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30 obras para celebrar os 110 anos de Frida Kahlo

Se alguma vez na vida você já se deparou com a imagem de uma mulher usando longas saias, xales, arranjos florais na cabeça e ostentando uma monocelha, não tenha dúvidas, você esteve diante de uma imagem de Frida Kahlo ou diante de uma representação simbólica dessa grande artista mexicana, que estaria completando 110 anos hoje. Para comemorar, o Pigmum selecionou 30 de suas pinturas, porque é sempre bom divulgar e enaltecer uma alma artística irrequieta como a dela. Confira:

1 - 'As Duas Fridas' (1939)

1 - 'As Duas Fridas' (1939)

2 - 'Autorretrato com Colar de Espinhos e Beija-flor' (1944)

2 - 'Autorretrato com Colar de Espinhos e Beija-flor' (1944)

3 - 'Autorretrato com Bonito' (1941)

3 - 'Autorretrato com Bonito' (1941)

É preciso ser muito outsider para não saber quem é Frida Kahlo nos dias de hoje, já que nas últimas décadas sua popularidade cresceu vertiginosamente, consolidando seu status de ícone. Sua imagem é tão frequente em nosso cotidiano quanto as de Che Guevara, Marilyn Monroe ou Bob Marley.

Sua autenticidade e personalidade forte têm sido fonte de inspiração para mulheres do mundo todo. Hoje, Frida Kahlo é um símbolo de empoderamento feminino, de mulher latina, de luta e de resistência, inclusive artística. Ela é uma das poucas pintoras com tamanho reconhecimento mundial.

4 - 'Hospital Henry Ford' (1932)

4 - 'Hospital Henry Ford' (1932)

5 - Autorretrato na fronteira entre o México e os Estados Unidos' (1932)

5 - Autorretrato na fronteira entre o México e os Estados Unidos' (1932)

6 - 'A Coluna Partida' (1944)

6 - 'A Coluna Partida' (1944)

7 - 'Diego e Eu' (1949)

7 - 'Diego e Eu' (1949)

8 - 'Autorretrato com cabelo cortado' (1940)

8 - 'Autorretrato com cabelo cortado' (1940)

9 - 'Retrato de Luther Burbank' (1931)

9 - 'Retrato de Luther Burbank' (1931)

10 - 'Umas Facadinhas de Nada' (1935)

10 - 'Umas Facadinhas de Nada' (1935)

Sua trágica história de vida se confunde com sua produção artística, marcada pela representação pictórica de cenas autobiográficas, incluindo seu casamento conturbado com o também renomado pintor mexicano Diego Rivera.

É comum a romantização da relação tempestuosa dos dois, mas também cresce o entendimento de que Frida, na verdade, foi mais uma vítima do machismo que rege relacionamentos abusivos. E é por isso também que a empatia por essa mulher só cresce a cada dia. Para além da arte, Frida Kahlo se tornou também uma inspiração política.

11 - 'Veado Ferido' (1946)

11 - 'Veado Ferido' (1946)

12 - 'Autorretrato com cabelo solto' (1947)

12 - 'Autorretrato com cabelo solto' (1947)

13 - 'Autorretrato com Tehuana' (1943)

13 - 'Autorretrato com Tehuana' (1943)

14 - 'Mosè o Nucleo solare' (1945)

14 - 'Mosè o Nucleo solare' (1945)

15 - 'Mi Nana y Yo' (1937)

15 - 'Mi Nana y Yo' (1937)

16 - 'Autorretrato com Pequeno Macaco' (1945)

16 - 'Autorretrato com Pequeno Macaco' (1945)

17 - 'Fulang-Chang e eu' (1937)

17 - 'Fulang-Chang e eu' (1937)

Porém, embora a própria artista tenha dito que seu marido foi o grande acidente de sua vida, ele não foi o único! Quando criança, Frida contraiu poliomielite - a famosa paralisia infantil -, fato que reverberou por toda a sua vida, uma vez que ela teve que conviver com uma lesão no pé direito. Vem daí a razão pelo uso de longas saías e calças.

18 - 'Nascimento' (1932)

18 - 'Nascimento' (1932)

19 - 'O Sonho (A Cama)' (1940)

19 - 'O Sonho (A Cama)' (1940)

Já aos 18 anos, a jovem foi vítima de um acidente de trânsito envolvendo a colisão entre um bonde e um trem. O acidente obrigou Frida a se submeter a cirurgias, longos períodos acamada e ao uso contínuo de coletes ortopédicos. Ela nunca mais foi a mesma e começou a pintar justamente enquanto se recuperava.

20 - 'O Marxismo dará saúde aos doentes' (1954)

20 - 'O Marxismo dará saúde aos doentes' (1954)

21 - 'Árvore da Esperança' (1946)

21 - 'Árvore da Esperança' (1946)

22 - 'Frieda e Diego Rivera' (1933)

22 - 'Frieda e Diego Rivera' (1933)

23 - 'Garota com a Máscara da Morte (Ela brinca sozinha)' 1938

23 - 'Garota com a Máscara da Morte (Ela brinca sozinha)' 1938

24 - Abraço do amor do universo' (1949)

24 - Abraço do amor do universo' (1949)

Em suas obras, se destacam o autorretrato, a presença de elementos da cultura mexicana, o traço que remete à pintura naïf e a melancolia. Para Frida Kahlo, conviver com a dor física e emocional era uma constante e isso transparecia em sua arte. Sua produção chegou a ser classificada como surrealista, título que nunca foi aceito pela artista. Nas palavras dela:

Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade.
— Frida Kahlo
25 - 'Retrato de minha irmã Cristina' (1928)

25 - 'Retrato de minha irmã Cristina' (1928)

26 - 'Retrato de Dona Rosita Morillo' (1944)

26 - 'Retrato de Dona Rosita Morillo' (1944)

27 - 'O Sol e a Vida' (1947)

27 - 'O Sol e a Vida' (1947)

28 - 'O que a água me deu' (1938)

28 - 'O que a água me deu' (1938)

29 - 'The Deceased Dimas' (1937)

29 - 'The Deceased Dimas' (1937)

30 - 'Sem Esperança' (1945)

30 - 'Sem Esperança' (1945)

Que as cores de Frida Kahlo estejam sempre presentes!

O universalismo construtivo de Torres García em 20 imagens

Quem visita o Uruguai, em algum momento vai se deparar com a pintura geométrica de Joaquín Torres García. Seja no aeroporto ou nas feirinhas de souvenirs, as reproduções estão lá, em painéis ou ímãs de geladeira. E não é pra menos, já que Torres García foi o artista mais célebre do país e um dos responsáveis por trazer o movimento modernista à América do Sul.

1 - As pinturas geométricas de Torres García se transformaram em ícones do Uruguai

1 - As pinturas geométricas de Torres García se transformaram em ícones do Uruguai

É justamente com ele que o Pigmum inicia uma série especial sobre o Uruguai. Durante o mês de maio, toda semana o canal Pigmum no YouTube visita um museu uruguaio diferente, começando justamente com aquele que leva o nome de Torres García e é responsável por contar sua história e preservar sua obra. Assista:

Torres García não foi apenas um grande artista. Ele foi um verdadeiro teórico da pintura. E suas principais ideias foram sistematizadas no livro ‘Universalismo Construtivo’, uma obra com mais de mil páginas e que explora todo o universo conceitual que ele desenvolveu e vivenciou em sua produção artística.

Fruto do debate acerca do construtivismo e da ascensão da arte abstrata, o universalismo construtivo de Torres García surgiu em 1929, quando o artista uruguaio vivia em Paris e mantinha contato com o neoplasticismo de Mondrian e Doesburg. Só que na contramão da rígida abstração desses dois artistas, Torres García manteve uma forte conexão com símbolos figurativos inspirados nas tradições pré-colombianas, africanas e aborígenes.

2 - Torres García fundou o universalismo construtivo e desenvolveu sua obra com base nesse conceito

2 - Torres García fundou o universalismo construtivo e desenvolveu sua obra com base nesse conceito

3 - Embora tenha sido influenciado pela pintura abstrata do neoplasticismo, sua obra manteve-se também na fronteira com o figurativo

3 - Embora tenha sido influenciado pela pintura abstrata do neoplasticismo, sua obra manteve-se também na fronteira com o figurativo

4 - O figurativo nas obras de Torres García se localiza nos símbolos que ele utilizava e não no desenho fiel dos objetos representados

4 - O figurativo nas obras de Torres García se localiza nos símbolos que ele utilizava e não no desenho fiel dos objetos representados

5 - O artista também favorecia as cores primárias em seu trabalho. Torres García buscava o essencial e universal da pintura

5 - O artista também favorecia as cores primárias em seu trabalho. Torres García buscava o essencial e universal da pintura

6 - É recorrente também as linhas retas horizontais e verticais, com as quais o artista  'enquadrava'  os símbolos presentes nos quadros

6 - É recorrente também as linhas retas horizontais e verticais, com as quais o artista 'enquadrava' os símbolos presentes nos quadros

7 - O símbolo do homem, recorrente na obra do artista

7 - O símbolo do homem, recorrente na obra do artista

O artista recusava as motivações do inconsciente vividas pelo surrealismo e defendia que a pintura tinha estrutura própria e se constituía como objeto singular, independente da representação da realidade. Ou seja, Torres García também se aproximou da corrente de pensamento estruturalista, que buscava definir os sistemas universais que fundamentariam a cultura humana.

Sua arte explora o valor simbólico da forma, buscando ainda estabelecer a harmonia e o equilíbrio universal entre o tempo, o espaço e o ser humano. Não é à toa que ele utiliza a proporção áurea em seus trabalhos. A ambição de Torres García era encontrar o eterno da arte.

Por isso, há o predomínio de formas e cores primárias, de linhas verticais e horizontais, de figuras geométricas e símbolos recorrentes, como a âncora, o peixe, o coração... Cada um com um significado próprio e universal, como a escada, que simbolizaria a progressão pelo saber; ou a balança, que equivaleria à justiça, à prudência e ao equilíbrio. Observe:

8 - O símbolo do coração representa o centro do organismo

8 - O símbolo do coração representa o centro do organismo

9 - Torres García se aproximou da arte pré-colombiana para chegar à pintura universal

9 - Torres García se aproximou da arte pré-colombiana para chegar à pintura universal

10 - O artista também realizou trabalhos explorando a tonalidade do claro e escuro, em imagens preto e branco

10 - O artista também realizou trabalhos explorando a tonalidade do claro e escuro, em imagens preto e branco

11 - Para Torres García uma pintura é um objeto único, que se afasta da realidade e que é capaz de ter seu próprio sentido

11 - Para Torres García uma pintura é um objeto único, que se afasta da realidade e que é capaz de ter seu próprio sentido

12 - É a presença dos signos na pintura que vai garantir o sentido da obra e não a representação de uma cena da 'ralidade'

12 - É a presença dos signos na pintura que vai garantir o sentido da obra e não a representação de uma cena da 'ralidade'

13 - O peixe também é um símbolo recorrente nas obras de Torres García, assim como a relação do artista com a parte  'sur' (sul)  da América

13 - O peixe também é um símbolo recorrente nas obras de Torres García, assim como a relação do artista com a parte 'sur' (sul) da América

14 - A convivência com Mondrian e Doesburg influenciou o artista

14 - A convivência com Mondrian e Doesburg influenciou o artista

15 - Torres García ambicionava desenvolver um modernismo artístico com a cara da América do Sul

15 - Torres García ambicionava desenvolver um modernismo artístico com a cara da América do Sul

16 - A preocupação de Torres García não era com a precisão do desenho ou o apuro técnico da pintura

16 - A preocupação de Torres García não era com a precisão do desenho ou o apuro técnico da pintura

17 - Mais uma obra que destaca os símbolos do peixe e do sol

17 - Mais uma obra que destaca os símbolos do peixe e do sol

É a presença desses elementos que dá sentido às pinturas e não a aparência ou fidelidade figurativa deles. Para o artista, o que importava era o essencial da pintura. A beleza não estava na imitação da realidade.

Embora a proposta de Torres García seja, de fato, bastante ambiciosa (como aliás é comum entre formalistas e estruturalistas), é admirável como ele construiu e vivenciou seu próprio universo artístico, influenciando ainda toda uma geração de artistas no Uruguai e esforçando-se para desenvolver uma arte moderna com a cara da América do Sul.

18 - O artista sempre buscou a dimensão simbólica das formas mais básicas

18 - O artista sempre buscou a dimensão simbólica das formas mais básicas

19 - Mais uma vez, o peixe - com a balança, a âncora, o coração, o trem...

19 - Mais uma vez, o peixe - com a balança, a âncora, o coração, o trem...

20 - Uma cena musical na visão de Torres García

20 - Uma cena musical na visão de Torres García