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arte e outros riscos

Hoje é o Dia do Poeta! Vamos falar sobre a vocação plástica da poesia?

A gente costuma pensar na Poesia como a arte da palavra, né? Mas você já observou que a palavra também pode assumir uma vocação plástica?

Nem sempre a gente se dá conta, mas o desenho das letras, os formatos das famílias tipográficas utilizadas e até a sua organização espacial numa página acabam dotando as palavras de uma corporeidade inesperada. No fundo, toda palavra escrita é também visual e a poesia vem explorando essa característica há bastante tempo.

  O célebre poema visual  'Viva Vaia' , de Augusto de Campos

O célebre poema visual 'Viva Vaia', de Augusto de Campos

Neste Dia do Poeta, portanto, a homenagem vai aos poetas visuais, que ao longo do século XX passaram a experimentar com mais intensidade o diálogo entre diferentes linguagens artísticas, embora a poema visual mais antigo de que se tenha notícia seja de 300 a. C. O fato é que, no século XX, uma série de fatores criou o contexto ideal para que a poesia ultrapassasse os limites da página impressa.

 'O Ovo' , de Símias de Rodes, é considerado o poema visual mais antigo de que se tem notícia e data de 300 a.C.

'O Ovo', de Símias de Rodes, é considerado o poema visual mais antigo de que se tem notícia e data de 300 a.C.

Para Lucia Santaella, pesquisadora em Comunicação, com o avanço da publicidade e do design gráfico, ‘as palavras cresceram em tamanho, verticalizaram-se, invadiram as ruas, compondo a nova paisagem de uma outra natureza: urbana, artificial, veloz, agitada’. A poesia também passou a ocupar esses espaços, o que se tornou o propósito de muitos poetas experimentais, principalmente a partir de vanguardas europeias como o Futurismo e o Dadaísmo.

Hoje a poesia visual está nas ruas, nas galerias de arte, nos museus, em vídeo, nas plataformas digitais e até em embalagens.

  GIF animado para 'Pêndulo' (1961), do poeta visual português E. M. de Melo e Castro

GIF animado para 'Pêndulo' (1961), do poeta visual português E. M. de Melo e Castro

Aqui no Brasil, a poesia visual ganhou impulso nos anos 1950 com a turma do Movimento Concretista. Entre rompimentos e desavenças, os poetas Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Ferreira Gullar, Ronaldo Azeredo e Wladimir Dias-Pino deixaram uma farta contribuição à poesia brasileira, explorando essa vocação plástica da palavra e inaugurando um período bastante criativo na poesia e em todos os ofícios que trabalham com a composição visual de textos, como o jornalismo, a publicidade e o design. Um viva aos nossos poetas visuais!

 'Luxo/Lixo'  (1965), outro conhecido poema visual de Augusto de Campos

'Luxo/Lixo' (1965), outro conhecido poema visual de Augusto de Campos

Pós-Tudo - Augusto de Campos
 'Velocidade'  (1957), de Ronaldo Azeredo

'Velocidade' (1957), de Ronaldo Azeredo

  Uma das versões de  'Solida' , de Wladimir Dias-Pino

Uma das versões de 'Solida', de Wladimir Dias-Pino

 'A Ave' , também de Wladimir Dias-Pino

'A Ave', também de Wladimir Dias-Pino

 'Organismo'  (1960), de Décio Pignatari

'Organismo' (1960), de Décio Pignatari

 'Nascemorre'  (1958), de Haroldo de Campos

'Nascemorre' (1958), de Haroldo de Campos

 'Verde' , poema visual de Ferreira Gullar

'Verde', poema visual de Ferreira Gullar