Pigmum

arte e outros riscos

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Há exatamente 100 anos, morria o artista Egon Schiele, vítima da pandemia de gripe espanhola

Foi no dia 31 de outubro de 1918 que o mundo da arte perdia precocemente um dos principais nomes do movimento expressionista, o austríaco Egon Schile. Com apenas 28 anos, o artista foi mais uma vítima da gripe espanhola, pandemia que matou milhões de pessoas no mundo todo naquele ano. Três dias antes, Schiele havia perdido sua esposa, Edith Harms, grávida de seis meses, também vítima da mesma doença.

Para marcar a data, o Pigmum selecionou 25 obras do artista, que deixam claro que sua expressividade poética continua viva mesmo 100 anos depois. Confira:

Mulher sentada com joelho dobrado Egon Schiele
Nude Self-Portrait, Grimacing Egon Schiele

Os efeitos das mazelas do corpo e da alma parecem ser elementos de composição constantes em grande parte das principais obras do artista, que também perdera o pai para outra doença, a sífilis, quando tinha apenas 15 anos. Pode-se dizer que o tema da dor se manifesta principalmente na expressividade dos traços que perturbam e distorcem os contornos dos corpos representados, mas também aparece nas cores pálidas e na apatia das feições dos rostos.  

Egon Schiele O Abraço
Death and the Maiden 1915 Egon Schiele
The Family Egon Schiele

A negação ao pudico e o entendimento do sujo, do errante e do moralmente repulsivo como fatos ordinários da vida cotidiana também são outros temas que atravessam a obra de Egon Schiele, que teve uma vida bastante controversa, apesar de breve. Chegou inclusive a ser preso por 24 dias, acusado de seduzir uma jovem menor de idade e de propagar material considerado pornográfico. Sem dúvida, a sexualidade também era uma questão que interessava ao artista, assim como a androgenia.

Egon Schiele Reclining Woman 1917
Egon Schiele Female Lovers, 1915
Egon Schiele - Kneeling Girl, Resting on Both Elbows 1917
Egon Schiele reclining woman

Egon Schiele é filho de uma família humilde e iniciou sua carreira após a morte do pai, ainda na adolescência. Estudou desenho e pintura na Escola de Belas Artes de Viena, mas a insatisfação com o conservadorismo da instituição só crescia, o que fez o jovem artista abandonar os estudos e desenvolver seu próprio caminho estético, tendo como influência também outro grande artista austríaco: Gustav Klimt.

Egon Schiele - Mother and Child 1914.jpg
Egon Schiele - Standing Male Nude with a Red Loincloth 1914.jpg

Quando Schiele rompe com o conservadorismo de sua escola, ele rompe na verdade com uma tradição formal e temática que historicamente tende a buscar a exaltação de virtudes e a esconder incômodos indesejáveis, principalmente de ordem social. Schiele é justamente aquele artista que vai escandalizar a sociedade de seu tempo expondo em um espaço privilegiado - o circuito expositivo da arte - uma nudez que vai além da nudez do corpo e que revela aquilo que se apresenta diante dos sujeitos de sua sociedade todos os dias, mas que esses mesmos sujeitos se negam a enxergar.

Egon Schiele - Self-Portrait with Physalis 1912
14 - Self-Portrait with Striped Shirt 1910.jpg
Egon Schiele - self-portrait-with-hands-on-chest-1910.

Corpos dissonantes, esguios, pálidos, potencialmente enfermos, devastados por impactos de toda ordem e tão distantes do ideal de beleza consolidado na tradição artística. Como reagir diante da imagem de corpos que se aproximam tanto dos corpos de quem vê e que, por isso mesmo, se fazem mais nus e mais incômodos do que o normal?

13 - Seated Male Nude (Self-Portrait).jpg
Egon Schiele - Nude with Blue Stockings, Bending Forward 1912
Egon Schiele - Standing Nude with Orange Drapery

São esses corpos constantemente apagados, negados ou indesejados que Schiele escancara à sociedade, que 100 anos depois ainda parece não saber lidar muito bem com seus próprios corpos nus – do jeitinho que eles são: cheios de pelos, odores, inconstâncias e assimetrias. As imagens 'distorcidas' de Schiele foram um incômodo à sociedade de seu tempo e ainda podem incomodar porque são como um espelho, ou melhor, talvez sejam como uma foto sem filtro no Instagram, fazendo questão de ressaltar marcas inegáveis.

Egon Schiele - House with a Bay Window in the Garden 1907 - Impressionismo
Egon Schiele - Trees Mirrored in a Pond 1907 impressionismo
Egon Schiele - portrait-of-the-painter-anton-peschka-1909 art neuveau
Egon Schiele - Setting Sun 1913
Egon Schiele - house-with-drying-laundry-1917
21 - Levitation (The Blind II) 1915.jpg
Egon Schiele - Standing Girl 1908-1909
Egon Schiele - Self-Portrait with Raised Bare Shoulder 1912

Giro cultural: 9 exposições em cartaz no Nordeste para você visitar em agosto

Agosto tá aí e tem muita exposição de arte em cartaz no Nordeste só esperando pela sua visita! Pra te ajudar a entrar no segundo semestre com a programação cultural em dia, o Pigmum selecionou uma exposição em cada capital da região, como já virou tradição por aqui.

O destaque dessa vez vai para as 196 peças de arte africana que estão expostas no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), em São Luís (MA). Também tem o retorno de Rodrigo Braga ao Recife (PE) e uma retrospectiva de Zé Tarcísio em Fortaleza (CE). Mas vamos ao que interessa:

Salvador (BA)

Visão geral da exposição  'Transeunte',  na galeria RV Cultura e Arte

Visão geral da exposição 'Transeunte', na galeria RV Cultura e Arte

O artista e sua condição de sujeito no espaço urbano é o tema da exposição ‘Transeunte’, que reúne trabalhos dos paulistas Alex Hornest e Guilherme GAFI e dos baianos Ananda Nahu e Pedro Marighella. Esses artistas encontram na urbe o substrato de suas produções poéticas, não apenas a partir do trânsito pelas cidades, mas também se incorporando a elas. O resultado dessas vivências se materializa nos desenhos, pinturas e esculturas da coletiva.

'Pensamentos'  (2017) e  'Percepção'  (2017), tinta duco e acrílico sobre tela, de Alex Hornest

'Pensamentos' (2017) e 'Percepção' (2017), tinta duco e acrílico sobre tela, de Alex Hornest

'Contra-ataque'  (2017), acrílica e marcador sobre papel de Pedro Marighella

'Contra-ataque' (2017), acrílica e marcador sobre papel de Pedro Marighella

Obras  'Ibadan'  (2016) e  'Passarinhos'  (2016), da série  'Tropical',  de Ananda Nahu.  Técnica: acrílico sobre tela

Obras 'Ibadan' (2016) e 'Passarinhos' (2016), da série 'Tropical', de Ananda Nahu.  Técnica: acrílico sobre tela

SERVIÇO:

Exposição: Transeunte
Artista: Coletiva
Até 25 de agosto, de segunda à sexta-feira, das 10h às 18h e aos sábados, das 10h às 16h
Local: RV Cultura e Arte
Endereço: Av. Cardeal da Silva, 158, Rio Vermelho. Salvador - Bahia. Telefone: (71) 3347-4929
Entrada gratuita.
 


São Luís (MA)

Visão parcial da exposição  'Africana: o diálogo das formas' , que conta com 196 peças de arte africana

Visão parcial da exposição 'Africana: o diálogo das formas', que conta com 196 peças de arte africana

A capital maranhense recebe o acervo de arte africana do colecionador pernambucano Eduardo Couto. É a primeira vez que a coleção – iniciada há 23 anos – é exposta em seu conjunto. São 196 peças, entre máscaras, esculturas e objetos cerimoniais ou de uso cotidiano, de 62 povos que habitam 14 países do continente africano. A mostra pontua principalmente a sofisticação estética das obras e sua diversidade escultórica e semântica, associada às tradições e a funções sociais que permanecem até hoje, justificando assim a produção atual desse tipo de arte em uma região que apresenta produção artística cada vez mais diversa e contemporânea.

A sofisticação estética e as qualidades escultóricas das peças são o ponto alto da mostra

A sofisticação estética e as qualidades escultóricas das peças são o ponto alto da mostra

'Máscara Senufo ', da Costa do Marfim. Fotografia: Edgar Rocha

'Máscara Senufo', da Costa do Marfim. Fotografia: Edgar Rocha

'Máscara Gueledé' , do povo Iorubá, Nigéria. Fotografia: Edgar Rocha

'Máscara Gueledé', do povo Iorubá, Nigéria. Fotografia: Edgar Rocha

SERVIÇO:

Exposição: Africana: o diálogo das formas
Artista: Coletiva
Até 1 de novembro, de terça-feira a domingo, das 10h às 19h
Local: Centro Cultural Vale Maranhão
Endereço: Av. Henrique Leal, 149 – Praia Grande. São Luís - Maranhão.
Entrada gratuita.


Recife (PE)

'Mortalha Mútua' , uma das fotografias de Rodrigo Braga presentes na mostra

'Mortalha Mútua', uma das fotografias de Rodrigo Braga presentes na mostra

Após anos sem expor na capital pernambucana, Rodrigo Braga retorna ao Recife com a mostra ‘Agricultura da Imagem’, que já circulou por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza e foi vista por mais de 220 mil pessoas. Em suas fotografias e vídeos, o artista amazonense – que cresceu no Recife e hoje vive no Rio de Janeiro – traz a metáfora do fotógrafo como agricultor, que em seu ato de criação realiza o arado e o plantio das imagens. Ao montar suas cenas antes de fotografá-las, Braga vai de encontro à concepção de fotografia como captura do instantâneo. As imagens foram ‘cultivadas’ pelo artista ao longo dos últimos cinco anos, principalmente em suas andanças pela Amazônia.

Rodrigo Braga Agricultura da Imagem
Rodrigo Braga Agricultura da Imagem
Rodrigo Braga Agricultura da Imagem

SERVIÇO:

Exposição: Agricultura da Imagem
Artista: Rodrigo Braga
Até 6 de setembro, de terça à sexta-feira, das 9h às 17h, aos sábados e domingos, das 14h às 17h
Local: Museu do Estado de Pernambuco
Endereço: Avenida Rui Barbosa, 960, Graças. Recife – Pernambuco. Telefone: (81) 3184-3174
Entrada gratuita


Natal (RN)

Lucas MDS A Estrada é Longa

O vaqueiro, a cozinheira, a costureira, entre outras personagens do interior do Rio Grande do Norte ganham espaço na Galeria de Arte do SESC Cidade Alta por meio da pintura do potiguar Lucas MDS. Ao todo, são dez trabalhos – feitos em aquarela, acrílica, graffiti e aerografia – que colocam em evidência senhores e senhoras de mais idade, que levam suas vidas com simplicidade e muito trabalho. A abordagem curatorial busca reconhecer o valor dessas pessoas e de suas tradições em nossa sociedade. A exposição dá continuidade ao calendário de 2018 da galeria, que selecionou seis propostas via edital.

Lucas MDS A Estrada é Longa
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SERVIÇO:

Exposição: A Estrada é Longa
Artista: Lucas MDS
Até 5 de setembro, de segunda à sexta-feira, das 9h às 19h, exceto finais de semana e feriados
Local: Galeria de Arte do SESC Cidade Alta
Endereço: Rua Coronel Cascudo, 33, Cidade Alta. Natal – Rio Grande do Norte. Telefone: (84) 3133-0360
Entrada gratuita.


Maceió (AL)

Obras de Patrícia Melro. Técnica: pastel seco sobre papel linho

Obras de Patrícia Melro. Técnica: pastel seco sobre papel linho

Patrícia Melro Qual é o Seu Papel Galeria Gamma
Patrícia Melro Qual é o Seu Papel Galeria Gamma

Já na nova exposição da Galeria Gamma, o papel é a personagem principal! O material foi utilizado como suporte pelos nove artistas da mostra, que também foram desafiados a pensar sob uma perspectiva polissêmica, explorando outros significados possíveis dessa palavra, que em grego é expressa pelo termo ‘Xαρτί’. A dimensão social se confunde, portanto, à versatilidade física do material, que é colocada à prova em desenhos, pinturas, colagens, fotografias e até esculturas de papel.

Escultura feira de papel. Durante a abertura, a obra foi utilizada durante performance da artista Vera Gamma

Escultura feira de papel. Durante a abertura, a obra foi utilizada durante performance da artista Vera Gamma

O fotógrafo Felipe Camelo e uma de suas obras

O fotógrafo Felipe Camelo e uma de suas obras

SERVIÇO:

Exposição: Xαρτί: Qual o Seu Papel?
Artista: Coletiva
Até 30 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 14 às 19h e aos sábados, das 9h às 13h
Local: Galeria Gamma
Endereço: Av. Luiz Ramalho de Castro, 899, Jatiúca. Maceió – Alagoas. Telefone: (82) 3377-3979
Entrada gratuita.


Fortaleza (CE)

Público conferindo a exposição retrospectiva de Zé Tarcísio, durante a abertura

Público conferindo a exposição retrospectiva de Zé Tarcísio, durante a abertura

A obra e a intimidade de Zé Tarcísio se confundem nesta exposição retrospectiva que homenageia as mais de cinco décadas de produção artística do cearense. São mais de cem trabalhos expostos, entre pinturas, esculturas, instalações, fotografias e vídeos, que dividem o espaço com depoimentos do artista. O público é convidado o tempo todo a adentrar seu universo poético, que atravessa questões tanto pessoais como sociais. Entre as obras está ‘Regador’ (1974), que pertence ao acervo do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro e chegou a virar selo dos Correios em 1976.

'Regador'  (1974). Fotografia: Luiz Alves

'Regador' (1974). Fotografia: Luiz Alves

'Golpe'  (1973). Fotografia: Luiz Alves

'Golpe' (1973). Fotografia: Luiz Alves

'Padra Sobre Pedra'.  Fotografia: Luiz Alves

'Padra Sobre Pedra'. Fotografia: Luiz Alves

SERVIÇO:

Exposição: Zé – Acervo de Experiências Vitais
Artista: Zé Tarcísio
Até 30 de novembro, de terça à sexta-feira, das 9h às 19h e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h
Local: Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC-CE
Endereço: Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema. Fortaleza - Ceará (Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura). Telefone: (85) 3488-8621
Entrada gratuita.


João Pessoa (PB)

Heloísa Maia On The Road Energisa
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A paraibana Heloísa Maia é uma cidadã do mundo! Atualmente radicada nos Estados Unidos, a artista – que tem 30 anos de carreira – já passou por várias partes do globo, sempre transformando em arte os rostos e sombras do cotidiano desses lugares. Aparentemente ela leva à sério o estilo de vida da geração beatnik, movimento sociocultural norte-americano que influenciou a juventude na década de 1960 e produziu livros célebres como o do escritor Jack Kerouac: ‘On The Road’, que também dá nome à exposição de Heloísa. Ao todo são 44 obras, entre desenhos e pinturas. Todas produzidas em 2018.

Heloísa Maia On The Road Energisa
Heloísa Maia On The Road Energisa

SERVIÇO:

Exposição: On The Road
Artista: Heloísa Maia
Até 9 de setembro, de terça-feira a domingo, das 14h às 20h
Local: Usina Cultural Energisa
Endereço: Rua João Bernardo de Albuquerque, 243, Tambiá. João Pessoa – Paraíba. Telefone: (83) 3221-6343
Entrada gratuita.


Teresina (PI)

Jader Damasceno Galeria Montmartre
Evaldo Oliveira Galeria Montmartre

A galeria Montmartre quer se aproximar ainda mais do público local e pra isso tem promovido uma série de exposições em outros espaços. Agora, levou pela segunda vez as pinturas de 21 artistas às paredes do restaurante Vertigo Gastrobar. A ideia é mostrar que a arte é o resultado da conexão do artista consigo mesmo, com o outro e com a sua condição espaço-temporal.

Galeria Montmartre Vertigo Gastrobar

SERVIÇO:

Exposições: Conexões
Artistas: Coletiva
Até 7 de outubro, de segunda-feira a domingo, das 12h às 00h
Local: Vertigo Gastrobar
Endereço: Rua Aviador Irapuã Rocha, 2370, Ininga. Teresina - Piauí. Telefone: (86) 3233-4338
Entrada gratuita.


Aracaju (SE)

Ofá Modê Galeria J Inácio

Fechando a lista, temos as esculturas de Josemir da Silva Costa, mais conhecido como Ofá Modê, cujo trabalho está diretamente ligado à iconografia das tradições de matriz africana, principalmente ao Candomblé. São 15 peças feitas de cimento e diferentes metais, expressando símbolos da cultura afro-brasileira. ‘Origem’ integra o edital 2018 de exposições da Galeria de Arte J. Inácio, mas acontece excepcionalmente no Corredor Cultural Wellington dos Santos ‘Irmão’, na sede da Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe (Secult-SE), devido a reforma do prédio que abriga a galeria.

Ofá Modê Galeria J Inácio
Ofá Modê Galeria J Inácio

SERVIÇO:

Exposição: Origem
Artista: Ofá Modê
Até 6 de setembro, de segunda à sexta-feira, das 8h às 13h
Local: Corredor Cultural Wellington dos Santos ‘Irmão’
Endereço: Rua Vila Cristina, 1051, Bairro 13 de Julho (Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe – Secult-SE). Aracaju – Sergipe. Telefone: (79) 3198-7803
Entrada gratuita.

A arte sacra repaginada de Crec Leão entra em cartaz nesta terça (23), em Aracaju-SE

Durante séculos e séculos a pintura de temas religiosos foi uma constante na história da arte, mas engana-se quem pensa que essa temática já não tem mais nada a oferecer. Nas obras do artista visual Crec Leão, imagens da tradição católica ganham novas formas, cores e texturas, atualizando símbolos seculares com uma faceta artística mais contemporânea. E se você estiver em Aracaju-SE, vai poder conferir o resultado desses experimentos a partir de hoje!

A pintura sacra de Crec Leão é cheia de cor e elementos que remetem à contemporaneidade

A pintura sacra de Crec Leão é cheia de cor e elementos que remetem à contemporaneidade

crec leão

Nesta terça-feira (23), às 19h, o Café da Gente, anexo ao Museu da Gente Sergipana, recebe ‘As Cores da Fé’, a nova exposição de Crec Leão. O artista, inclusive, já havia realizado outra mostra no museu, com pinturas que também deram uma cara mais contemporânea aos símbolos tradicionais do cangaço.

O cangaço na perspectiva de Crec Leão

O cangaço na perspectiva de Crec Leão

Exposição anterior do artista esteve em cartaz no Museu da Gente Sergipana

Exposição anterior do artista esteve em cartaz no Museu da Gente Sergipana

A influência para ressignificar ícones culturais fazendo uso de cores vibrantes vem principalmente da Pop Art. Lembram da Marilyn Monroe de Andy Warhol? Pois é, mas as referências de Crec Leão também passam pelo movimento dadaísta e pelos quadrinhos de Frank Muller e Bill Sienkiewicz. Aliás, os quadrinhos foram fundamentais na educação artística de Crec Leão, que desenha desde os 4 anos de idade e tem formação autodidata.

Uma das pinturas de Marilyn Monroe, assinadas por Andy Warhol

Uma das pinturas de Marilyn Monroe, assinadas por Andy Warhol

O artista Crec Leão

O artista Crec Leão

Mas ao mesmo tempo que a nova exposição propõe um olhar contemporâneo sobre a iconografia do sagrado, também remete o visitante ao colorido e às formas inventivas da arte medieval, dominada pela influência da Igreja Católica. Afinal, a arte desse período deixou frutos maravilhosos, como os mosaicos das igrejas bizantinas.

'Iluminura do Apóstolo Paulo'  (1185), de Meister aus Halberstadt, exemplo da inventividade da arte medieval

'Iluminura do Apóstolo Paulo' (1185), de Meister aus Halberstadt, exemplo da inventividade da arte medieval

'Cristo Pantocrator' , mosaico bizantino do final do século XII

'Cristo Pantocrator', mosaico bizantino do final do século XII

Ou seja, a arte de Crec Leão dá um novo fôlego à pintura de temática religiosa, mas também tem o poder de nos remeter ao passado e de reavivar questões que estão enraizadas em nossa sociedade, como o valor simbólico da adoração a uma divindade ou a necessidade de ritos para a confirmação da fé.

A exposição  'As Cores da Fé'  fica em cartaz até 15 de agosto

A exposição 'As Cores da Fé' fica em cartaz até 15 de agosto

crec leão
crec leão

SERVIÇO:

Abertura da exposição ‘As Cores da Fé’
Artista: Crec Leão
23 de maio (terça-feira), às 19h.
Local: Café da Gente
Endereço: Av. Ivo do Prado, 398 - Centro. Aracaju - Sergipe (Museu da Gente Sergipana). Telefone: (79) 3246-3186
 

Visitação: até 15 de agosto, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Entrada franca.
 

15 vezes em que Cândido Portinari transformou a força dos trabalhadores em arte

Todo mundo sabe que Cândido Portinari é considerado o maior artista visual brasileiro, reconhecido internacionalmente e tudo mais. Mas você já percebeu que, além das cenas infantis e dos retirantes, Portinari dedicou grande parte de sua obra a retratar trabalhadores exercendo as mais diversas funções?

1 -  'Café'  (1935), Cândido Portinari

1 - 'Café' (1935), Cândido Portinari

Neste 1º de maio, Dia do Trabalhador, são as pinturas desse grande artista que prestarão reverência ao suor e à labuta diária dos milhões de brasileiros que andam ainda mais massacrados nesses tempos sombrios de retirada de direitos trabalhistas.

2 -  'O Mestiço'  (1934), Cândido Portinari

2 - 'O Mestiço' (1934), Cândido Portinari

3 -  'O Lavrador de Café'  (1934), Cândido Portinari

3 - 'O Lavrador de Café' (1934), Cândido Portinari

A maior parte dessas imagens foram pintadas entre 1936 e 1945, quando Portinari realizou vários murais sobre os ciclos econômicos do Brasil, dando evidência aos trabalhadores durante a colheita de arroz, milho, algodão, borracha e, claro, café.

4 -  'Colheita de Arroz'  (1957), Cândido Portinari

4 - 'Colheita de Arroz' (1957), Cândido Portinari

5 -  'Colheita de Milho'  (1959), Cândido Portinari

5 - 'Colheita de Milho' (1959), Cândido Portinari

6 -  'Borracha'  (1948), Cândido Portinari

6 - 'Borracha' (1948), Cândido Portinari

Portinari nasceu em 1903 e era filho de imigrantes italianos. Nasceu numa fazenda de café, no interior de São Paulo e sua produção artística costumava fazer referência a esse período de sua infância e juventude. Ele se dizia impressionado principalmente pelos pés dos trabalhadores, que não por acaso são destacados em suas criações.

7 -  'Café'  (1940), Cândido Portinari

7 - 'Café' (1940), Cândido Portinari

8 -  'Colheita de Café'  (1957), Cândido Portinari

8 - 'Colheita de Café' (1957), Cândido Portinari

9 -  'Colheita de Feijão'  (1957), Cândido Portinari

9 - 'Colheita de Feijão' (1957), Cândido Portinari

Com o passar do tempo, a pintura de temática social foi se tornando cada vez mais relevante na produção artística de Portinari e os horrores da Segunda Guerra Mundial sensibilizaram bastante o artista, que acabou se engajando politicamente no Partido Comunista.

10 -  'Mulheres Carregando Lenha'  (1957), Cândido Portinari

10 - 'Mulheres Carregando Lenha' (1957), Cândido Portinari

11 -  'Colheita de Algodão'  (1937), Cândido Portinari

11 - 'Colheita de Algodão' (1937), Cândido Portinari

12 -  'Colheita de Cacau'  (1954), Cândido Portinari

12 - 'Colheita de Cacau' (1954), Cândido Portinari

13 -  'Chorinho'  (1942), Cândido Portinari - Porque músicos também são trabalhadores

13 - 'Chorinho' (1942), Cândido Portinari - Porque músicos também são trabalhadores

Além das cores vibrantes, o que torna essas imagens tão verdadeiras é o esforço estampado no rosto e nas expressões corporais de cada personagem. Portinari conseguia captar isso. Força e resistência transformada em arte.

14 -  'Menino do Tabuleiro'  (1947), Cândido Portinari

14 - 'Menino do Tabuleiro' (1947), Cândido Portinari

15 -  'Cana de Açúcar'  (1938), Cândido Portinari

15 - 'Cana de Açúcar' (1938), Cândido Portinari

Que todos nós, trabalhadora/es, sejamos capazes de lutar!

São Luís pelos pincéis do artista Victor Rego, em cartaz na exposição 'Laboratório'

E aí, como é que anda a sua agenda de exposições de arte? Pra quem está em São Luís-MA, a dica é conferir a exposição ‘Laboratório’, do artista visual maranhense Victor Rego. A mostra fica em cartaz até o próximo dia 28 de abril, no Espaço de Arte Márcia Sandes, na Procuradoria Geral de Justiça, em Calhau.

O artista costuma retratar a cidade de São Luís-MA com traços espessos e cores vibrantes

O artista costuma retratar a cidade de São Luís-MA com traços espessos e cores vibrantes

Ao todo são 15 obras, em acrílico sobre tela, com imagens que revelam recortes da capital maranhense guardadas principalmente na memória afetiva do artista, como a rua do Giz, os comerciantes da Praia Grande e a diversidade da natureza da ilha. Aliás, a preservação da natureza é um tema recorrente no trabalho artístico de Victor Rego, que aprendeu a pintar sozinho, ainda na adolescência.

O aspecto quase  naïf  das telas de Victor Rego refletem seu aprendizado autodidata na pintura

O aspecto quase naïf das telas de Victor Rego refletem seu aprendizado autodidata na pintura

O artista visual Victor Rego com uma das obras da exposição  'Laboratório'

O artista visual Victor Rego com uma das obras da exposição 'Laboratório'

O artista traduz a cidade sob a perspectiva de seus momentos de infância e juventude. Na tela ‘A bicicleta de Eremita Rego e a minha’, por exemplo, o artista faz referência ao momento em que aprendeu a andar de bicicleta, graças à sua tia Eremita.

Excerto da obra  'A bicicleta de Eremita Rego e a minha'

Excerto da obra 'A bicicleta de Eremita Rego e a minha'

São histórias assim que tornam essa exposição tão particular, a começar pelo título: ‘Laboratório’. Para Victor, seu processo laboratorial de aprendizado e aprimoramento autodidata nunca acabou. E dessa forma ele compartilha seu work-in-progress com o público, expondo peças atuais e também outras do início de sua carreira.

Não deixe de conferir!


SERVIÇO:

Exposição: Laboratório
Artista: Victor Rego
Até 28 de abril, de segunda à sexta-feira, das 8h às 14h
Local: Espaço de Arte Márcia Sandes
Endereço: Av. Prof. Carlos Cunha, 3261 - Calhau. São Luís - Maranhão (Procuradoria Geral de Justiça). Telefone: (98) 3227-6064 | 3227-6047
Entrada gratuita.
 

ENTREVISTA | Um papo com a artista mineira Eugênia França, que chega hoje (4) em Maceió-AL para abrir a nova exposição da Pinacoteca da Ufal

Explorar e ressignificar objetos descartados, utilizando principalmente a pintura como linguagem. É isso que move a artista visual Eugênia França em sua investigação constante acerca das relações humanas na sociedade de consumo.

Natural de Patos de Minas-MG, a artista vem à Maceió-AL pela primeira vez para inaugurar sua primeira exposição individual: ‘Do Lado de Cá, Do Lado de Lá’, com trabalhos que procuram captar, por exemplo, a relação simbólica estabelecida entre meninas da periferia e suas bonecas.

A artista visual Eugênia França vem à Maceió pela primeira vez

A artista visual Eugênia França vem à Maceió pela primeira vez

A abertura da exposição será nesta terça-feira (4), logo mais às 20h, na Pinacoteca Universitária da Ufal e o Pigmum bateu um papo com a artista para saber mais sobre seu processo criativo e sua crítica ao descontrole consumista, que consome não apenas objetos, mas também os sujeitos.

Pigmum: Comente um pouco sobre o formato dessa exposição. Quais foram as suas motivações?

Acrílica sobre tela (2014), da série  '1, 2, 3 Salve Eu!'

Acrílica sobre tela (2014), da série '1, 2, 3 Salve Eu!'

Eugênia: O que busco levantar nesta exposição é a forma como estabelecemos nossas relações na sociedade capitalista, em que parece haver uma inversão dos papéis e do lugar ocupado pelos seres humanos e pelos objetos, onde tudo parece ser uma coisa só: objeto-gente, gente-objeto. São 27 pinturas que eu dividi em três séries: a primeira se chama ‘1, 2, 3 Salve Eu!’  e nela eu uso como referência bonecas de plástico que foram descartadas. A segunda série se chama ‘Ausência Incrustada’ e minhas referências são manequins de fibra de vidro descartados por uma loja de restauro. E tem também ‘Do lado de cá, do lado de lá’, que dá nome à exposição e tem como referência crianças, geralmente de periferia, com suas bonecas velhas.

Pigmum: Essa é sua primeira exposição individual, mas há quanto tempo você trabalha com artes visuais e o que te impulsionou a expor agora?

Eugênia: Meus primeiros trabalhos foram feitos em 2010 e desde então eu comecei a participar de várias exposições coletivas em Belo Horizonte. Em 2015 e 2016, eu fiquei muito envolvida com a produção de um trabalho de cerâmica e a publicação de um livro sobre minha produção plástica no campo da cerâmica e também sobre minhas reflexões acerca das relações na sociedade contemporânea. O título do livro é ‘Nós Outros e Eu Mesma: transformar o barro em cerâmica expressiva para refletir sobre as relações humanas na sociedade contemporânea’, publicado no ano passado. Só agora eu tive tempo de organizar a minha produção e selecionar os trabalhos para uma exposição individual.

Pigmum: Nessa exposição você escolheu lonas de caminhão como suporte. Como se deu essa escolha? Simbolicamente, o que essas lonas representam no seu trabalho?

Eugênia: Eu tenho preferência por materiais que foram descartados, pois eu faço uma tentativa de ressignificá-los. As lonas foram encontradas em um bota-fora por um amigo, que sabe do meu interesse por reutilização de materiais. Imediatamente eu experimentei, pois eu gosto dessa liberdade que o material alternativo me dá. O resultado estético foi ótimo e eu passei a utilizar a lona. E o que mais me interessa é que ela já sofreu intervenções de outras pessoas e essas intervenções estão registradas nela. Rasgos, remendos, marcas, sujeira... As lonas são impregnadas de histórias. Histórias inimagináveis, mas que passam a compor o trabalho. Da mesma forma que são inimagináveis as histórias que vivenciam essas crianças que eu retrato.

Meninas e suas bonecas. Na exposição, o campo de interesse de Eugênia investiga como se dá essa relação simbólica

Meninas e suas bonecas. Na exposição, o campo de interesse de Eugênia investiga como se dá essa relação simbólica

Acrílica sobre lona de caminhão. Obras sem título, de 2016

Acrílica sobre lona de caminhão. Obras sem título, de 2016

Pigmum: Quem são essas crianças retratadas e como você chegou até elas?

Eugênia: São em sua maioria crianças que vejo no meu dia a dia enquanto transito pela cidade. Eu me aproximo do responsável, falo do meu trabalho, tento estabelecer um diálogo que me permita compreender como a relação entre a criança e a boneca é estabelecida e qual a compreensão que o responsável tem da relação e do papel da boneca no universo feminino, sobretudo o infantil, que está em um momento de formação de sua identidade. Então peço permissão para fazer a foto. São também filhas de conhecidos, de colegas ou amigos.

Pigmum: No texto informativo da exposição, enviado à imprensa, você fala que ‘somos repetidores de um sistema’ e que ‘geralmente não questionamos, o que acaba refletindo nas escolhas, nos papéis desempenhados e no lugar que ocupamos no mundo’. Em sua perspectiva, como não ser repetidores de um sistema?

Eugênia: Penso que quando questionamos mais, quando buscamos compreender um pouco mais o mundo em que vivemos e nos entregamos mais ao processo do que ao resultado daquilo que fazemos, outros caminhos poderão ser construídos. Perdemos a compreensão dos vários processos de construção das coisas e escolhemos o caminho mais curto: tudo é produzido industrialmente e adquirimos produtos iguais feitos para pessoas iguais. Acho que precisamos nos permitir passar pelo processo das coisas para compreender melhor o mundo em que vivemos.

Corpos descartáveis. Manequins de fibra de vidro também são reutilizados e ressignificados pela artista

Corpos descartáveis. Manequins de fibra de vidro também são reutilizados e ressignificados pela artista

Pigmum: Você é uma artista de Minas Gerais, vai expor agora pela primeira vez em Alagoas e depois a mostra segue para outros estados. Comente um pouco sobre a qualidade itinerante dessa mostra.

Eugênia: Eu mandei meu projeto de exposição para vários locais, através de editais, e tive a felicidade dele ser aprovado em seis editais. Dois no Nordeste e quatro no Sul. Essa é a primeira vez que venho a Maceió.

Pigmum: Então com certeza podemos contar com sua presença no lançamento?

Eugênia: Sim, estarei presente na abertura e também no dia seguinte [5], para uma conversa de artista com o público, também na Pinacoteca, às 17h.

Pigmum: Obrigado, Eugênia e espero que sua passagem aqui pelo Nordeste seja gratificante. Nos vemos logo mais então!

Eugênia: Eu que agradeço, um abraço!


SERVIÇO:

Abertura da exposição ‘Do Lado de Cá, Do Lado de Lá’
4 de abril (terça-feira), às 20h.
Local: Pinacoteca Universitária da Ufal
Endereço: Praça Visconde de Sinimbu, 206, 1º piso - Centro. Maceió - Alagoas (Espaço Cultural Salomão de Barros Lima). Telefone: (82) 3214-1545 | 3214-1428
E-mail: pinaufal@gmail.com
 

Visitação: de 5 de abril até 19 de maio, de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 18h
Entrada franca.

Acesse o site da artista Eugênia França
 

5 imagens pintadas com urgência juvenil

Em algum momento, lá pelos meus 13 anos, decidi que começaria a pintar. Fui ao Centro de Maceió depois da escola e comprei algumas bisnagas de tinta, sem nenhuma orientação, nem mesmo de Magda, minha professora de Artes do Colégio de São José.

A compra foi feita por impulso, praticamente obedecendo a um chamado. Minha relação com a arte sempre foi meio religiosa: devoção cega, por vezes banhada em culpa, remorso e arrependimento. Mas que no fim, inexplicavelmente, sempre satisfaz.

1.  Labirinto  (2001, óleo sobre papel)

1. Labirinto (2001, óleo sobre papel)

Na verdade, não contei a ninguém que faria aquilo, nem mesmo perguntei à professora sobre o que deveria comprar. Não busquei informação. Não havia o Google. E não lembrei da aula sobre as cores primárias.

2.  Gema do Espaço  (2001, óleo sobre papel)

2. Gema do Espaço (2001, óleo sobre papel)

Na loja, aquele sentimento de ‘quero pintar, mas não sei o que devo levar’. Acabei levando o azul, o amarelo, o verde, o laranja e o roxo. O roxo! O que eu faria com o roxo, gente? Não comprei nem vermelho e nem preto! Tinta a óleo. Gato Preto. A moça do balcão falou que era o tipo certo para pintar quadros. Eu não sabia a diferença.

3.  Caminho de Tijolos Coloridos  (2001, óleo sobre papel)

3. Caminho de Tijolos Coloridos (2001, óleo sobre papel)

Próximo dali, numa papelaria, comprei um bloco de papel A3 e duas telas pequenas. Transformei a área livre do meu quarto em ateliê e estraguei as telas. Eu não sabia pintar! E foi frustrante descobrir que eu não conseguia dar forma às imagens que vinham à minha cabeça. O pincel não me obedecia. Provavelmente não estava usando os pincéis adequados.

4.  Lombrigas  (2001, óleo sobre papel)

4. Lombrigas (2001, óleo sobre papel)

Quando finalmente faltou paciência para continuar tentando o caminho figurativo, chutei o balde e investi no aleatório, no abstrato, no intuitivo. Eis o resultado: 4 imagens pintadas com urgência juvenil, a óleo sobre papel, e uma quinta imagem seguindo a mesma linha, quando tentei voltar a pintar poucos anos depois.

*Os títulos das pinturas são de 2001/2005.
5.  Transbordância  (2005, óleo sobre papel)

5. Transbordância (2005, óleo sobre papel)