Pigmum

arte e outros riscos

Há exatamente 100 anos, morria o artista Egon Schiele, vítima da pandemia de gripe espanhola

Foi no dia 31 de outubro de 1918 que o mundo da arte perdia precocemente um dos principais nomes do movimento expressionista, o austríaco Egon Schile. Com apenas 28 anos, o artista foi mais uma vítima da gripe espanhola, pandemia que matou milhões de pessoas no mundo todo naquele ano. Três dias antes, Schiele havia perdido sua esposa, Edith Harms, grávida de seis meses, também vítima da mesma doença.

Para marcar a data, o Pigmum selecionou 25 obras do artista, que deixam claro que sua expressividade poética continua viva mesmo 100 anos depois. Confira:

Mulher sentada com joelho dobrado Egon Schiele
Nude Self-Portrait, Grimacing Egon Schiele

Os efeitos das mazelas do corpo e da alma parecem ser elementos de composição constantes em grande parte das principais obras do artista, que também perdera o pai para outra doença, a sífilis, quando tinha apenas 15 anos. Pode-se dizer que o tema da dor se manifesta principalmente na expressividade dos traços que perturbam e distorcem os contornos dos corpos representados, mas também aparece nas cores pálidas e na apatia das feições dos rostos.  

Egon Schiele O Abraço
Death and the Maiden 1915 Egon Schiele
The Family Egon Schiele

A negação ao pudico e o entendimento do sujo, do errante e do moralmente repulsivo como fatos ordinários da vida cotidiana também são outros temas que atravessam a obra de Egon Schiele, que teve uma vida bastante controversa, apesar de breve. Chegou inclusive a ser preso por 24 dias, acusado de seduzir uma jovem menor de idade e de propagar material considerado pornográfico. Sem dúvida, a sexualidade também era uma questão que interessava ao artista, assim como a androgenia.

Egon Schiele Reclining Woman 1917
Egon Schiele Female Lovers, 1915
Egon Schiele - Kneeling Girl, Resting on Both Elbows 1917
Egon Schiele reclining woman

Egon Schiele é filho de uma família humilde e iniciou sua carreira após a morte do pai, ainda na adolescência. Estudou desenho e pintura na Escola de Belas Artes de Viena, mas a insatisfação com o conservadorismo da instituição só crescia, o que fez o jovem artista abandonar os estudos e desenvolver seu próprio caminho estético, tendo como influência também outro grande artista austríaco: Gustav Klimt.

Egon Schiele - Mother and Child 1914.jpg
Egon Schiele - Standing Male Nude with a Red Loincloth 1914.jpg

Quando Schiele rompe com o conservadorismo de sua escola, ele rompe na verdade com uma tradição formal e temática que historicamente tende a buscar a exaltação de virtudes e a esconder incômodos indesejáveis, principalmente de ordem social. Schiele é justamente aquele artista que vai escandalizar a sociedade de seu tempo expondo em um espaço privilegiado - o circuito expositivo da arte - uma nudez que vai além da nudez do corpo e que revela aquilo que se apresenta diante dos sujeitos de sua sociedade todos os dias, mas que esses mesmos sujeitos se negam a enxergar.

Egon Schiele - Self-Portrait with Physalis 1912
14 - Self-Portrait with Striped Shirt 1910.jpg
Egon Schiele - self-portrait-with-hands-on-chest-1910.

Corpos dissonantes, esguios, pálidos, potencialmente enfermos, devastados por impactos de toda ordem e tão distantes do ideal de beleza consolidado na tradição artística. Como reagir diante da imagem de corpos que se aproximam tanto dos corpos de quem vê e que, por isso mesmo, se fazem mais nus e mais incômodos do que o normal?

13 - Seated Male Nude (Self-Portrait).jpg
Egon Schiele - Nude with Blue Stockings, Bending Forward 1912
Egon Schiele - Standing Nude with Orange Drapery

São esses corpos constantemente apagados, negados ou indesejados que Schiele escancara à sociedade, que 100 anos depois ainda parece não saber lidar muito bem com seus próprios corpos nus – do jeitinho que eles são: cheios de pelos, odores, inconstâncias e assimetrias. As imagens 'distorcidas' de Schiele foram um incômodo à sociedade de seu tempo e ainda podem incomodar porque são como um espelho, ou melhor, talvez sejam como uma foto sem filtro no Instagram, fazendo questão de ressaltar marcas inegáveis.

Egon Schiele - House with a Bay Window in the Garden 1907 - Impressionismo
Egon Schiele - Trees Mirrored in a Pond 1907 impressionismo
Egon Schiele - portrait-of-the-painter-anton-peschka-1909 art neuveau
Egon Schiele - Setting Sun 1913
Egon Schiele - house-with-drying-laundry-1917
21 - Levitation (The Blind II) 1915.jpg
Egon Schiele - Standing Girl 1908-1909
Egon Schiele - Self-Portrait with Raised Bare Shoulder 1912

Giro cultural: 9 exposições de arte no Nordeste para conferir até o fim de outubro

Com o cenário político tão conturbado que estamos vivendo neste mês de outubro, será que sobra algum espaço para a arte? A resposta é mil vezes, sim! Afinal, a arte por si só já é uma atividade política e há de continuar resistindo, sendo mais um espaço de contraponto crítico e de reverberação de questões sociais, históricas e também estéticas. Por isso, frequentar exposições de arte é também estar inserido no meio do debate político e o Pigmum tá aqui pra te ajudar.

Nesta edição do nosso giro cultural pelas exposições que estão em exibição nas capitais nordestinas, o viés político aparece na obra de Sunshine Santos, em cartaz em São Luís (MA), com uma obra que aborda o tema da condição da mulher negra no Brasil; aparece também no Recife (PE), com o trabalho fotográfico de Helder Ferrer sobre a maior reserva de Mata Atlântica de Pernambuco; tem também uma mostra coletiva em João Pessoa (PB) que discute a falência dos modos de vida na contemporaneidade; e em Natal (RN), a artista carioca Sofia Bauchwitz trata da insuficiência de se transmitir a barbárie social por meio de imagens.

E esses são só alguns destaques. Motivos para incluir essas exposições na sua agenda política não vão faltar. Confira:


Salvador (BA)

 ‘O Trem da História’  propõe uma viagem imaginária pelos diferentes períodos da história da arte

‘O Trem da História’ propõe uma viagem imaginária pelos diferentes períodos da história da arte

Já que outubro é o mês da criança, a gente começa com uma exposição pensada especialmente para o público infanto-juvenil. Inspirada no livro ‘O Trem da História’, de Katia Canton, a mostra propõe uma viagem imaginária de trem pelos diferentes períodos da história da arte, apresentando réplicas de obras de artistas que marcaram época, como Tarsila do Amaral, Van Gogh, Monet, Gauguin, Portinari, Degas, Picasso, Bosch, Renoir e muitos outros. Para se aproximar das crianças, as obras foram dispostas em uma altura que permite a elas a apreciação de detalhes. É uma ótima oportunidade para inseri-las no mundo da arte, não acham?

  A mostra foi pensada principalmente para o público infantil

A mostra foi pensada principalmente para o público infantil

  Reprodução de uma pintura de Bosch

Reprodução de uma pintura de Bosch

  Reprodução de uma pintura de Rembrandt

Reprodução de uma pintura de Rembrandt

SERVIÇO:

Exposição: O Trem da História

Artistas: Coletiva

Até 16 de dezembro, de terça-feira a domingo, das 09 às 18h

Local: Caixa Cultural Salvador

Endereço: Rua Carlos Gomes, 57, Centro. Salvador – Bahia. Telefone: (71) 3421-4200

Entrada: Entrada franca


Maceió (AL)

  O Salão Nacional de Arte Contemporânea de Alagoas já está em sua quarta edição

O Salão Nacional de Arte Contemporânea de Alagoas já está em sua quarta edição

O Complexo Cultural Teatro Deodoro recebe o IV Salão Nacional de Arte Contemporânea de Alagoas, reunindo 40 artistas brasileiros e três representantes internacionais, as artistas Alessandra Zucotti (Itália), Maria Rezende (Portugal) e Lúcia Hinz (radicada na Alemanha). Esta é a primeira vez que o salão recebe obras de artistas de outros países. São dezenas de trabalhos, entre pinturas, esculturas, instalações, desenhos, fotografias e videoarte, trazendo ao estado um recorte da atual produção artística brasileira.

  Instalação com barquinhos de papel no espelho d’água da galeria

Instalação com barquinhos de papel no espelho d’água da galeria

  Pintura de Pedro Dias

Pintura de Pedro Dias

  A exposição recebeu 40 artistas ao todo

A exposição recebeu 40 artistas ao todo

 SERVIÇO:

Exposição: IV Salão de Arte Contemporânea de Alagoas

Artista: Coletiva

Até 3 de novembro, de segunda a sábado, das 8h às 18h, às quartas-feiras, das 8h às 20h e aos domingos e feriados, das 14h às 17h

Local: Complexo Cultural Teatro Deodoro

Endereço: Rua Barão de Maceió, s/n - Centro. Maceió - Alagoas. Telefone: (82) 3315-5660

Entrada gratuita.


João Pessoa (PB)

  Montagem de  ‘Iminência da Tragêdia’  durante temporada em São Paulo

Montagem de ‘Iminência da Tragêdia’ durante temporada em São Paulo

 As urgências dos nossos tempos, as falências dos modos de vida e os jogos de enquadramento do mundo são alguns dos temas explorados pelas artistas Denise Alves-Rodrigues, Fabiana Faleiros, Marta Pennerr, Marina Zilbersztein, Noara Quintana e Potira Maia na coletiva ‘Iminência da Tragédia’. Em tempos de fake news, os questionamentos sobre nossa percepção da realidade parecem – mais do que nunca – ser um campo onde a arte contemporânea inevitavelmente deve estar, inclusive promovendo o estímulo ao pensamento crítico. A mostra traz artistas que vivem em São Paulo e na Paraíba. A ideia é promover o intercâmbio e a circulação da produção artística contemporânea em diferentes circuitos expositivos.

Iminência da Tragédia Casarão 34
  Pinturas de Potira Maia

Pinturas de Potira Maia

  Pintura de Potira Maia

Pintura de Potira Maia


SERVIÇO:

Exposição: Iminência da Tragédia

Artista: Coletiva

Até 20 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h

Local: Casarão 34

Endereço: Praça Dom Adauto, 34 – Centro. João Pessoa – Paraíba. Telefone: (83) 3218-9708

Entrada gratuita.


Fortaleza (CE)

  Os retratos pintados por Juca Máximo. Fotografia: Márcia Travessoni Galeria

Os retratos pintados por Juca Máximo. Fotografia: Márcia Travessoni Galeria

Com passagem por países como Áustria, Alemanha, Canadá, Japão e Paquistão, o cearense Juca Máximo finalmente realiza sua primeira exposição em Fortaleza. São 17 pinturas com retratos de gente que o artista, silenciosamente, observa nas ruas, em seu cotidiano, transformando rostos em traços, cores e texturas. A escolha do restaurante Sótão Moleskine como espaço expositivo não foi por acaso. Segundo o artista, sua intenção era estar mais próximo do público, em um local de bastante movimento.

Juca Máximo Me Tenha, Distância
Juca Máximo Me Tenha, Distância
  As obras de Juca Máximo já foram expostas em vários países. Fotografia: Márcia Travessoni Galeria

As obras de Juca Máximo já foram expostas em vários países. Fotografia: Márcia Travessoni Galeria

SERVIÇO:

Exposição: Me tenha, distância

Artista: Juca Máximo

Até 16 de novembro, de segunda a quinta-feira, das 17h às 00h e de sexta-feira a domingo, das 12h às 00h

Local: Restaurante Sótão Moleskine

Endereço: Rua Professor Dias da Rocha, 578 – Meireles. Fortaleza – Ceará. Telefone: (85) 3037-1700

Entrada gratuita.


Natal (RN)

  Composição de Sofia Bauchwitz

Composição de Sofia Bauchwitz

Na exposição ‘Até sair do mapa’, a carioca Sofia Bauchwitz reafirma sua luta pelo direito de caminhar pelo mundo em busca de um horizonte renovado. A artista apresenta uma instalação com textos, fotografias, pinturas e pedras, entrando no campo tridimensional para questionar as limitações presentes no ato de enquadrar imagens, sejam em fotografias, quadros ou janelas. Trata-se da insuficiência de se transmitir a barbárie social por meio desses enquadramentos. A exposição nos convida a sair do plano e ganhar o mundo lá fora.

Sofia Bauchwitz
Sofia Bauchwitz
Sofia Bauchwitz

SERVIÇO:

Exposição: Até sair do mapa

Artista: Sofia Bauchwitz

Até 26 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h

Local: Galeria Conviv’art

Endereço: Avenida Senador Salgado Filho, 3000, Sala 11, Campus Universitário UFRN – Lagoa Nova. Natal – Rio Grande do Norte. Telefone: (84) 3215-3240 (Centro de Convivência Djalma Marinho)

E-mail: galeriaconvivart@gmail.com

Entrada gratuita.


Teresina (PI)

  Nesta exposição, as pintura de Avelar Amorim trazem crianças e diferentes maneiras de se entender o sentido da palavra erê

Nesta exposição, as pintura de Avelar Amorim trazem crianças e diferentes maneiras de se entender o sentido da palavra erê

Ainda em clima de mês da criança, o artista visual piauiense Avelar Amorim celebra as alegrias da infância com a diversidade de cores de seu trabalho, na exposição ‘Erê’, que no idioma iorubá é uma expressão associada à ‘brincadeira’. A exposição está em cartaz no café O Guarany, no Jóquei, e apresenta 23 pinturas, entre acrílico sobre tela e aquarela.

Avelar Amorim Erê
Avelar Amorim Erê

SERVIÇO:

Exposição: Erê

Artista: Avelar Amorim

Até 29 de outubro, de segunda-feira a sábado, das 9h às 21h

Local: Cafeteria O Guarany

Endereço: Rua Aviador Irapuã Rocha, 1212 – Jóquei, Teresina – Piauí. Telefone: (86) 3233-3311

Entrada gratuita.


Recife (PE)

  Fotografia: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Fotografia: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

  A Arte Plural Galeria recebe as fotografias de Helder Ferrer. Fotografia: Hélia Scheppa

A Arte Plural Galeria recebe as fotografias de Helder Ferrer. Fotografia: Hélia Scheppa

O ciclo de renovação da Mata Atlântica é tema da exposição ‘Caos – Fertilidade e Mistérios’, do fotógrafo Helder Ferrer. São 22 imagens, feitas em cenários naturais de Aldeia, na região metropolitana do Recife. É lá que está a maior reserva de Mata Atlântica de Pernambuco e onde o artista foi morar há cerca de 2 anos. Desde então, o interesse pela floresta se tornou constante e o artista passou a se aventurar mata adentro, descobrindo sons, texturas e detalhes da fauna e da flora do lugar. Acima de tudo, os registros de Ferrer também expressam um grito da natureza pela sua preservação.

 ‘Fertilidade’,  pigmento mineral sobre papel, foto de Helder Ferrer, presente na exposição

‘Fertilidade’, pigmento mineral sobre papel, foto de Helder Ferrer, presente na exposição

 ‘Mistério 1’ , pigmento mineral sobre papel, foto de Helder Ferrer, presente na exposição

‘Mistério 1’, pigmento mineral sobre papel, foto de Helder Ferrer, presente na exposição

SERVIÇO:

Exposição: Caos – Fertilidade e Mistérios

Artista: Helder Ferrer

Até 21 de dezembro, de terça a sexta-feira, das 13h às 19h e aos sábados, das 16h às 20h

Local: Arte Plural Galeria

Endereço: Rua da Moeda, 140, Recife Antigo. Recife – Pernambuco. Telefone: (81) 3424-4431

Entrada gratuita.


Aracaju (SE)

  Pequena instalação de Rick Rodrigues

Pequena instalação de Rick Rodrigues

O que é um lar? Já parou pra pensar sobre as qualidades que estão relacionadas a esse conceito? O espaço de habitação, o conforto da intimidade, a moradia como proteção... essas são algumas discussões que o artista visual capixaba Rick Rodrigues propõe em seu trabalho poético. Composta por desenhos, bordados, objetos e pequenas instalações, a exposição ‘Eu sou o meu lar’ expressa com sutileza que um lar é muito mais do que uma casa.

  A sutileza poética de Rick Rodrigues se manifesta principalmente em seus bordados

A sutileza poética de Rick Rodrigues se manifesta principalmente em seus bordados

Rick Rodrigues Eu sou o meu lar
Rick Rodrigues Eu sou o meu lar

SERVIÇO:

Exposição: Eu sou o meu lar

Artista: Rick Rodrigues

Até 8 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h

Local: Galeria de Arte do Sesc-SE

Endereço: Rua Senador Rollemberg, 301 – São José. Aracaju – Sergipe. Telefone: (79) 3216-2753

E-mail: sescgaleria@gmail.com

Entrada gratuita.


São Luís (MA)

  Walter Sá propõe uma releitura pop do cazumba, personagem do bumba-meu-boi

Walter Sá propõe uma releitura pop do cazumba, personagem do bumba-meu-boi

O Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) recebe três artistas visuais na edição deste ano do projeto Ocupa CCVM 2018. Os artistas, que foram selecionados via edital, realizaram obras especialmente para os espaços do CCVM, são eles: ‘Nega Sim, Sua Não’, de Sunshine Santos, que aborda o tema da condição da mulher negra no Brasil; ‘#caz(1)bando’, do artista Walter Sá, que propõe uma releitura pop da figura do cazumba, personagem do bumba-meu-boi da Baixada Maranhense; e por fim, ‘Gestos Fósseis’, instalação de Romana Maria, que apresenta suas investigações sobre a gestualidade na escultura em cerâmica.

  Instalação  ‘Gestos Fósseis’ , de Romana Maria

Instalação ‘Gestos Fósseis’, de Romana Maria

  Detalhe da obra  ‘Nega Sim, Sua Não’ , de Sunshine Santos

Detalhe da obra ‘Nega Sim, Sua Não’, de Sunshine Santos

SERVIÇO:

Exposição: Ocupa CCVM 2018

Artista: Coletiva

Até 22 de dezembro, de terça-feira a domingo, das 10h às 19h

Local: Centro Cultural Vale Maranhão

Endereço: Av. Henrique Leal, 149 – Praia Grande. São Luís - Maranhão.

Entrada gratuita.

Conheça 10 trabalhos de artistas que seguem o Pigmum, selecionados por Vivi Villanova, do canal Vivieuvi

O Pigmum tá sempre recebendo muitas mensagens com produções artísticas de pessoas que acompanham o blog. Mas afinal, quem são esses artistas? Há pouco mais de 1 mês, convidamos nossos seguidores a enviarem imagens de suas obras e o resultado foi surpreendente! Recebemos mais de 200 trabalhos, entre pinturas, desenhos, colagens, fotografias, registros de performances, esculturas e outras técnicas do campo da visualidade.

Tem obras tão interessantes, que não tinha como não mostrar aqui, né? Por isso, pra gente conhecer aos poucos a arte de tanta gente talentosa, o Pigmum vai postar periodicamente sempre 10 trabalhos, selecionados por convidados que atuam profissionalmente na área das artes visuais.

  Arte no YouTube: Vivian Villanova, criadora do canal Vivieuvi, é a nossa primeira convidada!

Arte no YouTube: Vivian Villanova, criadora do canal Vivieuvi, é a nossa primeira convidada!

E a convidada de outubro é a Vivi Villanova, criadora do canal Vivieuvi no YouTube, um dos canais sobre arte mais seguidos do país. Já falamos sobre ela por aqui, lembra? A Vivi é uma fofa e inclusive pediu pra avisar que adorou o trabalho de vocês, viu?

Muito obrigado pela disponibilidade, Vivi! E se você que está lendo é artista ou produz alguma coisa no campo da visualidade, mande sua arte também! Deixe seu link ou imagens do seu trabalho e vamos trocar uma ideia. Pode enviar por e-mail: pigmumblog@gmail.com, prometo ler todos! Mandem mesmo! Ah, e quem já mandou ainda poderá aparecer por aqui nas próximas postagens, fiquem de olho! =)

Agora chega de papo e vamos à seleção da Vivi!

*As imagens estão postadas de acordo com a ordem alfabética das assinaturas dos artistas

**Os textos foram enviados pelos próprios artistas, com edição de Renato Medeiros


1 – ‘Tomba lata’, de Artestenciva

artestenciva

Título: ‘Tomba lata’

Ano: 2018

Técnica: Stencil de 10 camadas sobre parede

Sobre o artista:

Artestenciva, como é conhecido Eduardo Melo, é daqueles artistas de personalidade discreta, porém de presença constante na rua. É lá que foi sua escola e nunca deixará de ser sua galeria de coração, já que foi nos muros que ele conquistou reconhecimento. Seus stencils são composições cheias de camadas e seus personagens são tão vivos quanto a própria vida urbana. Mas o trabalho do artista também passa por outros suportes, como placas de metal, painéis de madeira, stickers e exposições em países como Austrália, França, Alemanha e Itália.


2 – ‘Des-encontro’, de Alzira Fragoso

alzira fragoso

Título: Des-encontro’

Técnica: Lona com colagem de seda e tinta acrílica

Dimensões: 1,20 x 1,04 m

Sobre a artista:

A poética de Alzira Fragoso é tecida pelo tempo, mesclando passado e presente numa narrativa visual que evoca memórias antigas, sonhos, fantasias e vivências atuais. Em seus trabalhos, a artista dá ênfase a repetição de ações, com variações de motivos que garantem ritmo às obras, ressaltando movimento com efeito quase literário. Efeito que é reforçado pelo uso da lona de algodão como suporte. Quando trabalhado com colagens de organza de seda e rendas, esse material simples e antigo cria superposições que dão relevo às obras. O trabalho de Alzira é delicado e extremamente potente.


3 - ‘Nenhuma a menos’, de Andréa Acker

andrea acker
andrea acker

Título: ‘Nenhuma a menos’

Ano: 2018

Técnica: Gesso, arame, tinta acrílica e cabeças de bonecas da minha irmã

Dimensões: 35 x 15 x 10 cm

Sobre a artista:

Andréa Acker se entende como uma artivista visual do Rio de Janeiro. Por meio de sua prática artística, ela diz honrar as sociedades adoradoras das deusas do período Neolítico, reavivando os ideais das antigas Sociedades Matriarcais e rejeitando o sistema capitalista patriarcal vigente. As obras de Andréa agem como comentários políticos, históricos, socioeconômicos e ecológicos e ela já participou de exposições nos Estados Unidos, Europa e Brasil, além de ter suas obras divulgadas em diversas publicações internacionais; sempre com o objetivo de voltar a atenção do público para questões ignoradas pelo status quo. Visitar as redes sociais e o site da artista é um mergulho em tudo isso. Uma experiência e tanto!


4 – ‘Caixa d'água com escada’, de Andrea Lourenço

andrea lourenço

Título: ‘Caixa d’água com escada’

Ano: 2018

Técnica: Bordado manual

Sobre a artista:

O trabalho artístico de Andrea Lourenço está ligado principalmente às suas memórias de infância, como é o caso desta obra da série ‘Objetos’, que buscou registrar lembranças do cenário onde a artista cresceu. Para ela, no seu entendimento de menina havia algo de fantástico nas caixas d’água e nas torres de energia que ela via nas estradas, durante as viagens em família. Já são quase 20 anos de carreira, sempre trazendo temas ligados à sexualidade, ao feminismo e à opressão de gênero. Há cerca de 4 anos, o bordado se tornou protagonista em seu trabalho. Para Andrea, bordar é uma técnica lenta, que oferece uma outra relação com o que se produz e que estabelece um diálogo com o passado.


5 – ‘O gosto’, de Bella Moura

bella moura

Título: ‘O gosto’

Ano: 2018

Técnica: Óleo sobre painel de madeira

Dimensões: 20 x 24 cm

Sobre a artista:

Bella Moura está em contato com a arte desde muito cedo, graças aos desenhos de sua irmã, às fotografias de sua mãe e às esculturas de seu pai. Mas para desenvolver suas habilidades artísticas, ela foi a única da família que seguiu uma formação acadêmica, realizada na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais. Hoje, morando em São Paulo, a artista se dedica principalmente à pintura a óleo, ao desenho e ainda encontra tempo para ensinar maquiagem artística em seu canal no YouTube.


6 – ‘Eclipse Lunar’, de Flaviots

flaviots

 Título: ‘Eclipse lunar’

Ano: 2018

Técnica: Guache branco sobre papel preto

Sobre o artista:

São 32 anos de idade e mais de 15 deles dedicados à ilustração. Flaviots, como assina o designer Flavio Torres, começou desenhando quadrinhos e criando ilustrações para projetos do mercado de propaganda e design, mas em 2016 começou a se dedicar ainda mais como artista, desenvolvendo um estilo irreverente de traços coloridos sobrepostos. Hoje, ele diz que esse é seu principal estilo, que surgiu quando o artista começou a rabiscar as pessoas que via na rua, quando estava – literalmente – parado no trânsito. Em seus trabalhos, é possível encontrar técnicas variadas, como guache, caneta nanquim, marcadores e lápis de cor, mas ele tá sempre aberto a experimentar outras técnicas. Alguém tem alguma sugestão a dar pra ele? Segue lá no Instagram:


7 – Da série ‘Peludos’, de Marco Paulo Rolla

marco paulo rolla

Título: Da série ‘Peludos’

Ano: 1997

Técnica: Xícara de louça, pintura, acrílica e pelúcia sobre veludo

Sobre o artista:

O artista mineiro Marco Paulo Rolla tem uma longa trajetória na arte e atua como pintor, desenhista, escultor, performer e professor, atualmente como docente da Escola Guignard (UEMG), tradicional escola de artes de Belo Horizonte. Já realizou exposições individuais no Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda, país onde também fez uma residência artística, entre 1998 e 1999. Seus trabalhos encontram-se em coleções como a do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), Instituto Itaú Cultural (SP), Museu de Arte da Pampulha (MAP-MG), Centro Cultural Inhotim, Brumadinho (MG) e Funarte do Rio de Janeiro. Inclusive essa obra atualmente está em exposição na mostra ‘Ópera’, individual do artista que fica em cartaz até 21 de outubro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG). Vale a pena conferir, viu?!


8 – ‘Cromossomos Como Somos #39’, de Ricardo Franzin

ricardo franzin

Título: ‘Cromossomos Como Somos #39’

Ano: 2017

Técnica: Aquarela, grafite e acrílica sobre papel 300 g/m³

Dimensões: 65,4 x 90 cm

Sobre o artista:

Ricardo Franzin é paulista e começou seus estudos em arte aos 12 anos. Em seu trabalho, o artista procura nos materiais mais básicos, como papel, madeira e tela, o suporte perfeito para questionar, criticar e trazer à luz as ações do ser humano e como elas refletem na sociedade. Para ele, o quadrado representa a busca humana pela razão, por isso é um elemento que se repete com frequência em suas obras, como é o caso desta aqui, que procura na abstração geométrica e na aquarela monocromática representar a origem da vida. Na obra, elementos da criação do ser humano, como o pó da terra e o sopro divino, deixam de ser etéreos para serem cromossomos, DNA e genes.


 9 – ‘Sem título’, de Sérgio Duarte

sérgio duarte

Título: ‘Sem título’

Ano: 2014

Técnica: Fotografia

Sobre o artista:

O fotógrafo Sérgio Duarte trabalha principalmente com fotografia de arquitetura e fotografia urbana, mas transita também pela fotomontagem. Neste trabalho, o artista captou o reflexo de uma fonte d´água no retrovisor de uma scooter, durante uma passagem por Lisboa, em Portugal. Linda foto, né? Em seu site e no Instagram, dá pra ver ainda registros de cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Berlim, Cidade do Panamá e Veneza, onde atualmente ele está expondo na Bienal de Arquitetura de Veneza.


 10 – ‘Série Oxum’, de Talita Rocha

madame nagô

Título: ‘Série Oxum’

Ano: 2017

Técnica: Nanquim sobre papel Canson

Dimensões: 42 x 59 cm

Sobre a artista:

Educadora, ilustradora e grafiteira, Talita Rocha começou a produzir sua própria arte quando entrou em contato com a cena do Graffiti na cidade paulista de Mauá. Depois, no Vale do Jequitinhonha (MG), foi a vez de se dedicar à cerâmica. Agora, aos 29 anos, a artista desenvolve um projeto intitulado ‘Madame Nagô’, no qual apresenta criações vinculadas à temática afro-brasileira, como é o caso da ‘Série Oxum’, que ao todo tem 16 trabalhos. Além do graffiti e da cerâmica, Talita também explora as técnicas do desenho, da pintura e da instalação. Impressionante esse trabalho da Madame Nagô, né?

Giro cultural: 9 exposições de arte no Nordeste para conferir até o fim de setembro

Setembro já tá no fim, mas ainda dá tempo de incluir na sua agenda uma visitinha a uma das exposições imperdíveis que estão em cartaz nas capitais nordestinas.

Dessa vez o destaque vai para a exposição do premiadíssimo fotógrafo americano Roger Ballen, em Fortaleza, mas não menos imperdível é a primeira mostra individual da artista Juliana Lapa, que tem desenhos impressionantes expostos na Torre Malakoff, em Recife. Tem ainda uma retrospectiva pelos 80 anos de Maria Adair em Salvador, arte urbana em Natal e xilogravuras em Aracaju. Enfim, não vai faltar opção!

Se você estiver por uma dessas cidades nos próximos dias, já sabe pra onde ir:


Natal (RN)

  Galeria Newton Navarro, na Capitania das Artes, com intervenção artística para a exposição do projeto INarteurbana

Galeria Newton Navarro, na Capitania das Artes, com intervenção artística para a exposição do projeto INarteurbana

No finalzinho de agosto, a capital potiguar recebeu mais uma edição do projeto sociocultural INarteurbana, que promove a ativação de espaços públicos por meio de intervenções artísticas e já se tornou ponto de encontro da cena da arte urbana do país. Durante dez dias, 14 artistas de 6 estados brasileiros realizaram uma residência artística na comunidade do Passo da Pátria, em Natal, interagindo com os moradores, pintando murais voltados para o Rio Potengi e produzindo painéis que agora podem ser vistos em mais uma exposição do projeto, em cartaz até 30 de setembro, na Capitania das Artes.

  Obras dos artistas feitas especialmente para a exposição

Obras dos artistas feitas especialmente para a exposição

INarteurbana

SERVIÇO:

Exposição: IV INarteurbana

Artista: Coletiva

Até 30 de setembro, de segunda à sexta-feira, das 8h às 14h

Local: Galeria Newton Navarro

Endereço: Rua Câmara Cascudo, 434, Cidade Alta. Natal – Rio Grande do Norte (Fundação Cultural Capitania das Artes). Telefone: (84) 3232-4945 | (84) 3232-9230

Entrada gratuita.


Aracaju (SE)

  A mulher é a figura central das xilogravuras de Vilma Rebouças

A mulher é a figura central das xilogravuras de Vilma Rebouças

Para questionar heranças patriarcais e reivindicar a autonomia feminina, a artista sergipana Vilma Rebouças insere a mulher como figura central de suas obras, utilizando uma das técnicas mais conhecidas do imaginário popular nordestino: a xilogravura. Dessa forma, a artista abre mais um espaço onde a mulher protagoniza seus próprios discursos, seja como tema ou como criadora. A mostra ‘Xilografando Elas’ integra a pauta de 2018 da Galeria de Arte J. Inácio, que atualmente está em reforma e por isso tem montado suas exposições no Corredor Cultural Wellington dos Santos ‘Irmão’, na sede da Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe (Secult-SE).

Xilogravando Elas
Xilogravando Elas
Xilogravando Elas

SERVIÇO:

Exposição: Xilografando Elas

Artista: Vilma Rebouças

Até 13 de outubro, de segunda à sexta-feira, das 8h às 13h

Local: Corredor Cultural Wellington dos Santos ‘Irmão’

Endereço: Rua Vila Cristina, 1051, Bairro 13 de Julho (Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe – Secult-SE). Aracaju – Sergipe. Telefone: (79) 3198-7803

Entrada gratuita.


São Luís (MA)

  Exposição  ‘Neopalafitas': Um Olhar Sobre o Vernacular’ , em exposição no Palacete Gentil Braga, em São Luís-MA

Exposição ‘Neopalafitas': Um Olhar Sobre o Vernacular’, em exposição no Palacete Gentil Braga, em São Luís-MA

O Neoplasticismo, movimento de vanguarda de artistas como Piet Mondrian e Theo van Doesburg, é a principal referência da exposição ‘Neopalafitas: Um Olhar Sobre o Vernacular’, que propõe uma interpretação conceitual, visual e gráfica das palafitas da cidade de São Luís. A partir da simplicidade de cores e formas, o artista visual José de Ribamar Matos Junior – ou simplesmente, Ribaxé – produziu 20 pinturas que confundem o abstrato e o figurativo, apresentando uma forma diferente de olhar para essas habitações tão comuns sobre as águas da capital maranhense, sustentadas sobre paus de madeira.

  O artista Ribaxé traz referências do movimento neoplasticista para compor um novo olhar sobre as palafitas da capital maranhense

O artista Ribaxé traz referências do movimento neoplasticista para compor um novo olhar sobre as palafitas da capital maranhense

Neopalafitas
Neopalafitas

SERVIÇO:

Exposição: Neopalafitas - Um Olhar Sobre o Vernacular

Artista: José de Ribamar Matos Junior (Ribaxé)

Até 28 de setembro, de segunda à sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h.

Local: Galeria Antônio Almeida

Endereço: Rua Oswaldo Cruz, 782 – Centro (Palacete Gentil Braga). São Luís – Maranhão. Telefone: (98) 3272-9361.

Entrada gratuita.


João Pessoa (PB)

 ‘Quem será o Salvador Dalí’ , óleo sobre tela de Rodrigues Lima

‘Quem será o Salvador Dalí’, óleo sobre tela de Rodrigues Lima

Quem também traz referências de um movimento de vanguarda modernista é o artista visual Rodrigues Lima, que associou elementos do Surrealismo às suas pinturas, remetendo ao campo e às praias da Paraíba. Mas as paisagens locais e as características conflituosas entre realidade e sonho do Surrealismo se fazem presentes na obra do artista para colocar em questão as incertezas políticas do Brasil contemporâneo. Com as 20 obras da exposição ‘Infinitos Ventos’, o artista traça uma narrativa que pergunta: quem será o salvador da nossa política em derretimento? Em diálogo direto com a famosa pintura ‘A Persistência da Memória’ (1931), do surrealista Salvador Dalí.

 ‘Plantio de guarda-chuvas II’ , acrílico sobre tela de Rodrigues Lima

‘Plantio de guarda-chuvas II’, acrílico sobre tela de Rodrigues Lima

Infinitos Ventos Rodrigues Lima
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SERVIÇO:

Exposição: Infinitos Ventos

Artista: Rodrigues Lima

Até 29 de setembro, de segunda-feira a sábado, das 9h às 19h.

Local: Galeria de Arte Gamela

Endereço: Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, 756/101 – Tambaú. João Pessoa – Paraíba. Telefone: (83) 3226-1436

Entrada gratuita.


Recife (PE)

  A precisão técnica dos desenhos em grafite da artista Juliana Lapa

A precisão técnica dos desenhos em grafite da artista Juliana Lapa

Juliana Lapa Eu não estou louca

A presença feminina na sociedade, as paisagens que evidenciam tensões ou afetos do cotidiano e as relações silenciosas e silenciadas no espaço urbano são questões que estão presentes nas obras de Juliana Lapa. Em sua primeira mostra individual, a artista expõe desenhos, fotografias e objetos, produzidos entre 2015 e 2018 e que constroem discursos a partir da saúde emocional da mulher, de sua invasão mental e física e de seu corpo como um corpo político. Chama bastante atenção a apuração técnica da artista, principalmente quanto ao uso do grafite. Imperdível!

  Visitantes durante a exposição  ‘Eu não estou louca’ , primeira individual de Juliana Lapa

Visitantes durante a exposição ‘Eu não estou louca’, primeira individual de Juliana Lapa

Juliana Lapa Eu não estou louca

SERVIÇO:

Exposição: Eu não estou louca

Artista: Juliana Lapa

Até 11 de outubro, de terça à sexta-feira, das 10h às 17h, aos sábados, das 15h às 18h e aos domingos, das 15h às 19

Local: Torre Malakoff

Endereço: Praça do Arsenal, s/n, Bairro do Recife – Recife – Pernambuco.

Entrada gratuita


Maceió (AL)

  Visitante interagindo com a obra do artista Gilbef, durante abertura da exposição  ‘Rearrumação’

Visitante interagindo com a obra do artista Gilbef, durante abertura da exposição ‘Rearrumação’

Em Maceió, os artistas Matheus Arruda e Gilbef levam a público suas perspectivas mais intimistas a respeito da condição humana, arrumando seus sentimentos nos espaços da Pinacoteca da Ufal. Inspirados pelo poema ‘Rearrumação’, da baiana Karina Rabinovitz, os artistas propõem duas mostras individuais que se somam sob o mesmo título do poema e que apresentam desenhos, esculturas, gravuras, pinturas e instalações. Em ‘Desterro’, Matheus Arruda compartilha suas inquietações, tentando materializar a complexidade do sentir. Já em ‘Ato 3: corpo aberto’, Gilbef expõe a 3ª etapa de seu manifesto artístico-político, com obras que se debruçam principalmente sobre os temas da desigualdade social, da violência e da pobreza.

Rearrumação Gilbef Matheus Arruda
  Instalação de Matheus Arruda

Instalação de Matheus Arruda

SERVIÇO:

Exposição: Rearrumação

Artista: Gilbef e Matheus Arruda

Até 2 de outubro, de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 17h30

Local: Pinacoteca Universitária da Ufal

Endereço: Praça Visconde de Sinimbu, 206, 1º piso - Centro. Maceió - Alagoas (Espaço Cultural Salomão de Barros Lima). Telefone: (82) 3214-1545

E-mail: comunicacaopinaufal@gmail.com

Entrada gratuita.


Salvador (BA)

  Visitantes durante a exposição retrospectiva que celebra os oitenta anos de vida da artista visual Maria Adair

Visitantes durante a exposição retrospectiva que celebra os oitenta anos de vida da artista visual Maria Adair

Em comemoração aos seus 80 anos, a artista baiana Maria Adair faz uma retrospectiva não só de sua carreira, mas também de sua vida pessoal, mergulhando em memórias da infância, da vida adulta como professora da Escola de Belas Artes da UFBA e da maturidade, inclusive artística. São mais de 100 obras que evidenciam sua trajetória por formas abstratas e multicoloridas e de sua passagem da pintura em telas à pintura sobre os mais diversos suportes, inclusive objetos domésticos e brinquedos de madeira. Uma carreira que, ao longo do tempo, soube fazer da pintura expressão por si só.

  A pintura multicolorida de Adair

A pintura multicolorida de Adair

  Embora utilize suportes variados, a pintura em tela ainda está presente no trabalho da artista

Embora utilize suportes variados, a pintura em tela ainda está presente no trabalho da artista

  Com o amadurecimento da carreira, Maria Adair passou a pintar em outros suportes, como madeira. Além de brinquedos, a pintura da artista está presente em objetos domésticos

Com o amadurecimento da carreira, Maria Adair passou a pintar em outros suportes, como madeira. Além de brinquedos, a pintura da artista está presente em objetos domésticos

SERVIÇO:

Exposição: Oitenta

Artista: Maria Adair

Até 6 de outubro, de segunda à sexta-feira, das 9h às 19h e sábado, das 9h às 13h.

Local: Paulo Darzé Galeria

Endereço: Rua Doutor Chrysippo de Aguiar, 8 - Vitória. Salvador – Bahia. Telefone: (71) 3267-0930

Entrada gratuita.


Fortaleza (CE)

  Fotografias do americano Roger Ballen

Fotografias do americano Roger Ballen

Roger Ballen Museu da Fotografia Fortaleza

O Museu da Fotografia, mais novo espaço expositivo de Fortaleza – inaugurado em 2017 –, acaba de receber sua primeira exposição internacional, de ninguém menos que o aclamado fotógrafo americano Roger Ballen, que já expôs suas obras em coleções como as do MoMA, em Nova York; Centre Georges Pompidou, em Paris; e Victoria & Albert Museum, em Londres. Reconhecido por suas imagens perturbadoras e sombrias que retratam improváveis (mas reconhecíveis) situações à margem da sociedade, Ballen tem um notável talento para evocar o mais íntimo da condição humana, por meio de uma estética que beira o incômodo. Na exposição, o fotógrafo apresenta cerca de 60 obras, de suas principais séries, realizadas entre 1980 e 2017.

Roger Ballen Museu da Fotografia Fortaleza
Roger Ballen Museu da Fotografia Fortaleza

SERVIÇO:

Exposição: Mind Games

Artista: Roger Ballen

Até 6 de outubro, de quarta-feira a domingo, das 12h às 17h.

Local: Museu da Fotografia Fortaleza

Endereço: Rua Frederico Borges, 545 – Varjota. Fortaleza – Ceará. Telefone: (85) 3017-3661

Entrada gratuita.


Teresina (PI)

  Nesta exposição, as obras de Jucelino Nunes expressam suas memórias da infância no interior piauiense

Nesta exposição, as obras de Jucelino Nunes expressam suas memórias da infância no interior piauiense

Fechando a nossa seleção, tem mais uma exposição da Galeria Montmartre, que dessa vez reuniu obras do artista Jucelino Nunes. São 14 pinturas que evocam as memórias de infância do artista e sua rotina, costumes e brincadeiras no sertão nordestino. Piauiense do interior e autodidata, Jucelino traz às telas suas verdades mais íntimas, em pinceladas obstinadas e cheias de expressividade.

Montmartre Jucelino Nunes
Montmartre Jucelino Nunes

SERVIÇO:

Exposição: CANTOs e enCANTOs

Artista: Jucelino Nunes

Até 5 de novembro, de segunda-feira a sábado, das 10h às 19h

Local: Montmartre Arte e Galeria

Endereço: Rua Professor Pires Gayoso, 689, Bairro Noivos, Teresina – Piauí. Telefone: (86) 98855-8626

E-mail: montmartreloja@gmail.com

Entrada gratuita.

Últimos dias para se inscrever no edital de ocupação da Galeria de Arte do Sesc-RN

Boa notícia pra quem mora no Rio Grande do Norte! Se você é artista e não vê a hora de montar sua próxima exposição (ou até mesmo a primeira!), então corra porque você só tem até o dia 12 de setembro para se inscrever no edital de ocupação da Galeria de Arte do Sesc Cidade Alta, em Natal-RN.

  Galeria Sesc Cidade Alta durante vernissage da exposição  'Sisọ ọrọ: imagens falantes' , do artista Gil Leal, selecionada no edital 2017

Galeria Sesc Cidade Alta durante vernissage da exposição 'Sisọ ọrọ: imagens falantes', do artista Gil Leal, selecionada no edital 2017

Ao todo, serão selecionados 4 projetos em artes visuais para integrar a agenda de exposições da galeria durante 2019 e cada projeto contemplado receberá um prêmio de incentivo no valor de R$ 2.500. As propostas podem ser individuais ou coletivas, mas as pessoas interessadas devem ser residentes no Rio Grande do Norte, porque o objetivo da instituição é, principalmente, estimular a produção artística no Estado.

O edital aceita propostas em diversas linguagens, entre elas desenho, colagem, fotografia, gravura, pintura, escultura, instalação, entre outras, desde que as exposições consigam se adequar ao espaço físico da galeria, que é de 36,45m². É, eu sei, é um espaço pequeno, mas significativo no circuito expositivo potiguar!

  Imagens da planta baixa da galeria, que tem espaço total de 36,45m²

Imagens da planta baixa da galeria, que tem espaço total de 36,45m²

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail cultura@rn.sesc.com.br ou pessoalmente, na sede do Sesc Cidade Alta, em Natal. Também dá pra enviar a documentação pelos Correios, mas aí a postagem terá que ser feita por entrega rápida (e vai sair mais caro 😉).

  Imagens da exposição  'A Estrada é Longa' , de Lucas MDS, mais recente mostra da galeria. Também contemplada no edital 2017

Imagens da exposição 'A Estrada é Longa', de Lucas MDS, mais recente mostra da galeria. Também contemplada no edital 2017

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A seleção será feita por uma comissão formada por 5 membros, que avaliarão os projetos de acordo com critérios previstos no edital. A lista de projetos inscritos será divulgada em 14 de setembro e o resultado final, no dia 28 de setembro.

Pra mais informações, você vai ter que acessar o edital. Boa sorte!

*Atenção: no edital, a data que consta como prazo final para inscrição está 7 de setembro, porém esse prazo foi prorrogado para 12 de setembro.

Giro cultural: 9 exposições em cartaz no Nordeste para você visitar em agosto

Agosto tá aí e tem muita exposição de arte em cartaz no Nordeste só esperando pela sua visita! Pra te ajudar a entrar no segundo semestre com a programação cultural em dia, o Pigmum selecionou uma exposição em cada capital da região, como já virou tradição por aqui.

O destaque dessa vez vai para as 196 peças de arte africana que estão expostas no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), em São Luís (MA). Também tem o retorno de Rodrigo Braga ao Recife (PE) e uma retrospectiva de Zé Tarcísio em Fortaleza (CE). Mas vamos ao que interessa:

Salvador (BA)

  Visão geral da exposição  'Transeunte',  na galeria RV Cultura e Arte

Visão geral da exposição 'Transeunte', na galeria RV Cultura e Arte

O artista e sua condição de sujeito no espaço urbano é o tema da exposição ‘Transeunte’, que reúne trabalhos dos paulistas Alex Hornest e Guilherme GAFI e dos baianos Ananda Nahu e Pedro Marighella. Esses artistas encontram na urbe o substrato de suas produções poéticas, não apenas a partir do trânsito pelas cidades, mas também se incorporando a elas. O resultado dessas vivências se materializa nos desenhos, pinturas e esculturas da coletiva.

 'Pensamentos'  (2017) e  'Percepção'  (2017), tinta duco e acrílico sobre tela, de Alex Hornest

'Pensamentos' (2017) e 'Percepção' (2017), tinta duco e acrílico sobre tela, de Alex Hornest

 'Contra-ataque'  (2017), acrílica e marcador sobre papel de Pedro Marighella

'Contra-ataque' (2017), acrílica e marcador sobre papel de Pedro Marighella

  Obras  'Ibadan'  (2016) e  'Passarinhos'  (2016), da série  'Tropical',  de Ananda Nahu.  Técnica: acrílico sobre tela

Obras 'Ibadan' (2016) e 'Passarinhos' (2016), da série 'Tropical', de Ananda Nahu.  Técnica: acrílico sobre tela

SERVIÇO:

Exposição: Transeunte
Artista: Coletiva
Até 25 de agosto, de segunda à sexta-feira, das 10h às 18h e aos sábados, das 10h às 16h
Local: RV Cultura e Arte
Endereço: Av. Cardeal da Silva, 158, Rio Vermelho. Salvador - Bahia. Telefone: (71) 3347-4929
Entrada gratuita.
 


São Luís (MA)

  Visão parcial da exposição  'Africana: o diálogo das formas' , que conta com 196 peças de arte africana

Visão parcial da exposição 'Africana: o diálogo das formas', que conta com 196 peças de arte africana

A capital maranhense recebe o acervo de arte africana do colecionador pernambucano Eduardo Couto. É a primeira vez que a coleção – iniciada há 23 anos – é exposta em seu conjunto. São 196 peças, entre máscaras, esculturas e objetos cerimoniais ou de uso cotidiano, de 62 povos que habitam 14 países do continente africano. A mostra pontua principalmente a sofisticação estética das obras e sua diversidade escultórica e semântica, associada às tradições e a funções sociais que permanecem até hoje, justificando assim a produção atual desse tipo de arte em uma região que apresenta produção artística cada vez mais diversa e contemporânea.

  A sofisticação estética e as qualidades escultóricas das peças são o ponto alto da mostra

A sofisticação estética e as qualidades escultóricas das peças são o ponto alto da mostra

 'Máscara Senufo ', da Costa do Marfim. Fotografia: Edgar Rocha

'Máscara Senufo', da Costa do Marfim. Fotografia: Edgar Rocha

 'Máscara Gueledé' , do povo Iorubá, Nigéria. Fotografia: Edgar Rocha

'Máscara Gueledé', do povo Iorubá, Nigéria. Fotografia: Edgar Rocha

SERVIÇO:

Exposição: Africana: o diálogo das formas
Artista: Coletiva
Até 1 de novembro, de terça-feira a domingo, das 10h às 19h
Local: Centro Cultural Vale Maranhão
Endereço: Av. Henrique Leal, 149 – Praia Grande. São Luís - Maranhão.
Entrada gratuita.


Recife (PE)

 'Mortalha Mútua' , uma das fotografias de Rodrigo Braga presentes na mostra

'Mortalha Mútua', uma das fotografias de Rodrigo Braga presentes na mostra

Após anos sem expor na capital pernambucana, Rodrigo Braga retorna ao Recife com a mostra ‘Agricultura da Imagem’, que já circulou por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza e foi vista por mais de 220 mil pessoas. Em suas fotografias e vídeos, o artista amazonense – que cresceu no Recife e hoje vive no Rio de Janeiro – traz a metáfora do fotógrafo como agricultor, que em seu ato de criação realiza o arado e o plantio das imagens. Ao montar suas cenas antes de fotografá-las, Braga vai de encontro à concepção de fotografia como captura do instantâneo. As imagens foram ‘cultivadas’ pelo artista ao longo dos últimos cinco anos, principalmente em suas andanças pela Amazônia.

Rodrigo Braga Agricultura da Imagem
Rodrigo Braga Agricultura da Imagem
Rodrigo Braga Agricultura da Imagem

SERVIÇO:

Exposição: Agricultura da Imagem
Artista: Rodrigo Braga
Até 6 de setembro, de terça à sexta-feira, das 9h às 17h, aos sábados e domingos, das 14h às 17h
Local: Museu do Estado de Pernambuco
Endereço: Avenida Rui Barbosa, 960, Graças. Recife – Pernambuco. Telefone: (81) 3184-3174
Entrada gratuita


Natal (RN)

Lucas MDS A Estrada é Longa

O vaqueiro, a cozinheira, a costureira, entre outras personagens do interior do Rio Grande do Norte ganham espaço na Galeria de Arte do SESC Cidade Alta por meio da pintura do potiguar Lucas MDS. Ao todo, são dez trabalhos – feitos em aquarela, acrílica, graffiti e aerografia – que colocam em evidência senhores e senhoras de mais idade, que levam suas vidas com simplicidade e muito trabalho. A abordagem curatorial busca reconhecer o valor dessas pessoas e de suas tradições em nossa sociedade. A exposição dá continuidade ao calendário de 2018 da galeria, que selecionou seis propostas via edital.

Lucas MDS A Estrada é Longa
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SERVIÇO:

Exposição: A Estrada é Longa
Artista: Lucas MDS
Até 5 de setembro, de segunda à sexta-feira, das 9h às 19h, exceto finais de semana e feriados
Local: Galeria de Arte do SESC Cidade Alta
Endereço: Rua Coronel Cascudo, 33, Cidade Alta. Natal – Rio Grande do Norte. Telefone: (84) 3133-0360
Entrada gratuita.


Maceió (AL)

  Obras de Patrícia Melro. Técnica: pastel seco sobre papel linho

Obras de Patrícia Melro. Técnica: pastel seco sobre papel linho

Patrícia Melro Qual é o Seu Papel Galeria Gamma
Patrícia Melro Qual é o Seu Papel Galeria Gamma

Já na nova exposição da Galeria Gamma, o papel é a personagem principal! O material foi utilizado como suporte pelos nove artistas da mostra, que também foram desafiados a pensar sob uma perspectiva polissêmica, explorando outros significados possíveis dessa palavra, que em grego é expressa pelo termo ‘Xαρτί’. A dimensão social se confunde, portanto, à versatilidade física do material, que é colocada à prova em desenhos, pinturas, colagens, fotografias e até esculturas de papel.

  Escultura feira de papel. Durante a abertura, a obra foi utilizada durante performance da artista Vera Gamma

Escultura feira de papel. Durante a abertura, a obra foi utilizada durante performance da artista Vera Gamma

  O fotógrafo Felipe Camelo e uma de suas obras

O fotógrafo Felipe Camelo e uma de suas obras

SERVIÇO:

Exposição: Xαρτί: Qual o Seu Papel?
Artista: Coletiva
Até 30 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 14 às 19h e aos sábados, das 9h às 13h
Local: Galeria Gamma
Endereço: Av. Luiz Ramalho de Castro, 899, Jatiúca. Maceió – Alagoas. Telefone: (82) 3377-3979
Entrada gratuita.


Fortaleza (CE)

  Público conferindo a exposição retrospectiva de Zé Tarcísio, durante a abertura

Público conferindo a exposição retrospectiva de Zé Tarcísio, durante a abertura

A obra e a intimidade de Zé Tarcísio se confundem nesta exposição retrospectiva que homenageia as mais de cinco décadas de produção artística do cearense. São mais de cem trabalhos expostos, entre pinturas, esculturas, instalações, fotografias e vídeos, que dividem o espaço com depoimentos do artista. O público é convidado o tempo todo a adentrar seu universo poético, que atravessa questões tanto pessoais como sociais. Entre as obras está ‘Regador’ (1974), que pertence ao acervo do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro e chegou a virar selo dos Correios em 1976.

 'Regador'  (1974). Fotografia: Luiz Alves

'Regador' (1974). Fotografia: Luiz Alves

 'Golpe'  (1973). Fotografia: Luiz Alves

'Golpe' (1973). Fotografia: Luiz Alves

 'Padra Sobre Pedra'.  Fotografia: Luiz Alves

'Padra Sobre Pedra'. Fotografia: Luiz Alves

SERVIÇO:

Exposição: Zé – Acervo de Experiências Vitais
Artista: Zé Tarcísio
Até 30 de novembro, de terça à sexta-feira, das 9h às 19h e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h
Local: Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC-CE
Endereço: Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema. Fortaleza - Ceará (Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura). Telefone: (85) 3488-8621
Entrada gratuita.


João Pessoa (PB)

Heloísa Maia On The Road Energisa
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A paraibana Heloísa Maia é uma cidadã do mundo! Atualmente radicada nos Estados Unidos, a artista – que tem 30 anos de carreira – já passou por várias partes do globo, sempre transformando em arte os rostos e sombras do cotidiano desses lugares. Aparentemente ela leva à sério o estilo de vida da geração beatnik, movimento sociocultural norte-americano que influenciou a juventude na década de 1960 e produziu livros célebres como o do escritor Jack Kerouac: ‘On The Road’, que também dá nome à exposição de Heloísa. Ao todo são 44 obras, entre desenhos e pinturas. Todas produzidas em 2018.

Heloísa Maia On The Road Energisa
Heloísa Maia On The Road Energisa

SERVIÇO:

Exposição: On The Road
Artista: Heloísa Maia
Até 9 de setembro, de terça-feira a domingo, das 14h às 20h
Local: Usina Cultural Energisa
Endereço: Rua João Bernardo de Albuquerque, 243, Tambiá. João Pessoa – Paraíba. Telefone: (83) 3221-6343
Entrada gratuita.


Teresina (PI)

Jader Damasceno Galeria Montmartre
Evaldo Oliveira Galeria Montmartre

A galeria Montmartre quer se aproximar ainda mais do público local e pra isso tem promovido uma série de exposições em outros espaços. Agora, levou pela segunda vez as pinturas de 21 artistas às paredes do restaurante Vertigo Gastrobar. A ideia é mostrar que a arte é o resultado da conexão do artista consigo mesmo, com o outro e com a sua condição espaço-temporal.

Galeria Montmartre Vertigo Gastrobar

SERVIÇO:

Exposições: Conexões
Artistas: Coletiva
Até 7 de outubro, de segunda-feira a domingo, das 12h às 00h
Local: Vertigo Gastrobar
Endereço: Rua Aviador Irapuã Rocha, 2370, Ininga. Teresina - Piauí. Telefone: (86) 3233-4338
Entrada gratuita.


Aracaju (SE)

Ofá Modê Galeria J Inácio

Fechando a lista, temos as esculturas de Josemir da Silva Costa, mais conhecido como Ofá Modê, cujo trabalho está diretamente ligado à iconografia das tradições de matriz africana, principalmente ao Candomblé. São 15 peças feitas de cimento e diferentes metais, expressando símbolos da cultura afro-brasileira. ‘Origem’ integra o edital 2018 de exposições da Galeria de Arte J. Inácio, mas acontece excepcionalmente no Corredor Cultural Wellington dos Santos ‘Irmão’, na sede da Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe (Secult-SE), devido a reforma do prédio que abriga a galeria.

Ofá Modê Galeria J Inácio
Ofá Modê Galeria J Inácio

SERVIÇO:

Exposição: Origem
Artista: Ofá Modê
Até 6 de setembro, de segunda à sexta-feira, das 8h às 13h
Local: Corredor Cultural Wellington dos Santos ‘Irmão’
Endereço: Rua Vila Cristina, 1051, Bairro 13 de Julho (Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe – Secult-SE). Aracaju – Sergipe. Telefone: (79) 3198-7803
Entrada gratuita.

Novo doodle do Google homenageia centenário do artista brasileiro Athos Bulcão

Se você fizer uma pesquisa no Google hoje, 2 de junho - e provavelmente fará, vai se deparar com o logo do buscador transformado em azulejos de Athos Bulcão, artista carioca que, se estivesse vivo, faria 100 anos hoje.

A homenagem do novo doodle do Google é inspirada nas obras mais conhecidas do artista: os murais de azulejos em prédios públicos e monumentos, principalmente em Brasília, cidade onde ele faleceu em 2008.

  Novo doodle do Google destaca a obra do artista brasileiro Athos Bulcão

Novo doodle do Google destaca a obra do artista brasileiro Athos Bulcão

Os azulejos de Bulcão são ícones da capital federal e integram a arquitetura de prédios como o Congresso Nacional, a Catedral de Brasília, o Palácio do Itamaraty, a sala de embarque do aeroporto de Brasília, a capela do Palácio da Alvorada e um dos prédios do Instituto de Artes da UnB. Mas os azulejos também podem ser encontrados nas fachadas de prédios públicos e residenciais do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Aracaju, Natal, Cuiabá, entre outras cidades do Brasil e do exterior.

  Mural externo na Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, em Brasília (DF)

Mural externo na Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, em Brasília (DF)

  Mural na sala de embarque do aeroporto de Brasília

Mural na sala de embarque do aeroporto de Brasília

  Mural interno no Congresso Nacional, em Brasília (DF)

Mural interno no Congresso Nacional, em Brasília (DF)

  Mural no Palácio do Planalto, em Brasília (DF)

Mural no Palácio do Planalto, em Brasília (DF)

Além dos azulejos, Bulcão também produziu pinturas, fotomontagens, desenhos, peças de vestuário e projetos gráficos. E você pode conferir tudo isso na exposição retrospectiva do artista que tá rolando desde o comecinho desse ano no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). A mostra já passou por Brasília e Belo Horizonte e deve circular em breve também nas unidades do CCBB em São Paulo e Rio de Janeiro.

  Da série  'Carnaval' , óleo sobre tela assinado por Athos Bulcão

Da série 'Carnaval', óleo sobre tela assinado por Athos Bulcão

  Athos Bulcão também produziu fotomontagens

Athos Bulcão também produziu fotomontagens

Athos Bulcão Fotomontagem

Por que o clipe de Beyoncé e Jay-Z no Louvre é tão representativo do ponto de vista da arte

Vocês têm noção do poder desta imagem e de como ela questiona e até se impõe diante do sistema da arte e de sua história tradicionalmente eurocêntrica e elitista?

  O casal mais poderoso do showbiz e o retrato da Mona Lisa, um dos quadros mais reproduzidos do mundo da arte

O casal mais poderoso do showbiz e o retrato da Mona Lisa, um dos quadros mais reproduzidos do mundo da arte

Beyoncé e Jay-Z, o casal mais influente da indústria musical, se colocam à frente daquela que talvez seja a imagem mais icônica do mundo da arte – a Mona Lisa (1503-1506), de Leonardo da Vinci –, posicionando seus corpos negros em um espaço marcado pela branquitude e com raízes fincadas no colonialismo: o museu.

E não é qualquer museu! Para gravar seu novo clipe, ‘Apeshit’, o casal Carter simplesmente fechou o Louvre, o museu mais visitado do mundo! Beyoncé novamente pegou todo mundo de surpresa e lançou, durante um show na noite de sábado (16), não apenas um novo vídeo, mas um disco inteirinho! ‘Everything Is Love’ tem 9 faixas inéditas e é uma parceria com seu marido, o rapper Jay-Z. O álbum foi disponibilizado primeiro no Tidal, a plataforma de streaming comandada pelo rapper, mas agora já pode ser encontrado também no Spotify, Apple Music e ITunes. Já o clipe de ‘Apeshit’ todo mundo pode conferir no YouTube. Veja:

Com mais de 15 mil visitas por dia, o Louvre talvez seja o principal símbolo da cultura e da memória ocidental, com um acervo formado por mais de 35 mil peças, muitas delas oriundas de saques realizados contra nações africanas e asiáticas.

Inaugurado em 1793 no contexto da Revolução Francesa, o Museu do Louvre nasce sob o regime de Napoleão Bonaparte para exibir os tesouros confiscados dos povos conquistados. Nas entrelinhas do glamour e da imponência, o Louvre também narra, portanto, uma história de opressão que ecoa até hoje.

  Beyoncé e suas bailarinas dançam em frente ao quadro   'A Coroação de Napoleão'  (1807), de Jacques-Louis David. É interessante perceber como os movimentos desses corpos negros se colocam como referência à cultura negra, diante de uma pintura encomendada pelo próprio Napoleão

Beyoncé e suas bailarinas dançam em frente ao quadro 'A Coroação de Napoleão' (1807), de Jacques-Louis David. É interessante perceber como os movimentos desses corpos negros se colocam como referência à cultura negra, diante de uma pintura encomendada pelo próprio Napoleão

Não é por menos que, logo no início da música, a frase ‘I can't believe we made it’ (algo como, ‘eu não acredito que nós conseguimos’) ganha um sentido tão representativo. Afinal, a postura do casal frente a obras de arte como a Mona Lisa ou a Vênus de Milo acaba se transformando também em um ato político com um potencial midiático que poucos artistas inseridos no sistema da arte contemporânea teriam a oportunidade de alcançar. Eles entram no museu pela porta da frente e sabem o quanto isso é valioso e talvez sem precedentes.

  O casal Carter e a Vênus de Milo, a deusa do amor e da beleza. O traje de Beyoncé  revela as curvas de seu corpo e a aproxima da nudez da estátua grega, num diálogo (ou enfrentamento) direto com o padrão estético clássico de beleza

O casal Carter e a Vênus de Milo, a deusa do amor e da beleza. O traje de Beyoncé  revela as curvas de seu corpo e a aproxima da nudez da estátua grega, num diálogo (ou enfrentamento) direto com o padrão estético clássico de beleza

Quantas pessoas levaram o hip-hop aos salões solenes do Louvre? Quantas pessoas conseguem ficar a sós com a Mona Lisa? E com tamanha proximidade! Lado a lado com a pintura mais reverenciada de Leonardo da Vinci. Aliás, lado a lado, não! O casal dá as costas à Mona Lisa na maior parte do tempo. Pouca gente se atreveria e pouca gente teria a oportunidade de fazer isso. Eles fizeram. Fecharam o museu, firmaram um discurso de negritude (quase todo o elenco é negro) em um espaço historicamente e predominantemente branco e relegaram à Mona Lisa – aqui representando a narrativa linear que ainda prevalece na história da arte – um papel coadjuvante. Ela praticamente faz um feat. com a dupla nesse clipe!

  Quase todo o elenco do clipe é formado por pessoas com vários tons de pele negra

Quase todo o elenco do clipe é formado por pessoas com vários tons de pele negra

Beyoncé Louvre Jay-Z Apeshit

O ato de dar as costas à Mona Lisa se repete ainda em outra cena, em que um casal de bailarinos negros figura frente à pintura, que permanece ao fundo, desfocada, reduzida quase à um mero ornamento, enquanto a moça penteia o cabelo crespo do rapaz. E essa ação se torna protagonista na imagem, revelando a dimensão política que está impregnada no cabelo crespo e deixando para trás uma tradição inteira, que já não parece suficiente para contar a(s) história(s) do século XXI. A imagem é tão forte que inclusive originou a capa do disco:

  A capa do disco  'Everything Is Love'.  A Mona Lisa, desfocada ao fundo, atua como coadjuvante de um ato, ao mesmo tempo, sensível e extremamente político

A capa do disco 'Everything Is Love'. A Mona Lisa, desfocada ao fundo, atua como coadjuvante de um ato, ao mesmo tempo, sensível e extremamente político

Beyoncé e Jay-Z ainda parecem tensionar, de certa forma, sua própria condição como artistas nesse sistema da arte, tão cheio de contradições, tão difícil de definir e que aparentemente ainda prefere se manter distante de manifestações artísticas que nascem de fenômenos midiáticos de massa – por mais que Andy Warhol tenha colocado esse tema em debate na década de 1960. Com esse clipe, o casal Carter parece questionar também o que, de fato, significa ser artista na contemporaneidade. Qual é o espaço de artistas da indústria cultural na(s) história(s) que a historiografia da arte contará de agora em diante? Ainda faz sentido considerá-los como produtos descartáveis e de entretenimento, diante da inegável influência deles em nossa cultura?

  Os Carters posicionados no Louvre, entre os grandes nomes da história da arte. Há espaço para artistas como eles no museu?

Os Carters posicionados no Louvre, entre os grandes nomes da história da arte. Há espaço para artistas como eles no museu?

Parece um equívoco negligenciar a potencialidade da crítica feita pelos Carters e as centenas de milhões de visualizações que esse clipe pode atingir em poucos meses. Poucas obras de arte contemporânea - mesmo as mais questionadoras - têm a chance de obter tamanha visibilidade e impacto cultural.

No clipe, ambos sabem se impor e se fazer caber no Louvre, entre os grandes nomes da história da arte. Até arrisco dizer que pretendem se colocar em pé de igualdade com Leonardo da Vinci, no sentido de que também são capazes de formatar um discurso poético capaz de reverberar globalmente, semelhante à notoriedade que Da Vinci ou Michelangelo obtiveram ainda em vida na Europa do século XVI (claro, sem ignorar as devidas proporções e as diferentes competências).

  Em diversos momentos do clipe, Beyoncé faz referência à cultura negra, enchendo o Louvre de negritude. No vídeo, é possível ver também as raríssimas vezes em que personagens negros figuram nos quadros, geralmente em papeis de sujeição

Em diversos momentos do clipe, Beyoncé faz referência à cultura negra, enchendo o Louvre de negritude. No vídeo, é possível ver também as raríssimas vezes em que personagens negros figuram nos quadros, geralmente em papeis de sujeição

É poder demais que emana dessas imagens!!! E por mais que o casal pareça até um pouco prepotente no vídeo, precisamos admitir que eles têm condições suficientes de propor essa discussão no cerne da arte. Por isso, talvez ‘Apeshit’ seja um manifesto com a cara (e os meios) do século XXI.

Vai rolar sorteio de um livro sobre Leonardo da Vinci para comemorar os 1.000 inscritos no YouTube!

O canal Pigmum chegou a 1.000 inscritos no YouTube e eu só tenho a agradecer! Pra comemorar, vai rolar o sorteio de um livro maravilindo sobre Leonardo da Vinci. 

São 160 páginas, em uma edição caprichada da editora Abril, reunindo imagens das principais obras do grande mestre da arte renascentista. Confira no vídeo:

PARA PARTICIPAR, BASTA SEGUIR ESSAS REGRINHAS:

1. Inscreva-se no canal Pigmum clicando no link: http://bit.ly/2scyiaL
2. Deixe um comentário no vídeo do sorteio (clique no link)! Pode ser: 'Quero muito esse livro!' ou 'Esse livro é meu!', fique à vontade!;
3. Compartilhe o vídeo com mais 3 amigos que também são apaixonados por arte como você! Pode ser no Facebook, no Instagram, no Whatsapp, fique à vontade!;

Para validar o prêmio, é preciso seguir todas as regrinhas, OK?

Caso o nome vencedor tenha deixado de seguir alguma delas, o livro será sorteado novamente.

O nome vencedor tem o prazo de 5 dias para enviar um endereço para entrega do livro. Passado esse prazo, um novo nome será sorteado.

O sorteio será no domingo, dia 17 de junho de 2018, às 10h, durante transmissão ao vivo no canal Pigmum no YouTube. O nome vencedor será divulgado também no Facebook, no Instagram e aqui no blog.

Promoção válida somente para residentes no Brasil.

Participe, boa sorte e obrigado por seguir o Pigmum! <3

Canal Pigmum: conhecendo o Museu de Arte Moderna da Bahia

Há uns meses, eu fiz uma visitinha a Salvador e claro que eu fui direto até o Solar do Unhão, um casarão colonial às margens da baía de Todos-os-Santos, que abriga um dos principais museus de arte moderna do Brasil!

O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) é uma referência na região Nordeste, com seu acervo de mais de 1.200 obras, de artistas como Di Cavalcante, Portinari e Tarsila do Amaral. Também promove ações educativas, cursos e é palco de sessões de jazz à beira-mar, com direito a um pôr-do-sol deslumbrante! Confere aí e não esqueça de se inscrever no canal! =)

Entrevista | A curadora Tereza de Arruda comenta a exposição 'Contraponto', em cartaz em Brasília

  A curadora da exposição  'Contraponto' , Tereza de Arruda

A curadora da exposição 'Contraponto', Tereza de Arruda

Desde novembro do ano passado, o Museu Nacional da República, em Brasília, recebe uma grande exposição com nomes de destaque na arte contemporânea brasileira. A mostra 'Contraponto' reúne obras que pertencem ao acervo particular do colecionador Sérgio Carvalho e traz mais de 30 artistas, de três gerações diferentes, entre eles nomes como Antônio Obá, Berna Reale, Delson Uchôa, Elder Rocha, Fábio Magalhães, Flávio Cerqueira, Gil Vicente, Grupo EmpreZa, Hildebrando de Castro, Nelson Leirner e Renato Valle.

O sucesso de público foi tão grande que a mostra foi prorrogada até o próximo dia 25 de março, completando aí um período de visitação de pouco mais de 4 meses! Mas não era pra menos, né? Até pela sua dimensão, a mostra conseguiu apresentar ao público um recorte importante da atual produção artística brasileira.

E para entender melhor as escolhas curatoriais que nortearam a montagem da 'Contraponto', o Pigmum conversou com a curadora da exposição, a historiadora de arte Tereza de Arruda, que vive e trabalha entre São Paulo e Berlim desde 1989 e também já realizou curadorias em outros países, como Cuba e China. Na entrevista, Tereza comenta o desafio de adequar o projeto expográfico à monumentalidade do prédio do Museu Nacional, assinado por Oscar Niemeyer;  destaca ainda a relevância do Prêmio PIPA e de outros prêmios de divulgação e fomento aos novos artistas brasileiros; e fala um pouco sobre sua experiência profissional no campo da curadoria!

Entrevista imperdível, assim como a exposição! Mas corra! A 'Contraponto' já está nos últimos dias! Se você estiver em Brasília essa semana, não deixe de visitar o Museu Nacional da República!


Pigmum: O acervo da coleção Sérgio Carvalho conta com mais de 1.900 obras, mas apenas um recorte está em exposição na mostra 'Contraponto'. Como se deu a seleção desses trabalhos? Quais foram os critérios estabelecidos para compor a mostra?

Tereza: A mostra prioriza a diversidade e introspectividade da Coleção Sérgio Carvalho. Os artistas cujas obras estão presentes nesta exposição pertencem a três gerações distintas e são provenientes de várias cidades brasileiras. Desta forma, temos um panorama da atual produção contemporânea brasileira, rica e diversificada. Desde o início da coleção, houve a preocupação na aquisição de um conjunto significativo de obras de um mesmo artista, a conduzir o espectador à transformação na produção de cada artífice. Isto é uma prova do diálogo, cumplicidade e relacionamento progressivo e consequente com os criadores em seu percurso. Em face dessa particularidade e à vista da conhecida dificuldade das instituições nacionais em atender à demanda da produção das artes plásticas - certo que raramente um artista, de carreira consolidada ou em consolidação, tem a oportunidade de apresentar uma mostra individual em um museu (muitas vezes, a tão sonhada individual acontece antes em instituições internacionais, o que acaba por abrir portas no Brasil) -, a curadoria optou por trazer ao público uma coletiva de individuais (se não propriamente uma individual, um expressivo número de obras, evidenciando a preocupação com a formação de um acervo expressivo de cada artista). Assim, a mostra é composta de diversos núcleos individuais, proporcionando uma visão mais ampla da produção artística de cada um dos participantes. Em face dessa deliberada opção, o diálogo entre os artistas é secundário.

  Exposição  'Contraponto'  no Museu Nacional da República, em Brasília

Exposição 'Contraponto' no Museu Nacional da República, em Brasília

Pigmum: A mostra reúne mais de 30 artistas brasileiros e realça a diversidade formal, poética e temática do acervo de Sérgio Carvalho. Você acredita que a diversidade desse acervo representa, de certa forma, a diversidade e os contrastes ou contrapontos que podemos observar na arte contemporânea brasileira? Por quê?

Tereza: O resultado de minha pesquisa no contexto do acervo de Sérgio Carvalho apresentado nesta mostra evidencia diversos contrapontos que se complementam, enfatizando a pluralidade de técnicas e de linguagens, além da democracia estética na arte contemporânea brasileira: na história da arte contemporânea, nunca houve barreiras tão flexíveis, como na atualidade, propiciando atuações interdisciplinares, compondo-se, a mostra, de pinturas, fotografias, esculturas, vídeos, instalações, desenhos e performances. Podemos ainda adicionar uma conotação à mostra, acentuando, além da democracia estética, a democracia de expressão, essencial nas sociedades evoluídas, independente de ideologias, credo e partidos políticos. Mundialmente, se presencia um processo de retrocesso em vários seguimentos, e aqui o relevante é o cultural, imposto por sistemas de extrema direita. Justamente aí a arte é contraponto da repressão. Infelizmente, arte e sociedade têm hoje uma relação ambígua ao invés de efetiva, processo este que esperamos ainda reverter através de exposições como a 'Contraponto'.

  Pintura sobre tela de James Kudo, um dos artistas que integram a exposição

Pintura sobre tela de James Kudo, um dos artistas que integram a exposição

Pigmum: A partir da sua experiência como curadora, se você tivesse que traçar um perfil da arte contemporânea brasileira, que pontos ou contrapontos você destacaria como latentes na atual produção artística nacional?

Tereza: A atual produção da arte nacional não é um fenômeno isolado porém o resultado de um processo e atuação de artistas de diversas gerações. Justamente por isto expomos nesta mostra obras de artistas de três gerações para que fique visível esta interlocução entre as gerações distintas. A arte contemporânea brasileira atual possui um vasto legado de expressão.  Os artistas relatam em suas obras ora questões pessoais de seu microcosmo, temáticas que os norteiam em seu cotidiano, ora questões globais. O censo crítico e irônico se faz presente com muita sutileza a se destacar como uma das vertentes da produção atual.

 'Eu vi o mundo e ele começa dentro de mim'  (2015), escultura de Flávio Cerqueira. Fotografia: Paula Patrini

'Eu vi o mundo e ele começa dentro de mim' (2015), escultura de Flávio Cerqueira. Fotografia: Paula Patrini

  Outra escultura em bronze de Flávio Cerqueira

Outra escultura em bronze de Flávio Cerqueira

Pigmum: Entendendo a história da arte como uma narrativa que se consolida principalmente a partir da articulação de diversos fatores e agentes, como sucesso comercial, reconhecimento acadêmico, premiações, popularidade, inovação do ponto de vista técnico ou poético... Qual é a importância de acervos como o de Sérgio Carvalho nesse processo?

Tereza: O interesse de Sérgio Carvalho não é a obra de arte necessariamente como produto final. Não é seu valor de mercado que o atrai. Não é o rótulo que a obra e o artista adquiriram da crítica especializada, tampouco seu ranking na apreciação por curadores de destaque que induzem sua apreciação. O acervo é configurado a partir de um processo introspectivo desenvolvido com cada um dos artistas - na realidade, com sua quase totalidade. As visitas aos ateliers e exposições, reforçadas por conversas intensas e informais, desencadeiam uma relação única, formada por respeito, compreensão, engajamento e cumplicidade. Eis um exemplo autêntico de mecenato, o qual caiu em desuso a partir da introdução do capitalismo, desfazendo uma rede efetiva de inserção da produção artística no sistema social então vigente. A aquisição da obra de arte não significa o final de um processo. Este é o mero início de um intenso diálogo, em ordem progressiva, de Sérgio com os artistas, suas obras entre si e, por fim, dos artistas entre si. Aliás, o seu aprofundamento no universo artístico ocorre por conexões desencadeadas pelos próprios artistas. Não há uma hierarquia desnecessária neste processo que impeça o acesso ao conteúdo - este é entregue, compartilhado e guiado pelos participantes deste processo, artistas e colecionador, que muitas vezes desempenha o papel de mecenas, ao estimular, incentivar e patrocinar a produção artística e sua visibilidade.

  A monumentalidade do Museu Nacional da República, com projeto assinado por Oscar Niemeyer

A monumentalidade do Museu Nacional da República, com projeto assinado por Oscar Niemeyer

Pigmum: Me fale um pouco sobre a concepção expográfica da exposição. Como fazer com que obras tão diversas dialoguem entre si e dialoguem também com o espaço monumental do Museu Nacional da República?

Tereza: O projeto expográfico foi um grande desafio, uma vez que lidamos com uma obra arquitetônica museológica típica de Oscar Niemeyer – o museu não possui paredes planas e também não possui cantos. Pensamos em criar nichos dentro desta monumentalidade arquitetônica que fossem ao mesmo tempo efetivos tanto para a apresentação individual dos artistas quanto para o diálogo entre o conjunto. Não há distribuição das obras necessariamente por um agrupamento temático ou estético. Elaboramos a distribuição espacial para dar o máximo de vazão e visibilidade possível para o conteúdo exposto.

Pigmum: Entre os artistas da exposição, dezessete deles já foram indicados ao Prêmio PIPA, que ao longo desta década vem se destacando como um dos principais espaços para a apresentação de novos artistas no Brasil. Na sua opinião, o Prêmio PIPA pode ser considerado um termômetro da produção artística contemporânea? Que outros prêmios, museus, galerias ou veículos de comunicação você considera que também cumprem essa função de apresentar a nova cara da arte brasileira?

Tereza: O Prêmio PIPA é sem dúvidas um dos grandes meios de divulgação e formento da produção atual brasileira. Outros prêmios relevantes são o Marcantonio Vilaça, assim como premiações que acontecem no contexto das feiras de arte nacional. A mostra Panorama da Arte Brasileira organizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo também tem em seu estatuto esta prioridade. Estes prêmios e mostras aqui citados deveriam ser exemplares para a criação de mais plataformas por todo o Brasil para o incentivo e difusão da obra de jovens artistas, uma vez que esta produção é vasta de conteúdo e também descentralizada geograficamente. A oferta atual de subsídios e premiações é sem dúvidas muito escassa comparada com a demanda existente.

  Obras de Berna Reale, vencedora do Prêmio PIPA online 2012

Obras de Berna Reale, vencedora do Prêmio PIPA online 2012

Berna Reale Contraponto

Pigmum: Ao longo de sua trajetória como curadora de arte você já realizou trabalhos em parceria com instituições e museus nacionais e internacionais, inclusive você vive e trabalha entre São Paulo e Berlim desde 1989. Você percebe alguma diferença no trabalho de curadoria de arte no Brasil e na Alemanha? Quais são os principais desafios que você já enfrentou durante a sua carreira?

Tereza: Iniciei a curadoria internacional em um período em que esta atuação ainda era pioneira. Me formei inicialmente no Brasil em Administração de Empresas especializada em comércio exterior e na sequência fui para Berlim estudar História da Arte. Nesta época não existia esta formação no Brasil como um curso universitário autônomo. Meu interesse era realmente ter um entendimento maior da arte, sua relevância e potencial de difusão como um elo intercultural sem nunca pensar nos desafios que viriam. O percurso é longo, porém muito frutífero. Por coincidência eu já morava em Berlim no período da queda do muro e desmanche da cortina de ferro que supostamente dividia o mundo entre capitalista e comunista. Houve um grande efeito dominó com a queda de ditaduras do leste europeu, o que sem dúvidas desencadeou uma grande abertura sócio-política-econômica abrangente, inclusive como um dos primórdios para a abertura da China que a levou ao status de potência global. Toda esta evolução foi propícia para eu expandir meu território de atuação. Possuo três nacionalidade – brasileira, alemã e italiana – como toda boa espiã! Permaneço atenta a diversos contextos sem nunca ter deixado de manter uma relação estável profissional com o Brasil, onde realizo em média três projetos em instituições e museus por ano.

  Parede com obras de Flávia Junqueira, na exposição  'Contraponto' . Fotografia: Paula Patrini

Parede com obras de Flávia Junqueira, na exposição 'Contraponto'. Fotografia: Paula Patrini

Com grande satisfação aceitei o convite para a curadoria da mostra 'Contraponto'. O convite feito para uma inserção neste contexto é irrecusável, além de ser um grande desafio. Um filtro sobre o filtro original, que gera este acervo, deve ser feito com muita cautela, pois há de se explorar e ampliar toda a potencialidade do conteúdo armazenado. No trabalho de pesquisa desta coleção, me deparei com artistas e obras com os quais já me familiarizava. Nos mais de vinte anos atuando como historiadora de arte e curadora independente entre o Brasil e a Alemanha, tive a oportunidade de trabalhar com inúmeros artistas representados neste acervo, sendo que algumas das obras que expus em mostras anteriores fazem hoje parte deste legado. Almejei trabalhar com muitos artistas e a primeira oportunidade se concretiza na curadoria dessa mostra. Também me deparei com artistas e obras que, até então, desconhecia. Tudo é parte de um longo processo. Não há uma atuação de curadoria distinta entre Brasil e Alemanha. O profissionalismo há de ser primordial e vigente igualmente independente do local de atuação.

Pigmum: Tereza, muito obrigado pela entrevista e parabéns pela exposição! Foi muito prazeroso passar uma tarde quase inteira apreciando tantos trabalhos incríveis!

Tereza: Eu que agradeço pelo convite.


Exposição: Contraponto - Coleção Sério Carvalho
Artista: Coletiva
Até 25 de março, de terça-feira a domingo, das 9h às 18h
Local: Museu Nacional da República
Endereço: Setor Cultural Sul Lote 02, Esplanada dos Ministérios. Brasília - Distrito Federal. Telefone: (61) 3325-5220
E-mail: museunacional@gmail.com
Entrada gratuita.

SERVIÇO: 

Canal Pigmum: uma visita ao Museu do Ceará

Você sabia que o Ceará foi o primeiro estado brasileiro a abolir a escravatura? Isso aconteceu em 1883, cerca de 5 anos antes da Lei Áurea ser assinada no Rio de Janeiro. Essa e muitas outras histórias que revelam aspectos culturais, econômicos e sociais do povo cearense a gente vai encontrar no Museu do Ceará, a primeira instituição museológica fundada no estado!

Além da abolição da escravatura, tem uma sala inteirinha dedicada aos intelectuais cearenses e outra dedicada à religiosidade, especialmente à figura do Padre Cícero. Tem também uma ala com itens de arqueologia indígena e muitas peças do cotidiano urbano de Fortaleza. E eu te mostro tudinho neste vídeo. Tá esperando o que pra dar o play?! Vem comigo!

Giro cultural: 9 exposições de arte em cartaz no Nordeste para visitar em março

Março chegou e finalmente parece que 2018 começou! Diversas exposições estão em cartaz no Nordeste e muitas galerias, museus e centros culturais já anunciaram novas exposições para os próximos dias. Como sempre, destacamos uma mostra em cada capital e é preciso ressaltar a presença das mulheres nesta edição, com trabalhos artísticos, assinando curadorias, à frente de galerias particulares... Enfim, ocupando todos os espaços que cercam o campo das artes!

Também chama atenção o número de exposições coletivas: cinco ao todo, sendo uma delas a exposição 'Acervo dos Salões', no MAM da Bahia, com obras de artistas premiados ao longo de 15 edições de um dos principais eventos de arte contemporânea do país.

Mas chega de papo e vamos direto ao assunto:

Recife (PE)

  Obras da artista Gio Simões

Obras da artista Gio Simões

gio simões amparo 60

Março é o mês das mulheres e a gente já começa com uma exposição inteiramente delas! A Galeria Amparo 60 reuniu 11 artistas mulheres na mostra 'A Noite Não Adormecerá', que apresenta 15 obras de arte contemporânea, transitando entre a pintura, a videoarte, o grafite e a instalação. A ideia da mostra surgiu após a proprietária da galeria, Lúcia Santos, constatar a recorrente ausência de artistas mulheres nas aberturas de exposições da Amparo 60 e a emergência de ampliar os espaços de atuação delas na cena artística contemporânea de Pernambuco. Entre os discursos das obras, há lugar para anarquia, violência, crítica política, corpos, territórios e mergulhos subjetivos. Quem assina a curadoria é a jornalista e mestra em artes visuais, Julya Vasconcelos.

  Convidados prestigiam a abertura da exposição

Convidados prestigiam a abertura da exposição

  Obra da artista Regina José Galindo, da Guatemala

Obra da artista Regina José Galindo, da Guatemala

Exposição: A Noite Não Adormecerá
Artista: Coletiva
Até 21 de abril, de terça a sexta-feira, das 10h às 19h e aos sábados, das 11h às 17h
Local: Galeria Amparo 60
Endereço: Rua Artur Muniz, 82, 1º andar, salas 13 e 14, Boa Viagem. Recife – Pernambuco (Edifício Califórnia, entrada pelo restaurante Alphaiate). Telefone: (81) 3033-6060
Entrada gratuita

SERVIÇO:


Teresina (PI)

 'Reverência' , pintura sobre tela de Regina Moraes

'Reverência', pintura sobre tela de Regina Moraes

Pela primeira vez no Nordeste, o projeto 'Mares, Flores e Estrelas Guias' chega à Teresina com a exposição 'Circuito Arte Brasil', assinada pela curadora paulista Ângela de Oliveira, que já promoveu exposições de artistas brasileiros em diversas cidades do país e também do exterior, como Miami, Nova York, Porto, Viena, Paris e Barcelona. Em Teresina, as obras de 18 artistas estão reunidas na Galeria Montmartre, no bairro Noivos. Representando o Piauí, estão as artistas Amanda Coelho, Christiane Fontenelle, Larissa Palha Dias e Gina Castelo Branco, mas a coletiva também apresenta o trabalho de talentos de Minas Gerais, Bahia, Ceará, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Uma ótima oportunidade para o público piauiense conhecer novos nomes da arte brasileira.

  Público prestigia as obras da exposição na noite do vernissage

Público prestigia as obras da exposição na noite do vernissage

  Um dos trabalhos integrantes da mostra

Um dos trabalhos integrantes da mostra

Exposição: Circuito Arte Brasil
Artista: Coletiva
Até 30 de março, de segunda-feira a sábado, das 10h às 19h
Local: Montmartre Arte e Galeria
Endereço: Rua Professor Pires Gayoso, 689, Bairro Noivos, Teresina – Piauí. Telefone: (86) 98855-8626
E-mail: montmartreloja@gmail.com
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Aracaju (SE)

  Retrato de família misturado à lama de rejeitos de mineração da tragédia de Mariana-MG

Retrato de família misturado à lama de rejeitos de mineração da tragédia de Mariana-MG

Um mês após o rompimento da barragem de rejeitos de minério em Mariana-MG, a fotógrafa Iza Foz esteve na cidade e registrou objetos espalhados pela lama, na tentativa de conhecer um pouco do cotidiano do povoado de Bento Rodrigues, lugar mais afetado pela tragédia. Nas fotos, o flagrante da rotina dos moradores, interrompida e ligada para sempre ao maior desastre ambiental do Brasil: a panela do almoço coberta de lama, o fogão arremessado ao telhado, o quadro quebrado com o retrato da família. A catástrofe aconteceu em 5 de novembro de 2015, afetou 39 cidades e deixou 19 mortos. Para nunca esquecer!

  A exposição está em cartaz no charmoso Café da Gente, anexo ao Museu da Gente Sergipana

A exposição está em cartaz no charmoso Café da Gente, anexo ao Museu da Gente Sergipana

  O Café da Gente sempre disponibiliza seu espaço para realização de exposições temporárias

O Café da Gente sempre disponibiliza seu espaço para realização de exposições temporárias

Exposição: Da Lama à Alma
Artista: Iza Foz
Até 6 de abril, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Local: Café da Gente
Endereço: Avenida Ivo do Prado, 398, Centro. Aracaju – Sergipe (Museu da Gente Sergipana). Telefone: (79) 3246-3186
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Fortaleza (CE)

  Imagem retirada da animação  'Barbara Balaclava'  (2016), de Thiago Martins de Melo

Imagem retirada da animação 'Barbara Balaclava' (2016), de Thiago Martins de Melo

Cinco pequenas mostras ocupam as salas do Museu de Arte Contemporânea do Ceará na exposição '/Simultâneos/'. O maranhense Thiago Martins de Melo apresenta o filme de animação 'Barbara Balaclava' (2016), que questiona feridas abertas (e ainda atuais) como massacre indígena e desapropriação de terras. Já a artista Lis Paim mostra pela primeira vez seu arquivo audiovisual constituído a partir das ruínas do Alagoas Iate Clube, um antigo clube modernista localizado dentro do mar, no principal cartão postal de Maceió-AL. Ainda no campo da fotografia, a exposição exibe fragmentos de álbuns de famílias da região cearense do Cariri, com fotos produzidas pela artista Telma Saraiva, que na metade do século XX desenvolveu uma técnica para colorir fotografias em preto e branco, utilizando pintura. Tem também uma mostra com obras dos acervos do MAC-CE e da Pinacoteca do Estado do Ceará que aproximam diferentes artistas sob o universo da mulher. E por fim, o paulista Ricardo Basbaum convida o público a participar de sua instalação, oferecendo um objeto de aço que o participante deve levar para casa e realizar uma experiência artística.

  As ruínas do Alagoas Iate Clube, na mostra  'Montando Uma Ruína' , projeto assinado por Lis Paim

As ruínas do Alagoas Iate Clube, na mostra 'Montando Uma Ruína', projeto assinado por Lis Paim

  Uma das fotografias pintadas pela pioneira Telma Saraiva

Uma das fotografias pintadas pela pioneira Telma Saraiva

 'Negra Gorda' , obra de Antônio Bandeira, na mostra de acervos

'Negra Gorda', obra de Antônio Bandeira, na mostra de acervos

Exposição: /Simultâneos/
Artista: Coletiva
Até 13 de maio, de terça à sexta-feira, das 9h às 19h e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h
Local: Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC-CE
Endereço: Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema. Fortaleza - Ceará (Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura). Telefone: (85) 3488-8621
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


São Luís (MA)

  Últimos dias para conferir a exposição  'Afetos' , de Edgar Rocha

Últimos dias para conferir a exposição 'Afetos', de Edgar Rocha

Últimos dias para conferir a exposição 'Afetos', com fotografias do paulistano Edgar Rocha, radicado há mais de 40 anos no Maranhão. Ao longo de sua carreira, o fotógrafo fez registros que expressam elementos das tradições, dos saberes e do patrimônio da cultura popular maranhense, como as celebrações e o cotidiano dos navegantes. A mostra retrospectiva reúne 70 fotografias entre imagens coloridas e também em preto e branco. Destaque especial para a luz intimista de algumas fotografias, tiradas ao cair da tarde.

  A luz das fotografias de Edgar Rocha é um dos principais elementos de sua estética

A luz das fotografias de Edgar Rocha é um dos principais elementos de sua estética

afetos edgar rocha ccvm

Exposição: Afetos
Artista: Edgar Rocha
Até 17 de março, de terça-feira a domingo, das 10h às 19h
Local: Centro Cultural Vale Maranhão
Endereço: Av. Henrique Leal, 149 – Praia Grande. São Luís - Maranhão.
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Salvador (BA)

  O MAM-BA reuniu obras de artistas premiados durante as 15 edições do Salão da Bahia, entre 1994 e 2008

O MAM-BA reuniu obras de artistas premiados durante as 15 edições do Salão da Bahia, entre 1994 e 2008

O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) continua promovendo ações significativas de seu projeto Estado Bienal, na tentativa de trazer de volta ao circuito artístico brasileiro a Bienal de Arte da Bahia. Dessa vez, o MAM-BA reuniu obras de artistas premiados ao longo das 15 edições do Salão da Bahia, entre 1994 e 2008. O evento colaborou, por meio de prêmios de aquisições, com a formação de um acervo público de obras de arte contemporânea, tornando-se um dos mais relevantes difusores da arte brasileira na virada do século. Com essa mostra retrospectiva, o MAM-BA não apenas homenageia o Salão da Bahia, como evidencia a indispensável contribuição de eventos como esse na composição do patrimônio cultural do país.

acervo dos salões MAM-BA
acervo dos salões MAM-BA
acervo dos salões MAM-BA

Exposição: Acervo dos Salões
Artistas: Coletiva
Até 29 de abril, de terça-feira a sábado, das 13h às 18h
Local: Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA
Endereço: Av Lafayete Coutinho, s/n, Largo Dois de Julho, Salvador – Bahia. Telefone: (71) 3117-6139
E-mail: ascom.mam@gmail.com
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Maceió (AL)

  Pintura de Lula Nogueira. Um panorama da folia maceioense

Pintura de Lula Nogueira. Um panorama da folia maceioense

O Carnaval passou, mas o Complexo Cultural Teatro Deodoro continua em clima de folia! Abrindo seu calendário de exposições de 2018, a galeria de arte da instituição apresenta a mostra ‘Carnelevarium - Prazeres da Carne’, abordando a contradição entre o sagrado e o profano que envolve a festa popular mais tradicional do Brasil. Ao todo, 27 obras ocupam os dois pavimentos do prédio, entre esculturas, pinturas, desenhos, fotografias, instalações e até um bumba meu boi logo na entrada na exposição. Entre os artistas, estão nomes conhecidos da cena artística alagoana, como Lula Nogueira, Persivaldo Figueirôa, Adriana Jardim, Suel Cordeiro, Dênnys Oliveira e Levy Paz, que assina sua estreia como curador.

carnelevarium diteal maceió
carnelevarium diteal maceió
carnelevarium diteal maceió

Exposição: Carnelevarium – Prazeres da Carne
Artista: Coletiva
Até 29 de março, de segunda-feira a sábado, das 8h às 18h (exceto às quartas-feiras, que é das 8h às 20h) e aos domingos e feriados, das 14h às 17h
Local: Complexo Cultural Teatro Deodoro
Endereço: Rua Barão de Maceió, s/n - Centro. Maceió - Alagoas. Telefone: (82) 3315-5660

SERVIÇO:


João Pessoa (PB)

A Galeria de Arte da Usina Cultural Energisa recebe mais um artista contemplado pelo seu edital de ocupação 2017/2018. A exposição 'Em Órbita' traz 20 trabalhos inéditos do artista paraibano Mirabeau Menezes, produzidos entre 2016 e 2017. São desenhos e pinturas a óleo que exploram o território figurativo do artista, construído ao longo de mais de 30 anos de carreira e cheio de elementos que parecem pertencer a uma mitologia própria. Arrisco a dizer, inclusive, que as obras podem remeter à pintura egípcia, devido aos tons terrosos e à predominância de figuras em perfil. São trabalhos de cores e formas singelas, mas encantadoras. Vale a visita.

  A postura das figuras podem remeter à pintura egípcia

A postura das figuras podem remeter à pintura egípcia

usina cultural energisa mirabeau menezes
  Pintura de Mirabeau Menezes sobre azulejos

Pintura de Mirabeau Menezes sobre azulejos

Exposição: Em Órbita
Artista: Mirabeau Menezes
Até 31 de março, de terça-feira a domingo, das 14h às 20h
Local: Usina Cultural Energisa
Endereço: Rua João Bernardo de Albuquerque, 243, Tambiá. João Pessoa – Paraíba. Telefone: (83) 3221-6343
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Natal (RN)

  Público confere as pinturas de Gil Leal durante abertura da exposição

Público confere as pinturas de Gil Leal durante abertura da exposição

E pra terminar nosso giro cultural de março tem a exposição 'Sisọ ọrọ: imagens falantes', que é a primeira das seis propostas selecionadas para a pauta de exposições 2018 da Galeria de Arte do SESC Cidade Alta. São 20 pinturas assinadas pelo artista visual Gil Leal, que também é um ogan, ou seja, um sacerdote do candomblé. As obras do artista dialogam com o universo simbólico, as trajetórias e os códigos dos 16 orixás que são comumente cultuados nessa religião de matriz africana. O termo sisọ ọrọ é uma expressão do idioma iorubá que significa 'imagem que fala'. Aqui, é a pintura que carrega o discurso.

 Todas as obras permeiam o universo dos orixás

Todas as obras permeiam o universo dos orixás

siso oro galeria sesc cidade alta gil leal

Exposição: Sisọ ọrọ: imagens falantes
Artista: Gil Leal
Até 11 de abril, das 9h às 19h, exceto finais de semana e feriados
Local: Galeria de Arte do SESC Cidade Alta
Endereço: Rua Coronel Cascudo, 33, Cidade Alta. Natal – Rio Grande do Norte. Telefone: (84) 3133-0360
Entrada gratuita.

SERVIÇO:

Sabia que a primeira cartunista mulher do mundo é brasileira? Conheça Nair de Teffé!

  A jovem Nair de Teffé, considerada a primeira cartunista mulher do mundo

A jovem Nair de Teffé, considerada a primeira cartunista mulher do mundo

Provavelmente a sua timeline está cheia de figuras femininas notáveis neste Dia Internacional da Mulher, o que é louvável e necessário! No campo da arte, eu poderia acrescentar mais alguns nomes conhecidos a esse panteão, como Frida Kahlo, Louise Bourgeois, Marina Abramović, Yoko Ono ou as brasileiras Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Lygia Clark, mas resolvi abrir espaço para homenagear especialmente outra brasileira, Nair de Teffé, considerada a primeira cartunista mulher do mundo!

Já faz algum tempo que eu quero falar sobre essa pioneira que, muito antes do movimento modernista chegar por aqui, já desafiava as rígidas instituições vigentes no país e colecionava desafetos entre os mais conservadores, principalmente porque ela não era qualquer moça da cidade.

Filha do Barão de Teffé, Nair nasceu em 1886, na cidade de Petrópolis-RJ, mas cresceu e estudou na Europa, retornando ao Brasil já perto de seus 20 anos de idade e sempre circulando nas mais altas rodas sociais. 

Aqui, na década de 1900, ela deu início à sua carreira como cartunista fazendo caricaturas para revistas importantes como Fon-Fon e O Malho, assinando sob o pseudônimo de Rian - ou como se escreve Nair de trás para frente. É claro que a prática de ironizar a sociedade e suas figuras ilustres não era o que a elite carioca esperava de uma boa moça, né verdade?

  Uma das primeiras caricaturas de Nair de Teffé

Uma das primeiras caricaturas de Nair de Teffé

  Caricatura da atriz francesa Gabrielle Réjane, publicada por Nair de Teffé em 1909 na revista Fon-Fon

Caricatura da atriz francesa Gabrielle Réjane, publicada por Nair de Teffé em 1909 na revista Fon-Fon

Abaixo: caricaturas assinadas por Rian, pseudônimo de Nair de Teffé.

  Rui Barbosa, jurista e diplomata brasileiro

Rui Barbosa, jurista e diplomata brasileiro

  Marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil

Marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil

  Washington Luís, ex-presidente do Brasil

Washington Luís, ex-presidente do Brasil

  Café Filho, ex-presidente do Brasil

Café Filho, ex-presidente do Brasil

Infelizmente, a caricaturista interrompeu suas atividades quando se casou com o então presidente do país, Marechal Hermes da Fonseca. Mas foi durante esse período como primeira dama, entre 1013 e 1014, que Nair escandalizou a sociedade promovendo saraus e levando a música popular ao Palácio do Catete. E não era pra menos, né? Onde já se viu oferecer recepção presidencial a instrumentos, ritmos e danças vulgares como violão, samba e maxixe? Uma imoralidade!

  O casamento de Nair de Teffé com o presidente Hermes da Fonseca foi capa de diversas revistas na época

O casamento de Nair de Teffé com o presidente Hermes da Fonseca foi capa de diversas revistas na época

  A jovem Nair de Teffé

A jovem Nair de Teffé

Sem dúvidas, Nair de Teffé trouxe o espírito da belle époque para o país! E trouxe ainda o hábito de usar calças compridas e de montar a cavalo como um homem (antes as mulheres sentavam de ladinho nas selas, sem abrir as pernas). Ela é afrontosa ela!

Abaixo: caricaturas assinadas por Nair de Teffé na década de 1960, quando ela voltou a produzir.

  Fidel Castro, ainda jovem

Fidel Castro, ainda jovem

  Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil

Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil

  O casamento da princesa Margareth, da Inglaterra

O casamento da princesa Margareth, da Inglaterra

  Jânio Quadros, ex-presidente do Brasil

Jânio Quadros, ex-presidente do Brasil

Também se destacou como pintora, cantora, atriz e pianista. Participou da Semana de Arte Moderna de 1922; fundou e presidiu a Academia Petropolitana de Letras, em sua cidade natal; fundou um cinema de frente ao mar de Copacabana, no Rio de Janeiro; retornou às caricaturas na década de 1960; e já no final dos anos 1970, participou das comemorações pelo Dia Internacional da Mulher. Ufa! Haja fôlego! A mulher era um fenômeno!

  Nair de Teffé, já idosa

Nair de Teffé, já idosa

Por tudo isso, Nair de Teffé merece hoje todo o nosso reconhecimento e homenagem. Sua longa vida - 95 anos! - e sua ousadia merecem ser lembradas entre os grandes nomes da cultura do país!

Concorrente ao Oscar 2018, filme sobre Van Gogh chega à Netflix!

A cerimônia do Oscar 2018 acontece na noite deste domingo e eu vou te dar um bom motivo para prestar atenção à entrega do prêmio de Melhor Animação! É que um dos concorrentes é o filme ‘Com Amor, Van Gogh’ (‘Loving Vincent’, 2017, direção de Dorota Kobiela e Hugh Welchman), o primeiro longa-metragem totalmente pintado a óleo. E o melhor é que ainda dá tempo de assistir antes do evento, já que nesta semana a Netflix disponibilizou o título em seu catálogo!

Confira o trailer:

E já tem alguns anos que o burburinho sobre esse filme rolava na internet. A expectativa por ele era grande! E não era pra menos, né? Mais de 100 artistas se dedicaram a pintar à mão cada um dos 65 mil frames dessa animação. Tudo pintado a óleo: quadro a quadro. O resultado é visualmente deslumbrante e até mesmo pela inovação técnica esse filme já merece levar o prêmio! Além disso, é também uma belíssima homenagem a Van Gogh, já que cada sequência foi inspirada em obras do artista.

  Cada frame do filme foi pintado à mão

Cada frame do filme foi pintado à mão

  Mais de 100 artistas participaram da criação

Mais de 100 artistas participaram da criação

O filme se passa em 1891, após a trágica morte do pintor holandês, que teria tirado a própria vida com um tiro de revólver em 27 de julho de 1890. Apesar de ter sido tardiamente reconhecido como um dos mais influentes precursores da arte moderna, Vincent van Gogh não experimentou o gosto do sucesso e teve uma vida intensa e trágica. O artista sofria de depressão, tinha alucinações e recorrentes surtos psicóticos, que inclusive levaram-no a ser internado em hospitais psiquiátricos.

Sem dúvida, era um gênio atormentado, mas será que ele realmente foi o autor daquele tiro? O filme questiona a versão oficial dos fatos quando o protagonista Armand Roulin (Douglas Booth) inicia uma investigação informal sobre os mistérios que rondam a morte do artista. Armand é filho do carteiro Joseph Roulin e recebe do pai a missão de entregar a última carta escrita por Vincent a seu irmão, Theo van Gogh.

  Armand Roulin (Douglas Booth)&nbsp;assume o papel de protagonista do filme, encarregado de entregar a última carta escrita por Van Gogh

Armand Roulin (Douglas Booth) assume o papel de protagonista do filme, encarregado de entregar a última carta escrita por Van Gogh

Na procura pelo destinatário, Armand revive os acontecimentos que antecederam a morte do artista, a partir de conversas com personagens que testemunharam seus últimos dias. Ao longo de todo o filme, Armand esbarra em pessoas e cenários pintados por Van Gogh. Inclusive ele mesmo foi tema de um dos retratos do pintor, assim como seu pai.

Mas apesar dos personagens reais, ainda estamos falando de uma obra de ficção. O roteiro conecta livremente pinturas conhecidas como ‘A Noite Estrelada’ (1889), ‘Quarto em Arles’ (1887) e ‘Retrato de Dr. Gachet’ (1890), criando uma relação de coerência ou até de interdependência entre elas. Os diálogos mantidos entre os personagens também seguem a mesma lógica, mas não se baseiam necessariamente em fatos reais. Portanto, recomendo cautela!

  Reproduções das pinturas  'A Noite Estrelada'  (1889) e  'Quarto em Arles'  (1887), ambas assinadas por Van Gogh

Reproduções das pinturas 'A Noite Estrelada' (1889) e 'Quarto em Arles' (1887), ambas assinadas por Van Gogh

Quarto em Arles Van Gogh

Aliás, as longas entrevistas que Armand trava com os outros personagens interferem na ação das cenas, aproximando o filme a um documentário. De certa forma, o roteiro negligencia o potencial do protagonista, fazendo de Armand apenas um elemento de articulação entre os diversos depoimentos. Sem dúvida esse foi o ponto que mais me incomodou.

De qualquer forma, o filme é um convite ao universo artístico de Van Gogh e quase uma experiência imersiva, que permite que a gente entre em suas pinturas. Portanto, aproveita que o fim de semana tá aí e corre pra assistir na Netflix. Vamos torcer juntos por ele no Oscar!