Pigmum

arte e outros riscos

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Giro cultural: 9 exposições em cartaz no Nordeste para visitar em maio

Maio já tá rolando e diversas exposições de arte estão em cartaz em todas as capitais do Nordeste! Algumas delas estão na reta final, enquanto outras foram abertas recentemente, mas o importante é sair da cadeira e visitar as exposições que estiverem mais perto de você. Como sempre, o Pigmum selecionou aquelas que são realmente imperdíveis!

E nesse mês o destaque vai pra uma exposição na Caixa Cultural de Fortaleza-CE, com gravuras do mestre surrealista Salvador Dalí, que faria aniversário em 11 de maio. Tem também uma exposição proibida para menores de 18 anos em Aracaju-SE, um painel de 8 metros em Recife-PE, além de mostras de desenho, pintura abstrata, poesia visual... E tudo gratuito, tá? Se liga aí:

Aracaju (SE)

Exposição de Flávio Antonini explora o lado lúdico e debochado das descobertas sexuais

Exposição de Flávio Antonini explora o lado lúdico e debochado das descobertas sexuais

Na capital sergipana, a dica é para maiores de 18 anos. O artista visual Flávio Antonini buscou inspiração em quadrinhos eróticos para explorar o inusitado das descobertas sexuais, tudo com muito deboche. O artista, autodidata e natural de Tobias Barreto (SE), buscou na memória a leitura da didática de educação sexual de Raul de Pólio, feita ainda na adolescência, e criou essas obras que misturam lições de biologia tradicional e excitação juvenil. A ideia é debater sexualidade e identidade de gênero, mas de maneira divertida e prazerosa.

As telas estão expostas na Galeria J. Inácio

As telas estão expostas na Galeria J. Inácio

flávio antonini
Trabalhos do sergipano Flávio Antonini

Trabalhos do sergipano Flávio Antonini

SERVIÇO:

Exposição: Didática Nada Instrutiva da Educação Sexual
Artista: Flávio Antonini
Até 31 de maio, das 9h às 17h
Local: Galeria J. Inácio
Endereço: Rua Dr. Leonardo Leite, s/n, Bairro 13 de Julho (anexo à Biblioteca Pública Epifânio Dória). Aracaju – Sergipe. Telefone: (79) 3179-1969
Entrada gratuita.


Fortaleza (CE)

Gravuras de Salvador Dalí para a edição comemorativa de 700 anos de nascimento de Dante

Gravuras de Salvador Dalí para a edição comemorativa de 700 anos de nascimento de Dante

Olha que presente especial Fortaleza ganhou justamente no mês de aniversário de Salvador Dalí! A cidade recebe 100 gravuras do mestre surrealista, que faria 113 anos no dia 11 de maio. As imagens foram produzidas entre as décadas de 1950 e 1960 para ilustrar uma edição especial comemorativa dos 700 anos de nascimento de Dante Alighieri (1265-1321), autor do épico poema 'A Divina Comédia', um dos maiores clássicos da literatura mundial. O trabalho foi encomendado pelo governo italiano da época. Imperdível!

O surrealismo de Salvador Dalí ainda ecoando nas gravuras

O surrealismo de Salvador Dalí ainda ecoando nas gravuras

salvador dalí

SERVIÇO:

Exposição: Dalí: A Divina Comédia
Artista: Salvador Dalí
Até 2 de julho, de terça-feira a sábado, das 10h às 20h e domingo, das 12h às 19h
Local: Caixa Cultural Fortaleza
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema. Fortaleza – Ceará. Telefone: (85) 3453-2770
Entrada gratuita.


João Pessoa (PB)

Exposição com trabalhos de 22 artistas está em cartaz na Galeria Lavandeira

Exposição com trabalhos de 22 artistas está em cartaz na Galeria Lavandeira

Está em cartaz a segunda edição do ‘Projeto Gorjeio’, iniciativa que busca estimular a produção artística dos estudantes de Artes Visuais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Ao todo, 22 artistas participam dessa mostra coletiva, entre eles o Meiacor, que recentemente deu entrevista ao Pigmum sobre sua exposição individual na Galeria Archidy Picado. O 'Projeto Gorjeio II' fica aberta ao público até 20 de maio, na Galeria Lavandeira, localizada no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA), na UFPB.

Trabalhos expostos na exposição coletiva

Trabalhos expostos na exposição coletiva

SERVIÇO:

Exposição: Projeto Gorjeio II
Artista: Coletiva
Até 20 de maio, de segunda à sexta-feira, das 8h às 16h
Local: Galeria Lavandeira
Endereço: Rua Vereador João Freire, 616 - Castelo Branco. João Pessoa - Paraíba (CCTA – UFPB). Telefone: (83) 3216-7143
E-mail: galerialavandeira@gmail.com
Entrada gratuita.
 


Maceió (AL)

Detalhe de uma obra de Daniel Contin

Detalhe de uma obra de Daniel Contin

O humor ácido do cartunista e ilustrador Daniel Contin ganha as paredes da Galeria de Artes do Sesc Centro, com desenhos que transitam pela crítica social, revelando as ironias de um cotidiano cada vez mais dinâmico e caótico. Mas cuidado pra não deixar passar as sutilezas que estão presentes no traço do artista, influenciado principalmente por quadrinhos undergrounds americanos.

Mural feito por Daniel Contin em uma das paredes da galeria, especialmente para a exposição

Mural feito por Daniel Contin em uma das paredes da galeria, especialmente para a exposição

SERVIÇO:

Exposição: Efêmera Sutileza do Caos
Artista: Daniel Contin
Até 31 de maio, de segunda à sexta-feira, das 12h às 18h
Local: Pinacoteca Universitária da Ufal
Endereço: Rua Barão de Alagoas, 229 - Centro. Maceió - Alagoas. Telefone: (82) 3201-1374 | 3201-1373
Entrada gratuita.


Natal (RN)

'Apartheid Soneto'  (1988), de Avelino de Araújo

'Apartheid Soneto' (1988), de Avelino de Araújo

Os sonetos de Avelino de Araújo são alguns de seus poemas visuais mais conhecidos

Os sonetos de Avelino de Araújo são alguns de seus poemas visuais mais conhecidos

Última semana para conferir a exposição 'Horizontem', que apresenta novos trabalhos do poeta visual Avelino de Araújo, mas também faz uma retrospectiva dos seus quase 30 anos em atividade. Avelino foi um representante ativo do movimento Arte Postal, que teve bastante repercussão no Rio Grande do Norte, com nomes que marcaram a poesia visual brasileira. Na exposição há obras impressas em livros, jornais e revistas do mundo todo, além de vídeos experimentais produzidos pelo artista, como esse 'Soneto nº 19', em vídeo:

SERVIÇO:

Exposição: Horizontem
Artista: Avelino de Araújo
Até 6 de maio, de terça-feira a domingo, das 9h às 17h
Local: Pinacoteca do Estado
Endereço: Avenida 7 de setembro, s/n, Cidade Alta. Natal – Rio Grande do Norte. Telefone: (84) 3232-9727
Entrada gratuita.
 


Recife (PE)

Novo painel de Tereza Costa Rêgo tem 8m x 2,2m e retrata uma cena histórica vivida durante a invasão holandesa

Novo painel de Tereza Costa Rêgo tem 8m x 2,2m e retrata uma cena histórica vivida durante a invasão holandesa

Em 1646, um grupo de mulheres defendeu o vilarejo de Tejucupapo, lutando contra tropas da ocupação holandesa nas proximidades de onde hoje se encontra o município de Goiana (PE). Esse episódio histórico acabou virando o tema do impressionante painel de 8m x 2,2 m que a artista visual pernambucana Tereza Costa Rêgo exibe agora na Torre Malakoff. A exposição 'Mulheres de Tejucupapo - Tributo a Goya' celebra os 88 anos da artista e também homenageia as famosas cenas de horror pintadas pelo espanhol Francisco Goya, no século XVII.

Detalhes do painel  'Mulheres de Tejucupapo'

Detalhes do painel 'Mulheres de Tejucupapo'

tereza costa rêgo

SERVIÇO:

Exposição: Mulheres de Tejucupapo – Tributo a Goya
Artista: Tereza Costa Rêgo
Visitação de terça à sexta-feira, das 10h às 17h, aos sábados, das 15h às 18h e aos domingos, das 16h às 19h30
Local: Torre Malakoff
Endereço: Praça do Arsenal, s/n, Bairro do Recife – Recife (PE).
Entrada gratuita
 


Salvador (BA)

Mazzoni buscou inspiração na cultura oriental para criar pinturas abstratas

Mazzoni buscou inspiração na cultura oriental para criar pinturas abstratas

chico mazzoni

Continua em cartaz na Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) a exposição 'Retratos do Mundo Flutuante', do artista visual, cenógrafo, restaurador e arquiteto Chico Mazzoni. O artista, influenciado pela cultura japonesa, criou 31 quadros - de pintura acrílica sobre tela - que reinterpretam as linhas, as formas e as texturas tradicionais do país oriental, transitando entre o figurativo e o abstrato sob uma perspectiva contemporânea. Mas corra, porque a exposição só fica em cartaz até o próximo domingo! (7).

A exposição está em cartaz na Capela do MAM-BA

A exposição está em cartaz na Capela do MAM-BA

MAM-BA

SERVIÇO:

Exposição: Retratos do Mundo Flutuante
Artista: Chico Mazzoni
Até 7 de maio, de terça-feira a domingo, das 13h às 19h
Local: Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA
Endereço: Av Lafayete Coutinho, s/n, Largo Dois de Julho, Salvador – Bahia. Telefone: (71) 3117-6139
E-mail: ascom.mam@gmail.com
Entrada gratuita.


São Luís (MA)

A artista Raimunda Fortes está celebrando 20 anos de carreira com essa mostra

A artista Raimunda Fortes está celebrando 20 anos de carreira com essa mostra

Para comemorar os 20 anos de trajetória artística de Raimunda Fortes, a Sala Sesc de Exposições recebe a mostra 'Meu Caminho', com 12 pinturas abstratas de acrílico sobre tela. As obras foram produzidas entre 1997 e 2017 e traçam a retrospectiva da carreira da artista, que soma mais de 23 exposições individuais na bagagem, passando por várias cidades do país.

Obra abstrata de Raimunda Fortes, dividida em várias partes

Obra abstrata de Raimunda Fortes, dividida em várias partes

'Ciclos Vitais' , de Raimunda Fortes

'Ciclos Vitais', de Raimunda Fortes

SERVIÇO:

Exposição: Meu Caminho
Artista: Raimunda Fortes
Até 19 de maio, de segunda à sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 17h
Local: Sala Sesc de Exposições (Condomínio Fecomércio Sesc/Senac)
Endereço: Av. dos Holandeses, s/n, Quadra 04, Jardim Renascença II. São Luís - Maranhão. Telefone: (98) 3216-3830
E-mail: galeriadeartesescma@gmail.com
Entrada gratuita.


Teresina (PI)

Obras de Artur Rios, que colocam os animais em situações tipicamente humanas

Obras de Artur Rios, que colocam os animais em situações tipicamente humanas

artur rios

Dobradinha de exposições em Teresina! Os artistas visuais Patrícia Neves e Artur Rios dividem o espaço do Sobrado com as exposições simultâneas 'Fases' e 'Zoomorfismo'. Ao todo, 22 obras compõem a mostra 'Fases', que explora a força da figura feminina. Patrícia Neves trabalhou, entre outras técnicas, com nanquim, aquarela e design gráfico. Já Artur Rios expõe um conjunto de pinturas que retrata animais como protagonistas de cenas tipicamente humanas, ressignificando espaços comuns ao nosso dia a dia.

As duas exposições estão em cartaz ao mesmo tempo no Sobrado, no Jóquei

As duas exposições estão em cartaz ao mesmo tempo no Sobrado, no Jóquei

Cartaz de divulgação da mostra  'Fases'

Cartaz de divulgação da mostra 'Fases'

Obra de Artur Rios presente na exposição

Obra de Artur Rios presente na exposição

SERVIÇO:

Exposições: ‘Fases’ e ‘Zoomorfismo’
Artistas: Patrícia Neves e Artur Rios
Até 31 de maio, de terça-feira a domingo, das 17h às 22h
Local: Sobrado
Endereço: Rua Darcy Araújo, 2049, Jóquei. Teresina - Piauí. Telefone: (86) 3304-3177
E-mail: nosobrado@gmail.com
Entrada gratuita.

ENTREVISTA | Ser artista na Paraíba: Guto Holanda e Américo Filho falam sobre suas exposições na Galeria Archidy Picado

Guto Holanda e Américo Filho são dois caras bastante criativos que trabalham com pintura, mas cada um seguindo seu próprio traço. Só que há exatamente 1 mês, os caminhos desses dois artistas se encontraram na Galeria Archidy Picado, em João Pessoa-PB, que recebe simultaneamente até o próximo dia 9 de maio as exposições ‘Cor de Dentro’ (Guto Holanda) e ‘Espera’ (Américo Filho, que também assina como Meiacor).

Os artistas Guto Holanda e Américo Filho (Meiacor)

Os artistas Guto Holanda e Américo Filho (Meiacor)

Mas esse encontro inusitado só foi possível porque as duas exposições foram selecionadas no edital de ocupação da galeria para 2017, publicado no final do ano passado.

E já que estamos na reta final do período de visitação dessas exposições, o Pigmum conversou com os dois artistas pra deixar aqui vários motivos que farão você visitar a galeria o quanto antes! Porque tá valendo muito a pena ir, viu?

As exposições de Guto Holanda e Meiacor ficam em cartaz até 9 de maio na Galeria Archidy Picado. Fotografias: Therles Silva

As exposições de Guto Holanda e Meiacor ficam em cartaz até 9 de maio na Galeria Archidy Picado. Fotografias: Therles Silva

espera archidy picado

Na entrevista, a gente falou sobre os processos criativos dos dois trabalhos, sobre a própria Galeria Archidy Picado, além das alegrias e desafios de ser artista na Paraíba. Mas chega de lero, lero e vamos ao que interessa:


Obra de Guto Holanda que integra a exposição  'Cor de Dentro'

Obra de Guto Holanda que integra a exposição 'Cor de Dentro'

Pigmum: Pra começar, vamos falar das exposições. Em ‘Cor de Dentro’, a ideia era despir as pessoas de suas próprias peles e enxergar as cores delas por dentro. Guto, você chegou a ‘se pintar’ também? Com quais cores Guto Holanda seria representado então?

Guto: A ideia central da exposição está voltada para a questão daquilo que não vemos, no caso, as cores, os tons... Na minha concepção, como artista e ser humano, há cores nas sensações, nos momentos, e como somos bombardeados de sensações, de sentimentos, as cores permeiam na atmosfera. Não vemos, mas sentimos. Em relação à qual cor me representaria vindo de dentro... acredito que tal cor estaria relacionada a algum momento, mas quase sempre tons mais leves, pastéis e rosados.

Pigmum: E você, Américo, por que intitular a exposição de ‘Espera’? À espera de que, afinal?

Américo: A série ‘Espera’ aborda a temática do tempo pelo viés psicológico. É essa dimensão temporal que nos envolve e que passa mais rápido ou mais devagar dependendo do nosso ânimo.

Pigmum: Seu trabalho costuma seguir vertentes mais lúdicas, né? Dá pra perceber pelos traços e pelas cores, que se aproximam muito dos quadrinhos e do cartoon. E você também sempre utiliza suportes variados, como ilustrações em livros, objetos de decoração e grandes murais. Mas nessa exposição você trouxe algo minimalista, com imagens mais sérias e em pequenas dimensões. O que houve?

Américo: Eu costumo trabalhar em várias vertentes. Faço parte de alguns coletivos também, como o Humor Aquoso, que é uma página de humor na internet. Tem o DIA, que já caminha pro lado da ilustração e do design. E tem também o Acervo 03, de graffiti. Então essa é umas das características do meu trabalho e de como encaro as artes. Nesse sentido, minha produção é bem diversa. Pra mim, ideia e forma têm que dialogar. Então a ideia da série ‘Espera’, que eu venho alimentando já há algum tempo, caminhou para esta forma visual, o que nem sempre é uma escolha racionalizada.

Para essa exposição, Américo usou madeira como suporte e pintou em pequenas dimensões, embora seja conhecido também por pintar grandes murais com  graffiti . Fotografia: Therles Silva

Para essa exposição, Américo usou madeira como suporte e pintou em pequenas dimensões, embora seja conhecido também por pintar grandes murais com graffiti. Fotografia: Therles Silva

Pigmum: Na exposição, as pinturas foram feitas sobre madeira. Foi a primeira vez que você usou esse suporte? O que muda do papel para a madeira, inclusive quanto às questões simbólicas envolvidas?

Américo: Eu já havia usado madeira como suporte, mas foi a primeira vez que usei madeira dessa forma, sem pintá-la completamente, deixando sua aparência natural. Quando iniciei a construção da ideia desta série não havia ainda pensado neste suporte. Comecei como sempre fazendo no papel, mas com um tempo achei que aquelas figuras envolvidas de vegetação precisavam de um suporte diferente do que eu costumo usar. Certo dia encontrei uns pedaços de madeira numa construção perto de casa, então peguei, guardei em casa, depois de algum tempo fiz um teste e gostei do resultado. As pinturas ganharam o corpo que mereciam.

Obras de Meiacor. Fotografia: Therles Silva

Obras de Meiacor. Fotografia: Therles Silva

meiacor

Pigmum: Que bacana. Realmente o resultado ficou bem interessante. Intrigante, até. Já em ‘Cor de Dentro’, a técnica utilizada foi a pintura sobre Eucatex. Guto, que outros materiais e suportes você costuma usar no seu trabalho e quais são os temas que te motivam?

Guto Holanda: Eu tenho utilizado o Eucatex na maioria dos meus trabalhos, mas utilizo outros suportes também, como papel, tela, madeira... Basicamente tenho trabalhado com pintura, mas aos poucos tenho sentido a necessidade de criar em outros seguimentos, talvez escultura ou instalações... Os temas que costumo pintar estão ligados aos relacionamentos humanos, com o meio onde sobrevive ou vive, com objetos, com as sensações, trazendo uma estética bastante ligada ao meio urbano, à desconstrução de formas e trazendo cores diversas, quase que intuitivamente.

Algumas obras da exposição  'Cor de Dentro' , de Guto Holanda. Fotografia:  Sandra Alves

Algumas obras da exposição 'Cor de Dentro', de Guto Holanda. Fotografia:  Sandra Alves

Pigmum: E vocês dois já se conheciam? Como está sendo a experiência de expor simultaneamente na galeria Archidy Picado?

Américo: A gente já se conhecia, sim, de outras exposições, inclusive. O Guto é um ‘caba bom’ e excelente pintor. Eu já tinha exposto na Archidy, mas como integrante do grupo DIA, não individualmente. E achei muito legal a ideia de exposições individuais simultâneas.

Guto: Pois é, apesar de serem duas exposições individuais, há um diálogo entre elas. É como sair de um filme e assistir outro, logo em seguida, falando de coisas diferentes, mas que se encontram. Essa foi minha primeira exposição na galeria e achei incrível expor ao lado de Meiacor. A gente se encontra em exposições, mas também em outros ambientes. Até na rua, na verdade, porque moramos bem próximos um do outro, no mesmo bairro.

Pigmum: E sobre a Galeria Archidy Picado, o que vocês mais gostam e o que precisa ser melhorado?

Américo: O espaço da galeria ficou muito bom depois da reforma. O que poderia mudar é o horário de funcionamento, que deveria funcionar também à noite.

Guto: Lá no Espaço Cultural José Lins do Rego acontecem muitos eventos no final da tarde e início da noite e justamente nesse horário a galeria está fechada [a galeria abre às 9h e fecha às 16h30]. Ao meu ver, seria um público interessante. No próprio prédio também não há sinalizações indicando onde fica a galeria. Acredito que tudo isso precisa ser melhorado, mas o espaço da galeria é muito interessante, sem falar na importância, em relação à credibilidade, que é expor numa das principais galerias da Paraíba, senão do Nordeste.

Guto Holanda diante de suas obras. Fotografia: Sandra Alves

Guto Holanda diante de suas obras. Fotografia: Sandra Alves

Pigmum: Guto, pra você, como é ser artista na Paraíba? Você é de São Paulo, mas já mora aqui no Nordeste há alguns anos. Quais são as principais diferenças que você sente?

Guto: Eu moro na Paraíba há seis anos. Na verdade, ser artista aqui é resistir a um cenário sem tanta visibilidade, em relação a outros estados, como São Paulo ou Rio de Janeiro. Lá o movimento artístico tem mais incentivos e visibilidade. Porém, essa resistência acaba tornando o fazer artístico cada vez mais enraizado, mais verdadeiro em relação ao que se acredita no trabalho. Como se a voz fosse aumentando a cada exposição, a cada composição. Ao mesmo tempo que algumas questões são mais complicadas, como mercado, por exemplo, aqui na Paraíba encontrei um cenário mais aberto à experimentação, ao novo, no sentido de criação.

Pigmum: E você, Américo, como se deu o interesse pela arte e como é o dia a dia de um artista na Paraíba? Você inclusive é formado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), né?

Américo: Pelo que me lembro, eu sempre desenhei. Quando criança, era viciado em desenhos animados e costumava brincar de desenhar com meu irmão Gustavo. Resolvi fazer Artes porque era o curso que mais se aproximava do que eu gosto de fazer. Vivo uma vida normal. Tenho mulher e filho e um emprego fora das artes. Trabalho como ilustrador freelancer, também com graffiti, e no restante do tempo produzo meus trabalhos autorais, que são os que me dão mais satisfação.

Obra de Américo Filho para a série  'Espera' . Fotografia: Therles Silva

Obra de Américo Filho para a série 'Espera'. Fotografia: Therles Silva

Pigmum: E quando foi então que Américo Filho se tornou o artista Meiacor? Por que esse nome?

Américo: O nome Meiacor, que é anagrama de Américo, é minha tag de graffiti. Comecei a grafitar há aproximadamente 6 anos depois de muitos convites de Cybele Dantas (Cyber), que é artista visual e grafiteira.

Pigmum: Beleza, gente! Muito obrigado por esse bate-papo.

Guto: A gente que agradece o contato. Em breve, terei outras exposições. Esse ano ainda aqui em João Pessoa. Espero que você possa ir!

Américo: Até a próxima, cara!


Exposições: Cor de Dentro e Espera
Artistas: Guto Holanda e Américo Filho (Meiacor)
Até 9 de maio, de segunda-feira à domingo, das 8h às 16h30
Local: Galeria Archidy Picado (Espaço Cultural José Lins do Rêgo)
Endereço: Rua Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho. João Pessoa - Paraíba. Telefone: (83) 3211-6296
Entrada Gratuita

SERVIÇO: