Pigmum

arte e outros riscos

Filtering by Tag: alagoas

ENTREVISTA | Rafael Almeida fala sobre a nova exposição da Pinacoteca da Ufal, que será inaugurada hoje (24) sob sua curadoria

Se depender da Pinacoteca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o mês da mulher vai se estender até maio. Isso porque nesta sexta-feira (24), às 19h, a Pinacoteca inaugurará a pauta de exposições de 2017 com a mostra ‘Acervo Pina: Artistas Alagoanas – Ontem e Hoje’, em homenagem às artistas alagoanas que fazem parte do acervo da instituição.

A mostra inaugurada hoje (24) em homenagem às artistas alagoanas inicia a pauta de exposições de 2017 da Pinacoteca Universitária

A mostra inaugurada hoje (24) em homenagem às artistas alagoanas inicia a pauta de exposições de 2017 da Pinacoteca Universitária

São mais de 35 anos de uma história construída principalmente por mulheres, já que a maior parte das obras que compõem a coleção da Pinacoteca é da autoria de artistas alagoanas.

Para entender melhor o que vem por aí, o Pigmum conversou com Rafael Almeida, que assina a curadoria da mostra e foi o responsável pela escolha das 16 artistas selecionadas. Rafael é alagoano, estudante de Design da Ufal e tem apenas 24 anos, mas uma promissora bagagem profissional. Já desenvolveu projetos gráficos e de interiores para artistas como Celso Brandão, Cecília Walton e Karla Melanias. Foi bolsista da Pinacoteca Universitária da Ufal durante três anos, onde foi curador e produtor da exposição ‘Moira’, da artista Eva Le Campion. Atualmente faz parte da direção de arte da Galeria Gamma, em Maceió.

O jovem estudante de Design, Rafael Almeida, assina a curadoria da mostra. Seu segundo trabalho curatorial na Pinacoteca

O jovem estudante de Design, Rafael Almeida, assina a curadoria da mostra. Seu segundo trabalho curatorial na Pinacoteca

Pigmum: Como surgiu a ideia do tema para essa exposição e quais foram os critérios para a escolha das artistas que participam da mostra?

Rafael: A proposta da exposição é prestigiar as artistas alagoanas que contribuíram, cada uma de seu modo, para a constante evolução da arte contemporânea em Alagoas. O objetivo da mostra é apresentar trabalhos de 16 mulheres que já expuseram na Pinacoteca, cujas obras estavam fora do alcance do público, guardadas em nossa reserva técnica. A poética dessas obras afirma como o poder feminino revolucionou os conceitos artísticos de seu tempo, ultrapassando preconceitos, a desigualdade de gênero e a ausência de oportunidades.

Escultura de Bárbara Lessa

Escultura de Bárbara Lessa

Trabalho em escanografia de Karla Melanias, de 2015

Trabalho em escanografia de Karla Melanias, de 2015

Pigmum: Por que iniciar a pauta de exposições de 2017 com uma mostra retrospectiva?

Rafael: A ideia surgiu como parte das comemorações do mês da mulher, numa iniciativa da Coordenadoria de Assuntos Culturais [CAC] da Ufal e da Pinacoteca Universitária. A coleção Pina é composta em sua maioria por obras de artistas alagoanas. Achamos que seria legal iniciar a pauta da instituição com uma homenagem a elas, por seus trabalhos determinantes no cenário artístico local e nacional. A novidade deste ano é que no primeiro semestre os salões vão abrigar duas exposições simultâneas. A primeira será inaugurada no dia 24 de março e a outra no dia 4 de abril, com a artista Eugênia França. As duas exposições serão encerradas em 19 de maio.

A pintura de 1982 de Maria Teresa Vieira, é uma das peças mais antigas do acervo da Pinacoteca

A pintura de 1982 de Maria Teresa Vieira, é uma das peças mais antigas do acervo da Pinacoteca

Peça da série ' Entrópicos'  (2001), de Marta Araújo

Peça da série 'Entrópicos' (2001), de Marta Araújo

Pigmum: O que o visitante pode esperar da exposição e quais linguagens artísticas estarão representadas?

Rafael: O visitante vai encontrar obras de três gerações, um diálogo de poéticas. As obras expostas se entrelaçam. Há diversidade de linguagens, técnicas e suportes. Fotografia, escanografia, pintura, escultura são algumas delas.

Pigmum: Como você iniciou suas atividades em curadoria artística e qual é a importância dessa atividade?

Rafael: Essa é a segunda mostra que eu assino a curadoria. A primeira foi em 2015 com a exposição ‘Moira’, da artista alagoana Eva Le Campion. Inclusive cheguei a ganhar o prêmio Camões 2015 com o resultado desse trabalho.

Estou na Pinacoteca Universitária há 3 anos e por conhecer bem o acervo, recebi o convite da coordenadora da instituição, Christina Cavalcanti, e do diretor do Espaço Cultural, professor Ivanildo Picolli, para fazer a curadoria dessa exposição que estreia hoje [‘Acervo Pina: Artistas Alagoanas - Ontem e hoje’]. Para mim é uma honra poder participar desse projeto.

Um croqui de vestido junino assinado pela estilista Vera Arruda

Um croqui de vestido junino assinado pela estilista Vera Arruda

Aqui, Vera Gamma e um trabalho de 2002, da série  Mola

Aqui, Vera Gamma e um trabalho de 2002, da série Mola

O papel de um curador é muito importante para a exposição. Assim como o artista, o curador também precisa adentrar o mundo sensível para tentar passar aos contempladores um pouco do que as obras querem dizer. Ele faz a seleção dos conjuntos, além de pegar todo seu estudo e bagagem estética para poder ser eficaz na escolha. A responsabilidade é grande, espero que todos gostem.


SERVIÇO:

Abertura da exposição Acervo Pina: Artistas Alagoanas – Ontem e Hoje
24 de março (sexta-feira), às 19h.
Local: Pinacoteca Universitária da Ufal
Endereço: Praça Visconde de Sinimbu, 206, 1º piso - Centro. Maceió - Alagoas (Espaço Cultural Salomão de Barros Lima). Telefone: (82) 3214-1545 | 3214-1428
E-mail: pinaufal@gmail.com
 

Visitação: de 27 de março até 19 de maio, de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 18h
Entrada franca.

Acesse a página da Pinacoteca Universitária da Ufal no Facebook

 

Visite a Pinacoteca Universitária da Ufal no novo vídeo do canal Pigmum!

A Pinacoteca Universitária da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) é um dos melhores espaços para exposições de arte moderna e contemporânea em Maceió. Além de receber com regularidade exposições temporárias de artistas alagoanos e de outros estados, também guarda um acervo próprio, com peças das exposições que já passaram por lá ao longo de mais de 30 anos de trajetória.

Visite comigo a Pinacoteca da Ufal no vídeo do canal Pigmum de hoje e não esqueça de se inscrever no canal clicando aqui.

5 imagens pintadas com urgência juvenil

Em algum momento, lá pelos meus 13 anos, decidi que começaria a pintar. Fui ao Centro de Maceió depois da escola e comprei algumas bisnagas de tinta, sem nenhuma orientação, nem mesmo de Magda, minha professora de Artes do Colégio de São José.

A compra foi feita por impulso, praticamente obedecendo a um chamado. Minha relação com a arte sempre foi meio religiosa: devoção cega, por vezes banhada em culpa, remorso e arrependimento. Mas que no fim, inexplicavelmente, sempre satisfaz.

1.  Labirinto  (2001, óleo sobre papel)

1. Labirinto (2001, óleo sobre papel)

Na verdade, não contei a ninguém que faria aquilo, nem mesmo perguntei à professora sobre o que deveria comprar. Não busquei informação. Não havia o Google. E não lembrei da aula sobre as cores primárias.

2.  Gema do Espaço  (2001, óleo sobre papel)

2. Gema do Espaço (2001, óleo sobre papel)

Na loja, aquele sentimento de ‘quero pintar, mas não sei o que devo levar’. Acabei levando o azul, o amarelo, o verde, o laranja e o roxo. O roxo! O que eu faria com o roxo, gente? Não comprei nem vermelho e nem preto! Tinta a óleo. Gato Preto. A moça do balcão falou que era o tipo certo para pintar quadros. Eu não sabia a diferença.

3.  Caminho de Tijolos Coloridos  (2001, óleo sobre papel)

3. Caminho de Tijolos Coloridos (2001, óleo sobre papel)

Próximo dali, numa papelaria, comprei um bloco de papel A3 e duas telas pequenas. Transformei a área livre do meu quarto em ateliê e estraguei as telas. Eu não sabia pintar! E foi frustrante descobrir que eu não conseguia dar forma às imagens que vinham à minha cabeça. O pincel não me obedecia. Provavelmente não estava usando os pincéis adequados.

4.  Lombrigas  (2001, óleo sobre papel)

4. Lombrigas (2001, óleo sobre papel)

Quando finalmente faltou paciência para continuar tentando o caminho figurativo, chutei o balde e investi no aleatório, no abstrato, no intuitivo. Eis o resultado: 4 imagens pintadas com urgência juvenil, a óleo sobre papel, e uma quinta imagem seguindo a mesma linha, quando tentei voltar a pintar poucos anos depois.

*Os títulos das pinturas são de 2001/2005.
5.  Transbordância  (2005, óleo sobre papel)

5. Transbordância (2005, óleo sobre papel)

Centro de Maceió: memória afetiva

A Pinacoteca Universitária, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é um dos meus lugares preferidos em Maceió. O espaço recebe exposições temporárias de artistas do Brasil inteiro e está sempre aberto ao público. De passagem pela cidade, visitei em julho a exposição ‘Avulsas Inoportunas’, da artista mineira Alessandra Cunha.

Uma das salas da exposição ‘Avulsas Inoportunas’, da artista mineira Alessandra Cunha

Uma das salas da exposição ‘Avulsas Inoportunas’, da artista mineira Alessandra Cunha

Todo mundo que circula pelo centro da cidade merece entrar na galeria de vez em quando e se permitir passar alguns minutos ali. Um silêncio tão bom, uma paz tão grande. Me sinto muito à vontade lá. Sem falar que a Pinacoteca está localizada em um dos quadrados culturais mais legais da cidade, próxima ao Museu Théo Brandão e à casa do poeta Jorge de Lima.

Aliás, o centro de Maceió por si só já é inspirador. Um misto de memória + decadência + resistência pulsante. Tenho um carinho especial por essa parte da cidade, onde cresci. Apesar do mal gosto das fachadas do comércio contemporâneo, que escondem os casarões antigos, a gente ainda consegue perceber a beleza deles se lembrar de olhar para o alto, acima das placas.

Fachada da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos

Fachada da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos

Naquele mesma ocasião, ainda fui conferir a reforma da Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, também no Centro, que desde 2013 homenageia nosso escritor alagoano mais ilustre. Graciliano não apenas rebatizou a Biblioteca, como também ganhou um memorial singelo, porém honesto, contando fatos marcantes de sua vida e obra.

Além do acervo de livros e jornais, o antigo Palacete do Barão de Jaraguá abriga ainda uma extensa coleção de livros em braile, salas com computadores para pesquisa, espaço destinado à literatura infantil e um interessante acervo de obras de artes visuais em exposição permanente pelas paredes do casarão.

Só acho que redescobrir o Centro sempre vale a pena.

Tela de Orlando Santos, exposta na Biblioteca Pública, exaltando o folclore alagoano

Tela de Orlando Santos, exposta na Biblioteca Pública, exaltando o folclore alagoano

O Preto Velho é uma figura recorrente no acervo pictórico da Biblioteca. Infelizmente, não consegui identificar a assinatura do autor na tela

O Preto Velho é uma figura recorrente no acervo pictórico da Biblioteca. Infelizmente, não consegui identificar a assinatura do autor na tela

Por dentro da Biblioteca

Por dentro da Biblioteca


SERVIÇO:

Horário:
Segunda à sexta: 8h às 18h
Sábado: 9h às 13h

 

Pinacoteca Universitária da Ufal
Endereço: Praça Visconde de Sinimbu, 206, 1º piso - Centro. Maceió - Alagoas (Espaço Cultural Salomão de Barros Lima). Telefone: (82) 3214-1545 | 3214-1428
E-mail:pinaufal@gmail.com


Horário:
Segunda à sexta: 9h às 17h

 

Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos
Endereço: Praça Dom Pedro II, S/N - Centro
Maceió - Alagoas. Telefone: (82) 3315-7877