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arte e outros riscos

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As mulheres noturnas de Paul Delvaux

Boa parte de nossas vidas passamos entregues ao sono, completamente vulneráveis aos caprichos do inconsciente. Não é difícil chegar à conclusão de que sabemos muito pouco sobre o que acontece conosco enquanto dormimos. A obra de Paul Delvaux mergulha principalmente nessa atmosfera onírica.

The Strollers (1947)

The Strollers (1947)

Paul Delvaux nasceu na Bélgica em 1897 e é muitas vezes associado ao Surrealismo, um dos movimentos artísticos mais populares do século XX. Surrealistas como Salvador Dalí e René Magritte, influenciados pelas teorias psicanalíticas de Freud, buscaram entender o papel do inconsciente na atividade criativa. Porém, Paul Delvaux, de fato, nunca se filiou ao movimento e se deixou inspirar também pela cultura do expressionismo flamengo.

As mulheres de Delvaux são misteriosas, quase sempre nuas e parecem estar em um permanente estado sonâmbulo, vagando pela noite entre ruas e edifícios que muitas vezes fazem referência à arquitetura greco-romana. As próprias poses dessas mulheres são capazes de nos remeter à arte clássica.

Também chama a atenção os semblantes serenos, estampando uma paz assustadoramente fria, como quem descansa em paz. Aliás, não há como negar uma certa aproximação entre o sono e a morte, parentes às vezes nem tão distantes. A paisagem montanhosa, os ares sombrios, as árvores secas e alguns esqueletos aqui e ali também contribuem para essa sensação.

Por outro lado, mesmo aparentemente suscetíveis, essas mulheres também transmitem uma força e ousadia inexplicáveis, assim como muitos de nossos próprios sonhos. 

Conheça 35 versões diferentes da Mona Lisa de Da Vinci

Vamos começar o ano falando da Mona Lisa? Vamo!

A Mona Lisa (1506) de Leonardo da Vinci, que está exposta no Museu do Louvre, em Paris (França), desde 1797

A Mona Lisa (1506) de Leonardo da Vinci, que está exposta no Museu do Louvre, em Paris (França), desde 1797

Algum tempo atrás eu me deparei na internet com uma Mona Lisa indígena e fiquei me perguntando cá com meus botões: quantas são as versões dessa que é a obra mais famosa de Leonardo da Vinci e uma das imagens mais icônicas do mundo?

1 - Mona Lisa indígena, que motivou essa postagem. Infelizmente, até agora não consegui identificar o autor

1 - Mona Lisa indígena, que motivou essa postagem. Infelizmente, até agora não consegui identificar o autor

Infelizmente a minha pesquisa no Google bugou, porque existem inúmeras adaptações, que transitam entre o artístico, o bom humor e à crítica social, utilizando técnicas diversas como pintura, fotografia, graffiti e até mesmo comida.

2 - Tem a Mona Lisa de cabelos esvoaçantes

2 - Tem a Mona Lisa de cabelos esvoaçantes

3 - A Mona Lisa de cabelo crespo

3 - A Mona Lisa de cabelo crespo

4 - Mona Lisa alien

4 - Mona Lisa alien

5 - Mona Lisa avatar

5 - Mona Lisa avatar

6 - Mona Lisa cubista

6 - Mona Lisa cubista

7 - Mona Lisa no melhor estilo popart de Roy Lichstein

7 - Mona Lisa no melhor estilo popart de Roy Lichstein

8 - Mona Lisa brasileira, com elementos da obra  'Abaporu'  de Tarsila do Amaral

8 - Mona Lisa brasileira, com elementos da obra 'Abaporu' de Tarsila do Amaral

9 - Até Maurício de Souza já pintou sua versão Turma da Mônica

9 - Até Maurício de Souza já pintou sua versão Turma da Mônica

10 - A Mona Lisa já virou boneca Barbie

10 - A Mona Lisa já virou boneca Barbie

11 - E também já foi feita em lego

11 - E também já foi feita em lego

12 - O artista brasileiro Vik Muniz produziu a Mona Lisa com geleia e creme de amendoim

12 - O artista brasileiro Vik Muniz produziu a Mona Lisa com geleia e creme de amendoim

13 - Mona Lisa feita com legumes

13 - Mona Lisa feita com legumes

14 - E até Romero Britto transformou a Mona Lisa em  'Monacat'

14 - E até Romero Britto transformou a Mona Lisa em 'Monacat'

Entretanto, nada supera a manipulação digital, que faz o número de versões da Mona Lisa que aparecem na internet se tornar praticamente incalculável! Só a galeria Urban Arts, por exemplo, recebeu em 2013 mais de 240 versões quando lançou o desafio: ‘Se você fosse o Leonardo da Vinci, como seria a sua Mona Lisa?’. As 30 melhores imagens fizeram parte de uma exposição naquele ano e ainda podem ser adquiridas em pôsteres vendidos pela galeria. Eu mesmo tenho uma Mona Lisa roqueira na parede da sala!

15 - Mona Lisa roqueira, de Will Knack

15 - Mona Lisa roqueira, de Will Knack

16 - Mona Lisa steam punk, de Lucas Neres

16 - Mona Lisa steam punk, de Lucas Neres

17 - Mona Lisa arrasando naquela  selfie  em frente ao espelho, na arte de Antonio Carlos Pasqualin

17 - Mona Lisa arrasando naquela selfie em frente ao espelho, na arte de Antonio Carlos Pasqualin

18 - Mona Lisa Neo Mosaico, de Felipe Chavez

18 - Mona Lisa Neo Mosaico, de Felipe Chavez

19 - La Mona Lisa Catrina, de Mi Matsui

19 - La Mona Lisa Catrina, de Mi Matsui

20 - Mona Lisa de La Muerte, de Alexandre B. A.

20 - Mona Lisa de La Muerte, de Alexandre B. A.

21 - Mona Lisa sertaneja, em estilo xilogravura, da Alopra Estúdio

21 - Mona Lisa sertaneja, em estilo xilogravura, da Alopra Estúdio

22 - A Mona Lisa de Fernanda Peltier, disponível na Urban Arts

22 - A Mona Lisa de Fernanda Peltier, disponível na Urban Arts

Mas engana-se quem pensa que as releituras da Mona Lisa são frutos dessa era de memes de internet. Em cerca de 500 anos, diversos artistas já homenagearam a obra, principalmente no século XX, com a difusão do modernismo na arte. Artistas como Salvador Dalí, Marcel Duchamp, Fernando Botero e Andy Warhol estão nesse hall.

23 - Salvador Dali já foi Mona Lisa em 1954

23 - Salvador Dali já foi Mona Lisa em 1954

24 - Andy Warhol também já fez várias versões em 1963

24 - Andy Warhol também já fez várias versões em 1963

25 - A Mona Lisa gordinha, do colombiano Fernando Botero (1978)

25 - A Mona Lisa gordinha, do colombiano Fernando Botero (1978)

26 - A Mona Lisa de Jean-Michel Basquiat (1983)

26 - A Mona Lisa de Jean-Michel Basquiat (1983)

27 - A Mona Lisa de Marcel Duchamp é de 1919 e ganhou o título de  L.H.Q.O.Q   (Elle a chaud au cul) , algo como 'Ela tem fogo no rabo'

27 - A Mona Lisa de Marcel Duchamp é de 1919 e ganhou o título de L.H.Q.O.Q (Elle a chaud au cul), algo como 'Ela tem fogo no rabo'

28 -  Mona Lisa Fumant la Pipe  (1883), de Eugene Bataille

28 - Mona Lisa Fumant la Pipe (1883), de Eugene Bataille

29 - A Mona Lisa seapunk.  'Merlisa' , de  Gabriel Marques

29 - A Mona Lisa seapunk. 'Merlisa', de Gabriel Marques

30 - A Mona Lisa idosa, do brasileiro Roberto Weigand

30 - A Mona Lisa idosa, do brasileiro Roberto Weigand

31 - A Mona Lisa gueixa, da espanhola Elena Velasco Aresté 

31 - A Mona Lisa gueixa, da espanhola Elena Velasco Aresté 

32 - A Mona Lisa de burka, de Heidi Taillefer

32 - A Mona Lisa de burka, de Heidi Taillefer

Inclusive, vez ou outra, a Mona Lisa acaba virando tema de peça publicitária, como foi o caso da marca Bom Bril. Recentemente, a obra de Da Vinci também fez parte de uma campanha da luta contra o câncer.

33 - A Mona Lisa garota propaganda da marca Bom Bril

33 - A Mona Lisa garota propaganda da marca Bom Bril

34 - A Mona Lisa careca, em prol da luta contra o câncer

34 - A Mona Lisa careca, em prol da luta contra o câncer

E vocês sabiam que existe uma cópia da Mona Lisa que teria sido produzida por um dos aprendizes de Da Vinci, ao lado do próprio mestre? O quadro foi encontrado há alguns anos no Museu do Prado, na Espanha, e estava coberto por tinta preta, sendo revelado após restauração. Chega a ser tão belo quanto ou é apenas impressão minha?

35 - E por último, uma Mona Lisa tão antiga quanto a original, descoberta há poucos anos e que teria sido pintada por um discípulo de Leonardo da Vinci, sob a supervisão do próprio mestre

35 - E por último, uma Mona Lisa tão antiga quanto a original, descoberta há poucos anos e que teria sido pintada por um discípulo de Leonardo da Vinci, sob a supervisão do próprio mestre

O fato é que, além de ter o sorriso mais enigmático do mundo, essa pintura de apenas 77cm x 53cm está enraizada em nossa cultura pop e continua sendo resignificada ano após ano, mais viva do que nunca!

Fotógrafa recria universo dourado de Gustav Klimt

Olha só o que eu achei nas minhas andanças pela internet. A fotógrafa Inge Prader, lá da Áustria, recriou em carne e osso (e com alguma ajudinha digital, para dar ~aquele~ acabamento) o universo dourado de Gustav Klimt, um dos mais notáveis artistas austríacos dos séculos XIX e XX.

Uma das imagens produzidas pela fotógrafa Inge Prader

Uma das imagens produzidas pela fotógrafa Inge Prader

O motivo é nobre: as imagens compõem o livro Style Bible, do Life Ball 2015, um evento em prol da luta contra à AIDS e que acontece anualmente em Viena, capital da Áustria. A fotógrafa reproduziu a atmosfera ousada e erótica de Klimt, principalmente de sua fase dourada e cheia de detalhes geométricos. Algumas das pinturas mais icônicas do artista foram representadas, como ‘Friso de Beethoven’ (1902), Danaë (1907) e ‘Morte e Vida’ (1916). Confira:

‘Morte e Vida’:

‘Morte e Vida’  (1916), de Gustav Klimt

‘Morte e Vida’ (1916), de Gustav Klimt

'Morte e Vida',  da autoria de Inge Prader

'Morte e Vida', da autoria de Inge Prader

Danaë:

'Danaë' (1907), de Gustav Klimt

'Danaë' (1907), de Gustav Klimt

A versão de  'Danaë'  de Inge Prader

A versão de 'Danaë' de Inge Prader

‘Friso de Beethoven’:

Detalhe de  'Friso de Bethoven'  (1902)  , de Gustav Klimt

Detalhe de 'Friso de Bethoven' (1902), de Gustav Klimt

A versão de Inge Prader para este detalhe de  'Friso de Bethoven'

A versão de Inge Prader para este detalhe de 'Friso de Bethoven'

Outro detalhe de  'Friso de Bethoven'  (1902)  , de Gustav Klimt

Outro detalhe de 'Friso de Bethoven' (1902), de Gustav Klimt

Mais uma imagem de Inge Prader para  'Friso de Bethoven'

Mais uma imagem de Inge Prader para 'Friso de Bethoven'

Mais um detalhe de  'Friso de Bethoven'  (1902)  , de Gustav Klimt

Mais um detalhe de 'Friso de Bethoven' (1902), de Gustav Klimt

Outro trabalho fotográfico de Inge Prader

Outro trabalho fotográfico de Inge Prader

'Medicina':

Hygieia, em detalhe da obra  'Medicina' , de Gustav Klimt

Hygieia, em detalhe da obra 'Medicina', de Gustav Klimt

Aqui a versão de Inge Prader para  'Medicina'

Aqui a versão de Inge Prader para 'Medicina'

Acesse o Style Bible 2015 na íntegra na página oficial do livro.

Gustav Klimt e seu legado

Você provavelmente conhece Gustav Klimt a partir da obra ‘O Beijo’ (1908), de longe uma das pinturas mais reproduzidas do artista.

'O Beijo'  (1908), de Gustav Klimt

'O Beijo' (1908), de Gustav Klimt

Klimt é reconhecido como um pintor de estilo simbolista e foi um dos fundadores do movimento Secessão de Viena, que recusava a tradição acadêmica nas artes. Em sua fase dourada, Klimt incorporou folhas de ouro em suas pinturas, ampliando a sensação de preciosidade de seus quadros.

Recentemente, Klimt foi parar nos cinemas no filme ‘A Dama Dourada’ (2014, direção de Simon Curtis), estrelado por Helen Mirren. Baseado em fatos reais, o filme narra a história de Maria Altmann, que em 1999 entrou em batalha judicial para ter de volta o quadro ‘Retrato de Adele Bloch-Bauer I’, de autoria de Klimt.

‘Retrato de Adele Bloch-Bauer I’  (1907), de Gustav Klimt

‘Retrato de Adele Bloch-Bauer I’ (1907), de Gustav Klimt

A pintura, também conhecida como a Monalisa da Áustria, é na verdade um retrato da tia de Altmann, que foi roubado pelas forças nazistas em 1938, um pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Vale a pena ver o filme. Olha aí o trailer:

E o melhor é que o filme está disponível no Netflix. ;)

Klimt é um dos artistas que eu mais gosto e o trabalho de Inge Prader está impecável, vocês vão ter que reconhecer.

A arte erótica grotesca de Toshio Saeki

*Não recomendado a menores de 18 anos

Vocês não vão acreditar nessas imagens!

Nudez, sexo, violência, sadomasoquismo, zoofilia, monstros... Tudo isso faz parte do universo imagético de Toshio Saeki, artista japonês que acumula polêmicas há pelo menos 4 décadas e que já chegou, inclusive, a receber advertências do governo de seu país.

O trabalho perturbador e altamente provocativo de Saeki é principalmente inspirado em pesadelos de sua infância. As situações surreais nas obras do artista só seriam possíveis, eu espero, naqueles pesadelos mais bizarros. Porém, há muita influência também de sua experiência como artista gráfico na indústria pornográfica que explodiu no Japão nas décadas de 1960 e 1970.

Clique no botão abaixo para ler o restante do texto e ter acesso às imagens. Se você for menor de 18 anos, por favor, escute seus pais e não avance. ;)

A arte de Toshio Saeki flerta com o erotismo e o absurdo

A arte de Toshio Saeki flerta com o erotismo e o absurdo

Quando começa a cumplicidade?

Segunda-feira do bem. =)

Passei a manhã inteira desenhando. Outro exercício de luz e sombra, mas desta vez um trabalho autoral.

cumplices1

A inspiração veio de um espetáculo de dança contemporânea que assisti meses atrás.

Aos poucos a imagem vai ganhando profundidade. Logo, logo eu volto aqui pra mostrar o resultado final.

cumplices2

E aí, tá ficando legal?

5 imagens pintadas com urgência juvenil

Em algum momento, lá pelos meus 13 anos, decidi que começaria a pintar. Fui ao Centro de Maceió depois da escola e comprei algumas bisnagas de tinta, sem nenhuma orientação, nem mesmo de Magda, minha professora de Artes do Colégio de São José.

A compra foi feita por impulso, praticamente obedecendo a um chamado. Minha relação com a arte sempre foi meio religiosa: devoção cega, por vezes banhada em culpa, remorso e arrependimento. Mas que no fim, inexplicavelmente, sempre satisfaz.

1.  Labirinto  (2001, óleo sobre papel)

1. Labirinto (2001, óleo sobre papel)

Na verdade, não contei a ninguém que faria aquilo, nem mesmo perguntei à professora sobre o que deveria comprar. Não busquei informação. Não havia o Google. E não lembrei da aula sobre as cores primárias.

2.  Gema do Espaço  (2001, óleo sobre papel)

2. Gema do Espaço (2001, óleo sobre papel)

Na loja, aquele sentimento de ‘quero pintar, mas não sei o que devo levar’. Acabei levando o azul, o amarelo, o verde, o laranja e o roxo. O roxo! O que eu faria com o roxo, gente? Não comprei nem vermelho e nem preto! Tinta a óleo. Gato Preto. A moça do balcão falou que era o tipo certo para pintar quadros. Eu não sabia a diferença.

3.  Caminho de Tijolos Coloridos  (2001, óleo sobre papel)

3. Caminho de Tijolos Coloridos (2001, óleo sobre papel)

Próximo dali, numa papelaria, comprei um bloco de papel A3 e duas telas pequenas. Transformei a área livre do meu quarto em ateliê e estraguei as telas. Eu não sabia pintar! E foi frustrante descobrir que eu não conseguia dar forma às imagens que vinham à minha cabeça. O pincel não me obedecia. Provavelmente não estava usando os pincéis adequados.

4.  Lombrigas  (2001, óleo sobre papel)

4. Lombrigas (2001, óleo sobre papel)

Quando finalmente faltou paciência para continuar tentando o caminho figurativo, chutei o balde e investi no aleatório, no abstrato, no intuitivo. Eis o resultado: 4 imagens pintadas com urgência juvenil, a óleo sobre papel, e uma quinta imagem seguindo a mesma linha, quando tentei voltar a pintar poucos anos depois.

*Os títulos das pinturas são de 2001/2005.
5.  Transbordância  (2005, óleo sobre papel)

5. Transbordância (2005, óleo sobre papel)

Sim, é possível ter uma experiência tátil com os olhos

Como vocês sabem, eu sou professor de Publicidade & Propaganda. Ou ainda não tinha contado? O_O

Pois bem, na semana passada, durante a aula de Computação Gráfica & Editoração Eletrônica, falei aos meus alunos sobre os elementos básicos da comunicação visual que a pesquisadora Donis A. Dondis aponta em seu livro Sintaxe da Linguagem Visual. E um desses elementos é a textura, que a autora considera ser ‘o elemento visual que com frequência serve de substituto para as qualidades de outro sentido, o tato’ (p. 70)¹.

texturamadeira
texturapapel
Você consegue identificar o que essas 4 texturas representam?

Você consegue identificar o que essas 4 texturas representam?

texturacouro

Se tocarmos em uma imagem bidimensional, ou seja, aquela que está impressa em uma fotografia, ou presa à tela do computador, a única coisa que sentiremos são os materiais de que são feitos o papel, a tela ou até mesmo a tinta de uma pintura. Porém, se utilizarmos as texturas como recurso visual, podemos dar às imagens uma sensação de experiência tátil.

Quando temos uma textura que representa madeira, por exemplo, garantimos ao observador essa experiência tátil, pois é provável que ele já tenha tocado uma superfície de madeira e conheça a sensação. O uso de texturas é comum no meu trabalho com computação gráfica, mas aí eu resolvi exercitar isso à mão livre na aula de desenho. O resultado foi esse:

Utilizando as cores em diferentes tonalidades, foi possível reproduzir na imagem a textura da casca da maçã

Utilizando as cores em diferentes tonalidades, foi possível reproduzir na imagem a textura da casca da maçã

Ah, vá. Admita que ficou bom. Até me surpreendi com o resultado final, porque durante o processo eu juraaava que ia colocar tudo a perder. Tentei reproduzir no desenho a textura da casca da maçã, com todos aqueles detalhes que só a biologia é capaz de explicar (é sério, não sei o nome daqueles pontinhos e tracinhos da maçã). Certeza que você deve estar lembrando agora de como é tocar a casca de uma maçã e sentir a forma e o peso da fruta (embora a minha maçã não seja lá muito redonda haha).

Para chegar a esse resultado de textura, utilizei as cores em tonalidades diferentes para garantir o efeito de luz e sombra e também para dar volume à forma da maçã.

grafitemaca

Durante o processo, fiz também uma versão em grafite, justamente para exercitar as gradações de tonalidade e dar a impressão de volume.

¹DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes. 199. 236 p.

Quando a gente tenta dar forma ao amor de mãe ♥

Amor de mãe tem forma? Não sei, ainda não fui mãe. Mas nesse exercício da aula de desenho tentei encontrar forma, volume e a lógica de luz e sombra nas cores desse amor.

motherandson

Foi a primeira vez que trabalhei com lápis de cor, depois de passar um longo tempo em exercícios com lápis grafite. Até me surpreendi com o resultado. Mas não foi fácil e nem rápido, tá? Deu um trabalhinho. Vê só o processo:

motherandson1
motherandson2
motherandson3

Como já falei pra vocês, meus exercícios na aula costumam ser de observação e mimeses. Eu observo uma imagem e tento reproduzi-la no papel. Dessa vez, reproduzi o trabalho impresso numa revista que ensina a pintar. O autor assina como Valdonês.

Eis a imagem original que usei como modelo para meu exercício, assinada por Valdonês.

Eis a imagem original que usei como modelo para meu exercício, assinada por Valdonês.

Como vocês podem ver, as sombras da imagem original são formas tão sólidas quanto o restante da pintura. No meu exercício, eu tentei dar um toque pessoal e fiz sombras mais suaves, que se dissipam gradualmente.

E aí, o que acharam?

Geometria coreografada: vocês pre-ci-sam conhecer o Ballet Triádico da Bauhaus

O Ballet Triádico da Bauhaus é uma ode aos princípios fundamentais da visualidade: a forma, a cor e o espaço. Um afago aos olhos!

Desenvolvido por Oskar Schlemmer e com música de Paul Hindemith, é considerado o primeiro balé abstrato da história da dança. Estreou em 1922, em Stuttgart (Alemanha) e merece a nossa atenção por ser um exemplo elevadíssimo do espírito vanguardista que tomou conta das artes no início do século XX, capaz de nos surpreender e emocionar até hoje.

Alguns figurinos do Ballet Triádico

Alguns figurinos do Ballet Triádico

No balé de Schlemmer, o número 3 é a base de tudo. São três bailarinos, em três atos, cada ato com sua respectiva cor e duração total de 30 minutos. 10 minutos para cada ato. E essa precisão matemática também se revela nos movimentos geométricos e nos figurinos simétricos dos bailarinos. Geometria coreografada.

Vagando pela internet, encontrei uma citação que seria do próprio Schlemmer, explicando em seu diário, do dia 5 de julho de 1926, o conceito de seu Ballet Triádico. Segue:

Por que o Ballet Triádico? Porque o três é um número eminentemente dominante, no qual o eu unitário e o seu oposto dualista são superados, começando então o coletivo. Depois dele vem o cinco, depois o sete, e assim por diante. O ballet deve ser entendido como uma dança da tríade, a troca do um, com o dois, com o três. Uma bailarina e dois bailarinos: doze danças e dezoito trajes. Mais além, a tríade é: forma, cor, espaço; as três dimensões do espaço: altura, profundidade e largura. As formas fundamentais: esfera, cubo e pirâmide; as cores fundamentais: vermelho, azul e amarelo. A tríade de dança, traje e música.

E como a internet é maravilhosa, é claro que tem um vídeo com o Ballet Triádico inteirinho  - e colorido. Sério, gente, dá logo esse play. Vocês não vão se arrepender:

Oskar Schlemmer e a Bauhaus:

Nascido em 1888, em Stuttgart (Alemanha), Oskar Schlemmer foi um dos primeiros professores da Bauhaus, a primeira escola de design do mundo. Entre 1921 e 1929, Schlemmer foi Mestre da Forma na Oficina de Teatro da Bauhaus, depois de ter trabalhado também na Oficina de Escultura. Foi pintor, escultor, designer e coreógrafo. O Ballet Triádico é um de seus principais trabalhos, assim como a tela ‘Bauhaustreppe’, de 1932.

O balé de Schlemmer ajudou a espalhar as ideias da Bauhaus, que tinha como principal campo de estudos a arquitetura, influenciando principalmente o design e a arquitetura modernista da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. Foi fundada por Walter Gropius em 1919 e fechada em 1933 pelo governo nazista. Entretanto, sua filosofia migrou para outros países e posteriormente voltou a funcionar na Alemanha. Atualmente, continua sendo uma das principais universidades daquele país.

Retrato de Oskar Schlemmer

Retrato de Oskar Schlemmer

A tela ‘Bauhaustreppe’ (1932), de Oskar Schlemmer

A tela ‘Bauhaustreppe’ (1932), de Oskar Schlemmer

Fachada do prédio original da Bauhaus

Fachada do prédio original da Bauhaus

Centro de Maceió: memória afetiva

A Pinacoteca Universitária, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é um dos meus lugares preferidos em Maceió. O espaço recebe exposições temporárias de artistas do Brasil inteiro e está sempre aberto ao público. De passagem pela cidade, visitei em julho a exposição ‘Avulsas Inoportunas’, da artista mineira Alessandra Cunha.

Uma das salas da exposição ‘Avulsas Inoportunas’, da artista mineira Alessandra Cunha

Uma das salas da exposição ‘Avulsas Inoportunas’, da artista mineira Alessandra Cunha

Todo mundo que circula pelo centro da cidade merece entrar na galeria de vez em quando e se permitir passar alguns minutos ali. Um silêncio tão bom, uma paz tão grande. Me sinto muito à vontade lá. Sem falar que a Pinacoteca está localizada em um dos quadrados culturais mais legais da cidade, próxima ao Museu Théo Brandão e à casa do poeta Jorge de Lima.

Aliás, o centro de Maceió por si só já é inspirador. Um misto de memória + decadência + resistência pulsante. Tenho um carinho especial por essa parte da cidade, onde cresci. Apesar do mal gosto das fachadas do comércio contemporâneo, que escondem os casarões antigos, a gente ainda consegue perceber a beleza deles se lembrar de olhar para o alto, acima das placas.

Fachada da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos

Fachada da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos

Naquele mesma ocasião, ainda fui conferir a reforma da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, também no Centro, que desde 2013 homenageia nosso escritor alagoano mais ilustre. Graciliano não apenas rebatizou a Biblioteca, como também ganhou um memorial singelo, porém honesto, contando fatos marcantes de sua vida e obra.

Além do acervo de livros e jornais, o antigo Palacete do Barão de Jaraguá abriga ainda uma extensa coleção de livros em braile, salas com computadores para pesquisa, espaço destinado à literatura infantil e um interessante acervo de obras de artes visuais em exposição permanente pelas paredes do casarão.

Só acho que redescobrir o Centro sempre vale a pena.

Tela de Orlando Santos, exposta na Biblioteca Pública, exaltando o folclore alagoano

Tela de Orlando Santos, exposta na Biblioteca Pública, exaltando o folclore alagoano

O Preto Velho é uma figura recorrente no acervo pictórico da Biblioteca. Infelizmente, não consegui identificar a assinatura do autor na tela

O Preto Velho é uma figura recorrente no acervo pictórico da Biblioteca. Infelizmente, não consegui identificar a assinatura do autor na tela

Por dentro da Biblioteca

Por dentro da Biblioteca


SERVIÇO:

Horário:
Segunda à sexta: 8h às 18h
Sábado: 9h às 13h

 

Pinacoteca Universitária da Ufal
Endereço: Praça Visconde de Sinimbu, 206, 1º piso - Centro. Maceió - Alagoas (Espaço Cultural Salomão de Barros Lima). Telefone: (82) 3214-1545 | 3214-1428
E-mail:pinaufal@gmail.com


Horário:
Segunda à sexta: 9h às 17h

 

Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos
Endereço: Praça Dom Pedro II, S/N - Centro
Maceió - Alagoas. Telefone: (82) 3315-7877