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Concorrente ao Oscar 2018, filme sobre Van Gogh chega à Netflix!

A cerimônia do Oscar 2018 acontece na noite deste domingo e eu vou te dar um bom motivo para prestar atenção à entrega do prêmio de Melhor Animação! É que um dos concorrentes é o filme ‘Com Amor, Van Gogh’ (‘Loving Vincent’, 2017, direção de Dorota Kobiela e Hugh Welchman), o primeiro longa-metragem totalmente pintado a óleo. E o melhor é que ainda dá tempo de assistir antes do evento, já que nesta semana a Netflix disponibilizou o título em seu catálogo!

Confira o trailer:

E já tem alguns anos que o burburinho sobre esse filme rolava na internet. A expectativa por ele era grande! E não era pra menos, né? Mais de 100 artistas se dedicaram a pintar à mão cada um dos 65 mil frames dessa animação. Tudo pintado a óleo: quadro a quadro. O resultado é visualmente deslumbrante e até mesmo pela inovação técnica esse filme já merece levar o prêmio! Além disso, é também uma belíssima homenagem a Van Gogh, já que cada sequência foi inspirada em obras do artista.

Cada frame do filme foi pintado à mão

Cada frame do filme foi pintado à mão

Mais de 100 artistas participaram da criação

Mais de 100 artistas participaram da criação

O filme se passa em 1891, após a trágica morte do pintor holandês, que teria tirado a própria vida com um tiro de revólver em 27 de julho de 1890. Apesar de ter sido tardiamente reconhecido como um dos mais influentes precursores da arte moderna, Vincent van Gogh não experimentou o gosto do sucesso e teve uma vida intensa e trágica. O artista sofria de depressão, tinha alucinações e recorrentes surtos psicóticos, que inclusive levaram-no a ser internado em hospitais psiquiátricos.

Sem dúvida, era um gênio atormentado, mas será que ele realmente foi o autor daquele tiro? O filme questiona a versão oficial dos fatos quando o protagonista Armand Roulin (Douglas Booth) inicia uma investigação informal sobre os mistérios que rondam a morte do artista. Armand é filho do carteiro Joseph Roulin e recebe do pai a missão de entregar a última carta escrita por Vincent a seu irmão, Theo van Gogh.

Armand Roulin (Douglas Booth) assume o papel de protagonista do filme, encarregado de entregar a última carta escrita por Van Gogh

Armand Roulin (Douglas Booth) assume o papel de protagonista do filme, encarregado de entregar a última carta escrita por Van Gogh

Na procura pelo destinatário, Armand revive os acontecimentos que antecederam a morte do artista, a partir de conversas com personagens que testemunharam seus últimos dias. Ao longo de todo o filme, Armand esbarra em pessoas e cenários pintados por Van Gogh. Inclusive ele mesmo foi tema de um dos retratos do pintor, assim como seu pai.

Mas apesar dos personagens reais, ainda estamos falando de uma obra de ficção. O roteiro conecta livremente pinturas conhecidas como ‘A Noite Estrelada’ (1889), ‘Quarto em Arles’ (1887) e ‘Retrato de Dr. Gachet’ (1890), criando uma relação de coerência ou até de interdependência entre elas. Os diálogos mantidos entre os personagens também seguem a mesma lógica, mas não se baseiam necessariamente em fatos reais. Portanto, recomendo cautela!

Reproduções das pinturas  'A Noite Estrelada'  (1889) e  'Quarto em Arles'  (1887), ambas assinadas por Van Gogh

Reproduções das pinturas 'A Noite Estrelada' (1889) e 'Quarto em Arles' (1887), ambas assinadas por Van Gogh

Quarto em Arles Van Gogh

Aliás, as longas entrevistas que Armand trava com os outros personagens interferem na ação das cenas, aproximando o filme a um documentário. De certa forma, o roteiro negligencia o potencial do protagonista, fazendo de Armand apenas um elemento de articulação entre os diversos depoimentos. Sem dúvida esse foi o ponto que mais me incomodou.

De qualquer forma, o filme é um convite ao universo artístico de Van Gogh e quase uma experiência imersiva, que permite que a gente entre em suas pinturas. Portanto, aproveita que o fim de semana tá aí e corre pra assistir na Netflix. Vamos torcer juntos por ele no Oscar!

5 filmes sobre Van Gogh para comemorar o aniversário do artista

Van Gogh pintou inúmeros autorretratos, inclusive após perder sua orelha

Van Gogh pintou inúmeros autorretratos, inclusive após perder sua orelha

Há exatamente 164 anos, no dia 30 de março de 1853, nascia Vincent van Gogh, um gênio das artes atormentado pela sua própria mente. Sua vida, repleta de fatos curiosíssimos, já rendeu material suficiente para as mais diversas narrativas. Afinal, que outro artista que você conhece tem um temperamento tão instável a ponto de cortar a própria orelha após discutir com seu companheiro de pintura – no caso, o também artista Paul Gauguin?

Conta-se ainda que durante toda a sua vida, Van Gogh vendeu apenas um único quadro. Isso porque naquela época as estéticas inovadoras que antecederam o modernismo, como a arte impressionista, ainda eram marginais e ‘brigavam’ com as belas artes por um lugar ao sol. Mas definitivamente Van Gogh não conseguia se encaixar em lugar nenhum, já que nem chegou a ser considerado um impressionista. Van Gogh ficou ali no meio, no espaço indefinido entre o pós-impressionista e o pré-modernista. E essa sensação de não-pertencimento foi uma constante em sua trajetória.

Van Gogh foi uma criança solitária e assim continuou durante a vida adulta. Muito religioso, queria ser pastor e chegou a se tornar missionário na Bélgica, mas decidiu ocupar-se definitivamente da arte já perto dos 30 anos de idade, com o apoio financeiro de seu irmão mais novo, o marchand de arte Theo van Gogh.

'A Noite Estrelada' (1889) é uma de suas pinturas mais famosas

'A Noite Estrelada' (1889) é uma de suas pinturas mais famosas

Após um tempo em Paris, onde entrou em contato com os impressionistas, Van Gogh estabeleceu-se em Arles, no sul da França, e lá foi influenciado pela particular incidência da luz solar na região, que dava um brilho especial às manhãs.

'Arles Vista do Campo de Trigo'  (1889). O amarelo é uma cor recorrente na obra de Van Gogh

'Arles Vista do Campo de Trigo' (1889). O amarelo é uma cor recorrente na obra de Van Gogh

'Les Alyscamps' , de 1888

'Les Alyscamps', de 1888

'Campo de Trigo com Ciprestes'  (1889) é outra de suas célebres pinturas

'Campo de Trigo com Ciprestes' (1889) é outra de suas célebres pinturas

A obra de Van Gogh permaneceu praticamente intocada até a sua morte, em 1890. Mas aos poucos foi descoberta e se tornou referência para as gerações de artistas que vieram depois dele. O historiador de arte E. H. Gombrich chega a definir Van Gogh como um dos 3 artistas responsáveis pela criação das soluções que permitiram a revolução da arte moderna no século XX, juntamente com Cézanne e Gauguin.

'Quarto em Arles'  (1888). Até os motivos mais corriqueiros do cotidiano serviam de motivo para Van Gogh pintar

'Quarto em Arles' (1888). Até os motivos mais corriqueiros do cotidiano serviam de motivo para Van Gogh pintar

Por tudo isso, não é pra menos que várias produções cinematográficas já se debruçaram sobre essa rica biografia. Para celebrar a data de nascimento desse artista fundamental, o Pigmum selecionou 5 filmes de diferentes épocas. Basta escolher um (ou todos) e prestar a sua homenagem. Ele merece!


1 - 'Van Gogh' (1948), direção: Alain Resnais

O primeiro é um curta francês de 1948, considerado o primeiro registro cinematográfico feito sobre Van Gogh. Foi um desafio e tanto, já que o curta é em preto e branco e as cores são características cruciais na obra de Van Gogh. Como traduzir para o cinema monocromático uma obra que é cheia de cor? O jeito foi se arriscar experimentando a linguagem do cinema, o que acabou garantindo a Alain Resnais, diretor do filme, o Oscar de Melhor Curta-Metragem.


2 - 'Sede de Viver' (1956), direção: Vincent Minnelli

Já em 1956 o livro ‘Sede de Viver’, do romancista americano Irving Stone, ganhou uma adaptação cinematográfica de mesmo nome, com Kirk Douglas no papel de Van Gogh. O ator inclusive chegou a concorrer ao Oscar de Melhor Ator por esse papel, mas não ganhou. Dessa lista, talvez seja o filme mais clássico sobre o artista. A primeira grande produção sobre ele, totalmente em cores, aliás.


3 - 'Vincent & Theo' (1990), direção: Robert Altman

Nos anos 1990 o interesse pelo artista parece ter crescido e várias produções surgiram desde então. Em 1990, ano do centenário de morte do artista, foi lançado o filme ‘Vincent & Theo’, de Robert Altman, focado na relação de Van Gogh com seu irmão mais novo, Theo. O filme vai além da narrativa biográfica pura e simples, concentrando-se em um aspecto específico da vida de Van Gogh.


4 - 'Van Gogh' (1991), direção: Maurice Pialat

O mesmo acontece em ‘Van Gogh’ (1991), de Maurice Pialat, que se concentrou nos últimos dias do artista, internado voluntariamente em um asilo em Saint-Remy, na França. Dessa vez, temos acesso à relação do artista com seu médico, Dr. Garchet, imortalizado em uma de suas pinturas. Nesse filme o gênio intempestivo dá lugar ao homem comum e de psiqué frágil, aproximando Van Gogh da realidade.


5 - 'Van Gogh: Pintando Com Palavras' (2010), direção: Andrew Hutton

E o último filme da lista é uma espécie de doc-drama, produzido pela BBC e com roteiro baseado inteiramente nas cartas trocadas entre Van Gogh, seu irmão Theo, entre outros familiares. Grande parte do que se sabe sobre o temperamento e as frustrações do artista só estão acessíveis por conta dessas cartas, que contam muito sobre sua maneira de enxergar o mundo. Talvez seja uma das produções mais recentes sobre o artista, se levarmos em consideração também os gêneros televisivos documentais e ficcionais.


BÔNUS: 'Loving Vincent' (2017?), direção: Dorota Kobiela

E talvez o grande filme sobre o artista ainda esteja por vir! Em 2017 provavelmente será lançado ‘Loving Vincent’, a primeira animação feita inteiramente utilizando a técnica da pintura a óleo. Os próprios quadros de Van Gogh ganham vida para falar sobre a vida e a misteriosa morte do artista. Interessante, né? Então dá uma olhada no trailer, só pra ficar morrendo de ansiedade:

Que fofura! Os retratos de 10 artistas quando crianças

É isso. Dia das Crianças rolando e eu aposto que você não esperava ver pintando na sua timeline os rostinhos infantis de alguns dos artistas que mais se destacaram na história da arte moderna. Aliás, já parou pra pensar que a gente geralmente nem conhece as feições desses artistas, embora suas obras estejam amplamente disseminadas no repertório imagético e cultural de nossa sociedade? Com exceção de Frida Kahlo e Salvador Dalí, é claro. Rostos conhecidíssimos do público e cada dia mais populares.

Infelizmente não dá pra voltar tanto no tempo e conhecer Leonardo Da Vinci, Caravaggio ou Francisco Goya quando crianças, mas graças à invenção da fotografia no século XIX, a gente pode se deparar com essas fofuras aqui ó:

Começando com o mais velhinho da lista, temos Vicent Van Gogh e sua roupinha de marinheiro, provavelmente na década de 1850. Tá vendo que menino também pode usar saia?! Repare que os traços mais marcantes de seu rosto continuaram presentes na fase adulta.

Van Gogh e sua roupinha de marinheiro nos anos 1850. Ao lado, o artista já adulto

Van Gogh e sua roupinha de marinheiro nos anos 1850. Ao lado, o artista já adulto

Vincent Van Gogh
'Noite Estrelada' (1889), Vincent Van Gogh

'Noite Estrelada' (1889), Vincent Van Gogh


Outro que também preservou os traços do rosto foi Wassaly Kandinsky, o artista plástico russo, professor da Bauhaus e um dos precursores do abstracionismo nas artes visuais. Será que ele já coloria na época que essa foto dele criança foi tirada?

Kandinsky quando criança e ao lado na fase adulta. A boca e o olhar não mudaram nada!

Kandinsky quando criança e ao lado na fase adulta. A boca e o olhar não mudaram nada!

Kandinsky
'Composição 8' (1923), Wassaly Kandinsky

'Composição 8' (1923), Wassaly Kandinsky


O espanhol Pablo Picasso aos 10 anos, no ano de 1891, em Malaga, sua cidade Natal. Tem ou não tem cara de quem foi muito sapeca e deu bastante trabalho aos pais?

Picasso em 1891, aos 10 anos de idade. Ao lado, já consagrado como um dos maiores artistas do modernismo

Picasso em 1891, aos 10 anos de idade. Ao lado, já consagrado como um dos maiores artistas do modernismo

Picasso
'Guernica' (1937), Pablo Picasso

'Guernica' (1937), Pablo Picasso


E agora os surrealistas! René Magritte (o mais alto), aos 7 anos, ao lado de seus irmãos em 1905.

O artista belga René Magritte e seus irmãos mais novos

O artista belga René Magritte e seus irmãos mais novos

René Magritte
'Os Amantes' (1928), René Magritte

'Os Amantes' (1928), René Magritte


Outro surrealista: Salvador Dalí, que já causava desde cedo. Todo estilosinho. É outro que parece ter dado muito trabalho. Aliás, deu trabalho até o fim, né? KKKKK E olha esse sorriso, é impressão minha ou já tinha o formato do bigodinho?

Salvador Dalí era puro estilo

Salvador Dalí era puro estilo

Salvador Dalí
'A Persistência da Memória' (1931), Salvador Dalí

'A Persistência da Memória' (1931), Salvador Dalí


Que fofurinhaaaaa a Frida Kahlo em 1911, aos 4 anos de idade! Aposto que nessa época ela vivia correndo pela casa.

Frida Kahlo adornando a cabeça desde sempre

Frida Kahlo adornando a cabeça desde sempre

Frida em sua foto clássica na capa da revista Vogue

Frida em sua foto clássica na capa da revista Vogue

'O Veado Ferido' (1946), Frida Kahlo

'O Veado Ferido' (1946), Frida Kahlo


E agora chegou a vez da nossa brasileira Tarsila do Amaral (a mais alta), em 1898, ao lado de sua irmã Cecília. Aos 12 anos ela já tinha o rostinho meio arredondado, né?

Tarsila aos 12 anos ao lado de sua irmã, Cecília

Tarsila aos 12 anos ao lado de sua irmã, Cecília

Tarsila do Amaral
'Os Operários' (1933), Tarsila do Amaral

'Os Operários' (1933), Tarsila do Amaral


Outro brasileiro, um dos nossos principais artistas, Emiliano Di Cavalcanti ainda bebê, provavelmente nos últimos anos do século XIX. Cheio de dobrinhas!

Di Cavalcanti e suas dobrinhas

Di Cavalcanti e suas dobrinhas

Di Cavalcanti já consagrado como um dos principais pintores do modernismo brasileiro

Di Cavalcanti já consagrado como um dos principais pintores do modernismo brasileiro

'Pescadores' (1951), Di Cavalcanti

'Pescadores' (1951), Di Cavalcanti


E pra terminar, dois artistas da Pop-Art, que inclusive já apareceram por aqui. Andy Warhol era bastante diferente quando criança:

O menino Andy Warhol

O menino Andy Warhol

Andy Warhol
'Marilyn Monroe' (1962), Andy Warhol

'Marilyn Monroe' (1962), Andy Warhol


Já Roy Lichtenstein tinha até o mesmo penteado! Será que ele estava representando algum super-herói dos quadrinhos? Não podemos esquecer que Lichtenstein foi um dos responsáveis por elevar a estética dos quadrinhos - antes considerada produto subcultural - à categoria de obra de arte. Aos 11 anos, aposto que ele lia muitos comic books de Superman e Batman

Roy Lichtenstein aos 11 anos

Roy Lichtenstein aos 11 anos

As imagens criadas por Lichtenstein estão até hoje presentes na cultura pop

As imagens criadas por Lichtenstein estão até hoje presentes na cultura pop

'Crying Girl' (1963), Roy Lichtenstein

'Crying Girl' (1963), Roy Lichtenstein

25 pinturas de diferentes épocas para celebrar a chegada da primavera

A primavera chegou! A estação mais florida do ano começa no dia 23 de setembro no hemisfério sul, exatamente onde estamos aqui no Brasil! Entende agora o porquê das ruas da sua cidade estarem mais floridas nos últimos dias?

Considerada a estação com as temperaturas mais agradáveis, a primavera nos remete também à alegria, à variedade de cores e ao romantismo. É também a estação dos pombinhos apaixonados. E é claro que a arte tem tudo a ver com a percepção simbólica que nós temos da primavera, principalmente no contexto europeu, onde o clima temperado acentua as características de cada estação do ano.

A história da arte está repleta de artistas que buscaram inspiração na primavera. Se a gente prestar atenção dá pra compreender melhor as transformações pelas quais a arte passou ao longo dos séculos só observando como jardins e flores aparecem nas obras desses artistas.

Começando pelo quadro renascentista ‘A Primavera’, do italiano Botticelli (sim, aquele mesmo do famoso ‘O Nascimento de Vênus’). A pintura de 1482 utiliza a técnica de têmpora sobre madeira e a maioria dos críticos de arte acredita que a obra retrata um grupo de figuras mitológicas num jardim primaveril. As flores estão presentes no chão, nas árvores e estampam também o vestido de uma das personagens.

1 -  'A Primavera'  (1482), de Botticelli

1 - 'A Primavera' (1482), de Botticelli

Em ‘O Jardim das Delícias Terrenas’, o holandês Hieronymus Bosch nos apresenta sua versão para a história do mundo, a partir da criação. No primeiro painel, vemos Adão e Eva bem inocentes no Jardim do Éden. Já no painel central (o maior, diga-se de passagem), todo mundo despirocou depois de descobrir os prazeres carnais e resolveu fazer um amorzinho bem gostoso no meio das florezinhas. E por último, a hora do castigo! A representação do inferno, onde o ser humano é condenado pelo pecado da luxúria. Triste fim. Agora admita, é ou não é uma pintura surreal demais para uma obra que foi pintada em 1504? Eu amo!

2 -  ‘O Jardim das Delícias Terrenas’  (1504), do holandês Hieronymus Bosch

2 - ‘O Jardim das Delícias Terrenas’ (1504), do holandês Hieronymus Bosch

Outro carinha criativo do século XVI foi o italiano Giuseppe Arcimboldo, que usava imagens da natureza – geralmente, frutas e legumes – para compor fisionomias humanas! Se me dissessem que era uma artista do século XX eu acreditava! Será que Arcimboldo e Bosch se conheceram? Em ‘Flora’ (1591), eu não preciso dizer mais nada:

3 -  'Flora'  (1591), de Giuseppe Arcimboldo

3 - 'Flora' (1591), de Giuseppe Arcimboldo

A arte flamenga de Pieter Bruegel, O Jovem, retratava com frequência o cotidiano de camponeses. Em ‘Preparação dos Canteiros’ (1617), os trabalhadores cuidam de um pequeno jardim.

4 -  'Preparação dos Canteiros'  (1617), de Pieter Bruegel, O Jovem

4 - 'Preparação dos Canteiros' (1617), de Pieter Bruegel, O Jovem

Outro membro da família Bruegel também se destacou na arte: Jan Bruegel, ao lado de outro pintor flamengo conhecido, Peter Paul Rubens, resolveu criar uma série de pinturas tendo os cinco sentidos como tema. Em ‘O Sentido de Cheiro’ (1618), adivinha onde está a moça do quadro? Num jardim cheio de flores, é claro!

5 -  'O Sentido do Cheiro'  (1618), da parceria entre os artistas Jan Bruegel e Peter Rubens Paul

5 - 'O Sentido do Cheiro' (1618), da parceria entre os artistas Jan Bruegel e Peter Rubens Paul

Daqui a gente já parte para a França do século XVIII e seu estilo Rococó, que prezava por fórmulas decorativas e ornamentais. E tem coisa mais ornamental do que flor? Não, né! Nesse período, os artistas prezaram pela delicadeza, elegância e graça, retratando o cotidiano da aristocracia e a vida galante da corte e dos palácios franceses. Tudo muito inacessível à plebe. Muitos dos símbolos e clichês românticos que ainda insistimos em sustentar no século XXI tiverem início nesse período.

6 -  'A Terra'  (1730), de Nicolas Lancret

6 - 'A Terra' (1730), de Nicolas Lancret

 7 - A famosa pintura  'O Balanço'  (1766), do francês Jean-Honoré Fragonard

 7 - A famosa pintura 'O Balanço' (1766), do francês Jean-Honoré Fragonard

8 -  'Gathering Flowers'  (Século XIX), do americano Daniel Ridgway Knight

8 - 'Gathering Flowers' (Século XIX), do americano Daniel Ridgway Knight

A partir da segunda metade do século XIX, a arte passa por grandes transformações, principalmente após a difusão da fotografia. A pintura realista de artistas como Daniel Ridgway Knight começa a dar lugar a outras manifestações estéticas, como o Impressionismo de Degas, Renoir e Monet ou os pós-impressionistas Paul Cézanne, Vincent van Gogh e Paul Gauguin.

As cores passam a vibrar de maneira diferente nas telas. Importa mais a impressão que a luz que incide sobre os jardins provoca em nossos olhos, do que a representação fiel de suas flores.

9 -  'Mulher Sentada ao Lado de Um Vaso de Flores'  (1865), de Edgar Degas

9 - 'Mulher Sentada ao Lado de Um Vaso de Flores' (1865), de Edgar Degas

10 - O impressionismo de Renoir em  'Mulher com Guarda-sol em um Jardim'  (1875)

10 - O impressionismo de Renoir em 'Mulher com Guarda-sol em um Jardim' (1875)

11 -  'Na Pradaria'  (1876), de Claude Monet

11 - 'Na Pradaria' (1876), de Claude Monet

12 -  'Casal no Jardim'  (1873), de Paul Cézanne

12 - 'Casal no Jardim' (1873), de Paul Cézanne

13 - O clássico  'Doze girassóis numa jarra'  (1888), de Vincent Van Gogh

13 - O clássico 'Doze girassóis numa jarra' (1888), de Vincent Van Gogh

14 -  'Women On The River Bank'  (1885), de Georges Seurat

14 - 'Women On The River Bank' (1885), de Georges Seurat

15 -  'Arearea'  (1892), de Paul Gauguin

15 - 'Arearea' (1892), de Paul Gauguin

No século XX, mesmo com a profusão de estilos artísticos, as flores continuaram sendo temas recorrentes na arte.

16 -  Charles Daniel Ward continuou no caminho da arte figurativa, mesmo com as vanguardas europeias em ebulição, como vemos em   'O Progresso da Primavera'  (1905)

16 - Charles Daniel Ward continuou no caminho da arte figurativa, mesmo com as vanguardas europeias em ebulição, como vemos em 'O Progresso da Primavera' (1905)

A brasileira Tarsila do Amaral também foi outra artista que destacou a flora em sua obra, na perspectiva tropical tupiniquim:

17 - O lado tropical da flora em  'O Lago'  (1928), de Tarsila do Amaral

17 - O lado tropical da flora em 'O Lago' (1928), de Tarsila do Amaral

 Você já parou pra pensar em como as flores se comportam durante a noite? O Paul Klee, sim:

18 -  'Growth Of The Night Plants'  (1922), Paul klee

18 - 'Growth Of The Night Plants' (1922), Paul klee

19 - René Magritte também trouxe o tema das flores para a sua arte surrealista, em  'The Blow To The Heart'  (1952)

19 - René Magritte também trouxe o tema das flores para a sua arte surrealista, em 'The Blow To The Heart' (1952)

20 - Outro que também se aproximou do surrealismo foi Paul Delvaux ( que já mereceu um post só pra ele por aqui ). Esse é  'O Jardim' , de 1971

20 - Outro que também se aproximou do surrealismo foi Paul Delvaux (que já mereceu um post só pra ele por aqui). Esse é 'O Jardim', de 1971

21 -  'Mulher com Flores'  (1976), do colombiano Fernando Botero

21 - 'Mulher com Flores' (1976), do colombiano Fernando Botero

Na Pop-Art as flores também tiveram seu espaço. Andy Warhol não produziu apenas Marilyns e Sopas Campbell:

22 -  'Flores'  (1964), de Andy Warhol

22 - 'Flores' (1964), de Andy Warhol

 Observe como as flores no trabalho de Roy Lichtenstein, outro representante da Pop-Art, aparecem num contexto completamente diferente das imagens do Rococó. Aqui elas servem apenas para estampar a lata de lixo:

23 - Ironia e Pop-Art em  'Step-On Can With Leg'  (1961), de  Roy Lichtenstein

23 - Ironia e Pop-Art em 'Step-On Can With Leg' (1961), de Roy Lichtenstein

E por último, alguns trabalhos do século XXI, que trabalham com colagem e pintura digital.:

24 - A colagem digital de Randy Mora, em  'Esperándote'  (2012)

24 - A colagem digital de Randy Mora, em 'Esperándote' (2012)

25 -  'Weeping'  (2013), de Hsiao-Ron Cheng, artista de Taiwan

25 - 'Weeping' (2013), de Hsiao-Ron Cheng, artista de Taiwan

Bônus:

Também já tá permitido trocar e contemplar a sua capinha do CD 'As Quatro Estações - O Show' (2000), de Sandy & Júnior (entendedores entenderão). Hahaha

Obra atemporal.

Obra atemporal.

Agooooora sim a sua primavera já pode começar. Viva!