Pigmum

arte e outros riscos

Assumindo riscos

Arte é muita coisa. Inclusive é ponto, é linha, é traço, é risco. Um risco que por muito tempo eu preferi não assumir por medo, que também não é pouca coisa.

O que você vai ser quando crescer? Artista, responderia naturalmente a criança que fui. Como também era natural pegar papel e caneta: desenhar todo dia um mundo diferente. Mas o mundo onde cresci me dizia que eu não podia. Tu não pode, Renato. Isso é coisa pra cidade grande. Rio de Janeiro, São Paulo, Nova York, Hollywood. Assim, família, escola e sociedade encontraram maneiras sutis de podar o artista que nasceu comigo.

E a arte se tornou essa maçã vermelha, suculenta, que eu rodeei, rodeei e nunca mordi. Quem vive de desenho, Renato? Você não é rico. Música? Cinema? Teatro? Literatura? Desça. Talvez o jornalismo me torne um escritor. E lá estou, mais uma vítima do desengano, pronto para escrever sobre o último boletim policial.

Me tornei expectador, ouvinte, leitor, crítico, pesquisador, professor. Artista, nunca. E só agora, quando tudo se tornou insustentável, consigo perceber que todas as minhas rotas de fuga sempre me devolveram ao caminho do risco. É hora de assumir esse risco e riscar, riscar, errar e arriscar.

Esse blog é minha redenção. Sou eu dizendo para o mundo que a criança que ainda sou vai morder todas as frutas e experimentar todas as cores.

Eu vou ser o que eu quiser.