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arte e outros riscos

Concorrente ao Oscar 2018, filme sobre Van Gogh chega à Netflix!

A cerimônia do Oscar 2018 acontece na noite deste domingo e eu vou te dar um bom motivo para prestar atenção à entrega do prêmio de Melhor Animação! É que um dos concorrentes é o filme ‘Com Amor, Van Gogh’ (‘Loving Vincent’, 2017, direção de Dorota Kobiela e Hugh Welchman), o primeiro longa-metragem totalmente pintado a óleo. E o melhor é que ainda dá tempo de assistir antes do evento, já que nesta semana a Netflix disponibilizou o título em seu catálogo!

Confira o trailer:

E já tem alguns anos que o burburinho sobre esse filme rolava na internet. A expectativa por ele era grande! E não era pra menos, né? Mais de 100 artistas se dedicaram a pintar à mão cada um dos 65 mil frames dessa animação. Tudo pintado a óleo: quadro a quadro. O resultado é visualmente deslumbrante e até mesmo pela inovação técnica esse filme já merece levar o prêmio! Além disso, é também uma belíssima homenagem a Van Gogh, já que cada sequência foi inspirada em obras do artista.

  Cada frame do filme foi pintado à mão

Cada frame do filme foi pintado à mão

  Mais de 100 artistas participaram da criação

Mais de 100 artistas participaram da criação

O filme se passa em 1891, após a trágica morte do pintor holandês, que teria tirado a própria vida com um tiro de revólver em 27 de julho de 1890. Apesar de ter sido tardiamente reconhecido como um dos mais influentes precursores da arte moderna, Vincent van Gogh não experimentou o gosto do sucesso e teve uma vida intensa e trágica. O artista sofria de depressão, tinha alucinações e recorrentes surtos psicóticos, que inclusive levaram-no a ser internado em hospitais psiquiátricos.

Sem dúvida, era um gênio atormentado, mas será que ele realmente foi o autor daquele tiro? O filme questiona a versão oficial dos fatos quando o protagonista Armand Roulin (Douglas Booth) inicia uma investigação informal sobre os mistérios que rondam a morte do artista. Armand é filho do carteiro Joseph Roulin e recebe do pai a missão de entregar a última carta escrita por Vincent a seu irmão, Theo van Gogh.

  Armand Roulin (Douglas Booth) assume o papel de protagonista do filme, encarregado de entregar a última carta escrita por Van Gogh

Armand Roulin (Douglas Booth) assume o papel de protagonista do filme, encarregado de entregar a última carta escrita por Van Gogh

Na procura pelo destinatário, Armand revive os acontecimentos que antecederam a morte do artista, a partir de conversas com personagens que testemunharam seus últimos dias. Ao longo de todo o filme, Armand esbarra em pessoas e cenários pintados por Van Gogh. Inclusive ele mesmo foi tema de um dos retratos do pintor, assim como seu pai.

Mas apesar dos personagens reais, ainda estamos falando de uma obra de ficção. O roteiro conecta livremente pinturas conhecidas como ‘A Noite Estrelada’ (1889), ‘Quarto em Arles’ (1887) e ‘Retrato de Dr. Gachet’ (1890), criando uma relação de coerência ou até de interdependência entre elas. Os diálogos mantidos entre os personagens também seguem a mesma lógica, mas não se baseiam necessariamente em fatos reais. Portanto, recomendo cautela!

  Reproduções das pinturas  'A Noite Estrelada'  (1889) e  'Quarto em Arles'  (1887), ambas assinadas por Van Gogh

Reproduções das pinturas 'A Noite Estrelada' (1889) e 'Quarto em Arles' (1887), ambas assinadas por Van Gogh

Quarto em Arles Van Gogh

Aliás, as longas entrevistas que Armand trava com os outros personagens interferem na ação das cenas, aproximando o filme a um documentário. De certa forma, o roteiro negligencia o potencial do protagonista, fazendo de Armand apenas um elemento de articulação entre os diversos depoimentos. Sem dúvida esse foi o ponto que mais me incomodou.

De qualquer forma, o filme é um convite ao universo artístico de Van Gogh e quase uma experiência imersiva, que permite que a gente entre em suas pinturas. Portanto, aproveita que o fim de semana tá aí e corre pra assistir na Netflix. Vamos torcer juntos por ele no Oscar!