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arte e outros riscos

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Na próxima semana, Natal receberá uma Oficina de Pintura Digital com um dos 10 melhores coloristas do Brasil

Você sabia que o Photoshop é um ateliê digital de pintura? Não é por acaso que ferramentas como pincéis, lápis, régua, esponja e borracha - comuns em qualquer ateliê de arte - estão presentes no mais conhecido software de edição de imagens. Até mesmo quando criamos um novo documento, estamos na verdade criando uma nova canvas ou tela de pintura.

Então que tal aprender as principais técnicas para utilizar todo o potencial do programa e produzir pinturas digitais ou colorir ilustrações? Se você estiver em Natal (RN) no próximo dia 22 de setembro, não deixe de participar da Oficina de Pintura Digital que vai rolar no Quadrinhos Estúdio e Escola de Desenho.

A área de trabalho do software Photoshop representa digitalmente um ateliê de arte, com ferramentas comuns a qualquer artista plástico

A área de trabalho do software Photoshop representa digitalmente um ateliê de arte, com ferramentas comuns a qualquer artista plástico

Alzir Alves em sua escola de artes visuais em João Pessoa (PB)

Alzir Alves em sua escola de artes visuais em João Pessoa (PB)

A escola vai receber o professor e quadrinhista Alzir Alves, que está à frente da Rascunho Studio Escola de Artes Visuais, de João Pessoa (PB). Em 2016, Alzir foi indicado como um dos dez melhores coloridas do país na maior premiação brasileira de quadrinhos, o HQ Mix, além de representar outros artistas no mercado nacional e internacional, em editoras como Zenescope, Dreamworks, Dark Horse, DC Comics e Marvel.

Na oficina, Alzir vai apresentar conceitos básicos sobre cor, luz, sombra e volumetria e ainda mostrar como trabalhar com diferentes pincéis (brushes), camadas (layers) e formatos de arquivo no Photoshop. Tudo isso e também algumas técnicas de acabamento e finalização de pinturas e ilustrações. Massa, né? 

Para participar, você só precisa ter mais de 13 anos e levar seu notebook, de preferência com o Photoshop já instalado. E é claro que saber algumas noções básicas do programa vai te ajudar e muito! Ah, e se você tiver também uma mesa digitalizadora, essa é a hora de aprender todos os recursos que ela tem a oferecer (leve também!).

Serão duas turmas: uma à tarde (14h às 17h) e a outra à noite (19h às 22h). As inscrições custam apenas R$150 e podem ser feitas pelo e-mail quadrinhosrn@gmail.com ou pelo Whatsapp (84) 98160-8288. Eu já me inscrevi, porque não sou besta de perder essa oportunidade!

Rascunho do personagem principal do jogo Zelda, feito por Alzir; em seguida, a mesma imagem finalizada, após receber as cores digitais do artista

Rascunho do personagem principal do jogo Zelda, feito por Alzir; em seguida, a mesma imagem finalizada, após receber as cores digitais do artista

alzir alves 2

Oficina de Pintura Digital com Alzir Alves
Dia 22 de setembro (quinta-feira)
Local: Quadrinhos Estúdio e Escola de Desenho
Endereço: Rua Est. José Fancisco de Souza, 3945, Capim Macio. Natal - Rio Grande do Norte

Inscrições: quadrinhosrn@gmail.com ou pelo Whatsapp (84) 98160-8288
Valor: R$ 150

 

SERVIÇO: 

Quando começa a cumplicidade?

Segunda-feira do bem. =)

Passei a manhã inteira desenhando. Outro exercício de luz e sombra, mas desta vez um trabalho autoral.

cumplices1

A inspiração veio de um espetáculo de dança contemporânea que assisti meses atrás.

Aos poucos a imagem vai ganhando profundidade. Logo, logo eu volto aqui pra mostrar o resultado final.

cumplices2

E aí, tá ficando legal?

Sim, é possível ter uma experiência tátil com os olhos

Como vocês sabem, eu sou professor de Publicidade & Propaganda. Ou ainda não tinha contado? O_O

Pois bem, na semana passada, durante a aula de Computação Gráfica & Editoração Eletrônica, falei aos meus alunos sobre os elementos básicos da comunicação visual que a pesquisadora Donis A. Dondis aponta em seu livro Sintaxe da Linguagem Visual. E um desses elementos é a textura, que a autora considera ser ‘o elemento visual que com frequência serve de substituto para as qualidades de outro sentido, o tato’ (p. 70)¹.

texturamadeira
texturapapel
Você consegue identificar o que essas 4 texturas representam?

Você consegue identificar o que essas 4 texturas representam?

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Se tocarmos em uma imagem bidimensional, ou seja, aquela que está impressa em uma fotografia, ou presa à tela do computador, a única coisa que sentiremos são os materiais de que são feitos o papel, a tela ou até mesmo a tinta de uma pintura. Porém, se utilizarmos as texturas como recurso visual, podemos dar às imagens uma sensação de experiência tátil.

Quando temos uma textura que representa madeira, por exemplo, garantimos ao observador essa experiência tátil, pois é provável que ele já tenha tocado uma superfície de madeira e conheça a sensação. O uso de texturas é comum no meu trabalho com computação gráfica, mas aí eu resolvi exercitar isso à mão livre na aula de desenho. O resultado foi esse:

Utilizando as cores em diferentes tonalidades, foi possível reproduzir na imagem a textura da casca da maçã

Utilizando as cores em diferentes tonalidades, foi possível reproduzir na imagem a textura da casca da maçã

Ah, vá. Admita que ficou bom. Até me surpreendi com o resultado final, porque durante o processo eu juraaava que ia colocar tudo a perder. Tentei reproduzir no desenho a textura da casca da maçã, com todos aqueles detalhes que só a biologia é capaz de explicar (é sério, não sei o nome daqueles pontinhos e tracinhos da maçã). Certeza que você deve estar lembrando agora de como é tocar a casca de uma maçã e sentir a forma e o peso da fruta (embora a minha maçã não seja lá muito redonda haha).

Para chegar a esse resultado de textura, utilizei as cores em tonalidades diferentes para garantir o efeito de luz e sombra e também para dar volume à forma da maçã.

grafitemaca

Durante o processo, fiz também uma versão em grafite, justamente para exercitar as gradações de tonalidade e dar a impressão de volume.

¹DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes. 199. 236 p.

Quando a gente tenta dar forma ao amor de mãe ♥

Amor de mãe tem forma? Não sei, ainda não fui mãe. Mas nesse exercício da aula de desenho tentei encontrar forma, volume e a lógica de luz e sombra nas cores desse amor.

motherandson

Foi a primeira vez que trabalhei com lápis de cor, depois de passar um longo tempo em exercícios com lápis grafite. Até me surpreendi com o resultado. Mas não foi fácil e nem rápido, tá? Deu um trabalhinho. Vê só o processo:

motherandson1
motherandson2
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Como já falei pra vocês, meus exercícios na aula costumam ser de observação e mimeses. Eu observo uma imagem e tento reproduzi-la no papel. Dessa vez, reproduzi o trabalho impresso numa revista que ensina a pintar. O autor assina como Valdonês.

Eis a imagem original que usei como modelo para meu exercício, assinada por Valdonês.

Eis a imagem original que usei como modelo para meu exercício, assinada por Valdonês.

Como vocês podem ver, as sombras da imagem original são formas tão sólidas quanto o restante da pintura. No meu exercício, eu tentei dar um toque pessoal e fiz sombras mais suaves, que se dissipam gradualmente.

E aí, o que acharam?

Querida, acho que saturei o bebê...

Vocês viram que eu fiz uma versão for kids do meu avatar, né? Por causa do Dia das Crianças e tal.

Aí eu resolvi exercitar o uso de cores e aquarela na aula de desenho e olha o que aconteceu:

Onde aperta Ctrl =

Onde aperta Ctrl =

Acho que pesei a mão na saturação do Mini Rê. E agora, professor? Embarco de vez no tom mais escuro ou ainda tem como voltar atrás? Só fosse no Illustrator, eu ia no Ctrl + Z e pronto.

E aproveitando a oportunidade, olha aí a foto que serviu de base para esse trabalho:

Sendo charmoso na praia de Japaratinga (AL), em 1990

Sendo charmoso na praia de Japaratinga (AL), em 1990

Mais imagens do processo:

Santa mesa de luz

Santa mesa de luz

A prancheta onde a magia acontece

A prancheta onde a magia acontece

Entre o nanquim e o vetor: sobre como comecei a ter aulas de desenho

De alguma maneira algo deu certo na minha vida e eu me tornei professor de Computação Gráfica & Editoração Eletrônica em um curso de Publicidade & Propaganda.

Meu primeiro exercício nas aulas de desenho.

Meu primeiro exercício nas aulas de desenho.

Descobri que tinha facilidade com softwares de desenho vetorial e edição de imagens ainda no primeiro ano da faculdade de Jornalismo. É, eu sou jornalista. Mas a minha trajetória na profissão sempre esteve ligada à visualidade. Isso fez de mim um diagramador de jornais e revistas e logo comecei a produzir folhetos, cartazes e todo tipo de material para web. Alguma habilidade eu devo ter.

Então percebi que, embora tivesse um bom desempenho utilizando ferramentas de desenho digital (a ponto de poder repassar esse conhecimento em sala de aula para meus alunos), eu não tinha orientação técnica nenhuma para desenhar à mão livre. Por isso resolvi ter aulas. Tudo bonitinho e nos conformes: professor, prancheta e exercícios de observação.

De cara, vi que muitas das ações que eu pratico no Photoshop e no Illustrator são possíveis de se fazer também com lápis 6B e papel. Não tem Ctrl + Z, mas dá para apagar, refazer, ajeitar, apagar novamente, refazer e ajeitar. Até dar certo. Às vezes cansa, mas o resultado costuma deixar aquele brilho nos olhos.

As aulas são no ateliê do professor, que nos auxilia individualmente. Alguns colegas fazem trabalhos impressionantes. Tenho feito exercícios de mimeses, ou seja, observo uma imagem e tento reproduzi-la no papel. Desenho suas formas e depois vou refinando o traço, corrigindo, aplicando sombra onde há sombra e deixando a luz se manifestar onde há luz. Finalmente começo a entender essa dinâmica de luz e sombra, minha maior dificuldade. E agora meus desenhos ganham volume.

Já é o melhor investimento de 2015.

Aqui tem mais:

A mercearia que embrulhava sabão com arte e sonhos de criança

Na mercearia do meu pai, eu era freguês do papel de embrulho. Daquele bem rústico, reciclado, marrom. Ele ficava disponível no balcão, pronto para embalar barras de sabão. Era nesse papel que surgiam, à caneta Bic (geralmente na cor azul), minhas sereias, princesas e noivas. Sempre mulheres. Sempre longos e exuberantes vestidos, cabelos extravagantes, curvas sinuosas.

Quando não era no papel de embrulho, era no papel que embalava os maços de cigarro, geralmente das marcas Derby Azul ou Hollywood — os mais vendidos. A identidade visual dos cigarros cobria toda a superfície do papel, mas seu verso era vazio, branquinho, ideal para os meus desenhos. Muitas vezes esse papel também acabava embrulhando outros produtos da mercearia e minha arte infantil ia parar na casa dos clientes. Quase uma exposição itinerante pelo bairro.

Já nem sei quantos anos tem esse desenho que eu fiz. =O

Já nem sei quantos anos tem esse desenho que eu fiz. =O

Muitas vezes esse papel também acabava embrulhando outros produtos da mercearia e minha arte infantil ia parar na casa dos clientes. Quase uma exposição itinerante pelo bairro.

Eu desenhava praticamente todos os dias, mais de uma vez por dia. Pegava papel e caneta, me debruçava sobre um dos freezers (de sorvete ou de cerveja) e ficava ali, dono do tempo, deixando a imaginação fluir, imerso numa realidade paralela que só se desfazia quando alguém precisava abrir o freezer.

Às vezes me questionavam o porquê de eu sempre desenhar os mesmos temas, mas era instantâneo: o primeiro traço sempre me levava à figura feminina. O que, aliás, acontece até hoje. Embora eu fosse uma criança misteriosamente atenta às minúcias das formas, das cores, dos padrões e das texturas das coisas, eu nutria certo fascínio pelo formato curvilíneo que o corpo feminino consegue assumir. Talvez Freud explique. Se tiver algum psicanalista de passagem pelo blog, por favor, fique à vontade.

E vocês, têm um tema recorrente na hora de desenhar? Conte-me mais sobre as suas obsessões.

Umbigo ou o numeral 6? Detalhe de um desenho que fiz em 2001.

Umbigo ou o numeral 6? Detalhe de um desenho que fiz em 2001.

*Essa é a memória mais antiga que eu tenho sobre o meu envolvimento com a arte (sim, a mercearia foi praticamente o meu primeiro ateliê).

Assumindo riscos

Arte é muita coisa. Inclusive é ponto, é linha, é traço, é risco. Um risco que por muito tempo eu preferi não assumir por medo, que também não é pouca coisa.

O que você vai ser quando crescer? Artista, responderia naturalmente a criança que fui. Como também era natural pegar papel e caneta: desenhar todo dia um mundo diferente. Mas o mundo onde cresci me dizia que eu não podia. Tu não pode, Renato. Isso é coisa pra cidade grande. Rio de Janeiro, São Paulo, Nova York, Hollywood. Assim, família, escola e sociedade encontraram maneiras sutis de podar o artista que nasceu comigo.

E a arte se tornou essa maçã vermelha, suculenta, que eu rodeei, rodeei e nunca mordi. Quem vive de desenho, Renato? Você não é rico. Música? Cinema? Teatro? Literatura? Desça. Talvez o jornalismo me torne um escritor. E lá estou, mais uma vítima do desengano, pronto para escrever sobre o último boletim policial.

Me tornei expectador, ouvinte, leitor, crítico, pesquisador, professor. Artista, nunca. E só agora, quando tudo se tornou insustentável, consigo perceber que todas as minhas rotas de fuga sempre me devolveram ao caminho do risco. É hora de assumir esse risco e riscar, riscar, errar e arriscar.

Esse blog é minha redenção. Sou eu dizendo para o mundo que a criança que ainda sou vai morder todas as frutas e experimentar todas as cores.

Eu vou ser o que eu quiser.