bigodinho saliente

  Foto icônica de Dalí, com o famoso bigode

Foto icônica de Dalí, com o famoso bigode

Que Salvador Dalí tinha um bigodinho você já sabe, agora consegue dizer o porquê? A resposta está na Espanha: Dalí nutria uma admiração especial pelo artista espanhol Diego Velásquez, que ficou imortalizado com a obra barroca ‘As Meninas’ (1656). Dalí começou a usar o bigodinho ainda na juventude e acabou adotando o estilo durante toda a sua vida.

E aí, estamos falando sobre um gênio ou um louco?

E como ninguém é de ferro, vamos terminar o post com as pinturas de Dalí, é claro! Até porque nunca é demais divulgar e enaltecer essa obra maravilhosa!

Você sabe por que 8 de maio é o Dia do Artista Plástico Brasileiro?

A resposta tem nome e sobrenome: Almeida Júnior, um dos artistas brasileiros fundamentais do século XIX.

 'O Descanso do Modelo'  (1882)

'O Descanso do Modelo' (1882)

Nascido em 8 de maio de 1850, em Itu (SP), Almeida Júnior desde cedo revelou inclinação às artes. Aos 19 anos, entrou para a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro e, em 1876, recebeu uma bolsa de estudos do Imperador Dom Pedro II para aperfeiçoar seus conhecimentos em Paris! Foi lá que o artista foi influenciado pelo realismo francês de Gustave Courbet.

  Os autorretratos de Almeida Júnior e de Gustave Courbet, respectivamente

Os autorretratos de Almeida Júnior e de Gustave Courbet, respectivamente

Gustave Courbet

De volta ao Brasil, Almeida Júnior foi um dos primeiros artistas do país a retratar a vida simples do homem do campo, explorando a temática regional para dar vida à sua própria pintura realista. Entre seus quadros mais conhecidos estão ‘O Derrubador Brasileiro’ (1879), ‘O Violeiro’ (1899), ‘Leitura’ (1892) e ‘Caipira Picando Fumo’ (1893).

 'O Derrubador Brasileiro'  (1879)

'O Derrubador Brasileiro' (1879)

 'O Violeiro'  (1899)

'O Violeiro' (1899)

 'Leitura'  (1892)

'Leitura' (1892)

 ‘Caipira Picando Fumo’  (1893)

‘Caipira Picando Fumo’ (1893)

Mas a arte de Almeida Júnior não se resume aos temas regionalistas. Ele também pintou outros personagens anônimos, como ‘Moça com Livro’ (1879), além de cenas bíblicas e históricas.

 'Moça com Livro'  (1879)

'Moça com Livro' (1879)

 'Fuga para o Egito'  (1881)

'Fuga para o Egito' (1881)

 'Batismo de Jesus'  (1895)

'Batismo de Jesus' (1895)

 'A Partida da Monção'  (1897)

'A Partida da Monção' (1897)

Ao todo, o pintor produziu cerca de 300 obras e viveu o auge de sua carreira na década de 1890. Infelizmente, foi assassinado em 1899, aos 49 anos, após ser apunhalado pelo seu primo José de Almeida Sampaio. O motivo? Durante anos, Almeida Júnior teria vivido um relacionamento amoroso com a esposa de seu primo, que não gostou nadinha de descobrir o caso dos dois. Fofocas à parte, o fato é que o Brasil perdeu precocemente um de seus maiores artistas. =(

 'Caipiras Negaceando'  (1888)

'Caipiras Negaceando' (1888)

 'Amolação Interrompida'  (1894)

'Amolação Interrompida' (1894)

Aí no centenário do artista, em 1950, Almeida Júnior foi homenageado. Foi assim que o dia de seu nascimento tornou-se o Dia do Artista Plástico Brasileiro. =)

 'Saudade'  (1899)

'Saudade' (1899)

 'Recado Difícil'  (1895)

'Recado Difícil' (1895)

Parabéns, artistas do Brasil!

O universalismo construtivo de Torres García em 20 imagens

Quem visita o Uruguai, em algum momento vai se deparar com a pintura geométrica de Joaquín Torres García. Seja no aeroporto ou nas feirinhas de souvenirs, as reproduções estão lá, em painéis ou ímãs de geladeira. E não é pra menos, já que Torres García foi o artista mais célebre do país e um dos responsáveis por trazer o movimento modernista à América do Sul.

  1 - As pinturas geométricas de Torres García se transformaram em ícones do Uruguai

1 - As pinturas geométricas de Torres García se transformaram em ícones do Uruguai

É justamente com ele que o Pigmum inicia uma série especial sobre o Uruguai. Durante o mês de maio, toda semana o canal Pigmum no YouTube visita um museu uruguaio diferente, começando justamente com aquele que leva o nome de Torres García e é responsável por contar sua história e preservar sua obra. Assista:

Torres García não foi apenas um grande artista. Ele foi um verdadeiro teórico da pintura. E suas principais ideias foram sistematizadas no livro ‘Universalismo Construtivo’, uma obra com mais de mil páginas e que explora todo o universo conceitual que ele desenvolveu e vivenciou em sua produção artística.

Fruto do debate acerca do construtivismo e da ascensão da arte abstrata, o universalismo construtivo de Torres García surgiu em 1929, quando o artista uruguaio vivia em Paris e mantinha contato com o neoplasticismo de Mondrian e Doesburg. Só que na contramão da rígida abstração desses dois artistas, Torres García manteve uma forte conexão com símbolos figurativos inspirados nas tradições pré-colombianas, africanas e aborígenes.

  2 - Torres García fundou o universalismo construtivo e desenvolveu sua obra com base nesse conceito

2 - Torres García fundou o universalismo construtivo e desenvolveu sua obra com base nesse conceito

  3 - Embora tenha sido influenciado pela pintura abstrata do neoplasticismo, sua obra manteve-se também na fronteira com o figurativo

3 - Embora tenha sido influenciado pela pintura abstrata do neoplasticismo, sua obra manteve-se também na fronteira com o figurativo

  4 - O figurativo nas obras de Torres García se localiza nos símbolos que ele utilizava e não no desenho fiel dos objetos representados

4 - O figurativo nas obras de Torres García se localiza nos símbolos que ele utilizava e não no desenho fiel dos objetos representados

  5 - O artista também favorecia as cores primárias em seu trabalho. Torres García buscava o essencial e universal da pintura

5 - O artista também favorecia as cores primárias em seu trabalho. Torres García buscava o essencial e universal da pintura

  6 - É recorrente também as linhas retas horizontais e verticais, com as quais o artista  'enquadrava'  os símbolos presentes nos quadros

6 - É recorrente também as linhas retas horizontais e verticais, com as quais o artista 'enquadrava' os símbolos presentes nos quadros

  7 - O símbolo do homem, recorrente na obra do artista

7 - O símbolo do homem, recorrente na obra do artista

O artista recusava as motivações do inconsciente vividas pelo surrealismo e defendia que a pintura tinha estrutura própria e se constituía como objeto singular, independente da representação da realidade. Ou seja, Torres García também se aproximou da corrente de pensamento estruturalista, que buscava definir os sistemas universais que fundamentariam a cultura humana.

Sua arte explora o valor simbólico da forma, buscando ainda estabelecer a harmonia e o equilíbrio universal entre o tempo, o espaço e o ser humano. Não é à toa que ele utiliza a proporção áurea em seus trabalhos. A ambição de Torres García era encontrar o eterno da arte.

Por isso, há o predomínio de formas e cores primárias, de linhas verticais e horizontais, de figuras geométricas e símbolos recorrentes, como a âncora, o peixe, o coração... Cada um com um significado próprio e universal, como a escada, que simbolizaria a progressão pelo saber; ou a balança, que equivaleria à justiça, à prudência e ao equilíbrio. Observe:

  8 - O símbolo do coração representa o centro do organismo

8 - O símbolo do coração representa o centro do organismo

  9 - Torres García se aproximou da arte pré-colombiana para chegar à pintura universal

9 - Torres García se aproximou da arte pré-colombiana para chegar à pintura universal

  10 - O artista também realizou trabalhos explorando a tonalidade do claro e escuro, em imagens preto e branco

10 - O artista também realizou trabalhos explorando a tonalidade do claro e escuro, em imagens preto e branco

  11 - Para Torres García uma pintura é um objeto único, que se afasta da realidade e que é capaz de ter seu próprio sentido

11 - Para Torres García uma pintura é um objeto único, que se afasta da realidade e que é capaz de ter seu próprio sentido

  12 - É a presença dos signos na pintura que vai garantir o sentido da obra e não a representação de uma cena da 'ralidade'

12 - É a presença dos signos na pintura que vai garantir o sentido da obra e não a representação de uma cena da 'ralidade'

  13 - O peixe também é um símbolo recorrente nas obras de Torres García, assim como a relação do artista com a parte  'sur' (sul)  da América

13 - O peixe também é um símbolo recorrente nas obras de Torres García, assim como a relação do artista com a parte 'sur' (sul) da América

  14 - A convivência com Mondrian e Doesburg influenciou o artista

14 - A convivência com Mondrian e Doesburg influenciou o artista

  15 - Torres García ambicionava desenvolver um modernismo artístico com a cara da América do Sul

15 - Torres García ambicionava desenvolver um modernismo artístico com a cara da América do Sul

  16 - A preocupação de Torres García não era com a precisão do desenho ou o apuro técnico da pintura

16 - A preocupação de Torres García não era com a precisão do desenho ou o apuro técnico da pintura

  17 - Mais uma obra que destaca os símbolos do peixe e do sol

17 - Mais uma obra que destaca os símbolos do peixe e do sol

É a presença desses elementos que dá sentido às pinturas e não a aparência ou fidelidade figurativa deles. Para o artista, o que importava era o essencial da pintura. A beleza não estava na imitação da realidade.

Embora a proposta de Torres García seja, de fato, bastante ambiciosa (como aliás é comum entre formalistas e estruturalistas), é admirável como ele construiu e vivenciou seu próprio universo artístico, influenciando ainda toda uma geração de artistas no Uruguai e esforçando-se para desenvolver uma arte moderna com a cara da América do Sul.

  18 - O artista sempre buscou a dimensão simbólica das formas mais básicas

18 - O artista sempre buscou a dimensão simbólica das formas mais básicas

  19 - Mais uma vez, o peixe - com a balança, a âncora, o coração, o trem...

19 - Mais uma vez, o peixe - com a balança, a âncora, o coração, o trem...

  20 - Uma cena musical na visão de Torres García

20 - Uma cena musical na visão de Torres García

15 vezes em que Cândido Portinari transformou a força dos trabalhadores em arte

Todo mundo sabe que Cândido Portinari é considerado o maior artista visual brasileiro, reconhecido internacionalmente e tudo mais. Mas você já percebeu que, além das cenas infantis e dos retirantes, Portinari dedicou grande parte de sua obra a retratar trabalhadores exercendo as mais diversas funções?

  1 -  'Café'  (1935), Cândido Portinari

1 - 'Café' (1935), Cândido Portinari

Neste 1º de maio, Dia do Trabalhador, são as pinturas desse grande artista que prestarão reverência ao suor e à labuta diária dos milhões de brasileiros que andam ainda mais massacrados nesses tempos sombrios de retirada de direitos trabalhistas.

  2 -  'O Mestiço'  (1934), Cândido Portinari

2 - 'O Mestiço' (1934), Cândido Portinari

  3 -  'O Lavrador de Café'  (1934), Cândido Portinari

3 - 'O Lavrador de Café' (1934), Cândido Portinari

A maior parte dessas imagens foram pintadas entre 1936 e 1945, quando Portinari realizou vários murais sobre os ciclos econômicos do Brasil, dando evidência aos trabalhadores durante a colheita de arroz, milho, algodão, borracha e, claro, café.

  4 -  'Colheita de Arroz'  (1957), Cândido Portinari

4 - 'Colheita de Arroz' (1957), Cândido Portinari

  5 -  'Colheita de Milho'  (1959), Cândido Portinari

5 - 'Colheita de Milho' (1959), Cândido Portinari

  6 -  'Borracha'  (1948), Cândido Portinari

6 - 'Borracha' (1948), Cândido Portinari

Portinari nasceu em 1903 e era filho de imigrantes italianos. Nasceu numa fazenda de café, no interior de São Paulo e sua produção artística costumava fazer referência a esse período de sua infância e juventude. Ele se dizia impressionado principalmente pelos pés dos trabalhadores, que não por acaso são destacados em suas criações.

  7 -  'Café'  (1940), Cândido Portinari

7 - 'Café' (1940), Cândido Portinari

  8 -  'Colheita de Café'  (1957), Cândido Portinari

8 - 'Colheita de Café' (1957), Cândido Portinari

  9 -  'Colheita de Feijão'  (1957), Cândido Portinari

9 - 'Colheita de Feijão' (1957), Cândido Portinari

Com o passar do tempo, a pintura de temática social foi se tornando cada vez mais relevante na produção artística de Portinari e os horrores da Segunda Guerra Mundial sensibilizaram bastante o artista, que acabou se engajando politicamente no Partido Comunista.

  10 -  'Mulheres Carregando Lenha'  (1957), Cândido Portinari

10 - 'Mulheres Carregando Lenha' (1957), Cândido Portinari

  11 -  'Colheita de Algodão'  (1937), Cândido Portinari

11 - 'Colheita de Algodão' (1937), Cândido Portinari

  12 -  'Colheita de Cacau'  (1954), Cândido Portinari

12 - 'Colheita de Cacau' (1954), Cândido Portinari

  13 -  'Chorinho'  (1942), Cândido Portinari - Porque músicos também são trabalhadores

13 - 'Chorinho' (1942), Cândido Portinari - Porque músicos também são trabalhadores

Além das cores vibrantes, o que torna essas imagens tão verdadeiras é o esforço estampado no rosto e nas expressões corporais de cada personagem. Portinari conseguia captar isso. Força e resistência transformada em arte.

  14 -  'Menino do Tabuleiro'  (1947), Cândido Portinari

14 - 'Menino do Tabuleiro' (1947), Cândido Portinari

  15 -  'Cana de Açúcar'  (1938), Cândido Portinari

15 - 'Cana de Açúcar' (1938), Cândido Portinari

Que todos nós, trabalhadora/es, sejamos capazes de lutar!

Conheça as lineogravuras dançantes de Regina Carvalho

Já sabemos que é possível fazer arte com uma infinidade de técnicas e materiais, correto? O desenho sobre papel e a pintura sobre tela são apenas as mais famosas. Mas você já ouviu falar de gravuras feitas em linóleo? Pois chegou a hora de conhecer o trabalho da pernambucana Regina Carvalho, que nos últimos anos vem produzindo com essa técnica.

  Figuras de Regina Carvalho, feitas em linóleo, dançam diferentes ritmos

Figuras de Regina Carvalho, feitas em linóleo, dançam diferentes ritmos

lineogravura regina carvalho

A artista já tá na estrada há vários anos, mas faz pouco tempo que utiliza o linóleo em suas criações. Ela começou a desenvolver a técnica aos poucos, fazendo pequenos exercícios. Aí veio a primeira bailarina, que dançava ao luar. Logo, ela ampliou seu repertório, criando figuras que dançam os mais diversos ritmos: o passista de frevo, os capoeiristas, a bailarina de boate, os dançarinos de tango...

  A bailarina que dança ao luar foi a primeira da série

A bailarina que dança ao luar foi a primeira da série

  A primeira bailarina e os capoeiristas

A primeira bailarina e os capoeiristas

  Também há espaço para as danças infantis e para o passista de frevo

Também há espaço para as danças infantis e para o passista de frevo

lineogravura regina carvalho
  Regina também mistura a gravura em linóleo com a técnica da pintura sobre papel. Aqui, o casal dança tango ao luar

Regina também mistura a gravura em linóleo com a técnica da pintura sobre papel. Aqui, o casal dança tango ao luar

Mas que técnica é essa?

  Retrato da segunda esposa de Pablo Picasso. O artista também criava gravuras em linóleo

Retrato da segunda esposa de Pablo Picasso. O artista também criava gravuras em linóleo

O linóleo é um material impermeável feito da combinação de linhaça, serragem de madeira e cortiça. Surgiu no século XIX e serve principalmente para revestir pisos. Porém, desde aquela época muitos artistas começaram a utilizar placas de linóleo como matriz para a impressão de gravuras. Picasso foi um dos artistas modernos que fez gravuras em linóleo, assim como o brasileiro Lasar Segall. 

O processo é semelhante à xilogravura, técnica ainda mais antiga. Com o apoio de uma goiva, instrumento usado para o entalhe do linóleo (ou da madeira, no caso da xilogravura), o artista vai criando sulcos no material e depois aplica tinta nas partes em alto relevo. Em seguida, a matriz é pressionada sob papel ou tecido, como uma espécie de carimbo.

  Placa de linóleo sendo entalhada

Placa de linóleo sendo entalhada

  Diferentes goivas, instrumentos utilizados para entalhar madeira e também o linóleo

Diferentes goivas, instrumentos utilizados para entalhar madeira e também o linóleo

Dançando em tecido

Agora, as figuras dançantes de Regina estão saindo do papel e sendo reproduzidas também em camisetas, vestidos e macaquinhos femininos. Essa é outra grande vantagem do linóleo. Sua maleabilidade permite que as gravuras sejam reproduzidas com facilidade, possibilitando a impressão de padronagens como essas que Regina vem aplicando às roupas.

  Regina Carvalho tem reproduzido suas gravuras também em roupas

Regina Carvalho tem reproduzido suas gravuras também em roupas

  Duas amigas de Regina. Uma delas está vestindo um macaquinho com as estampas das figuras dançantes da artista

Duas amigas de Regina. Uma delas está vestindo um macaquinho com as estampas das figuras dançantes da artista

Com o aperfeiçoamento da técnica, aos poucos Regina vai criando imagens cada vez mais ricas em detalhes e com traços mais seguros. E quem sabe em breve não veremos suas obras em uma exposição individual?

  Gravura em linóleo que faz parte do livro  'Tatuagem' , que Regina lançou coletivamente com outros artistas em 2016

Gravura em linóleo que faz parte do livro 'Tatuagem', que Regina lançou coletivamente com outros artistas em 2016

  Com o aperfeiçoamento da técnica, as gravuras de Regina Carvalho vão se tornando mais apuradas e detalhadas

Com o aperfeiçoamento da técnica, as gravuras de Regina Carvalho vão se tornando mais apuradas e detalhadas

  Gravura em linóleo feita por Regina para estampar cartas de Tarot, produzidas coletivamente. A artista foi responsável pela carta 'A Força'

Gravura em linóleo feita por Regina para estampar cartas de Tarot, produzidas coletivamente. A artista foi responsável pela carta 'A Força'

Por enquanto, ela aparece por aqui e também no canal Pigmum no YouTube, falando sobre sua trajetória na arte e, claro, sobre o processo de criação de suas gravuras em linóleo. Porque tem coisas que não cabem em apenas um texto. Por isso, assista o vídeo e não se esqueça de se inscrever no canal!

São Luís pelos pincéis do artista Victor Rego, em cartaz na exposição 'Laboratório'

E aí, como é que anda a sua agenda de exposições de arte? Pra quem está em São Luís-MA, a dica é conferir a exposição ‘Laboratório’, do artista visual maranhense Victor Rego. A mostra fica em cartaz até o próximo dia 28 de abril, no Espaço de Arte Márcia Sandes, na Procuradoria Geral de Justiça, em Calhau.

  O artista costuma retratar a cidade de São Luís-MA com traços espessos e cores vibrantes

O artista costuma retratar a cidade de São Luís-MA com traços espessos e cores vibrantes

Ao todo são 15 obras, em acrílico sobre tela, com imagens que revelam recortes da capital maranhense guardadas principalmente na memória afetiva do artista, como a rua do Giz, os comerciantes da Praia Grande e a diversidade da natureza da ilha. Aliás, a preservação da natureza é um tema recorrente no trabalho artístico de Victor Rego, que aprendeu a pintar sozinho, ainda na adolescência.

  O aspecto quase  naïf  das telas de Victor Rego refletem seu aprendizado autodidata na pintura

O aspecto quase naïf das telas de Victor Rego refletem seu aprendizado autodidata na pintura

  O artista visual Victor Rego com uma das obras da exposição  'Laboratório'

O artista visual Victor Rego com uma das obras da exposição 'Laboratório'

O artista traduz a cidade sob a perspectiva de seus momentos de infância e juventude. Na tela ‘A bicicleta de Eremita Rego e a minha’, por exemplo, o artista faz referência ao momento em que aprendeu a andar de bicicleta, graças à sua tia Eremita.

  Excerto da obra  'A bicicleta de Eremita Rego e a minha'

Excerto da obra 'A bicicleta de Eremita Rego e a minha'

São histórias assim que tornam essa exposição tão particular, a começar pelo título: ‘Laboratório’. Para Victor, seu processo laboratorial de aprendizado e aprimoramento autodidata nunca acabou. E dessa forma ele compartilha seu work-in-progress com o público, expondo peças atuais e também outras do início de sua carreira.

Não deixe de conferir!


SERVIÇO:

Exposição: Laboratório
Artista: Victor Rego
Até 28 de abril, de segunda à sexta-feira, das 8h às 14h
Local: Espaço de Arte Márcia Sandes
Endereço: Av. Prof. Carlos Cunha, 3261 - Calhau. São Luís - Maranhão (Procuradoria Geral de Justiça). Telefone: (98) 3227-6064 | 3227-6047
Entrada gratuita.
 

Natureza digital: primeiro exercício de pintura no Photoshop

Eu adoro pêssego! Suco de pêssego, bala de pêssego, geleia de pêssego. Adoro a textura, as cores, o cheiro! Eu gosto até do nome pêssego e de suas variantes em outras línguas: durazno (espanhol), peach (inglês)...

E como a gente deve sempre desenhar algo que a gente goste, eu escolhi o pêssego como tema do meu primeiro exercício de pintura digital. Olha o resultado final:

  Natureza morta nada! Olha essas cores, meus pêssegos estão vivos!

Natureza morta nada! Olha essas cores, meus pêssegos estão vivos!

Lembra que na semana passada rolou aqui em Natal uma oficina justamente de pintura digital com o Alzir Alves, que foi considerado um dos melhores coloristas do Brasil? Pois é, eu fiz a oficina e foi maravilhosa!

Alzir deu várias dicas e mostrou o passo a passo de seu processo criativo, desde a digitalização do desenho em traço feito à grafite, até a inclusão de efeitos de luz e sombra no Photoshop. Com a oficina ficou mais fácil entender como utilizar os diferentes pincéis (brushes) do software, além da organização do trabalho em camadas (layers). E finalmente eu comecei a trabalhar com a mesa digitalizadora que estava há mais de um ano encostada no armário.

Até me surpreendi com o resultado final do meu primeiro exercício, mas não foi tão fácil como parece. Tem gente que considera como trapassa o trabalho artístico feito em computação gráfica, como se o computador fizesse tudo sozinho. Mas quem tá por trás ralando, sabe o trabalho que dá! Não sujar as mãos de tinta não torna, necessariamente, uma arte digital inferior.

Mas pra chegar até aqui eu precisei passar por etapas bem definidas, como explicou Alzir. Primeiro a fase do traçado:

  É preciso digitalizar e tratar o traçado original

É preciso digitalizar e tratar o traçado original

  Essa foto que eu achei no Google serviu de referência

Essa foto que eu achei no Google serviu de referência

Em seguida, o preenchimento com as cores sólidas que servirão como base da pintura:

  É importante também definir uma paleta de cores com os tons mais usados ao longo do trabalho

É importante também definir uma paleta de cores com os tons mais usados ao longo do trabalho

Depois, um estudo breve sobre o comportamento das cores, da luz e da sombra, para orientar a pintura. Pra isso, usei uma camada (layer) que foi ignorada posteriormente. Ou seja, ela não fez parte da arte final:

  A foto original serviu de referência para definir a posição das cores, da luz e da sombra

A foto original serviu de referência para definir a posição das cores, da luz e da sombra

Aos poucos, as cores vão se integrando e a caneta digital vai se assemelhando a um pincel realmente. Depois de 4 horas de trabalho, parecia que eu estava misturando tinta já. Adorei aprender essa nova técnica. Acompanhe o processo:

  Fiz um GIF animado pra facilitar a demonstração do processo

Fiz um GIF animado pra facilitar a demonstração do processo

Inclusive já tô aceitando sugestões para pintar novas frutas. ;)

Quando começa a cumplicidade?

Segunda-feira do bem. =)

Passei a manhã inteira desenhando. Outro exercício de luz e sombra, mas desta vez um trabalho autoral.

cumplices1

A inspiração veio de um espetáculo de dança contemporânea que assisti meses atrás.

Aos poucos a imagem vai ganhando profundidade. Logo, logo eu volto aqui pra mostrar o resultado final.

cumplices2

E aí, tá ficando legal?