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arte e outros riscos

Entrevista | A curadora Tereza de Arruda comenta a exposição 'Contraponto', em cartaz em Brasília

  A curadora da exposição  'Contraponto' , Tereza de Arruda

A curadora da exposição 'Contraponto', Tereza de Arruda

Desde novembro do ano passado, o Museu Nacional da República, em Brasília, recebe uma grande exposição com nomes de destaque na arte contemporânea brasileira. A mostra 'Contraponto' reúne obras que pertencem ao acervo particular do colecionador Sérgio Carvalho e traz mais de 30 artistas, de três gerações diferentes, entre eles nomes como Antônio Obá, Berna Reale, Delson Uchôa, Elder Rocha, Fábio Magalhães, Flávio Cerqueira, Gil Vicente, Grupo EmpreZa, Hildebrando de Castro, Nelson Leirner e Renato Valle.

O sucesso de público foi tão grande que a mostra foi prorrogada até o próximo dia 25 de março, completando aí um período de visitação de pouco mais de 4 meses! Mas não era pra menos, né? Até pela sua dimensão, a mostra conseguiu apresentar ao público um recorte importante da atual produção artística brasileira.

E para entender melhor as escolhas curatoriais que nortearam a montagem da 'Contraponto', o Pigmum conversou com a curadora da exposição, a historiadora de arte Tereza de Arruda, que vive e trabalha entre São Paulo e Berlim desde 1989 e também já realizou curadorias em outros países, como Cuba e China. Na entrevista, Tereza comenta o desafio de adequar o projeto expográfico à monumentalidade do prédio do Museu Nacional, assinado por Oscar Niemeyer;  destaca ainda a relevância do Prêmio PIPA e de outros prêmios de divulgação e fomento aos novos artistas brasileiros; e fala um pouco sobre sua experiência profissional no campo da curadoria!

Entrevista imperdível, assim como a exposição! Mas corra! A 'Contraponto' já está nos últimos dias! Se você estiver em Brasília essa semana, não deixe de visitar o Museu Nacional da República!


Pigmum: O acervo da coleção Sérgio Carvalho conta com mais de 1.900 obras, mas apenas um recorte está em exposição na mostra 'Contraponto'. Como se deu a seleção desses trabalhos? Quais foram os critérios estabelecidos para compor a mostra?

Tereza: A mostra prioriza a diversidade e introspectividade da Coleção Sérgio Carvalho. Os artistas cujas obras estão presentes nesta exposição pertencem a três gerações distintas e são provenientes de várias cidades brasileiras. Desta forma, temos um panorama da atual produção contemporânea brasileira, rica e diversificada. Desde o início da coleção, houve a preocupação na aquisição de um conjunto significativo de obras de um mesmo artista, a conduzir o espectador à transformação na produção de cada artífice. Isto é uma prova do diálogo, cumplicidade e relacionamento progressivo e consequente com os criadores em seu percurso. Em face dessa particularidade e à vista da conhecida dificuldade das instituições nacionais em atender à demanda da produção das artes plásticas - certo que raramente um artista, de carreira consolidada ou em consolidação, tem a oportunidade de apresentar uma mostra individual em um museu (muitas vezes, a tão sonhada individual acontece antes em instituições internacionais, o que acaba por abrir portas no Brasil) -, a curadoria optou por trazer ao público uma coletiva de individuais (se não propriamente uma individual, um expressivo número de obras, evidenciando a preocupação com a formação de um acervo expressivo de cada artista). Assim, a mostra é composta de diversos núcleos individuais, proporcionando uma visão mais ampla da produção artística de cada um dos participantes. Em face dessa deliberada opção, o diálogo entre os artistas é secundário.

  Exposição  'Contraponto'  no Museu Nacional da República, em Brasília

Exposição 'Contraponto' no Museu Nacional da República, em Brasília

Pigmum: A mostra reúne mais de 30 artistas brasileiros e realça a diversidade formal, poética e temática do acervo de Sérgio Carvalho. Você acredita que a diversidade desse acervo representa, de certa forma, a diversidade e os contrastes ou contrapontos que podemos observar na arte contemporânea brasileira? Por quê?

Tereza: O resultado de minha pesquisa no contexto do acervo de Sérgio Carvalho apresentado nesta mostra evidencia diversos contrapontos que se complementam, enfatizando a pluralidade de técnicas e de linguagens, além da democracia estética na arte contemporânea brasileira: na história da arte contemporânea, nunca houve barreiras tão flexíveis, como na atualidade, propiciando atuações interdisciplinares, compondo-se, a mostra, de pinturas, fotografias, esculturas, vídeos, instalações, desenhos e performances. Podemos ainda adicionar uma conotação à mostra, acentuando, além da democracia estética, a democracia de expressão, essencial nas sociedades evoluídas, independente de ideologias, credo e partidos políticos. Mundialmente, se presencia um processo de retrocesso em vários seguimentos, e aqui o relevante é o cultural, imposto por sistemas de extrema direita. Justamente aí a arte é contraponto da repressão. Infelizmente, arte e sociedade têm hoje uma relação ambígua ao invés de efetiva, processo este que esperamos ainda reverter através de exposições como a 'Contraponto'.

  Pintura sobre tela de James Kudo, um dos artistas que integram a exposição

Pintura sobre tela de James Kudo, um dos artistas que integram a exposição

Pigmum: A partir da sua experiência como curadora, se você tivesse que traçar um perfil da arte contemporânea brasileira, que pontos ou contrapontos você destacaria como latentes na atual produção artística nacional?

Tereza: A atual produção da arte nacional não é um fenômeno isolado porém o resultado de um processo e atuação de artistas de diversas gerações. Justamente por isto expomos nesta mostra obras de artistas de três gerações para que fique visível esta interlocução entre as gerações distintas. A arte contemporânea brasileira atual possui um vasto legado de expressão.  Os artistas relatam em suas obras ora questões pessoais de seu microcosmo, temáticas que os norteiam em seu cotidiano, ora questões globais. O censo crítico e irônico se faz presente com muita sutileza a se destacar como uma das vertentes da produção atual.

 'Eu vi o mundo e ele começa dentro de mim'  (2015), escultura de Flávio Cerqueira. Fotografia: Paula Patrini

'Eu vi o mundo e ele começa dentro de mim' (2015), escultura de Flávio Cerqueira. Fotografia: Paula Patrini

  Outra escultura em bronze de Flávio Cerqueira

Outra escultura em bronze de Flávio Cerqueira

Pigmum: Entendendo a história da arte como uma narrativa que se consolida principalmente a partir da articulação de diversos fatores e agentes, como sucesso comercial, reconhecimento acadêmico, premiações, popularidade, inovação do ponto de vista técnico ou poético... Qual é a importância de acervos como o de Sérgio Carvalho nesse processo?

Tereza: O interesse de Sérgio Carvalho não é a obra de arte necessariamente como produto final. Não é seu valor de mercado que o atrai. Não é o rótulo que a obra e o artista adquiriram da crítica especializada, tampouco seu ranking na apreciação por curadores de destaque que induzem sua apreciação. O acervo é configurado a partir de um processo introspectivo desenvolvido com cada um dos artistas - na realidade, com sua quase totalidade. As visitas aos ateliers e exposições, reforçadas por conversas intensas e informais, desencadeiam uma relação única, formada por respeito, compreensão, engajamento e cumplicidade. Eis um exemplo autêntico de mecenato, o qual caiu em desuso a partir da introdução do capitalismo, desfazendo uma rede efetiva de inserção da produção artística no sistema social então vigente. A aquisição da obra de arte não significa o final de um processo. Este é o mero início de um intenso diálogo, em ordem progressiva, de Sérgio com os artistas, suas obras entre si e, por fim, dos artistas entre si. Aliás, o seu aprofundamento no universo artístico ocorre por conexões desencadeadas pelos próprios artistas. Não há uma hierarquia desnecessária neste processo que impeça o acesso ao conteúdo - este é entregue, compartilhado e guiado pelos participantes deste processo, artistas e colecionador, que muitas vezes desempenha o papel de mecenas, ao estimular, incentivar e patrocinar a produção artística e sua visibilidade.

  A monumentalidade do Museu Nacional da República, com projeto assinado por Oscar Niemeyer

A monumentalidade do Museu Nacional da República, com projeto assinado por Oscar Niemeyer

Pigmum: Me fale um pouco sobre a concepção expográfica da exposição. Como fazer com que obras tão diversas dialoguem entre si e dialoguem também com o espaço monumental do Museu Nacional da República?

Tereza: O projeto expográfico foi um grande desafio, uma vez que lidamos com uma obra arquitetônica museológica típica de Oscar Niemeyer – o museu não possui paredes planas e também não possui cantos. Pensamos em criar nichos dentro desta monumentalidade arquitetônica que fossem ao mesmo tempo efetivos tanto para a apresentação individual dos artistas quanto para o diálogo entre o conjunto. Não há distribuição das obras necessariamente por um agrupamento temático ou estético. Elaboramos a distribuição espacial para dar o máximo de vazão e visibilidade possível para o conteúdo exposto.

Pigmum: Entre os artistas da exposição, dezessete deles já foram indicados ao Prêmio PIPA, que ao longo desta década vem se destacando como um dos principais espaços para a apresentação de novos artistas no Brasil. Na sua opinião, o Prêmio PIPA pode ser considerado um termômetro da produção artística contemporânea? Que outros prêmios, museus, galerias ou veículos de comunicação você considera que também cumprem essa função de apresentar a nova cara da arte brasileira?

Tereza: O Prêmio PIPA é sem dúvidas um dos grandes meios de divulgação e formento da produção atual brasileira. Outros prêmios relevantes são o Marcantonio Vilaça, assim como premiações que acontecem no contexto das feiras de arte nacional. A mostra Panorama da Arte Brasileira organizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo também tem em seu estatuto esta prioridade. Estes prêmios e mostras aqui citados deveriam ser exemplares para a criação de mais plataformas por todo o Brasil para o incentivo e difusão da obra de jovens artistas, uma vez que esta produção é vasta de conteúdo e também descentralizada geograficamente. A oferta atual de subsídios e premiações é sem dúvidas muito escassa comparada com a demanda existente.

  Obras de Berna Reale, vencedora do Prêmio PIPA online 2012

Obras de Berna Reale, vencedora do Prêmio PIPA online 2012

Berna Reale Contraponto

Pigmum: Ao longo de sua trajetória como curadora de arte você já realizou trabalhos em parceria com instituições e museus nacionais e internacionais, inclusive você vive e trabalha entre São Paulo e Berlim desde 1989. Você percebe alguma diferença no trabalho de curadoria de arte no Brasil e na Alemanha? Quais são os principais desafios que você já enfrentou durante a sua carreira?

Tereza: Iniciei a curadoria internacional em um período em que esta atuação ainda era pioneira. Me formei inicialmente no Brasil em Administração de Empresas especializada em comércio exterior e na sequência fui para Berlim estudar História da Arte. Nesta época não existia esta formação no Brasil como um curso universitário autônomo. Meu interesse era realmente ter um entendimento maior da arte, sua relevância e potencial de difusão como um elo intercultural sem nunca pensar nos desafios que viriam. O percurso é longo, porém muito frutífero. Por coincidência eu já morava em Berlim no período da queda do muro e desmanche da cortina de ferro que supostamente dividia o mundo entre capitalista e comunista. Houve um grande efeito dominó com a queda de ditaduras do leste europeu, o que sem dúvidas desencadeou uma grande abertura sócio-política-econômica abrangente, inclusive como um dos primórdios para a abertura da China que a levou ao status de potência global. Toda esta evolução foi propícia para eu expandir meu território de atuação. Possuo três nacionalidade – brasileira, alemã e italiana – como toda boa espiã! Permaneço atenta a diversos contextos sem nunca ter deixado de manter uma relação estável profissional com o Brasil, onde realizo em média três projetos em instituições e museus por ano.

  Parede com obras de Flávia Junqueira, na exposição  'Contraponto' . Fotografia: Paula Patrini

Parede com obras de Flávia Junqueira, na exposição 'Contraponto'. Fotografia: Paula Patrini

Com grande satisfação aceitei o convite para a curadoria da mostra 'Contraponto'. O convite feito para uma inserção neste contexto é irrecusável, além de ser um grande desafio. Um filtro sobre o filtro original, que gera este acervo, deve ser feito com muita cautela, pois há de se explorar e ampliar toda a potencialidade do conteúdo armazenado. No trabalho de pesquisa desta coleção, me deparei com artistas e obras com os quais já me familiarizava. Nos mais de vinte anos atuando como historiadora de arte e curadora independente entre o Brasil e a Alemanha, tive a oportunidade de trabalhar com inúmeros artistas representados neste acervo, sendo que algumas das obras que expus em mostras anteriores fazem hoje parte deste legado. Almejei trabalhar com muitos artistas e a primeira oportunidade se concretiza na curadoria dessa mostra. Também me deparei com artistas e obras que, até então, desconhecia. Tudo é parte de um longo processo. Não há uma atuação de curadoria distinta entre Brasil e Alemanha. O profissionalismo há de ser primordial e vigente igualmente independente do local de atuação.

Pigmum: Tereza, muito obrigado pela entrevista e parabéns pela exposição! Foi muito prazeroso passar uma tarde quase inteira apreciando tantos trabalhos incríveis!

Tereza: Eu que agradeço pelo convite.


Exposição: Contraponto - Coleção Sério Carvalho
Artista: Coletiva
Até 25 de março, de terça-feira a domingo, das 9h às 18h
Local: Museu Nacional da República
Endereço: Setor Cultural Sul Lote 02, Esplanada dos Ministérios. Brasília - Distrito Federal. Telefone: (61) 3325-5220
E-mail: museunacional@gmail.com
Entrada gratuita.

SERVIÇO: 

Canal Pigmum: uma visita ao Museu do Ceará

Você sabia que o Ceará foi o primeiro estado brasileiro a abolir a escravatura? Isso aconteceu em 1883, cerca de 5 anos antes da Lei Áurea ser assinada no Rio de Janeiro. Essa e muitas outras histórias que revelam aspectos culturais, econômicos e sociais do povo cearense a gente vai encontrar no Museu do Ceará, a primeira instituição museológica fundada no estado!

Além da abolição da escravatura, tem uma sala inteirinha dedicada aos intelectuais cearenses e outra dedicada à religiosidade, especialmente à figura do Padre Cícero. Tem também uma ala com itens de arqueologia indígena e muitas peças do cotidiano urbano de Fortaleza. E eu te mostro tudinho neste vídeo. Tá esperando o que pra dar o play?! Vem comigo!

Giro cultural: 9 exposições de arte em cartaz no Nordeste para visitar em março

Março chegou e finalmente parece que 2018 começou! Diversas exposições estão em cartaz no Nordeste e muitas galerias, museus e centros culturais já anunciaram novas exposições para os próximos dias. Como sempre, destacamos uma mostra em cada capital e é preciso ressaltar a presença das mulheres nesta edição, com trabalhos artísticos, assinando curadorias, à frente de galerias particulares... Enfim, ocupando todos os espaços que cercam o campo das artes!

Também chama atenção o número de exposições coletivas: cinco ao todo, sendo uma delas a exposição 'Acervo dos Salões', no MAM da Bahia, com obras de artistas premiados ao longo de 15 edições de um dos principais eventos de arte contemporânea do país.

Mas chega de papo e vamos direto ao assunto:

Recife (PE)

  Obras da artista Gio Simões

Obras da artista Gio Simões

gio simões amparo 60

Março é o mês das mulheres e a gente já começa com uma exposição inteiramente delas! A Galeria Amparo 60 reuniu 11 artistas mulheres na mostra 'A Noite Não Adormecerá', que apresenta 15 obras de arte contemporânea, transitando entre a pintura, a videoarte, o grafite e a instalação. A ideia da mostra surgiu após a proprietária da galeria, Lúcia Santos, constatar a recorrente ausência de artistas mulheres nas aberturas de exposições da Amparo 60 e a emergência de ampliar os espaços de atuação delas na cena artística contemporânea de Pernambuco. Entre os discursos das obras, há lugar para anarquia, violência, crítica política, corpos, territórios e mergulhos subjetivos. Quem assina a curadoria é a jornalista e mestra em artes visuais, Julya Vasconcelos.

  Convidados prestigiam a abertura da exposição

Convidados prestigiam a abertura da exposição

  Obra da artista Regina José Galindo, da Guatemala

Obra da artista Regina José Galindo, da Guatemala

Exposição: A Noite Não Adormecerá
Artista: Coletiva
Até 21 de abril, de terça a sexta-feira, das 10h às 19h e aos sábados, das 11h às 17h
Local: Galeria Amparo 60
Endereço: Rua Artur Muniz, 82, 1º andar, salas 13 e 14, Boa Viagem. Recife – Pernambuco (Edifício Califórnia, entrada pelo restaurante Alphaiate). Telefone: (81) 3033-6060
Entrada gratuita

SERVIÇO:


Teresina (PI)

 'Reverência' , pintura sobre tela de Regina Moraes

'Reverência', pintura sobre tela de Regina Moraes

Pela primeira vez no Nordeste, o projeto 'Mares, Flores e Estrelas Guias' chega à Teresina com a exposição 'Circuito Arte Brasil', assinada pela curadora paulista Ângela de Oliveira, que já promoveu exposições de artistas brasileiros em diversas cidades do país e também do exterior, como Miami, Nova York, Porto, Viena, Paris e Barcelona. Em Teresina, as obras de 18 artistas estão reunidas na Galeria Montmartre, no bairro Noivos. Representando o Piauí, estão as artistas Amanda Coelho, Christiane Fontenelle, Larissa Palha Dias e Gina Castelo Branco, mas a coletiva também apresenta o trabalho de talentos de Minas Gerais, Bahia, Ceará, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Uma ótima oportunidade para o público piauiense conhecer novos nomes da arte brasileira.

  Público prestigia as obras da exposição na noite do vernissage

Público prestigia as obras da exposição na noite do vernissage

  Um dos trabalhos integrantes da mostra

Um dos trabalhos integrantes da mostra

Exposição: Circuito Arte Brasil
Artista: Coletiva
Até 30 de março, de segunda-feira a sábado, das 10h às 19h
Local: Montmartre Arte e Galeria
Endereço: Rua Professor Pires Gayoso, 689, Bairro Noivos, Teresina – Piauí. Telefone: (86) 98855-8626
E-mail: montmartreloja@gmail.com
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Aracaju (SE)

  Retrato de família misturado à lama de rejeitos de mineração da tragédia de Mariana-MG

Retrato de família misturado à lama de rejeitos de mineração da tragédia de Mariana-MG

Um mês após o rompimento da barragem de rejeitos de minério em Mariana-MG, a fotógrafa Iza Foz esteve na cidade e registrou objetos espalhados pela lama, na tentativa de conhecer um pouco do cotidiano do povoado de Bento Rodrigues, lugar mais afetado pela tragédia. Nas fotos, o flagrante da rotina dos moradores, interrompida e ligada para sempre ao maior desastre ambiental do Brasil: a panela do almoço coberta de lama, o fogão arremessado ao telhado, o quadro quebrado com o retrato da família. A catástrofe aconteceu em 5 de novembro de 2015, afetou 39 cidades e deixou 19 mortos. Para nunca esquecer!

  A exposição está em cartaz no charmoso Café da Gente, anexo ao Museu da Gente Sergipana

A exposição está em cartaz no charmoso Café da Gente, anexo ao Museu da Gente Sergipana

  O Café da Gente sempre disponibiliza seu espaço para realização de exposições temporárias

O Café da Gente sempre disponibiliza seu espaço para realização de exposições temporárias

Exposição: Da Lama à Alma
Artista: Iza Foz
Até 6 de abril, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Local: Café da Gente
Endereço: Avenida Ivo do Prado, 398, Centro. Aracaju – Sergipe (Museu da Gente Sergipana). Telefone: (79) 3246-3186
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Fortaleza (CE)

  Imagem retirada da animação  'Barbara Balaclava'  (2016), de Thiago Martins de Melo

Imagem retirada da animação 'Barbara Balaclava' (2016), de Thiago Martins de Melo

Cinco pequenas mostras ocupam as salas do Museu de Arte Contemporânea do Ceará na exposição '/Simultâneos/'. O maranhense Thiago Martins de Melo apresenta o filme de animação 'Barbara Balaclava' (2016), que questiona feridas abertas (e ainda atuais) como massacre indígena e desapropriação de terras. Já a artista Lis Paim mostra pela primeira vez seu arquivo audiovisual constituído a partir das ruínas do Alagoas Iate Clube, um antigo clube modernista localizado dentro do mar, no principal cartão postal de Maceió-AL. Ainda no campo da fotografia, a exposição exibe fragmentos de álbuns de famílias da região cearense do Cariri, com fotos produzidas pela artista Telma Saraiva, que na metade do século XX desenvolveu uma técnica para colorir fotografias em preto e branco, utilizando pintura. Tem também uma mostra com obras dos acervos do MAC-CE e da Pinacoteca do Estado do Ceará que aproximam diferentes artistas sob o universo da mulher. E por fim, o paulista Ricardo Basbaum convida o público a participar de sua instalação, oferecendo um objeto de aço que o participante deve levar para casa e realizar uma experiência artística.

  As ruínas do Alagoas Iate Clube, na mostra  'Montando Uma Ruína' , projeto assinado por Lis Paim

As ruínas do Alagoas Iate Clube, na mostra 'Montando Uma Ruína', projeto assinado por Lis Paim

  Uma das fotografias pintadas pela pioneira Telma Saraiva

Uma das fotografias pintadas pela pioneira Telma Saraiva

 'Negra Gorda' , obra de Antônio Bandeira, na mostra de acervos

'Negra Gorda', obra de Antônio Bandeira, na mostra de acervos

Exposição: /Simultâneos/
Artista: Coletiva
Até 13 de maio, de terça à sexta-feira, das 9h às 19h e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h
Local: Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC-CE
Endereço: Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema. Fortaleza - Ceará (Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura). Telefone: (85) 3488-8621
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


São Luís (MA)

  Últimos dias para conferir a exposição  'Afetos' , de Edgar Rocha

Últimos dias para conferir a exposição 'Afetos', de Edgar Rocha

Últimos dias para conferir a exposição 'Afetos', com fotografias do paulistano Edgar Rocha, radicado há mais de 40 anos no Maranhão. Ao longo de sua carreira, o fotógrafo fez registros que expressam elementos das tradições, dos saberes e do patrimônio da cultura popular maranhense, como as celebrações e o cotidiano dos navegantes. A mostra retrospectiva reúne 70 fotografias entre imagens coloridas e também em preto e branco. Destaque especial para a luz intimista de algumas fotografias, tiradas ao cair da tarde.

  A luz das fotografias de Edgar Rocha é um dos principais elementos de sua estética

A luz das fotografias de Edgar Rocha é um dos principais elementos de sua estética

afetos edgar rocha ccvm

Exposição: Afetos
Artista: Edgar Rocha
Até 17 de março, de terça-feira a domingo, das 10h às 19h
Local: Centro Cultural Vale Maranhão
Endereço: Av. Henrique Leal, 149 – Praia Grande. São Luís - Maranhão.
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Salvador (BA)

  O MAM-BA reuniu obras de artistas premiados durante as 15 edições do Salão da Bahia, entre 1994 e 2008

O MAM-BA reuniu obras de artistas premiados durante as 15 edições do Salão da Bahia, entre 1994 e 2008

O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) continua promovendo ações significativas de seu projeto Estado Bienal, na tentativa de trazer de volta ao circuito artístico brasileiro a Bienal de Arte da Bahia. Dessa vez, o MAM-BA reuniu obras de artistas premiados ao longo das 15 edições do Salão da Bahia, entre 1994 e 2008. O evento colaborou, por meio de prêmios de aquisições, com a formação de um acervo público de obras de arte contemporânea, tornando-se um dos mais relevantes difusores da arte brasileira na virada do século. Com essa mostra retrospectiva, o MAM-BA não apenas homenageia o Salão da Bahia, como evidencia a indispensável contribuição de eventos como esse na composição do patrimônio cultural do país.

acervo dos salões MAM-BA
acervo dos salões MAM-BA
acervo dos salões MAM-BA

Exposição: Acervo dos Salões
Artistas: Coletiva
Até 29 de abril, de terça-feira a sábado, das 13h às 18h
Local: Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA
Endereço: Av Lafayete Coutinho, s/n, Largo Dois de Julho, Salvador – Bahia. Telefone: (71) 3117-6139
E-mail: ascom.mam@gmail.com
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Maceió (AL)

  Pintura de Lula Nogueira. Um panorama da folia maceioense

Pintura de Lula Nogueira. Um panorama da folia maceioense

O Carnaval passou, mas o Complexo Cultural Teatro Deodoro continua em clima de folia! Abrindo seu calendário de exposições de 2018, a galeria de arte da instituição apresenta a mostra ‘Carnelevarium - Prazeres da Carne’, abordando a contradição entre o sagrado e o profano que envolve a festa popular mais tradicional do Brasil. Ao todo, 27 obras ocupam os dois pavimentos do prédio, entre esculturas, pinturas, desenhos, fotografias, instalações e até um bumba meu boi logo na entrada na exposição. Entre os artistas, estão nomes conhecidos da cena artística alagoana, como Lula Nogueira, Persivaldo Figueirôa, Adriana Jardim, Suel Cordeiro, Dênnys Oliveira e Levy Paz, que assina sua estreia como curador.

carnelevarium diteal maceió
carnelevarium diteal maceió
carnelevarium diteal maceió

Exposição: Carnelevarium – Prazeres da Carne
Artista: Coletiva
Até 29 de março, de segunda-feira a sábado, das 8h às 18h (exceto às quartas-feiras, que é das 8h às 20h) e aos domingos e feriados, das 14h às 17h
Local: Complexo Cultural Teatro Deodoro
Endereço: Rua Barão de Maceió, s/n - Centro. Maceió - Alagoas. Telefone: (82) 3315-5660

SERVIÇO:


João Pessoa (PB)

A Galeria de Arte da Usina Cultural Energisa recebe mais um artista contemplado pelo seu edital de ocupação 2017/2018. A exposição 'Em Órbita' traz 20 trabalhos inéditos do artista paraibano Mirabeau Menezes, produzidos entre 2016 e 2017. São desenhos e pinturas a óleo que exploram o território figurativo do artista, construído ao longo de mais de 30 anos de carreira e cheio de elementos que parecem pertencer a uma mitologia própria. Arrisco a dizer, inclusive, que as obras podem remeter à pintura egípcia, devido aos tons terrosos e à predominância de figuras em perfil. São trabalhos de cores e formas singelas, mas encantadoras. Vale a visita.

  A postura das figuras podem remeter à pintura egípcia

A postura das figuras podem remeter à pintura egípcia

usina cultural energisa mirabeau menezes
  Pintura de Mirabeau Menezes sobre azulejos

Pintura de Mirabeau Menezes sobre azulejos

Exposição: Em Órbita
Artista: Mirabeau Menezes
Até 31 de março, de terça-feira a domingo, das 14h às 20h
Local: Usina Cultural Energisa
Endereço: Rua João Bernardo de Albuquerque, 243, Tambiá. João Pessoa – Paraíba. Telefone: (83) 3221-6343
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Natal (RN)

  Público confere as pinturas de Gil Leal durante abertura da exposição

Público confere as pinturas de Gil Leal durante abertura da exposição

E pra terminar nosso giro cultural de março tem a exposição 'Sisọ ọrọ: imagens falantes', que é a primeira das seis propostas selecionadas para a pauta de exposições 2018 da Galeria de Arte do SESC Cidade Alta. São 20 pinturas assinadas pelo artista visual Gil Leal, que também é um ogan, ou seja, um sacerdote do candomblé. As obras do artista dialogam com o universo simbólico, as trajetórias e os códigos dos 16 orixás que são comumente cultuados nessa religião de matriz africana. O termo sisọ ọrọ é uma expressão do idioma iorubá que significa 'imagem que fala'. Aqui, é a pintura que carrega o discurso.

 Todas as obras permeiam o universo dos orixás

Todas as obras permeiam o universo dos orixás

siso oro galeria sesc cidade alta gil leal

Exposição: Sisọ ọrọ: imagens falantes
Artista: Gil Leal
Até 11 de abril, das 9h às 19h, exceto finais de semana e feriados
Local: Galeria de Arte do SESC Cidade Alta
Endereço: Rua Coronel Cascudo, 33, Cidade Alta. Natal – Rio Grande do Norte. Telefone: (84) 3133-0360
Entrada gratuita.

SERVIÇO:

Sabia que a primeira cartunista mulher do mundo é brasileira? Conheça Nair de Teffé!

  A jovem Nair de Teffé, considerada a primeira cartunista mulher do mundo

A jovem Nair de Teffé, considerada a primeira cartunista mulher do mundo

Provavelmente a sua timeline está cheia de figuras femininas notáveis neste Dia Internacional da Mulher, o que é louvável e necessário! No campo da arte, eu poderia acrescentar mais alguns nomes conhecidos a esse panteão, como Frida Kahlo, Louise Bourgeois, Marina Abramović, Yoko Ono ou as brasileiras Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Lygia Clark, mas resolvi abrir espaço para homenagear especialmente outra brasileira, Nair de Teffé, considerada a primeira cartunista mulher do mundo!

Já faz algum tempo que eu quero falar sobre essa pioneira que, muito antes do movimento modernista chegar por aqui, já desafiava as rígidas instituições vigentes no país e colecionava desafetos entre os mais conservadores, principalmente porque ela não era qualquer moça da cidade.

Filha do Barão de Teffé, Nair nasceu em 1886, na cidade de Petrópolis-RJ, mas cresceu e estudou na Europa, retornando ao Brasil já perto de seus 20 anos de idade e sempre circulando nas mais altas rodas sociais. 

Aqui, na década de 1900, ela deu início à sua carreira como cartunista fazendo caricaturas para revistas importantes como Fon-Fon e O Malho, assinando sob o pseudônimo de Rian - ou como se escreve Nair de trás para frente. É claro que a prática de ironizar a sociedade e suas figuras ilustres não era o que a elite carioca esperava de uma boa moça, né verdade?

  Uma das primeiras caricaturas de Nair de Teffé

Uma das primeiras caricaturas de Nair de Teffé

  Caricatura da atriz francesa Gabrielle Réjane, publicada por Nair de Teffé em 1909 na revista Fon-Fon

Caricatura da atriz francesa Gabrielle Réjane, publicada por Nair de Teffé em 1909 na revista Fon-Fon

Abaixo: caricaturas assinadas por Rian, pseudônimo de Nair de Teffé.

  Rui Barbosa, jurista e diplomata brasileiro

Rui Barbosa, jurista e diplomata brasileiro

  Marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil

Marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente do Brasil

  Washington Luís, ex-presidente do Brasil

Washington Luís, ex-presidente do Brasil

  Café Filho, ex-presidente do Brasil

Café Filho, ex-presidente do Brasil

Infelizmente, a caricaturista interrompeu suas atividades quando se casou com o então presidente do país, Marechal Hermes da Fonseca. Mas foi durante esse período como primeira dama, entre 1013 e 1014, que Nair escandalizou a sociedade promovendo saraus e levando a música popular ao Palácio do Catete. E não era pra menos, né? Onde já se viu oferecer recepção presidencial a instrumentos, ritmos e danças vulgares como violão, samba e maxixe? Uma imoralidade!

  O casamento de Nair de Teffé com o presidente Hermes da Fonseca foi capa de diversas revistas na época

O casamento de Nair de Teffé com o presidente Hermes da Fonseca foi capa de diversas revistas na época

  A jovem Nair de Teffé

A jovem Nair de Teffé

Sem dúvidas, Nair de Teffé trouxe o espírito da belle époque para o país! E trouxe ainda o hábito de usar calças compridas e de montar a cavalo como um homem (antes as mulheres sentavam de ladinho nas selas, sem abrir as pernas). Ela é afrontosa ela!

Abaixo: caricaturas assinadas por Nair de Teffé na década de 1960, quando ela voltou a produzir.

  Fidel Castro, ainda jovem

Fidel Castro, ainda jovem

  Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil

Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil

  O casamento da princesa Margareth, da Inglaterra

O casamento da princesa Margareth, da Inglaterra

  Jânio Quadros, ex-presidente do Brasil

Jânio Quadros, ex-presidente do Brasil

Também se destacou como pintora, cantora, atriz e pianista. Participou da Semana de Arte Moderna de 1922; fundou e presidiu a Academia Petropolitana de Letras, em sua cidade natal; fundou um cinema de frente ao mar de Copacabana, no Rio de Janeiro; retornou às caricaturas na década de 1960; e já no final dos anos 1970, participou das comemorações pelo Dia Internacional da Mulher. Ufa! Haja fôlego! A mulher era um fenômeno!

  Nair de Teffé, já idosa

Nair de Teffé, já idosa

Por tudo isso, Nair de Teffé merece hoje todo o nosso reconhecimento e homenagem. Sua longa vida - 95 anos! - e sua ousadia merecem ser lembradas entre os grandes nomes da cultura do país!

Concorrente ao Oscar 2018, filme sobre Van Gogh chega à Netflix!

A cerimônia do Oscar 2018 acontece na noite deste domingo e eu vou te dar um bom motivo para prestar atenção à entrega do prêmio de Melhor Animação! É que um dos concorrentes é o filme ‘Com Amor, Van Gogh’ (‘Loving Vincent’, 2017, direção de Dorota Kobiela e Hugh Welchman), o primeiro longa-metragem totalmente pintado a óleo. E o melhor é que ainda dá tempo de assistir antes do evento, já que nesta semana a Netflix disponibilizou o título em seu catálogo!

Confira o trailer:

E já tem alguns anos que o burburinho sobre esse filme rolava na internet. A expectativa por ele era grande! E não era pra menos, né? Mais de 100 artistas se dedicaram a pintar à mão cada um dos 65 mil frames dessa animação. Tudo pintado a óleo: quadro a quadro. O resultado é visualmente deslumbrante e até mesmo pela inovação técnica esse filme já merece levar o prêmio! Além disso, é também uma belíssima homenagem a Van Gogh, já que cada sequência foi inspirada em obras do artista.

  Cada frame do filme foi pintado à mão

Cada frame do filme foi pintado à mão

  Mais de 100 artistas participaram da criação

Mais de 100 artistas participaram da criação

O filme se passa em 1891, após a trágica morte do pintor holandês, que teria tirado a própria vida com um tiro de revólver em 27 de julho de 1890. Apesar de ter sido tardiamente reconhecido como um dos mais influentes precursores da arte moderna, Vincent van Gogh não experimentou o gosto do sucesso e teve uma vida intensa e trágica. O artista sofria de depressão, tinha alucinações e recorrentes surtos psicóticos, que inclusive levaram-no a ser internado em hospitais psiquiátricos.

Sem dúvida, era um gênio atormentado, mas será que ele realmente foi o autor daquele tiro? O filme questiona a versão oficial dos fatos quando o protagonista Armand Roulin (Douglas Booth) inicia uma investigação informal sobre os mistérios que rondam a morte do artista. Armand é filho do carteiro Joseph Roulin e recebe do pai a missão de entregar a última carta escrita por Vincent a seu irmão, Theo van Gogh.

  Armand Roulin (Douglas Booth) assume o papel de protagonista do filme, encarregado de entregar a última carta escrita por Van Gogh

Armand Roulin (Douglas Booth) assume o papel de protagonista do filme, encarregado de entregar a última carta escrita por Van Gogh

Na procura pelo destinatário, Armand revive os acontecimentos que antecederam a morte do artista, a partir de conversas com personagens que testemunharam seus últimos dias. Ao longo de todo o filme, Armand esbarra em pessoas e cenários pintados por Van Gogh. Inclusive ele mesmo foi tema de um dos retratos do pintor, assim como seu pai.

Mas apesar dos personagens reais, ainda estamos falando de uma obra de ficção. O roteiro conecta livremente pinturas conhecidas como ‘A Noite Estrelada’ (1889), ‘Quarto em Arles’ (1887) e ‘Retrato de Dr. Gachet’ (1890), criando uma relação de coerência ou até de interdependência entre elas. Os diálogos mantidos entre os personagens também seguem a mesma lógica, mas não se baseiam necessariamente em fatos reais. Portanto, recomendo cautela!

  Reproduções das pinturas  'A Noite Estrelada'  (1889) e  'Quarto em Arles'  (1887), ambas assinadas por Van Gogh

Reproduções das pinturas 'A Noite Estrelada' (1889) e 'Quarto em Arles' (1887), ambas assinadas por Van Gogh

Quarto em Arles Van Gogh

Aliás, as longas entrevistas que Armand trava com os outros personagens interferem na ação das cenas, aproximando o filme a um documentário. De certa forma, o roteiro negligencia o potencial do protagonista, fazendo de Armand apenas um elemento de articulação entre os diversos depoimentos. Sem dúvida esse foi o ponto que mais me incomodou.

De qualquer forma, o filme é um convite ao universo artístico de Van Gogh e quase uma experiência imersiva, que permite que a gente entre em suas pinturas. Portanto, aproveita que o fim de semana tá aí e corre pra assistir na Netflix. Vamos torcer juntos por ele no Oscar!

Artista do Mês: os olhos enigmáticos de Kéfren Pok e a arte que observa a cidade

Fevereiro chegou ao fim, mas não antes de conhecer mais do trabalho de Kéfren Pok, que ao longo do mês foi destaque no Facebook e no Instagram do Pigmum!

  Kéfren Pok é o grafiteiro por trás dos olhos que tomaram conta das ruas de Natal

Kéfren Pok é o grafiteiro por trás dos olhos que tomaram conta das ruas de Natal

Se você é de Natal-RN provavelmente já se deparou com esses olhos enigmáticos espalhados em muros, postes, caixas de telefone e de energia instaladas pelas ruas... Por toda a cidade, os olhos de Pok estão bem atentos a tudo o que acontece e provavelmente estão atentos a você também!

kefren pok
kefren pok

Natural de Macaíba, região metropolitana de Natal, Kéfren de Lima Silva – ou simplesmente Pok, como ele assina seus trabalhos – tem 28 anos e é formado em Design Gráfico. O graffiti surgiu na vida do artista em 2010, como instrumento para superar a depressão. Ele começou a grafitar pelas ruas da capital potiguar e desde então já deixou sua marca em cidades como Recife, João Pessoa, Curitiba, Rio de Janeiro e até Paris, onde realizou exposições individuais em 2016, com apoio de um financiamento coletivo pelo Catarse.

kefren pok
kefren pok
kefren pok
kefren pok

Nos últimos anos, além das ruas, os olhos e as tramas cilíndricas coloridas de Pok também têm ocupado espaços expositivos do circuito artístico contemporâneo, principalmente as obras realizadas sobre madeira. Nesses trabalhos, Pok mistura graffiti e pintura, se afasta das tradicionais telas retangulares e se aventura por formatos sinuosos que são recortados respeitando os contornos dinâmicos do artista. A ideia é dar às telas a mesma sensação de movimento que as obras nos muros adquirem quando entram em contato com o cotidiano urbano.

  Nos últimos anos, a arte de Pok passou a ocupar também espaços tradicionais da cena artística, como galerias de arte

Nos últimos anos, a arte de Pok passou a ocupar também espaços tradicionais da cena artística, como galerias de arte

  O artista começou a experimentar novas técnicas e a grafitar em diferentes suportes, como telas de madeira

O artista começou a experimentar novas técnicas e a grafitar em diferentes suportes, como telas de madeira

  Para Kéfren Pok, o recorte sinuoso na madeira dá uma sensação de movimento às obras

Para Kéfren Pok, o recorte sinuoso na madeira dá uma sensação de movimento às obras

kefren pok
kefren pok

Mas não é só isso! A arte de Pok também já estampou camisas, chaveiros, cadernos, bottons e capa de disco! É onipresença que chama? Tô começando a achar que esses olhos fazem parte de algum plano illuminati!

 Os olhos de Kéfren Pok também já viraram chaveiros...

Os olhos de Kéfren Pok também já viraram chaveiros...

  Estamparam camisas...

Estamparam camisas...

  Bottons...

Bottons...

  E capas de caderno!

E capas de caderno!

Agora me diz, é você que tá olhando para eles ou eles que estão vigiando você? Pense direitinho.😉

Canal Pigmum: visite comigo a Galeria de Arte J. Inácio!

Quem me acompanha pelo Instagram certamente deve lembrar que no finalzinho do último mês de dezembro eu passei alguns dias em Aracaju e é claro que eu não saí de lá de mãos abanando! Aproveitei minha estadia pra visitar um dos principais espaços expositivos da capital sergipana, a Galeria de Arte J. Inácio.

São mais de 35 anos em atividade e um acervo com obras de diversos nomes que marcaram a produção artística no Estado. Preciso destacar também o carinho com que fui recebido pela equipe da galeria, em especial pela diretora do espaço, Jane Junqueira, que gentilmente cedeu a entrevista que vocês poderão conferir no vídeo.

Ah, e não esqueça de se inscrever no canal! =)

Mais 3 editais de ocupação estão abertos em galerias de arte do Nordeste

Há cerca de duas semanas, o Pigmum divulgou uma listinha com editais de ocupação abertos em galerias de arte de Aracaju-SE, Maceió-AL e Natal-RN. E não é que eu encontrei mais 3 editais circulando por aí?! Se você é artista e tá com seu trabalho prontinho só esperando uma oportunidade para expor, tome nota:

Galerias de Arte do Sesc Alagoas

  A Galeria de Arte do Sesc Centro, em Maceió-AL, recebe exposições de arte desde 1997

A Galeria de Arte do Sesc Centro, em Maceió-AL, recebe exposições de arte desde 1997

E a gente já começa com uma dobradinha no Sesc Alagoas! Você pode expor seu trabalho artístico nas duas galerias de arte da instituição, uma na unidade do centro de Maceió e a outra na unidade do município de Arapiraca. Basta inscrever sua proposta até 23 de fevereiro, indicando em qual galeria você pretende expor ou se tem a disponibilidade de expor nas duas.

  O Sesc Arapiraca, no agreste alagoano, inaugurou sua galeria de arte em 2010

O Sesc Arapiraca, no agreste alagoano, inaugurou sua galeria de arte em 2010

O processo será todo feito por e-mail e a documentação exigida deve ser enviada para o endereço convocatoria_artesvisuais@outlook.com. A convocatória é bastante livre e adianta que a programação de artes visuais poderá ser composta também por convite, caso seja necessário. Não há indicação de quantos artistas serão selecionados, mas o Sesc Alagoas garante cachê e também suporte financeiro para curadoria e montagem da exposição.

  Exposição da artista alagoana Hilda Moura na Galeria de Arte do Sesc Arapiraca

Exposição da artista alagoana Hilda Moura na Galeria de Arte do Sesc Arapiraca

A convocatória aceita propostas de pintura, desenho, gravura, escultura, fotografia, instalação e obras multimeios. Podem se inscrever artistas de todo o país, embora o fomento à produção artística alagoana seja prioridade para o Sesc Alagoas. Ah, é importante dizer ainda que os proponentes não podem ter participado de exposição na instituição durante os últimos 5 anos.

As exposições de artes visuais do Sesc Alagoas são realizadas desde 1997 e já contou com artistas locais e nacionais. Ao longo de duas décadas, a Galeria de Arte do Sesc Centro se consolidou no circuito artístico alagoano como um dos principais espaços expositivos de Maceió. Em 2010, o Sesc-AL inaugurou mais uma galeria na unidade de Arapiraca, expandindo seu projeto de artes visuais para o interior. Veja mais detalhes:


Pinacoteca Potiguar

  Fachada do Palácio Potengi, que foi sede do Governo do RN até 1995 e hoje abriga a Pinacoteca Potiguar

Fachada do Palácio Potengi, que foi sede do Governo do RN até 1995 e hoje abriga a Pinacoteca Potiguar

O Palácio Potengi - antiga sede do Governo do Estado do Rio Grande do Norte - abriga hoje a Pinacoteca Potiguar e a maior parte do acervo público de obras de arte do estado. Mas além da exposição de longa duração de seu acervo permanente, a Pinacoteca também recebe exposições temporárias em suas salas do piso térreo e está com edital de ocupação aberto para o ano de 2018.

Os interessados têm até o dia 22 de janeiro para realizar suas inscrições pelos Correios ou na sede da Fundação José Augusto, órgão do Governo responsável pela Pinacoteca. Podem se inscrever artistas ou coletivos artísticos de todo o Brasil e também do exterior, mas todos as despesas ficam sob responsabilidade dos proponentes e a Pinacoteca não oferece cachê aos selecionados.

  Uma das salas de exposições temporárias da Pinacoteca Potiguar

Uma das salas de exposições temporárias da Pinacoteca Potiguar

É até de se estranhar abrir um edital com tamanha abrangência quando não se oferece nenhuma contrapartida financeira aos artistas. A Pinacoteca Potiguar, além de ser um dos principais símbolos culturais do RN, é um equipamento público e já está mais do que na hora do Governo repensar com seriedade suas políticas culturais. Sem investimentos, não dá para ampliar o leque de ações da Pinacoteca e, de fato, transformá-la em uma instituição viva e atuante na sociedade.

O edital não especifica ou restringe nenhuma técnica ou linguagem artística, mas deixa claro que não serão permitidas alterações na estrutura física do prédio, que é um patrimônio tombado pelo IPHAN. Também não indica quantos projetos serão selecionados e nem quando terá início a temporada de exposições.

  Saguão de entrada da Pinacoteca Potiguar

Saguão de entrada da Pinacoteca Potiguar

  A Poinacoteca é responsável também pela manutenção do mobiliário do antigo salão de reuniões e solenidades do Governo do RN

A Poinacoteca é responsável também pela manutenção do mobiliário do antigo salão de reuniões e solenidades do Governo do RN

O resultado será divulgado no dia 5 de fevereiro e publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 23 de fevereiro, após o período de recursos.

Para mais informações:


Galeria de Artes Irene Medeiros

  A Galeria de Artes Irene Medeiros é um equipamento da Prefeitura de Campina Grande-PB e funciona no térreo do Teatro Municipal Severino Cabral

A Galeria de Artes Irene Medeiros é um equipamento da Prefeitura de Campina Grande-PB e funciona no térreo do Teatro Municipal Severino Cabral

E pra fechar essa lista, temos mais uma cidade do interior nordestino! Localizada no térreo do Teatro Municipal Severino Cabral, em Campina Grande-PB, a Galeria de Artes Irene Medeiros está com edital de ocupação aberto até 20 de janeiro para exposições individuais ou coletivas de artistas interessados do Brasil e do exterior.

Assim como na Pinacoteca Potiguar, o edital também não prevê custeio de despesas com transporte e montagem, nem mesmo cachê aos selecionados, o que possivelmente dificulta a participação de artistas que estejam fora da Paraíba ou até mesmo de Campina Grande. Fica aqui registrado também o ponto de atenção para que a Prefeitura de Campina Grande repense suas políticas culturais e reserve recursos financeiros para os próximos editais.

  Grupo durante visita a uma exposição temporária

Grupo durante visita a uma exposição temporária

  Fachada do Teatro Municipal Severino Cabral

Fachada do Teatro Municipal Severino Cabral

As inscrições estão sendo feitas por e-mail e a documentação exigida deve ser enviada ao endereço galeriairenemedeiros@gmail.com. O resultado será comunicado no dia 30 de janeiro também por e-mail e nos veículos de comunicação online do Teatro Severino Cabral.

Confira o edital:

BÔNUS:

Pinacoteca Universitária da Ufal

  A exposição retrospectiva de Marta Arruda foi um dos destaques de 2016 da Pinacoteca da Ufal

A exposição retrospectiva de Marta Arruda foi um dos destaques de 2016 da Pinacoteca da Ufal

  As inscrições foram prorrogadas até 26 de janeiro

As inscrições foram prorrogadas até 26 de janeiro

O prazo para inscrição no edital de ocupação da Pinacoteca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foi prorrogado até 26 de janeiro! O Pigmum já havia divulgado esse edital, que originalmente aceitaria inscrições até 15 de janeiro, mas agora artistas do Brasil todo terão mais tempo para enviar suas propostas, exclusivamente por via postal. Lembrando que essas propostas deverão ser inéditas no circuito cultural alagoano.

Para informações mais detalhadas, confira:

Giro cultural: 9 exposições de arte em cartaz no Nordeste para começar bem o ano!

Que tal inserir um pouco de arte no roteiro das suas férias de verão pelo Nordeste? Pro ano começar com o pé direito, o Pigmum organizou esse primeiro giro cultural de 2018, pra você ficar por dentro das exposições que estão rolando na região.

E o destaque dessa vez vai para o número de mostras coletivas, que ocupam 2/3 da nossa lista! Outro fato que chama atenção é a presença de três exposições que questionam a censura e os recentes ataques que as artes visuais sofreram em 2017. Tem ainda a última etapa itinerante da 32ª Bienal de São Paulo, um projeto dedicado principalmente às instalações e a maior mostra de fotojornalismo do mundo.

Sério, gente, o giro cultural desse mês tá realmente especial! Confira:

Maceió (AL)

 'O Grito',  instalação da artista alagoana Vera Gamma

'O Grito', instalação da artista alagoana Vera Gamma

Últimos dias para conferir a mostra 'Amor, Ordem e Progresso', que propõe a reflexão sobre o conturbado momento político e social do Brasil e como ele tem repercutido na arte e na liberdade de expressão. Em 2017, o fantasma da censura voltou a rondar às artes visuais e a Pinacoteca da Ufal não deixou que o ano acabasse sem falar sobre o assunto. Em parceria com a Galeria Gamma, a exposição reúne artistas alagoanos como Hilda Moura, Lucas Lamenha, Martha Araújo, Rogério Gomes e Viviani Duarte. Quem assina a curadoria é o artista mineiro Francisco Rosa, da galeria paulista Luis Maluf Art Gallery.

  O nome da mostra faz uma brincadeira com a frase presente na bandeira do Brasil

O nome da mostra faz uma brincadeira com a frase presente na bandeira do Brasil

 'Liberdade é com os pássaros' , obra de Martha Araújo

'Liberdade é com os pássaros', obra de Martha Araújo

 'O caminho de todos nós',  instalação de Rogério Gomes

'O caminho de todos nós', instalação de Rogério Gomes

Exposição: Amor, Ordem e Progresso
Artista: Coletiva
Até 19 de janeiro, de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 17h
Local: Pinacoteca Universitária da Ufal
Endereço: Praça Visconde de Sinimbu, 206, 1º piso - Centro. Maceió - Alagoas (Espaço Cultural Salomão de Barros Lima). Telefone: (82) 3214-1545 | 3214-1428
E-mail: pinaufal@gmail.com

SERVIÇO:


Natal (RN)

 'Geni',  pintura sobre tela de Ariell Guerra. A obra homenageia a personagem da música  'Geni e o Zepelim' , de Chico Buarque

'Geni', pintura sobre tela de Ariell Guerra. A obra homenageia a personagem da música 'Geni e o Zepelim', de Chico Buarque

Já virou tradição! Todo mês de janeiro, a Pinacoteca Potiguar abre a mostra 'Estação Verão', que celebra a temporada mais quente do ano no Rio Grande do Norte, com um panorama atual das artes visuais no estado. Nesta edição, foram selecionados – via edital – 26 artistas e trabalhos em diversas linguagens, principalmente em pintura e desenho. Portanto, se você estiver curtindo suas férias pelas praias de Natal, não esqueça que o verão também está rolando na pinacoteca!

  Obras de Daniel Macedo

Obras de Daniel Macedo

estação verão 2018 pinacoteca potiguar
  Obras de Daniel Macedo em primeiro plano, dispostas em um dos salões da Pinacoteca Potiguar

Obras de Daniel Macedo em primeiro plano, dispostas em um dos salões da Pinacoteca Potiguar

Exposição: Estação Verão 2017/2018
Artista: Coletiva
Até 20 de janeiro, de terça a sexta-feira, das 8h às 17h; aos sábados, das 9h às 16h; e aos domingos, das 10h às 16h.
Local: Pinacoteca Potiguar
Endereço: Avenida 7 de setembro, s/n, Cidade Alta. Natal – Rio Grande do Norte. Telefone: (84) 3211-7056
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Fortaleza (CE)

  Visitantes contemplam a obra do pernambucano Gilvan Samico. Fotografia: Luiz Alves

Visitantes contemplam a obra do pernambucano Gilvan Samico. Fotografia: Luiz Alves

A 32ª Bienal de São Paulo foi aberta em 2016 na capital paulista e desde que encerrou sua temporada no Parque do Ibirapuera, a mostra iniciou suas itinerâncias pelo Brasil. Agora é a vez do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) receber a Bienal, que é a principal exposição de artes do país e uma das maiores do mundo. Neste recorte, participam 15 artistas e coletivos de países como Suécia, Chile, Turquia, Zimbábue, França e África do Sul. Entre os brasileiros, estão Bárbara Wagner, Wilma Martins e o pernambucano Gilvan Samico (in memoriam). O eixo central da 32ª edição da Bienal é a reflexão sobre as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar incertezas, diante das constantes mudanças que interferem nas condições atuais da vida no planeta.

  Abertura da etapa cearense da 32ª Bienal de São Paulo. Fotografia: Luiz Alves

Abertura da etapa cearense da 32ª Bienal de São Paulo. Fotografia: Luiz Alves

  Obra integrante da 32ª Bienal de São Paulo. Fotografia: Luiz Alves

Obra integrante da 32ª Bienal de São Paulo. Fotografia: Luiz Alves

  Entrada do Museu de Arte Contemporânea do Ceará. Fotografia: Luiz Alves

Entrada do Museu de Arte Contemporânea do Ceará. Fotografia: Luiz Alves

Veja um vídeo que apresenta alguns dos trabalhos presentes na 32ª Bienal de São Paulo:

Exposição: 32ª Bienal de São Paulo – Incerteza Viva
Artista: Coletiva
Até 28 de janeiro, de terça à sexta-feira, das 9h às 19h e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h
Local: Museu de Arte Contemporânea do Ceará - MAC-CE
Endereço: Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema. Fortaleza - Ceará (Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura). Telefone: (85) 3488-8621
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Teresina (PI)

  Os desenhos provocadores de Edilberto Sobrinho

Os desenhos provocadores de Edilberto Sobrinho

Sabe aquele tipo de arte que incomoda as mentes mais conservadoras? A intenção da mostra 'Arte Alternativa Piauiense' é abrir espaço à resistência artística e trazer para Teresina as discussões sobre censura e liberdade de expressão. A coletiva apresenta o trabalho de 11 artistas, com pinturas, fotografias e desenhos que deixam bem claro que a arte não está nem um pouco preocupada em seguir padrões impostos por uma sociedade falso-moralista. Vale acrescentar que a mostra não é indicada para menores de 16 anos.

  Einstein sob nova perspectiva. Grafite sobre papel de Edilberto Sobrinho

Einstein sob nova perspectiva. Grafite sobre papel de Edilberto Sobrinho

  Ao todo, 11 artistas participam da mostra. Fotografias: Daniel Cardoso

Ao todo, 11 artistas participam da mostra. Fotografias: Daniel Cardoso

arte alternativa piauiense

Exposição: Arte Alternativa Piauiense
Artista: Coletiva
Até 31 de janeiro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h e aos sábados, das 9h às 13h
Local: Casa da Cultura de Teresina
Endereço: Rua Rui Barbosa, 348, Centro, Teresina – Piauí. Telefone: (86) 3215-7849
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Salvador (BA)

  A foto de Francis Pérez, da Espanha, venceu o primeiro prêmio da categoria  'Natureza' . Mostra uma tartaruga envolvida por restos de redes na costa de Tenerife

A foto de Francis Pérez, da Espanha, venceu o primeiro prêmio da categoria 'Natureza'. Mostra uma tartaruga envolvida por restos de redes na costa de Tenerife

Pelo segundo ano consecutivo, Salvador recebe a mais importante exposição de fotojornalismo do mundo, a 'World Press Photo' (WPP)! A 60ª edição da mostra reúne 154 imagens sobre temas que marcaram o mundo em 2016, como a crise dos refugiados diante dos conflitos na África e Oriente Médio. O Rio de Janeiro também foi cenário de imagens vencedoras nas categorias 'Esportes' e 'Assuntos Contemporâneos'. O Brasil é destaque ainda com a participação dos fotógrafos brasileiros Lalo de Almeida e Felipe Dana.

  O fotógrafo francês Mathieu Willcocks registrou refugiados presos em um barco que contém mais de 500 pessoas, na costa da Líbia

O fotógrafo francês Mathieu Willcocks registrou refugiados presos em um barco que contém mais de 500 pessoas, na costa da Líbia

  A foto registrada pelo turco Burhan Ozbilici mostra o assassinato do embaixador russo Andrei Karlov, pelo policial Mevlut Mert

A foto registrada pelo turco Burhan Ozbilici mostra o assassinato do embaixador russo Andrei Karlov, pelo policial Mevlut Mert

  O ensaio do brasileiro Lalo de Almeida, da Folha de S. Paulo, mostra bebês com microcefalia, vítimas da Zika no Nordeste

O ensaio do brasileiro Lalo de Almeida, da Folha de S. Paulo, mostra bebês com microcefalia, vítimas da Zika no Nordeste

Exposição: World Press Photo 2017
Artistas: Coletiva
Até 4 de fevereiro, de terça a domingo, das 09 às 18h
Local: Caixa Cultural Salvador
Endereço: Rua Carlos Gomes, 57, Centro. Salvador – Bahia. Telefone: (71) 3421-4200
Entrada: Entrada franca

SERVIÇO:


Recife (PE)

  Na instalação  'Oxigênio' , Roberto Vietri reproduziu uma praia no interior da Galeria Janete Costa

Na instalação 'Oxigênio', Roberto Vietri reproduziu uma praia no interior da Galeria Janete Costa

Em sua primeira exposição individual no Nordeste, o paulistano Roberto Vietri reproduziu uma praia dentro da Galeria Janete Costa para questionar as possibilidades de construção da arte, diante da fragilidade de políticas públicas de fomento e incentivo à cultura, tão frágeis como um castelo de areia. Vietri foi um dos contemplados pelo Edital de Artes Visuais do Recife de 2015 (!), mas só agora a exposição saiu do papel (ou seja, só agora ele recebeu parte do cachê – outros artistas ainda estão no aguardo). De teor político e conceitual, a exposição apresenta vídeos, instalações e fotografias. Na Instalação ‘Oxigênio’, o público é desafiado a ler textos que são constantemente engolidos pela areia inquieta da praia reproduzida no espaço interno. A obra é inspirada na localização privilegiada da galeria, que fica próxima à praia de Boa Viagem.

  A mostra apresenta ainda vídeos e fotografias

A mostra apresenta ainda vídeos e fotografias

  O artista Roberto Vietri, selecionado pelo Edital de Artes Visuais do Recife de 2015, só agora recebeu parte do cachê pela Prefeitura do Recife

O artista Roberto Vietri, selecionado pelo Edital de Artes Visuais do Recife de 2015, só agora recebeu parte do cachê pela Prefeitura do Recife

  A exposição insere-se também como um protesto e um debate sobre os escassos investimentos do poder público em cultura

A exposição insere-se também como um protesto e um debate sobre os escassos investimentos do poder público em cultura

Exposição: Desmanche Construção (dis) Junção: Oxigênio e Outros Trabalhos
Artista: Roberto Vietri
Até 8 de fevereiro, de quarta a sexta-feira, das 12h às 20h e aos sábados e domingos, das 14h às 20h
Local: Galeria Janete Costa
Endereço: Avenida Boa Viagem, s/n, Boa Viagem – Recife – Pernambuco (Parque Dona Lindu). Telefone: (81) 3355-9825
E-mail: galeriajanetecosta@gmail.com
Entrada gratuita

SERVIÇO:


São Luís (MA)

  Visão geral da exposição Hiorlando

Visão geral da exposição Hiorlando

Uma exposição no mínimo curiosa está em cartaz no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM). São cerca de 80 peças esculpidas em madeira por Hiorlando, um artista popular do município de Água Doce do Maranhão (MA), revelado a partir de um projeto do CCVM que localiza e registra artesãos em atividade no estado. O artista, que nasceu em 1963, começou a esculpir há pouco mais de 10 anos, depois que um acidente o afastou de seu trabalho como estivador marítimo. Porém, até então, Hiorlando apenas presenteava amigos e vizinhos com seus bichos, que ele mesmo chama de 'bichos da água e do seco'. Até pela história a visita já vale a pena, né?

  Peças esculpidas em madeira por Hiorlando

Peças esculpidas em madeira por Hiorlando

hiorlando centro cultural vale maranhão

Exposição: Hiorlando
Artista: Hiorlando
Até 11 de fevereiro, de terça-feira a domingo, das 10h às 19h
Local: Centro Cultural Vale Maranhão
Endereço: Av. Henrique Leal, 149 – Praia Grande. São Luís - Maranhão.
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


João Pessoa (PB)

  A Estação das Artes abriu seu pavilhão para a montagem de instalações do projeto  'Instale-se'

A Estação das Artes abriu seu pavilhão para a montagem de instalações do projeto 'Instale-se'

Mais de 35 artistas paraibanos estão reunidos na Estação das Artes para o projeto 'Instale-se', que está oferecendo uma residência artística aberta para ocupação principalmente com instalações. A ideia é que os artistas possam montar seus trabalhos livremente e em seu próprio tempo, inclusive durante o período de visitação da mostra. A cada nova inserção, a exposição se transforma, oferecendo sempre algo novo aos visitantes. Além de instalações, o projeto ‘Instale-se’ também apresenta e recebe pinturas, esculturas, fotografias e outras linguagens contemporâneas.

  A ideia é manter um fluxo contínuo de montagem, respeitando o ritmo de trabalho de cada artista

A ideia é manter um fluxo contínuo de montagem, respeitando o ritmo de trabalho de cada artista

instale-se estação das artes

Exposição: Instale-se
Artista: Coletiva
Até 2 de março, de terça a sexta-feira, das 9h às 18h e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.
Local: Estação das Artes
Endereço: Rua João Cyrillo, s/n, Altiplano. João Pessoa – Paraíba (Estação Cabo Branco). Telefone: (83) 3214-8303 | 3214.8270
Entrada gratuita.

SERVIÇO:


Aracaju (SE)

  Visão geral da exposição individual de Fábio Sampaio

Visão geral da exposição individual de Fábio Sampaio

A exposição individual do paulista Fábio Sampaio, radicado em Aracaju desde 1991, continua em cartaz na Galeria Jenner Augusto. A exposição foi inaugurada no último mês de agosto, integrando a programação da 'Mostra Aracaju 2017', tradicional evento de arquitetura e design da cidade. O cotidiano da vida doméstica é o eixo central da exposição, que foi dividida em duas partes. Na primeira – 'Duas Cidades', a pintura expressa o que de melhor o artista absorveu a partir de suas moradas em São Paulo e Aracaju. Já em ‘Desenhos Líquidos', objetos corriqueiros da experiência doméstica – como sprays de inseticida e rolos de fita adesiva – adquirem resignificação poética em pequenas instalações.

  A pintura de Fábio Sampaio é uma constante invocação à memória afetiva sobre o morar/habitar

A pintura de Fábio Sampaio é uma constante invocação à memória afetiva sobre o morar/habitar

  Nesta instalação, o artista deu nova utilidade a rolos de fita adesiva

Nesta instalação, o artista deu nova utilidade a rolos de fita adesiva

Exposição: (Re)invenção da Paisagem Doméstica
Artistas: Fábio Sampaio
Continua aberta ao público sem data definida para encerramento, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h
Local: Galeria Jenner Augusto
Endereço: Rua Leonardo Leite, 148 – São José. Aracaju – Sergipe (Sociedade Semear). Tel: (79) 3022-2052.
E-mail: sociedadesemear@infonet.com.br
Entrada gratuita.

SERVIÇO:

Que tal começar o ano expondo sua arte? Galerias de 3 cidades do Nordeste estão com editais de ocupação abertos. Confira!

O ano tá só no início, mas ninguém precisa esperar o carnaval passar pra começar a se planejar, né? Se você é artista, se ligue nos editais de ocupação que estão abertos em galerias de arte de Aracaju-SE, Maceió-AL e Natal-RN. Quem sabe assim você não garante exposições pro ano todinho?

Galeria de Arte J. Inácio

  Visitantes contemplam as obras de Flávio Antonini na Galeria de Arte J. Inácio. O artista foi um dos selecionados no edital  de 2017

Visitantes contemplam as obras de Flávio Antonini na Galeria de Arte J. Inácio. O artista foi um dos selecionados no edital  de 2017

Você tem até 9 de fevereiro para se inscrever no edital que selecionará 6 propostas para ocupar a Galeria de Arte J. Inácio ao longo de 2018. Localizada em Aracaju-SE, anexa à Biblioteca Pública Epifânio Dórea, a J. Inácio completou 36 anos recentemente e é um dos espaços expositivos mais atuantes da cena artística sergipana.

Há 3 anos ela implantou sua política de editais de ocupação e, em 2018, cada proposta selecionada receberá uma premiação de R$ 7 mil. Podem participar artistas de todo o país, em projetos inéditos individuais ou coletivos, de linguagens como desenho, pintura, fotografia, arte eletrônica, instalações, quadrinhos, graffiti, entre outras. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelos Correios ou pessoalmente no Setor de Protocolo da Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe (Secult-SE).

  Entrada da Galeria de Arte J. Inácio

Entrada da Galeria de Arte J. Inácio

  A J. Inácio é um dos principais espaços expositivos de Aracaju-SE

A J. Inácio é um dos principais espaços expositivos de Aracaju-SE

O resultado será publicado no Diário Oficial do Estado (DOE-SE) no dia 26 de fevereiro e a primeira exposição será montada já em março! Para mais detalhes sobre documentação, prazos e critérios de seleção, confira o edital:


Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro

  Piso superior da galeria, durante o III Salão de Arte Contemporânea de Alagoas, em 2017

Piso superior da galeria, durante o III Salão de Arte Contemporânea de Alagoas, em 2017

Já a Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro, em Maceió-AL, abriu edital para selecionar – misteriosamente – uma única exposição de arte, individual ou coletiva, que ocupará a galeria entre 15 de março e 15 de maio de 2018. A exposição precisa ser inédita no circuito cultural de Alagoas e o edital não especifica se os proponentes precisam ser alagoanos ou residentes no estado (acredito que não).

  Fachada da Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro

Fachada da Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro

Gostaria muito do entender o motivo pelo qual a Diteal (Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas), órgão que gerencia a galeria, optou por não realizar uma seleção mais ampla, que contemple propostas suficientes para planejar a ocupação anual de sua pauta de exposições. Seria apenas por motivos financeiros?

O fato é que um edital tão restrito vai de encontro com o que acontece em outras galerias públicas e, portanto, causa certo estranhamento. Talvez se a gente entender que o Complexo Cultural Teatro Deodoro, inaugurado no finalzinho de 2014, ainda está dando seus primeiros passos, dá até pra relevar... (mas estamos de olho!)

De qualquer forma, pessoas físicas ou jurídicas podem se inscrever até 25 de janeiro, unicamente pelos Correios. O edital aceita propostas nas mais diversas linguagens, bastante amplas até, como desenho, fotografia, criações digitais, escultura, graffiti, gravura, poesia visual, videoarte, instalação, performance, body art, entre outras manifestações híbridas. O artista ou grupo selecionado receberá uma premiação de R$ 10 mil.

  Visitante contempla obras de arte no  térreo da Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro

Visitante contempla obras de arte no  térreo da Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro

O resultado será divulgado no dia 2 de fevereiro no site da Diteal e no Diário Oficial do Estado (DOE-AL). Para mais informações sobre critérios de seleção, documentação exigida e prazos consulte o edital:


Pinacoteca Universitária da Ufal

  A exposição retrospectiva de Marta Arruda foi um dos destaques de 2016 da Pinacoteca da Ufal

A exposição retrospectiva de Marta Arruda foi um dos destaques de 2016 da Pinacoteca da Ufal

Ainda em Maceió-AL, a Pinacoteca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) também está com inscrições abertas para seu edital de ocupação. Criada em 1981, a Pinacoteca da Ufal provavelmente é o espaço expositivo mais representativo da cena artística contemporânea em Alagoas. Há vários anos ela consolidou sua política de editais, abrindo espaço à ampla concorrência de propostas de todo o Brasil.

  A Pinacoteca da Ufal recebe propostas até 15 de janeiro

A Pinacoteca da Ufal recebe propostas até 15 de janeiro

  Exposição de Hilda Moura, que foi contemplada em 2016

Exposição de Hilda Moura, que foi contemplada em 2016

As inscrições para o edital de 2018 podem ser feitas até 15 de janeiro, exclusivamente por via postal. As propostas também devem ser inéditas no circuito cultural de Alagoas. Serão aceitos trabalhos nas mais diversas linguagens artísticas (a Pinacoteca é bem flexível quanto a isso) e a seleção será feita por uma comissão especializada, composta por 7 membros que analisarão as propostas de acordo com os critérios previstos no edital.

Infelizmente a Pinacoteca não disponibiliza premiação e nem deixa claro quantos projetos serão selecionados, mas em 2017 foram 5 contemplados. Para mais detalhes, acesse o edital:


Galeria Conviv’Art

  Visão geral da exposição  'Estruturas que criamos para reter' , de Leonardo Versieux, na Galeria Conviv'Art

Visão geral da exposição 'Estruturas que criamos para reter', de Leonardo Versieux, na Galeria Conviv'Art

E pra fechar o assunto, tem mais uma galeria universitária esperando a sua proposta! A Galeria Conviv'Art, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal-RN, está com edital de ocupação aberto até 16 de fevereiro. Serão selecionados 7 projetos em artes visuais que farão parte da agenda de exposições da galeria durante 2018.

As propostas podem ser individuais ou coletivas e os interessados podem ser de qualquer nacionalidade, desde que não tenham sido contemplados no edital de 2017. Ah, as exposições também precisam ser inéditas na cidade de Natal.

  Outras obras de Leonardo Versieux na Galeria Conviv'Art

Outras obras de Leonardo Versieux na Galeria Conviv'Art

galeria conviv'art

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por via postal ou pessoalmente, na sede do Núcleo de Arte e Cultura (NAC), setor da universidade que gerencia a galeria. A seleção será feita por uma comissão formada por 3 especialistas, que avaliarão os projetos de acordo com critérios previstos no edital. O resultado final será publicado no site do NAC até o dia 28 de fevereiro.

Infelizmente o edital também não oferece premiação aos selecionados. =(

Consulte o edital para mais detalhes:

Boa sorte e não me decepcionem! Faço questão de ver os trabalhos de vocês nas 4 galerias! 😉

Retrospectiva: 10 exposições de arte que marcaram o ano de 2017 no Nordeste

2017 já está nos seus suspiros finais, mas ainda vale a pena dar um último giro cultural pelo Nordeste e destacar algumas exposições de arte que marcaram o ano na região!

  Imagens de algumas das exposições que marcaram o ano de 2017 no Nordeste

Imagens de algumas das exposições que marcaram o ano de 2017 no Nordeste

Mas antes, algumas considerações:

Apesar de ter sido um ano difícil às artes visuais - que do segundo semestre pra cá se deparou com o falso-moralismo e a hipocrisia de alguns conservadores com agenda política a cumprir, não faltou nudez, temas referentes à sexualidade ou questionamentos políticos nas exposições por aqui. Embora a artista Simone Barreto tenha sido 'convidada' a retirar algumas de suas obras de uma exposição no Espaço Cultural Unifor, em Fortaleza, não tivemos acesso a outros episódios significativos de censura em museus, centros culturais e galerias de arte do Nordeste. Por acaso não há conservadores por aqui? Ou isso apenas reflete aqueles dados de 2009 do IBGE, que mostram que 96% dos brasileiros não frequentam museus e 93% nunca foram a uma exposição de arte? Será que no Nordeste essa porcentagem é ainda maior?

  Em protesto contra à censura a exposições de arte e apresentações cênicas em 2017, 115 pessoas ficaram nuas na Praça do Museu da República, em Brasília, para uma série fotográfica assinada pelo fotógrafo Kazuo Okubo. Censura nunca mais!

Em protesto contra à censura a exposições de arte e apresentações cênicas em 2017, 115 pessoas ficaram nuas na Praça do Museu da República, em Brasília, para uma série fotográfica assinada pelo fotógrafo Kazuo Okubo. Censura nunca mais!

Ainda somos uma região sem o hábito de frequentar equipamentos culturais e desconfio que isso tem relação direta com nossa carência em educação, mais até do que com a condição financeira ou classe social do nosso povo. Arrisco dizer, inclusive, que a classe média e a própria elite econômica não são grandes frequentadores de museus (locais, é claro) e exposições de arte (pelo menos quando não oferecem algum status social). E quando falo sobre nossa carência em educação, não estou falando de educação como mercadoria, mas sim de educação para a formação humana do indivíduo e da própria sociedade.

  O hábito de frequentar museus e outros espaços culturais deve fazer parte da formação humana de nossas crianças

O hábito de frequentar museus e outros espaços culturais deve fazer parte da formação humana de nossas crianças

  Uma criança visita a exposição  'Meu Caminho' , de Raimunda Fortes, na Sala Sesc de Exposições, em Sao Luís-MA

Uma criança visita a exposição 'Meu Caminho', de Raimunda Fortes, na Sala Sesc de Exposições, em Sao Luís-MA

Nossa cultura faz parte desse processo de formação. A arte transforma. Ela tem o poder de nos tirar do lugar comum e de oferecer um ponto de vista diferente (e muitas vezes crítico) daquilo que é aparentemente banal em nosso cotidiano. A arte é um risco ao status quo. É por isso que os conservadores se sentem ameaçados por ela e é por isso também que os investimentos em educação e cultura não são prioridade às nossas oligarquias políticas. E a previsão é de que os cortes sejam ainda maiores em 2018.

Mas apesar de todas essas dificuldades, as artes visuais continuaram resistindo e florescendo no Nordeste e, ao longo do ano, recebemos grandes exposições individuais de artistas consolidados, como Tomie Ohtake, Leonilson e Chico Albuquerque, além do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE) - pela primeira vez no Nordeste. Tivemos ainda exposições coletivas comemorativas, reunindo os principais nomes da produção artística local de alguns estados. Sem falar na itinerância de algumas exposições pelas capitais e também pelo interior da região, o que ainda é pouco comum e merece ser incentivado para promover a integração e o intercâmbio cultural entre os estados do Nordeste. Afinal, se estamos geograficamente tão próximos, por que ainda somos tão distantes?


Tomie Ohtake na Caixa Cultural

  A artista Tomie Ohtake viveu 101 anos e 60 deles foram dedicados à arte

A artista Tomie Ohtake viveu 101 anos e 60 deles foram dedicados à arte

  A obra da artista sempre seguiu o caminho do abstracionismo

A obra da artista sempre seguiu o caminho do abstracionismo

Tomie Ohtake nasceu no Japão, mas viveu a maior parte de sua vida no Brasil e é reconhecida como uma das principais artistas brasileiras do século XX. Mesmo começando sua carreira aos 40 anos, ela ainda produziu por mais 60 anos! Em 2017, a mostra retrospectiva ‘Cor e Corpo’, que homenageia a artista morta em 2015, permaneceu bastante tempo no Nordeste, circulando pelas unidades da Caixa Cultural de Salvador, Recife e Fortaleza. O público dessas três capitais teve a oportunidade de ver de perto a sutileza das cores, das formas e das curvas que marcam o abstracionismo presente nas gravuras, pinturas e esculturas da artista.


Lula Cardoso Ayres: Arte, Região e Tempo

  Obra de Lula Cardoso Ayres exposta na retrospectiva do artista

Obra de Lula Cardoso Ayres exposta na retrospectiva do artista

A Caixa Cultural do Recife ainda celebrou a trajetória de Lula Cardoso Ayres, com uma grande mostra retrospectiva. Ao todo foram 208 obras que revelam a percurso do artista pernambucano por diferentes técnicas, como pintura a óleo, acrílica sobre cartão, aquarela, têmpera, entre outras. Lula Cardoso Ayres, que nos deixou em 1987, foi um grande nome do modernismo brasileiro e uma das figuras mais icônicas das artes visuais em Pernambuco.

  Telas de Lula Cardoso Ayres evidenciam seu traço modernista

Telas de Lula Cardoso Ayres evidenciam seu traço modernista

lula cardoso ayres

Leonilson: arquivo e memória vivos

  A obra de Leonilson é revisitada em exposição retrospectiva

A obra de Leonilson é revisitada em exposição retrospectiva

Já o artista Leonilson teve sua maior exposição retrospectiva, que resultou ainda na publicação de seu catálogo raisonné – com reproduções de todas as obras conhecidas do artista. A mostra ficou cerca de 3 meses em cartaz no Espaço Cultural Unifor, em Fortaleza, e reuniu mais de 120 obras, algumas delas inéditas. Leonilson nasceu no Ceará, mas se mudou para São Paulo ainda na infância. Ele se destacou na arte contemporânea brasileira entre as décadas de 1980 e 1990, mas em 1993 teve sua vida interrompida, aos 36 anos, vítima do vírus HIV. Justíssima homenagem do Ceará ao seu conterrâneo.

  O artista seguiu o caminho da arte contemporânea em sua breve, mas profícua trajetória

O artista seguiu o caminho da arte contemporânea em sua breve, mas profícua trajetória

leonilson

O fotógrafo Chico Albuquerque, 100 anos

  Fotos do ensaio  'Mucuripe' , responsável por projetar nacionalmente a costa cearense

Fotos do ensaio 'Mucuripe', responsável por projetar nacionalmente a costa cearense

chico albuquerque

Outro cearense homenageado por lá foi o fotógrafo Chico Albuquerque, um dos pioneiros na fotografia publicitária brasileira e responsável por projetar nacionalmente a costa marítima do Ceará. Em 2017 ele completaria 100 anos e por isso foi tema da edição deste ano da Maloca Dragão, o maior festival de artes do estado. A exposição ocupou o Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE) com mais de 400 fotografias.

Chico Albuquerque também ficou conhecido por ter acompanhado o cineasta americano Orson Welles ('Cidadão Kane') durante as gravações de um documentário sobre quatro jangadeiros que, a bordo de uma jangada, navegaram até o Rio de Janeiro a fim de reivindicar melhores condições de trabalho ao então presidente Getúlio Vargas. Infelizmente, o filme permaneceu inacabado, mas virou história.

  O cineasta americano Orson Welles (sentado) durante passagem pelo Ceará, em 1942. Fotografia: Chico Albuquerque

O cineasta americano Orson Welles (sentado) durante passagem pelo Ceará, em 1942. Fotografia: Chico Albuquerque


FILE SÃO LUÍS 2017

  Pela primeira vez, o FILE, maior festival de Arte e Tecnologia da América Latina chegou a uma cidade nordestina

Pela primeira vez, o FILE, maior festival de Arte e Tecnologia da América Latina chegou a uma cidade nordestina

E pela primeira vez uma cidade nordestina recebeu o Festival Internacional de Arte Eletrônica (FILE), o maior festival de Arte e Tecnologia da América Latina! A mostra, que anualmente acontece em São Paulo e circula geralmente entre as capitais do Sul e Sudeste, veio com tudo inaugurar o Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), o mais novo espaço expositivo de São Luís (que, claro, merece nossa atenção nessa retrospectiva de 2017).

Durante três meses, o público do Maranhão pode interagir com obras de realidade virtual, instalações interativas, games, animações, experiências sensoriais, tendo acesso a trabalhos de mais de 42 artistas de diversos países, como Brasil, Alemanha, Austrália, Canadá, França, Eslováquia, Estados Unidos, Grécia, México, Portugal e Sérvia. De fato, uma mostra que merece o registro!

  Obra de realidade virtual convida o interator a entrar na obra de Van Gogh por meio de um óculos de realidade 3D

Obra de realidade virtual convida o interator a entrar na obra de Van Gogh por meio de um óculos de realidade 3D

  Sede do Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), inaugurado em 2017

Sede do Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), inaugurado em 2017


Mostra Sesc Amazônia das Artes pelo Maranhão e Piauí

  A exposição  'Alistamento' , de Éder Oliveira, integrou a 10ª edição da Mostra Sesc Amazônia das Artes

A exposição 'Alistamento', de Éder Oliveira, integrou a 10ª edição da Mostra Sesc Amazônia das Artes

Em 2017, o Maranhão ainda recebeu a exposição ‘Alistamento’, assim como o Piauí! Os dois estados integraram a 10ª edição da Mostra Sesc Amazônia das Artes, que também percorreu toda a região Norte e o Mato Grosso, promovendo atividades culturais nos estados da chamada Amazônia Legal. Eu só não entendi o porquê do Piauí ser incluído nesse projeto, uma vez que o Amazônia não é um bioma que ocorre no estado. Mas enfim... que bom que itinerâncias culturais como essa estão ocorrendo também no Norte do país!

Quem assina a exposição ‘Alistamento’ é o artista paraense Éder Oliveira, que apresentou ao público seu olhar artístico sobre o alistamento militar, em um processo de experimentação estética que aproximou fotografia, retrato, pintura e intervenção. Para muitos jovens, o alistamento militar representa uma alternativa para mudar de vida, principalmente para aqueles vindos de cidades pequenas.

  Um olhar artístico sobre o alistamento militar

Um olhar artístico sobre o alistamento militar

eder oliveira

Alexandre Filho - Pinturas e Gravura

  A Usina Cultural Energisa, em João Pessoa-PB, abriu a Galeria de Arte Alexandre Filho, seu novo espaço expositivo

A Usina Cultural Energisa, em João Pessoa-PB, abriu a Galeria de Arte Alexandre Filho, seu novo espaço expositivo

Outro espaço expositivo inaugurado recentemente é a Galeria de Arte Alexandre Filho, dentro da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa. E nada melhor do que uma exposição do próprio homenageado para abrir a galeria! O paraibano Alexandre Filho é um verdadeiro patrimônio vivo da arte popular brasileira, reconhecido internacionalmente como um dos principais artistas naïfs do país.

A exposição retrospectiva de seus 50 anos de carreira (!) contou com trabalhos que se destacam pela leveza do traçado arredondado, pelas cores cheias de luz, pelo lirismo da relação entre a figura humana e a natureza e pela memória coletiva do povo nordestino, tão presente em suas telas. Algumas das obras, inclusive, eram inéditas. Na ocasião dessa exposição, o Pigmum também homenageou o artista lançando a seção Artista do Mês. Mais que merecido!

  Alexandre Filho é referência em arte  naïf  no país

Alexandre Filho é referência em arte naïf no país


Graciliano Arte e os 200 anos de Alagoas

  Páginas do livro Graciliano Arte dedicadas ao artista contemporâneo Delson Uchôa

Páginas do livro Graciliano Arte dedicadas ao artista contemporâneo Delson Uchôa

  Capa do livro Graciliano Arte, publicado em 2017

Capa do livro Graciliano Arte, publicado em 2017

Em Alagoas, os 200 anos de emancipação política (o território alagoano pertencia a Pernambuco até 16 de setembro de 1817) foram comemorados também com exposições coletivas que apresentaram um panorama visual da produção artística contemporânea no estado. Apesar de ter ocorrido o 'III Salão de Arte Contemporânea de Alagoas' e da Pinacoteca Universitária da Ufal ter cumprido o seu papel muito bem com a mostra ‘Horizontes’, é preciso enfatizar a exposição ‘Graciliano Arte’, que marcou o lançamento de um livro homônimo com o recorte dessa produção contemporânea em diferentes linguagens, como a música, a literatura, o audiovisual, as artes cênicas e, claro, as artes visuais.

Embora a publicação tenha causado certo desconforto devido às escolhas editoriais e à ausência de alguns nomes emblemáticos entre os artistas locais, é válido destacar esse livro como uma conquista das artes em Alagoas. Que venham os próximos!

Na exposição, que foi montada no Galpão 422, o público pode conferir trabalhos de artistas em plena atividade, como Pedro Lucena, Myrna Maracajá, Heway Verçosa, Suel Cordeiro, Celso Brandão, Francisco Oiticica, Renata Voss e Ricardo Lêdo.


A itinerância de Guto Holanda

  Guto Holanda e suas obras

Guto Holanda e suas obras

E quem também expôs em Maceió foi o paulista Guto Holanda. Radicado em João Pessoa, o artista conseguiu circular com seus trabalhos em pelo menos três estados do Nordeste este ano! Primeiro ele dividiu o espaço da Galeria de Arte Archidy Picado, em João Pessoa, com o também artista Américo Filho (Meiacor); depois, a Pinacoteca da Ufal recebeu a sua exposição individual ‘Nunca Serei Cinza’; e em novembro, foi a vez da Galeria de Arte do IFRN Cidade Alta, em Natal, receber a mesma exposição.

Mas por que eu estou batendo tanto nesta tecla? Porque seria incrível que as exposições dos nossos artistas tivessem trânsito facilitado não apenas nas capitais da região, mas também pelo interior dos estados. Precisamos dar a oportunidade para que o Nordeste conheça e valorize os seus próprios artistas. Intercâmbio cultural é fundamental!

  Mostra  'Cor de Dentro'  ficou em cartaz na Galeria de Arte Archidy Picado, em João Pessoa-PB, no primeiro semestre de 2017

Mostra 'Cor de Dentro' ficou em cartaz na Galeria de Arte Archidy Picado, em João Pessoa-PB, no primeiro semestre de 2017


II Salão Dorian Gray de Artes Visuais em Mossoró-RN

  O cangaço foi o tema do II Salão Dorian Gray de Artes Visuais

O cangaço foi o tema do II Salão Dorian Gray de Artes Visuais

Falando em interiorização, não podemos deixar de fora o 'II Salão Dorian Gray de Artes Visuais', que levou para Mossoró-RN – em pleno período junino - mais de 300 obras, entre desenhos, pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, imagens em movimento e performances. Cerca de 150 artistas participaram da mostra, que teve o cangaço como tema. O salão integrou as comemorações da cidade pelos 90 anos de resistência do povo mossoroense ao ataque do bando de Lampião. De fato, essa grande exposição no interior potiguar marcou o ano de 2017 para as artes visuais do Rio Grande do Norte.

E a notícia que rola por aí é de que Mossoró vai ganhar a sua própria Pinacoteca! Espero que esse projeto saia mesmo do papel, né governador?!

  A mostra levou mais de 300 obras para Mossoró-RN

A mostra levou mais de 300 obras para Mossoró-RN

II Salão Dorian Gray de Artes Visuais

É claro que muita coisa ficou de fora nessa retrospectiva 2017. Não foi nada fácil eleger apenas 10 exposições em meio a tanta coisa que rolou nos 9 estados que compõem o Nordeste. Mas acredito que consegui fazer um apanhado justo do que eu consegui acompanhar ao longo do ano por aqui. Espero que o Pigmum tenha ajudado vocês a se conectar com a cena artística visual do Nordeste. Espero ainda que, em 2018, o Pigmum possa acompanhar ainda mais de perto essa cena tão diversa e que se torne, de certa forma, um termômetro das artes visuais na região.

Agora pegue o champagne e vamos brindar!

Feliz ano novo!

Começou a 11ª Primavera dos Museus, em mais de 900 instituições de todo o país. Confira a programação!

Oficialmente, a primavera só começa no próximo dia 22 de setembro, mas os museus do país inteiro já desabrocharam para mais uma temporada cultural. A partir desta segunda-feira (18), cerca de 900 museus brasileiros participam da 11ª Primavera dos Museus, com mais de 2.500 atividades especiais, realizadas entre 18 e 24 de setembro.

  Cartaz da 11ª Primavera dos Museus, que neste ano está promovendo uma reflexão sobre as memórias das próprias instituições museais

Cartaz da 11ª Primavera dos Museus, que neste ano está promovendo uma reflexão sobre as memórias das próprias instituições museais

Nesta edição, com o tema ‘Museus e suas memórias’, o objetivo é valorizar as próprias memórias institucionais, ou seja, refletir sobre a trajetória particular de cada museu e seu papel como agente articulador da memória coletiva nas localidades onde estão inseridos. Ainda é possível participar da dinâmica social diante das constantes transformações?

É hora de fazer um balanço e reposicionar o lugar dos museus na sociedade. E o momento não poderia ser mais oportuno, às vésperas de mais um aniversário histórico do Museu Nacional (RJ), que foi a primeira instituição museal do país e que em 2018 completará 200 anos!

Desde então, milhares de outros museus foram criados no Brasil. O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) – órgão que promove a 11ª Primavera dos Museus – já mapeou cerca de 3.700 instituições museais espalhadas pelo país e muitas delas ainda não tinham refletido sobre suas próprias histórias, objetivos, processos e resultados.

É sob esse contexto que estão previstas as palestras, oficinas, visitas mediadas e exibição de filmes ao longo de toda essa semana. Uma ótima maneira de dar boas-vindas à primavera, né?!

E se você não tem o hábito de frequentar museus, eis aí uma oportunidade imperdível! Prestigie um museu perto de você, participe das atividades e sempre que for publicar nas redes sociais, não se esqueça de marcar a hashtag #primaveramuseus2017. =)

Confira a programação da sua cidade:

Artista do mês : Alexandre Filho e seu lirismo visual pela cultura nordestina

Alexandre Filho é um verdadeiro patrimônio vivo da arte popular brasileira, reconhecido internacionalmente como um dos principais artistas naïfs do país e é com ele que o Pigmum inaugura a seção Artista do Mês, que vai trazer mensalmente conteúdos especiais sobre a obra de artistas do Brasil!

  As telas de Alexandre Filho são marcadas pela abundância de cores luminosas e pela referência à cultura nordestina, sempre representada de forma poética

As telas de Alexandre Filho são marcadas pela abundância de cores luminosas e pela referência à cultura nordestina, sempre representada de forma poética

Com 50 anos de carreira, esse paraibano de 85 anos já realizou exposições em países como França, Portugal, Espanha, México, Uruguai, Estados Unidos, Bélgica e Nigéria. Agora seu nome acaba de batizar a nova galeria de arte da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa e para inaugurar esse novo espaço expositivo, nada melhor do que uma mostra do próprio homenageado. A exposição ‘Alexandre Filho - Pinturas e Gravura’, que fica em cartaz até 30 de setembro, é inclusive um dos destaques do nosso giro cultural de setembro pelas exposições em cartaz no Nordeste. Clique e confira!

  A Galeria de Arte Alexandre Filho foi inaugurada no prédio da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa-PB, com uma exposição dedicada ao próprio artista homenageado

A Galeria de Arte Alexandre Filho foi inaugurada no prédio da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa-PB, com uma exposição dedicada ao próprio artista homenageado

  Várias telas da exposição são inéditas e fazem parte de coleções particulares

Várias telas da exposição são inéditas e fazem parte de coleções particulares

Nascido em 1932, no município paraibano de Bananeiras, Alexandre Filho teve uma juventude difícil. Trabalhou na lavoura até os 17 anos e também foi servente, caixeiro e operário. Não chegou a concluir o curso primário, mas a paixão pelo desenho – que ele nutria desde criança – transformou Alexandre em um artista autodidata e foi assim que ele encontrou o seu próprio traço.

  Os ícones da devoção cristã do são temas recorrentes na obra de Alexandre Filho

Os ícones da devoção cristã do são temas recorrentes na obra de Alexandre Filho

  A vida simples do interior do Nordeste também é retratada com lirismo  naïf 

A vida simples do interior do Nordeste também é retratada com lirismo naïf 

  Outra característica da obra de Alexandre Filho é a ausência de perspectiva e de sombra

Outra característica da obra de Alexandre Filho é a ausência de perspectiva e de sombra

A mudança para o Rio de Janeiro em 1964 também foi fundamental. Foi lá que o desenhista amador começou a pintar, incentivado pelo amigo e também artista Luiz Canabrava.

  A obra de Alexandre Filho ganhou reconhecimento internacional ainda entre os anos 1960 e 1970

A obra de Alexandre Filho ganhou reconhecimento internacional ainda entre os anos 1960 e 1970

Alexandre Filho

O reconhecimento não demorou muito. Logo, a arte de Alexandre Filho começou a chamar a atenção pela leveza do traçado arredondado, pelas cores cheias de luz, pelo lirismo da relação entre a figura humana e a natureza e pela memória coletiva do povo nordestino, tão presente em suas telas. E não foi à toa que em 1975 o artista retornou à Paraíba, onde vive até hoje, ainda em atividade.

  A memória coletiva da cultura nordestina é uma constante nas pinturas do artista, assim como a flora da região

A memória coletiva da cultura nordestina é uma constante nas pinturas do artista, assim como a flora da região

Alexandre Filho
  A mostra 'Alexandre Filho - Pinturas e Gravura' apresenta 17 obras no total

A mostra 'Alexandre Filho - Pinturas e Gravura' apresenta 17 obras no total

Além de ser uma justa homenagem a esse artista, a exposição em cartaz na Usina Cultural Energisa conta com obras inéditas, que pertencem a acervos particulares e que, por isso, nunca foram exibidas antes. Nem preciso dizer que a visita é imperdível, né?


SERVIÇO:

Exposição: Alexandre Filho - Pinturas e Gravura
Artista: Alexandre Filho
Até 30 de setembro, de terça-feira a domingo, das 14h às 20h
Local: Usina Cultural Energisa
Endereço: Rua João Bernardo de Albuquerque, 243, Tambiá. João Pessoa – Paraíba. Telefone: (83) 3221-6343
Entrada gratuita.

Precisamos dizer NÃO à censura e reabrir a exposição 'Queermuseu' no Santander Cultural!

Primeiro, quero deixar todo o meu apoio e solidariedade aos artistas e ao Doutor em História da Arte, Gaudêncio Fidelis, curador da mostra ‘Queermuseu – Cartografias da diferença na arte brasileira’.

Nesta segunda-feira, 11 de setembro, esse foi um dos principais assuntos a repercutir na internet: a exposição, que dava visibilidade à diversidade sexual e questionava valores culturais, sociais e religiosos que historicamente marginalizaram e ainda marginalizam a comunidade LGBT+, foi cancelada pelo Santander Cultural de Porto Alegre, após a reação daqueles que eu estou chamando aqui de ‘os conservadores’.

  A exposição  'Queermuseu'  discute diversidade sexual e reúne obras de vários artistas e épocas diferentes

A exposição 'Queermuseu' discute diversidade sexual e reúne obras de vários artistas e épocas diferentes

Eu lamento a decisão do Santander Cultural em ceder à censura e à intimidação desonesta desses conservadores e lamento ainda mais que essa prática, tão comum nos tempos da Ditadura Militar esteja voltando. Esse não é o primeiro caso de censura que vimos nos últimos anos e provavelmente não será o último. E o mais chocante é que todas essas manifestações artísticas, performáticas ou teatrais que foram censuradas e ganharam repercussão na internet tinham um teor político muito forte e isso diz muito sobre o nosso atual momento histórico. Inclusive algumas das obras que estão sendo alvo de repúdio são dos anos 1990 e já circularam em diversas outras exposições e espaços públicos.

 ‘A’, Not ‘I’  (2016), de Cibelle Cavalli Bastos, uma das obras da exposição  ‘Queermuseu’ 

‘A’, Not ‘I’ (2016), de Cibelle Cavalli Bastos, uma das obras da exposição ‘Queermuseu’ 

Eu não tenho dúvidas de que a reação contra essa exposição é só mais um reflexo dos nossos tempos sombrios e só mostra o quanto a homofobia e os tabus sexuais ainda estão latentes na nossa sociedade hipócrita e falso-moralista. A mesma sociedade que colocou os termos 'ônibus' e 'gozando no ombro' como duas das palavras-chave mais buscadas em um site pornô, poucos dias após a repercussão daquele caso de abuso sexual dentro de um ônibus em São Paulo  (veja o link).

  As tags  'ônibus'  e  'gozando no ombro'  foram algumas das palavras-chave mais buscadas no site de conteúdo pornográfico X-Videos, logo após o caso de abuso sexual dentro de um ônibus em São Paulo. Isso revela muito sobre a nossa sociedade

As tags 'ônibus' e 'gozando no ombro' foram algumas das palavras-chave mais buscadas no site de conteúdo pornográfico X-Videos, logo após o caso de abuso sexual dentro de um ônibus em São Paulo. Isso revela muito sobre a nossa sociedade

É por essas e outras que precisamos sim continuar discutindo gênero e diversidade sexual em todas as instituições sociais (na arte, na família, na igreja, na escola - SIM), porque essa diversidade faz parte da nossa realidade empírica e escondê-la para debaixo do tapete só vai trazer sofrimento e ignorância para todo mundo. Inclusive para as crianças. Precisamos SIM falar sobre isso com as crianças e talvez elas entendam até melhor do que você.

 'Cena de interior II'  (1994), da artista Adriana Varejão, uma das obras mais comentadas da exposição e que levanta questionamentos sobre práticas sexuais recorrentes no interior do Brasil, segundo a artista

'Cena de interior II' (1994), da artista Adriana Varejão, uma das obras mais comentadas da exposição e que levanta questionamentos sobre práticas sexuais recorrentes no interior do Brasil, segundo a artista

A arte pode ser um meio de expressão capaz de nos tirar do lugar-comum e de nos levar além dos discursos rasos e literais que rondam o nosso cotidiano. Uma obra de arte tem o potencial de expressar muito mais do que parece: desde questionamentos estéticos, conflitos pessoais, crítica social, posicionamento político, entre tantas outras possibilidades. Mas é preciso saber ler as entrelinhas. E não é isso que estamos vendo na repercussão dessa exposição.

Os autores dos vídeos e dos comentários que estão circulando na internet não fazem a mínima questão de tentar entender a proposta da exposição e as críticas e questionamentos que estão sendo levantados nela.

Para além das poéticas artísticas, essa é também uma exposição política (SIM!) - como todo posicionamento que a gente assume na vida! Afinal, a reação conservadora também é política. E limitada ao ataque raso, agressivo e distante de qualquer contexto que tenha sido proposto na exposição.

Essa galera conservadora consegue ser extremamente bidimensional, enxergando apenas nudez, "pornografia" e o que eles consideram vulgar e obsceno em trabalhos artísticos que estão se propondo a explorar questões com raízes muito mais profundas do que isso.

Você tem que ser muito criativo pra conseguir ver pedofilia em um trabalho como o da artista Bia Leite, que se inspirou nas fotos do site Criança Viada para celebrar os traços não heteronormativos que as crianças LGBT+ expressam todos os dias e que são duramente reprimidos todos os dias, muitas vezes com xingamentos e violência física. E eu sei do que eu tô falando. Você ao menos sabe o que é pedofilia? Porque se você enxergou pedofilia nesse trabalho, busque se informar melhor ou vá se tratar! Você está com problemas!

 'Criança Viada Travesti da Lambada'  e  'Criança Viada Deusa das Águas'  (2013), de Bia Leite. Acusada de pedofilia. Pedofilia onde?

'Criança Viada Travesti da Lambada' e 'Criança Viada Deusa das Águas' (2013), de Bia Leite. Acusada de pedofilia. Pedofilia onde?

Na verdade, essa tal 'obscenidade' ou nudez que aparece nos trabalhos da exposição seja o que há de menos importante nessas obras. Talvez a exposição esteja muito mais interessada em discutir o preconceito e a hipocrisia dos falso-moralistas.

Diante de toda essa reação, eu só consigo pensar que esses conservadores não se sentem confortáveis em se deparar com seus próprios preconceitos, muito menos em uma galeria de arte, que ainda tem sobre si essa áurea quase inatingível de genialidade artística. E como eles não têm como contra-argumentar - uma vez que eles não conseguem ultrapassar a zona superficial que só enxerga literalmente nudez e pornografia, não resta outra opção a eles, a não ser os ataques agressivos e o apelo à censura.

Mas não podemos deixar que a censura se instale novamente em nosso país e nem permitir que os conservadores continuem ditando regras equivocadas, baseadas em seus próprios umbigos. Chega de ignorância! Chega de homofobia!   

E como já cantou Chico Buarque, apesar de você, amanhã há de ser outro dia e você vai ter que ver a manhã renascer e esbanjar poesia.

Assine o abaixo-assinado que pede a reabertura da exposição ‘Queermuseu’! Precisamos continuar falando sobre isso e a exposição só tem a contribuir!

Resultado do sorteio do livro sobre a arte de Salvador Dalí!

E como prometido, neste domingo, 10 de setembro, rolou o sorteio do livro sobre a arte de Salvador Dalí, em comemoração às 1.000 curtidas na página do Pigmum no Facebook. O sorteio foi feito ao vivo, às 10h da manhã e o vídeo está disponível logo abaixo!

E a ganhadora é lá da cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul! Parabéns, Hilda! Espero que você aproveite bastante o livro! Se puder, manda um feedback pra gente! Não esqueça que você tem 5 dias para enviar um endereço para a entrega do livro. Fique de olho no seu e-mail, pois uma mensagem foi encaminhada. 

Resultado Sorteio Livro Dalí

Obrigado a todo mundo que participou da promoção. Em breve vai haver outros sorteios porque eu adorei brincar disso! Se tiver alguma editora de livros, livraria ou empresa do segmento de artes/cultura a fim de fechar uma parceria, é só mandar sua proposta para pigmumblog@gmail.com ou entrar em contato pelo Instagram, Facebook ou YouTube.

Até mais e bom domingo!